Boulders de um domingo à tarde

23
Aug

Era domingão, os planos eram ficar em casa e quem sabe dar um pulo na Fábrica de Monstrinhos de tarde pra ir adiantando algo das obras. Mas acabou que não ia ter nada pra fazer na Fábrica e ai resolvi dar o toque no Sávio pra gente dar um pulo no Garrote, espécie de campo-escola que fica na Caucaia, a cerca de 20 km de Fortaleza. A ideia era fazer apenas um bate e volta rapidão à tarde. Demos o toque no Alex também e ficou fechado o bonde. Mochila pronta com todos os equipos, olhei pro Crash Pad e pensei: Porque não?! Levei o crash pra qualquer coisa dar uns pegas em alguns blocos que vi na trilha até a pedra.

Chegamos lá por volta das 2 da tarde e subimos a trilha acelerado, avistando logo o primeiro bloco. Parei pra mostrar pro Sávio e o Alex a linha que eu tinha visualizado nele. Alex pilhou logo pra entrar no boulder, o Sávio entrou na vibe, e os planos de escalar com corda foram pro espaço.

O primeiro bloco, modesto pra quem já escalou nos blocos de Ubatuba, tinha essa aresta meio abaulada que parecia bem interessante. A ideia da linha era sair bem do começo mesmo, ainda sentado, e seguir a aresta até o “bico” do bloco e fazer a virada lá. Jogamos o crash no chão e começamos os pegas. Logo de cara deu pra sacar que o boulder ia precisar de muito posicionamento, não tinha onde segurar na aresta, era só grudar a mão mesmo, jogar o corpo pro lado e esperar ficar. Pouco a pouco fomos progredindo um pouco mais nela, cada um tentando um novo beta. O primeiro a chegar perto foi o Alex, mas na hora de se posicionar pra entrar nos movimentos finais ele foi praticamente ejetado do boulder, tamanha pressão que ele tava fazendo. E com isso o projeto já ganhou nome: Eject! Ainda tentamos mais um pouco e eu cheguei mais perto ainda de encadenar. Fiz a aresta inteira, mas não consegui achar posição e agarras pra subir mais e fazer a virada.

Sávio e eu analisando a linha do projeto Eject

Resolvemos deixar o Ejetct um pouco de lado e procurar mais blocos. Indo pra direita do bloco do Eject, passando uma cerda, encontramos outro bloco. Esse mais altinho, mais vertical, mas com base horrível. Mas ainda assim resolvemos encarar. Alex visualizou uma linha, que saia em duas agarras boas, e ia fazer meio que uma travessia pra esquerda. Mas as agarras depois da saída eram pequenas e machuquentas e praticamente não tinha agarra de pé. Mudamos pra outra linha, mais pra esquerda do bloco, que tinha agarras e pés melhores. Tentei uma vez pra ver qual era, e quando cheguei lá em cima não vi como continuar. Olhei pra baixo, pra base duvidosa e resolvi não tentar subir mais. Depois de mais alguns pegas e um beta do Alex, entrei de novo. Dessa vez achei uma agarra muito boa, e toquei pra cima, com uma viradinha meio tensa, sem ter muito onde segurar. Primeiro boulder do Garrote. Sávio foi em seguida e também mandou. Acho que esse deve ficar na casa do V0.

Saímos de lá e fomos atrás de outro bloco, agora pra esquerda do bloco do Eject. E encontramos um interessante, próximo a uma árvore morta. A linha mais óbvia o Sávio tentou logo, e mandou sem muitos problemas, abrindo o que talvez seja outro V0. Também fui entrar nele, e num movimento desastrado bati o cotovelo com força na pedra, batizando o boulder: Dor de cotovelo! Mas voltei nele e mandei também, assim como o Alex.

Nesse bloco ainda achamos outra linha, que seria de poucos movs, mas bem interessante. O problema saia com as duas mão em um batente meio escorrido, que só pra ficar nele já era fazendo força, e dali tinha que ir catar uma agarra bem pra direita, pra depois cruzar numa agarra melhor e fazer a virada. Tentamos sair com os pés embaixo, mas o que tinha de pé ficava horrível pra sair. O jeito foi sair somente com o pé esquerdo, e fazer o flag com a perna direita, o que deixou a saída do boulder muito bonita. O que não era bonito era o formigueiro que ficava bem embaixo do crash, e fazia com que cada tentativa fosse bem rápida. Foi por causa disso, de duas belas ferroadas que o Sávio levou e da explosão que o boulder precisava, que ele ganhou o nome de Formiga Atômica.

Saídinha do Formiga Atômica V3

Saídinha do Formiga Atômica V3

Iniciamos as tentativas, e experimentamos  algumas alternativas pra chegar na outra agarra, sem muito sucesso. Até que o Alex descobriu o beta, que era bem direto: dinâmico com a direita, tapa na agarra e ficar! Simples assim. Ele foi lá e mandou o boulder! Movimento realmente bem forte e bonito! E ai foi minha vez de tentar. Tentei uma, tentei duas, tentei 3 vezes e nada de conseguir ficar na agarra. Os dedos estavam queimando e já querendo abrir, mas eu tinha que tentar mais uma vez. Foquei no movimento e bati certinho na agarra, grudando com os 3 dedos abertos nela. Fechei o reglete, posicionei o pé direito e cruzei pro agarrão. Boulder mandado, e discutindo com o Alex, achamos que a brincadeira ficou com cara de V3.

Alex e eu travando na agarra depois do dinâmico

Alex e eu travando na agarra depois do dinâmico

E foi o fim da pequena sessão de boulder no Garrote. Saldo de 3 boulders abertos e um projeto, que deve ficar também na casa do V3. Próxima vez por lá é procurar mais alguns blocos e ver o que dá pra tirar ainda ali. Mas o certo é que a empolgação ficou, e já ficamos meio que combinados de ir atrás de um verdadeiro campo de boulder no Ceará, e eu já tenho um pico em potencial: Serra da Meruoca em Sobral. Mas essa vai ser uma outra história!

Postado por admin em : Relato

Betas da galera!

Ficou bem massa o relato! Dei risada lembrando da ejetada, da cotovelada, e das formigadas. Tava bem legal.
Meruoca já tá lista…vamos ver essa barca!
Abraço

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