Como perder um parceiro de escalada em 10 dias!

Por esses dias, doido atrás de algo novo e interessante pra postar no site, achei  um texto muito engraçado que mostrava um roteiro de como perder um parceiro de escalada em 10 dias. Achei massa e como ri pra caramba lendo, resolvi traduzir ele aqui pra vocês, com algumas pequenas adaptações. Quem se identificar com o parceiro de escalada exemplificado no texto, por favor, não me chame pra escalar!

Não há nada melhor do que sair numa viagem de escalada. A oportunidade de viajar é a melhor parte da vida de qualquer escalador. Existe escalada em todos os países da terra..apenas aponte um lugar no globo, e se você for um escalador, automaticamente você tem uma razão para ir até lá. Pense um pouco. É bem irado. (Não, sério, pense um pouco. Viu? É muito irado!)

Eu diria que 10 dias é o mínimo de tempo para uma viagem de escalada valer à pena, apesar de eu já ter viajado para vários lugares apenas para um final de semana. É preciso pelo menos 3 dias para se acostumar com o novo lugar. E você também tem que tirar uns dias de descanso (uns 3) – uma perda ineficiente de tempo, como tomar banho, meditar, mas que eu acabo aturando por que é necessário. Isso te deixa com 4 dias para encadenar algo, o que de repente não parece tanto tempo assim considerando que você está fazendo uma viagem de 10 dias.

Mas enquanto não existe nada melhor do que viajar para escalar, também não existe nada pior do que viajar para escalar com uma merda de parceiro. Um parceiro de escalada ruim pode estragar tudo. Eu sou um cara de mente aberta, amigável. Escalo com praticamente todo mundo. Não me importa quem a pessoa é, o que ela faz, se escala forte ou não. Apenas não seja um idiota e nos daremos bem. Mas eu fui em viagens de escalada com certo parceiros que me fizeram sentir vontade de parar de escalar. Isso é meio como fazer o Papa querer desistir do Catolicismo. Eu preferiria escalar com Hitler do que com algumas dessas pessoas. E apesar disso não ser verdade, era assim que eu me sentia quando estava na base da pedra.

Qualquer um que consiga fazer a coisa que você mais ama fazer parecer uma tortura tem que ter sido enviada diretamente do inferno com o único propósito de estragar sua viagem, não é?

É quase tão perfeito, tão bem planejado, que é como se a viagem dele tivesse sido organizada assim:

Dia 1: Esqueça a cadeirinha no carro. Não fale nada até ele (no caso você) estiver encordado e pronto pra escalar. Fique por ali pedindo desculpas efusivamente enquanto não faz a menor menção de ir pegar a cadeirinha. Depois de pegar a cadeirinha e enquanto estiver fazendo a segurança dele na primeira via difícil do dia, assegure-se que ele caia o dobro do que ele deveria. Quando ele for subir pela corda para voltar ao ponto onde estava, não ajude em nada. Ah, e também o desça mudando de velocidade abruptamente e à todo instante.

Dia 2: Comece sendo realmente competitivo em tudo. Na escalada e quem sabe em mais coisas. Seja pedante ao extremo quando falar com ele sobre coisas que você sabe que ele sabe. “Cerveja muito gelada não presta. Isso é coisa de quem não sabe beber cerveja. Qualquer dia a gente marca pra eu te mostrar como se bebe uma cerveja de verdade”. Esse tipo de coisa…

Dia 3: Se machuque. Torça o tornozelo na trilha e faça com que a sua lesão seja também a lesão dele. “Ai cara, a gente não pode ir naquele setor não, eu acho que não consigo ir até lá!”.

Dia 4: Dia de descanso. Procure um médico homeopata que fique há 4 horas do lugar. Vá até lá (ele dirige) para dar um jeito no tornozelo. Certifique-se de que o consultório está fechado.

Dia 5: Insista em ficar apenas de “top rope”.Se apoie na corda em todos os movimentos mais difíceis e depois dispense a via dizendo apenas “É legalzinha!”. Uma vez no chão, fale sobre seus incríveis objetivos na escalada que com certeza você nunca vai cumprir. “Próximo ano eu acho que vou tentar escalar o El Cap em livre. Vou precisar de alguém pra fazer minha seg. Quais são os seus planos pro ano que vem?”.

Dia 6: Decida, sem razão nenhuma, a ficar respirando pela boca e se assoprando enquanto come, como se tudo que você comesse fosse sopa quente. Mastigue alto e com a boca aberta. Enquanto ele estiver escalando, apenas fique atrás dele gritando o tempo inteiro: “Cai porra! Cai!”

Dia 7: Misteriosamente, esqueça, ou até melhor, perca o seu saco de magnésio. Use o dele. E então passe uma hora e meia escalando de top rope no seu projeto. Marque cada agarra. Nunca mais volte na via. Diga que está guardando a via para a próxima vez que voltar pra lá, o que provavelmente é nunca.

Dia 8: Continue cegando ele com sua headlamp enquanto fala com ele de noite. Não lave os pratos.

Dia 9: Enquanto estiver desequipando a via de “top rope” faça com que um dos móveis dele fique entalado. Realmente prenda o negócio de um jeito que ele nunca mais saia de lá. Pra completar, ainda coloque a culpa nele: “Por que você colocou uma peça número 3 numa fenda onde só cabia um 2?”

Day 10: Quando finalmente parecer que ele vai encadenar algo, apenas sente na corda e o puxe pra fora da parede. Jure de pés juntos que ouviu ele falar “Pega!”. De verdade!

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