Novas vias e falta de treino

Esse final de semana acabei indo mais uma vez escalar em Redenção. Eu já tinha desistido de ir, por que ninguém com carro tinha aparecido, mas às  7 horas da manhã um telefonema do Damito me acorda dizendo: “Tamo chegando!” Só deu tempo de jogar uma água pra espantar o sono, jogar tudo na mochila e mastigar alguma coisa rapidão.

A ideia do dia era entrar nas vias novas que o pessoal do Rio Grande do Norte abriu na parede do lado esquerdo da Pedra Vermelha. A trilha estava bem marcada, graças também aos esforços do pessoal do RN, que na vontade de conhecer a pedra, abriu o caminho até lá, que estava tomado pelo mato alto e fechado.

Hora de escalar, duas vias: Um palmo em pé, proposta de 6sup em móvel, e É moreno em francês, proposta de 7a. Mário foi na frente, fazendo as honras na Um palmo em pé. Apenas dois móveis foram suficientes pra garantir a segurança na via, que é curtinha. Mario levou um tempinho pra achar o beta pra passar o crux, mas passou sem problemas, mesmo com a parte de cima da via um pouco suja. Damito foi em seguida, mandou em flash, e ai foi minha vez, conseguindo também mandar em flash, mas sem sacar as peças, vou deixar isso pra uma outra oportunidade. Sugestão de grau foi um consenso entre os 3, um sexto, que fica com cara de 6sup por conta da adrenada extra de estar guiando em móvel.

Depois foi a vez da É moreno em francês. Saidinha meio boulder, em agarras boas mas um pouco distantes, rolando até uma dominada pra um platôzinho, onde começa a via mesmo. Tô bem enferrujado em graduação de boulder, mas esse lance não seria mais do que V1, creio eu. O lance mais difícil fica realmente mais em cima. Damito guiou na frente dessa vez, e também levou um tempinho pra descobrir a passada do crux, um lance envolvendo equilíbrio e um pouco de aderência. Mas mais uma vez a via foi vencida na primeira tentativa. O mesmo acontecendo com o Mario e eu. Sugestão de grau? 6sup foi o consenso. No geral as vias ficaram bem legais, e numa graduação mais acessível na Pedra Vermelha, que tinha como grau mais fácil um 7c, pena serem curtas.

O legal de entrar nessas vias foi constatar que mesmo sem treinar, a base de grau que você escalava não se altera muito. Os 6sups à vista e 7as em flash ainda continuam saindo do mesmo jeito de antes. O negócio pega quando chega no topo da pirâmide, que no meu caso era 7c. E isso ficou patente na hora de dar uns pegas na Orelha de porco 7c. Foi incrível perceber o quanto eu realmente perdi de força e resistência por conta da falta de treino. Antes chegava bem pra atacar o crux, agora mal tinha força pra clipar a costura antes do crux. Acabou que saímos da vermelha sem mandar a Orelha e descemos pro Assombrado pro Mario dar um pega na Busão, que ele acabou mandando com uma queda. Mas não é pra menos, a via é um 7a de equilíbrio, com alguns lances de aderência, e de leitura pouco óbvio, o que realmente complica avistar a via. Como a chuva tava armando, só deu tempo mesmo de o Mario desequipar a via e nós pegarmos a trilha de volta.

Esse feriado a galera debanda pra outros cantos do país (Rio pra Mario e Damito e Cipó pro Daniel) e eu fico por aqui, tentando arrumar parceiro pra ir escalar pelo menos um dia. Alguém se habilita!?

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