Campeonato Mundial de Escalada e Arco Rock Masters

No último final de semana chegou ao final o 11º Campeonato Mundial de Escalada em Arco. Foram 10 dias de competições com mais de 130 atletas de vários países, competindo nas 3 modalidades da escalada esportiva de competição: Dificuldade (Lead), Boulder e Velocidade (Speed). Tivemos também a entrega dos já tradicionais Arco Rock Legends, prêmios que são oferecidos aos melhores escaladores do ano, tanto na rocha, quanto nas competições. Tivemos pela primeira vez na história um Campeonato Mundial de Paraescalada, mostrando que o nosso esporte também pode incluir os portadores de deficiências. E pra fechar tudo com chave de ouro, tivemos o tradicional duelo, que só acontece nas competições em Arco!

Durante esses 10 dias de competições deu pra sentir que a IFSC realmente quer investir pesado para colocar a escalada nos  jogos olímpicos de 2020. As competições foram muito bem organizadas  e muito bem transmitidas, com exceção das qualificatórias, que em geral tiveram uma transmissão bastante confusa pela internet. Mas nas semifinais e finais, que tiveram transmissão da TV italiana, o campeonato foi um espetáculo: câmeras de vários ângulos,  com uso até mesmo de gruas para acompanhar os escaladores na dificuldade,  replays dos melhores momentos e ótimos gráficos para mostrar os resultados e manter o espectador informado do desenrolar da competição. Realmente um nível de transmissão digno de olímpiadas. Mas vamos aos resultados e alguns comentários sobre as provas de dificuldade e o duelo.

A primeira modalidade a conhecer seus campeões foi o boulder, ainda no primeiro final de semana. O russo Dmitry Sharafutidnov foi quase perfeito, e ficou com o título, deixando o segundo lugar com Adam Ondra e o terceiro com o compatriota Rustam Gelmanov. O feminino teve a austríaca Anna Stöhr levando mais uma vez o título, deixando a americana Sasha DiGiulian em segundo e a alemã Juliane Wurm em terceiro. Mais detalhes da disputa do boulder aqui!

Durante a semana tivemos a entrega dos prêmios do Arco Rock Legends, o Salewa Rock Award, para o escalador(a) que mais se destacou na rocha durante o ano passado, e o La Sportiva Competition Award, para o escalador(a) que mais se destacou nas competições no ano que passou. Para o Salewa Rock Award foram indicados os escaladores Adam Ondra, Enzo Oddo, Chris Sharma, Gabriele Moroni e Sasha DiGiulian, o prêmio ficando pela terceira vez com o fenômeno tcheco Adam Ondra! Pelo La Sportiva Competition Award competiam o espanhol Ramon Julian, a coreana Jain Kim e também Adam Ondra. Mas dessa vez o prêmio ficou com o impressionante Ramon Julian!

A segunda modalidade a conhecer os seus campeões foi a velocidade! O título masculino ficou, pela terceira vez, com o chinês Qixin Zong, que cravou o cronômetro em 6.26s e marcou um novo recorde mundial. O segundo lugar ficou com o russo Stanislav Kokorin e o terceiro ficou com Danylo Boldyrev. No feminino o título foi para a russa Maria Krasavina, ficando em segundo a sua compatriota Anna Tsyganova e em terceiro a escaladora do Cazaquistão Tamara Kuznetsova. Na velocidade em equipe, que contava com times mistos, o time vencedor foi o Russia 2, formado pelos escaladores Sergey Sinitsyn, Ksenia Aleksseva, Evgeni Vaitcekhovskii. O time um da Ucrânia ficou em segundo, seguidos pelo time um da Rússia em terceiro.

Melhores momentos da final de velocidade

Chegamos então na modalidade que é considerada a principal da competição, vide o destaque que ela recebe e tendo o campeonato culminando com a decisão dos seus campeões: a dificuldade. As eliminatórias aconteceram na quinta-feira, e tiveram a participação dos brasileiros Cesar Grosso (Cesinha) e André Berezoski (Belê), para os homens, e Janine Cardoso e Thais Makino para as mulheres.

As qualificatórias aconteciam em dois grupos, escalando duas vias, e apenas os 26 primeiros passavam para a fase semifinal. Janine Cardoso e Thais Makino, apesar de escalarem bem, não obtiveram um bom resultado e ficaram de fora das semifinais, o mesmo acontecendo com Cesinha e Belê. Mas Cesinha merece um destaque, já que obteve, apesar de ficar de fora, uma boa colocação geral, ficando com o 37º lugar entre os 130 escaladores que competiram no masculino. Cesinha entrou na segunda via ainda com chances de passar, e foi bonito vê-lo escalar, lado a lado com Belê, buscando a classificação. Mas alguns pequenos erros, como demorar demais para clipar uma costura e ter dificuldades de desenroscar a perna da corda em outro instante, podem ter tirado a força que ele precisava para fazer o top, que estava muito perto.

Com isso progredimos para as semifinais, 26 escaladores e escaladoras, disputando apenas 8 vagas na grande final! E nessa fase, alguns favoritismos se confirmaram, como a presença de Adam Ondra, Ramon Julia, Jakob Schubert, Jain Kin, Angela Eiter e Johanna Ernst na final, assim como algumas surpresas. Caso da dupla russa de homônimos: Evgeny Zazulin e Ovchinnikov entre os homens e a austríaca Magdalena Röck se classificando em segundo para as finais. Ao final o time completo de finalistas ficou assim: Ramon Julian (ESP), Jakob Schubert (AUT), Adam Ondra (CZE), Hyubin Min (KOR), Magnus Midtböe (NOR), Manuel Romain (FRA), Evgeny Zazulin (RUS), Evgeny Ovchinnikov (RUS), entre os homens; e Jain Kim (KOR), Magdalena Röck (AUT), Johanna Ernst (AUT), Angela Eiter (AUT), Katharina Posch (AUT), Mina Markovic (SLO), Christine Schranz (AUT), Sasha DiGiulian (EUA), entre as mulheres.

Para as finais a IFSC mudou as regras. Agora cada escalador escala apenas uma via, e o desempate é feito pelo resultado da semi, e caso necessário, da qualificatória. Havendo empate em todas as fases, ai sim acontece uma super final.

Na final feminina, nenhuma das competidoras conseguiu o top, o que foi uma pena, e o título ficou com a única escaladora que conseguiu transpor o que era claramente o crux da via, já quase no final. Essa escaladora foi Angela Eiter, que diferente das demais escaladoras, não tentou um movimento dinâmico e buscou uma solução estática para o lance, passando e progredindo mais um pouco, mas caindo antes do top. Tudo que ela precisou fazer foi sentar no “canto do líder” e ver suas adversárias cairem, uma atrás das outras, no mesmo lance. O segundo lugar ficou com a coreana Jain Kim e o terceiro com a também austríaca Magdalena Röck.

Angela Eiter na via final

A final masculina foi um espetáculo! Cada escalador que entreva ia um pouco mais longe na via, o que só aumentava a expectativa pelo top, que só começou a ficar mais próximo com o 5º escalador a entrar, Magnus Midtboe. Depois dele vieram os 3 principais candidatos ao título: Adam Ondra, Jakob Schubert e Ramon Julian. Com um detalhe, Ramon Julian e Jakob Schubert estavam empatados em tudo, e o mesmo resultado na final significaria o desempate na super final! Seria emocionante!

Mas o primeiro a querer estragar essa grande final foi Adam Ondra. Mostrando uma grande técnica e experiência, apesar da pouca idade, Ondra soube usar muito bem os descansos que a via proporcionava e foi passando todos os lances que haviam derrubado os escaladores antes dele até chegar no último movimento. Tudo parecia indicar que ele faria o top, mas na tentativa de dominar a última agarra Ondra caiu, apenas tocando a agarra do top!

Logo depois veio Jakob Schubert, que escalou com Adam Ondra assistindo no “canto do líder”. O também jovem escalador austríaco progrediu muito bem, mostrando segurança em todos os movs, e alcançou o mesmo ponto que Ondra e também não fez o top. Os dois ficaram com a mesma pontuação, mas o desempenho melhor de Schubert nas fases anteriores o deixava em primeiro, para desespero de Ondra, que agora teria que se contentar com a prata, pelo menos, porque ainda faltava o grande favorito, Ramon Julian.

Ramonet, com chamam os espanhóis, entrou para escalar precisando do top para levar o título sem precisar do desempate da super final, e com uma escalada absolutamente perfeita, o espanhol de apenas 1,59m fez o top na via final e sagrou-se o grande campeão de dificuldade em Arco! Uma final realmente emocionante de se assistir!

Ramon Julian fazendo o top do título

Mas ainda faltava a cereja do bolo em Arco, a competição do duelo, que une técnica e velocidade numa só prova. Os 16 primeiros colocados na dificuldade se enfrentam aos pares, lado a lado, em duas vias idênticas, escalando guiando, e quem chegar primeiro no topo avança. Vale lembrar que as vias são as mesmas, tanto para os homens, quanto para as mulheres. É com certeza o modelo de competição que acho o mais emocionante de todos, e que deveria figurar no quadro de modalidades da IFSC.

No início das disputas as mulheres tiveram dificuldades com um lance mais esticado na metade da via, e várias caíram ali, inclusive a campeã Angela Eiter. Esse lance deu margem para uma cena engraçada, na disputa entre Sasha DiGiulian e Alexandra Eyer (se não me engano), em que Sasha DiGiulian chega no lance primeiro, percebe a dificuldade, e aguarda a adversária tentar na frente! A adversária, tenta e cai, e ela tenta em seguida e consegue passar o lance. No final, o ouro no duelo feminino ficou com a russa Yana Chereshneva, vencendo Johanna Ernst na disputa final. Sasha DiGiulian bateu Mina Markovic na disputa do terceiro lugar e ficou com o bronze. Na disputa masculina o ouro ficou com Adam Ondra (que aparentemente não queria deixar Arco de mãos abanando) que bateu o alemão Thomas Tauporn na final. O bronze ficou com Jakob Schubert que venceu o francês Manuel Romain na disputa pelo terceiro lugar!

Final feminina do Duelo

Final masculina do Duelo

Nos resultados finais da competição Adam Ondra ficou com o primeiro lugar combinado entre os homens, enquanto entre as mulheres o título combinado foi para a americana Sasha DiGiulian. O título por países ficou com a Rússia!

Para conferir os resultados completos de todas as modalidades, acesse o site da IFSC!

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