Primeira ascensão da War Pigs 7b

Finalmente saiu! Esse domingo eu voltei na pedra do Garrote, acompanhado do Daniel, para juntos tentarmos a cadena da War Pigs, a única via do local que ainda não tinha ascensão. Eu tinha ido lá no domingo passado e dado um pega nela junto com o Luquinhas, mas acabei não entrando de novo.  Dessa vez o objetivo era somente a War Pigs!

Saimos de Fortaleza por volta das 10h30 da manhã, com um calor tão grande que desanimava. A vontade era de estar na praia. Mas mesmo assim mantivemos o objetivo. Chegamos por lá perto de 11h30 e não tinha ninguém. Subimos a trilha devagar, ajudados pelas nuvens que encobriam o sol a maior parte do tempo e do vento forte que refrescava um pouco. A via estava completamente na sombra e com o vento, o cenário da cadena estava formado.

O Daniel entrou primeiro, equipando, pra aquecer e sentir a via. Chegou até o platô sem problemas, sugerindo também algo em torno de sexto grau para esse primeiro trecho. Depois do descanso, entrou no trecho do crux, uns 4 metros de negativo com agarras pequenas. Fez a primeira tentativa e não saiu, mas pegou alguns bons betas.

Em seguida entrei, no meu segundo pega na via (contando com o de domingo passado), cheguei no platô me complicando um pouquinho no final, nas sem queda. Descansei e entrei no lance do crux. Fiz o primeiro lance com os betas do Daniel e cheguei no agarrão fácil, de forma estática, bem diferente da outra vez. Daí tentei o último lance e não consegui posição nas agarras de cima pra costurar a parada e cai. Isolei o lance e consegui equipar, mas não costurar. Nessa hora, eu acabei descobrindo um beta de uma agarra de pé mais pra esquerda, que com certeza ia me ajudar a estabilizar pra costurar a parada. Pedi pro Daniel me descer até o platô  e isolei o lance inteiro com a corda de cima. Beta aprovado! O pézinho ia salvar a pátria.

Agora era a vez do Daniel, com todos os betas, tentar a primeira ascensão. A primeira parte foi deixada pra trás sem problemas, descanso no platô e a tentativa final. Ele fez muito bem o lance debaixo, alcançou o agarrão e costurou. Se preparou e entrou pro lance final. Pegou bem na única agarra antes da parada, uma espécie de canaletinha onde você trava os dedos na parte debaixo, pisou na agarra de pé do beta e puxou corda. Nesse momento, o inesperado. A agarra de pé quebrou, e ele voou pra depois do platô, algo que não aconteceria se a parede lá em cima não fosse negativa.

Então chegou minha vez. Meu terceiro pega na via. Já fiquei nervoso por que tinha tudo na cabeça e agora o beta aparentemente tinha ido embora. Como eu ia fazer o lance final agora? Subi a primeira parte extremamente nervoso, tentando me concentrar. Cheguei no platô e aproveitei pra me recompor apreciando a vista. Dei uma olhada pra agarra e ainda tinha sobrado um pouco dela, ainda ia dar pra usar. Entrei no lance final determinado a sair com cadena. Primeira agarra com a mão direita, pra segurar uma outra de pega aberta com esquerda. Subi o pé direito num regletinho e o esquerdo bem aberto, catei uma outra agarra com direita, subi um pouco mais o pé direito pra uma agarra lateral e dropei, chegando em seguida no agarrão. Me puxei e costurei. Mais uma respirada, mão esquerda num regletinho nojento logo acima, pé direito pisando mais alto com o lado de dentro e alcancei a canaletinha. Daí foi abrir o pé esquerdo pro beta, subir um pouco mais do direito e puxar a corda. Costura clipada, via terminada. Tava feita a primeira ascensão da War Pigs!

Daniel ainda entrou uma terceira vez pra tentar a segunda ascensão. Mas parece que não era o dia dele. Na hora de costurar a penúltima chapa, apesar de eu ter dado uma boa braçada de corda, algo aconteceu que a corda travou em algum lugar e ele não conseguiu costurar. Uma pena, queria estar falando aqui da cadena dupla da via e não só da minha cadena. Mas a escalada é assim mesmo, um dia da rocha outro do escalador.

No final, concordamos que a graduação mais adequada pra via é realmente um 7b. Nem fácil, nem difícil. O primeiro trecho até o platô concordamos com um 6º, mas que não acrescenta em nada ao lance final por contar com um descanso de zerar completamente os braços. Se ele não existisse talvez a via chegasse a um 7c difícil ou um 8a. De qualquer forma é uma ótima via, e a pedra do Garrote se mostrou um bom local de escalada, que ainda tem um bom potencial a ser explorado.

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