Bernardo Collares morre no Fitz Roy

Tomei um susto agora a pouco lendo essa notícia no Escalada Café, não por que eu conhecesse o Bernardo Collares, mas por que conhecia parte do trabalho dele e sabia da sua importância para o montanhismo nacional. Realmente uma grande perda para a comunidade de escaladores brasileira. Reproduzo abaixo a nota de André Ilha dando conta do falecimento.

“Oi gente,

Tenho, infelizmente, a pior notícia do mundo para dar para vocês: a morte do nosso querido amigo e presidente da FEMERJ Bernardo Collares.

As informações de que disponho são ainda muito parciais, mas ele aparentemente chegou ao cume do Fitz Roy com a Kika Bradford e sofreu um acidente em, talvez, um dos primeiros rapéis (já que eles estavam a 35 enfiadas de altura) e quebrou a bacia, além de sofrer uma hemorragia não sei onde. Ele não conseguia se mexer e, nessas condições, é óbvio que a Kika não tinha o que fazer a não ser descer para tentar obter socorro e, claro, não morrer também. Ele próprio falou para ela descer…

Evidentemente a descida dela foi lenta e dramática, mas felizmente sem novos acidentes, e quando ela chegou a El Chalten deu a notícia e desabou em choque. Havia muita gente competente por lá, inclusive o Serginho Tartari, Rolo Garibotti, guias profissionais da Europa, médiocos, mas todos concordaram que não fazia sentido ir até lá tanto tempo depois (passaram-se duas noites, uma com tormenta, e o Bernardo estava sem água, comida e o saco de dormir estava molhado…), em más condições, até porque não havia como retirar alguém quase do cume do Fitz com fratura de bacia a não ser de helicóptero, e não havia helicóptero com piloto experiente por perto… Isso é tudo o que sei por enquanto, não sei nem em que vias eles estavam.

Além do grande amigo de tantos de nós, o Montanhismo brasileiro fica, assim, de luto e órfão de um dos mais – se não o mais – importantes agentes da organização do nosso esporte e do reconhecimento de sua importância perante os olhos das autoridades públicas.

A perda é irreparável em todos os sentidos, e nem sei mais o que falar nesse momento.

Abraços e beijos,

André Ilha

P. S.: vou sentir muita falta, dentre tantas outras coisas, daqueles e-mails dele cheios de reticências…”

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