De volta…
domingo, 7 de fevereiro de 2010Faz praticamente um mês que eu voltei da Europa, e só agora que resolvi escrever algo. Acho que demorei mais pela decepção de não ter escalado em rocha por lá (mesmo não tendo sido uma climb trip) que me fez achar que não tinha muito o que falar. Minhas intenções ao sair daqui eram tentar escalar em Siurana e em Fontainebleau. As duas furaram. A primeira por que não consegui comprar a sapatilha a tempo de ir. A segunda, devido a uma greve de trens saindo de Paris e ao frio que tava demais. Com isso, o que me restou foram os ginásios, que tentei visitar sempre que possível. O que já foi muito legal, por que ai você consegue sentir bem a diferença da realidade europeia pra brasileira.
Em Barcelona, depois de furada a tentativa de Siurana, tratei de comprar minha sapatilha. Fui na Balmat, situada na Gran Via de Los Cortes Catalanes (fica a dica pra quem quiser comprar equipos por lá) e fui experimentar as sapas. Mandei descer tudo na minha numeração. Vieram a Miura da La Sportiva, a Pontas e a Defy da Evolv e a Anasazi da FiveTen. Calcei a Miura, depois a Anasazi, em seguida a Pontas, que não ficou bem no meu pé, e finalmente a Defy, que entrou com uma luva. Muito confortável a sapa. Como eu tava querendo mesmo algo mais confortável, um modelo mais “All-Around”, ela se mostrou perfeita. Fiquei com ela.
No dia seguinte fui inaugurar. Fui até o parque Montjuic, pra tentar achar o boulder público de La Foxardia. Um túnel fechado somente para os escaladores, crivado de agarras. Vi ele de longe, mas demorei um pouco pra achar o caminho até ele, mas finalmente cheguei.
O local é impressionante, e tinha muita gente escalando. Gente só fazendo boulder, gente entrando em vias guiadas, e tudo isso numa liberdade fantástica. Calcei minha sapatilha e comecei a brincar um pouco, e logo comecei a trocar idéias com um grupinho de 3 espanhóis que estavam tentando uns problemas interessantes. Um deles usava uma bermuda com a bandeira do Brasil e isso foi motivo pra puxar conversa. Disse que tinha um amigo no Brasil, em Minas se não me engano. Assim fiz amizade rápido com Carlos, Gabriel e Alba. Escalamos até os braços não aguentarem mais e eles me convidaram para uma cerveja com “bocadillos”. Acompanhei os 3 e terminei a tarde sentado numa mesa tomando Estrella Dam e comendo bocadillo de pincho.
Pra Barcelona isso foi tudo de escalada. De lá segui para Paris, mas como disse, não deu pra ir para Fontainebleau por causa da greve dos trens. Mas mesmo que fosse, eu acho que não ia conseguir escalar. Todo dia a temperatura ficava abaixo de zero, e no último dia nevou. Eu não aguentava ficar sem luva.
Depois de Paris, fui pra Edimburgo. Lá o objetivo era visitar a Ratho, maior ginásio de escalada do mundo. No final do dia, já tudo escuro, fui tentar achar o lugar, que fica próximo a cidade de Ratho (é nada), nas redondezas de Edimburgo. Peguei o ônibus, mas sem saber muito bem onde descer, perguntei ao motorista. Ele não fazia idéia de onde era isso. Um outro passageiro parecia saber e me disse que eu já tinha passado do ponto, que teria que voltar andando. Foi o que eu fiz. Comecei a andar. Mas quando vi, estava andando no meio do nada na Escócia, de noite. Só árvores e escuridão nos dois lados da estrada. Nessa hora comecei a divagar: o que eu não faço pra escalar heim?! Andei até onde a coragem deixou, e não achando nenhuma pista do lugar, resolvi voltar tudo e pegar o ônibus de volta. Sai de Edimburgo sem escalar nada.
Minha próxima escalada na Europa foi em Liverpool. Cheguei por lá sem intenção alguma de escalar, mas assim que cheguei no albergue vi um panfleto de uma ginásio: Awesome Climbing Walls. Fiquei tentado e fui atrás de achar o lugar. Perguntei no albergue sobre ônibus até lá, mas não souberam informar. Contudo me disseram que dava para chegar a pé. Muito bem, vamos a pé. Desci até as docas e segui pra direita até encontrar a rua. Só bastava agora encontrar o ginásio, que segundo o panfleto, era dentro de uma antiga igreja. Comecei a descer a rua, e quanto mais andava, mais esquisita ficava a vizinhança, e nenhuma igreja aparecia. Já tava começando a querer desistir também, quando vi uma torre de igreja. Olhei, e vi vários carros estacionados do lado de fora. Só podia ser ali. Entrei e me deparei com uma bela estrutura de escalada ali dentro. Algo que eu não imaginava existir numa cidade como Liverpool. E o mais interessante era a heteregeneidade de pessoas escalando. Crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, bonito de se ver.
Calcei minha sapa e fui pro boulder. Bem legal, todos os problemas de graduação semelhante usavam agarras da mesma cor. Entrei nos V2 e V3 primeiro, e mandei todos eles, alguns V3 em mais de 2 tentativas. Resolvi entrar nos V4/V5 pra sentir o drama. E tomei um espanco. Mas deu pra fazer força e isso já valeu.
Liverpool foi minha última escalada na viagem. Mas ainda teve a melhor parte: comprar equipo. E isso aconteceu na Holanda. Fui na Beaver, em Den Haag, e tenho que dizer, parecia criança em loja de brinquedo! A loja era imensa e tinha tudo pra esportes de aventura. Me empolguei tanto que passei minha cota de compras de equipamento. Comprei corda, cadeirinha, gri-gri, costuras, mosquetões e mochila. A corda foi a maior pechincha de todas, saiu por incríveis 112 euros, uma Beal Booster II 9,7mm de 70m. Míseros 300 reais!! Sai de lá carregado, e ainda trazendo “muamba” pros amigos.
Da Holanda peguei o avião de volta pro Brasil e troquei as temperaturas abaixo de zero pelos 30 graus a sombra de Fortaleza. Agora é usar o equipamento novo e escalar muito!!
Escrito por Neudson Aquino em : Fotos, Lugares, Viagem






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