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Viagem: Quixadá

sábado, 25 de outubro de 2008

Mais uma vez fui passar um final de semana escalando em Quixadá. Essa já é a terceira vez que volto lá depois do curso de escalada. E como sempre, foi muito bom!

Galinha Choca
Galinha Choca

O ícone de Quixadá: Galinha Choca

Pra quem ainda não conhece, Quixadá fica no sertão central do Ceará, distante 167Km de Fortaleza. Quando você se aproxima da cidade, a paisagem muda. O que antes era só uma grande extensão de caatinga, agora parece um mar de pedra. Pedras imensas dominam toda a paisagem. As rochas são predominantemente graniticas, com afloração de cristais que acabam servindo de agarras. E essa é a dificuldade da escalada em Quixadá: subir segurando e apoiando os pés nesses cristais, que você não sabe se vão ficar onde estão.

Fomos em um grupo de cinco pessoas: eu, Marcos Arsênio, seus dois filhos, James e Lucas e o nosso amigo Sávio, recém retornado ao estado; Saímos na sexta à noite, e depois de cerca de duas horas de viagem tranquila, conversando sobre ovnis, chegamos na cidade dos monólitos. Essa era a primeira vez do Marcos e família escalando em Quixadá. Ficamos alojados na casa de um amigo escaldor da cidade, Jorginho Mascena. Um cara que eu realmente admiro bastante, gente boa como não se encontra mais com tanta facilidade hoje. Dormimos cedo para nos prepararmos para o dia seguinte.

O Vale Perdido
O Vale Perdido

O Vale Perdido

No sábado, arrumamos nossos equipamentos e nos mandamos para o Vale Perdido, o melhor setor de Quixadá pra quem gosta de vias esportivas, embora não seja o ideal para a modalidade. É um verdadeiro corredor de pedra, com duas imensas paredes se extendendo por uns 100 metros. O Vale conta por enquanto com 23 vias cadastradas e mais alguns projetos. Mas o potencial do lugar mal começou a ser explorado. Lá tem de tudo um pouco, vias de 3º até 7º grau, mas alguns projetos prometem subir o nível em pouco tempo.

Como todo mundo ali não era nennhum escalador forte, ficamos nas vais mais fáceis, até 4º grau, que dava pra todo mundo se divertir, incluindo o pequeno Lucas, de 11 anos. Começamos pela Manhã de Sol (4sup). Saída vertical, com alguns agarrões, mas nada muito óbvio, que leva até um platô mais em cima, onde começa a segunda parte da via. Subi guiando, e levei o Marcos de segundo. Enquanto isso o pessoal resolveu brincar na Paçoquinha, via de terceiro grau. Sávio guiou, em seguida o James, e montaram o top rope para o Lucas. Passamos mais um tempo ali e fomos almoçar.

Sávio na Manhã de Sol e Lucas e Marcos na Paçoquinha.
Sávio na Manhã de Sol e Lucas e Marcos na Paçoquinha.

Sávio na Manhã de Sol e Lucas e Marcos na Paçoquinha.

Voltamos para o Vale à tarde para encontrar nosso amigo Jorginho, já nos esperando na base da via Lagarta de Fogo (7b). Ele subiu guiando as 3 primeiras chapas, mas não conseguiu vencer o crux que vem depois. Deixamos a corda lá e todo mundo começou a tentar esse trecho em top rope. Primeiro eu, depois Sávio, Marcos, até o Luquinhas tentou.

Eu estava louco pra entra numa via que me tinha sido recomendada pelo meu amigo Rodrigo: Segunda Estação (7a). Uma via linda, com uma sáida estilo boulder em negativo. Mas infelizmente os maribondos me impediram de entrar nela, e como nós não tinhamos levado nada para afugentá-los resolvemos deixar pra outra oportunidade.

Jorginho e eu na Lagarta de Fogo (7b)
Jorginho e eu na Lagarta de Fogo (7b)

Jorginho e eu na Lagarta de Fogo (7b)

Um pouco mais tarde chegam ao Vale mais 3 amigos de Fortaleza: Mario, Damito e Diogo. Eles começaram a subir uma via de 5sup, Escondendo o Leite, e nós somos guiados na Vitória do Balde (4sup), pelo Jorginho. Todo mundo sobe essa de top rope, menos o Marcos. Voltamos pra casa com a noite caindo e deixamos Mario, Damito, Diogo e Jorginho fazendo a via Niclevicz Vitor Negrete (5sup), de duas cordadas, com suas headlamps.

Comemos alguma coisa e resolvemos andar um pouco pela cidade, ver o movimento, e para os solteiros, as meninas locais. Claro que era só pra tirar onda, afinal de contas, o domingo também era de escalada.

Domingão amanheceu meio encoberto, mas pela tradição de Quixadá, não ia tardar pra o sol bater com vontade. Dessa vez fomos ver as vias no Açude do Cedro. Lá temos dois setores: Pedra da Faladeira e a Pedra do Pombo. Sem contar a Pedra da Galinha Choca. Ficamos na Faladeira, que guarda algumas poucas vias de 4º grau e uma das vias mais pesadas de grau confirmado em Quixadá: Lembrança (8b). As vias na Pedra da Faladeira têm um diferencial. A pedra se encontra junto à barragem do centenário Açude do Cedro, ponto turístico da cidade, e escalar ali, é virar atração também. Todo mundo para pra olhar os malucos fazendo “rapel”.

Eu entrando na Lembrança e Sávio e Gildo.
Eu entrando na Lembrança e Sávio e Gildo.

Eu entrando na Lembrança e Sávio com Gildo.

Luquinhas na ABC. Esse vai longe!
Luquinhas na ABC. Esse vai longe!

Luquinhas na ABC. Esse vai longe!

Fiquei com a minha turma nas vias mais fáceis: James, Lucas, Marcos, Sávio e o filho do Jorginho, João Neto, de 13 anos. Enquanto isso, Jorginho e os outros entravam na Lembrança. Depois de guiar a via Abc (4sup), fui ver os esforços da galera na Lembrança. Estavam todos lá tentando encaixar o crux da via no top rope. Não me fiz de rogado ao convite do Mário e entrei nela também. Sinceramente achei que não fosse dar nem pra saída nessa via, mas fui bem, e só cai no crux, onde todo mundo tava ficando. Enquanto eu malhava a Lembrança, Sávio e Gildo, outro escalador local, subiam a via ao lado da Abc, onde Lucas e João Neto subiam no top rope montado pelo James. Quando o relógio marcava 11 horas da manhã, o sol estava insuportavelmente quente na Faladeira, nos obrigando a parar por ali. Fomos então almoçar e nos preparar pra volta.

Coisas arrumadas, vamos embora!
Coisas arrumadas, vamos embora!

Coisas arrumadas, vamos embora!

Nos despedimos de todos e tomamos a estrada rumo à Fortaleza, mas ainda olhando as pedras no caminho e com vontade de escalar mais. Mas isso vai ficar pra uma outra viagem!

Escrito por Neudson Aquino em : Escalada, Quixadá, Viagem

Comentarios»

1. Daniel Mamede - outubro 25, 2008

Esses rapeleiros de quixada, ein? :P
Na proxima vou tambem pra fazer um workshop pra população local: Aprenda as diferenças entre escalada e rapel, em 30 lições!!

2. Chris o Sorveteiro - outubro 25, 2008

Com essas fotos, até eu fico com vontade de escalar! Hehehe.

3. Tadeu - outubro 25, 2008

É isso ai cara parabens pela iniciativa.
Abraço

4. Marcos Arsenio - outubro 30, 2008

Que viagem porreta…mesmo a família de minha mãe sendo Quixadaense, ainda não tinha feito uma escalada na Terra dos Monólitos. Já haviamos programado essa viagem com antecedência e correu tudo certo, a companhia também foi excelente. Escalar, guiar, boulder, sol quente, ovnis, critais pequenos, vou excelente, nossa proxima jornada será para o VII EENE. Valeu Neudson, boas conquistas e até mais. Um grande abraço da família Maia a você e também ao Saviola…he he he. Já temos rocha para nossa primeira conquista…aguarde…