Escalada no feriado pra conhecer o novo setor de Redenção!

Essa segunda-feira foi feriado aqui em Fortaleza, e depois de não ter ido escalar no final de semana por conta do dia dos Pais, essa folga de começo de semana foi uma benção, então tinha que aproveitar. Já fazia mais de um mês que eu não ia na rocha, ocupado com o projeto e outros assuntos relacionados ao novo muro da Fábrica de Monstrinhos, então a fissura tava grande pra escalar de novo. Fechei o bonde com o Tiago Minhoka, Alex, novo membro dos Monstrinhos vindo diretamente do Paraná, e o Feijó, que ainda tá começando mas com uma vontade de louca de estar na rocha sempre que pode.

Saímos de Fortaleza com destino a Redenção, mas dessa vez o dia de escalada não ia ser no tradicional setor do Assombrado, e sim em um novo setor, batizado de Pitombeira! A promessa dos outros membros dos Monstrinhos que já tinham iniciado os trabalhos de conquista no setor, era de paredes de mais de 150 metros, com vias de mais de 5 enfiadas, transformando Redenção em um pico quase completo de escalada, faltando apenas os boulders. E a promessa se converteu em realidade!

Chegando na frente da pedra, ainda com a trilha inteira pra caminhar, a impressão é de uma pedra muito suja, sem possibilidades de vias, mas quando se chega na base da pedra se percebe o imenso potencial do local. Paredes gigantescas de granito, em pelo menos 3 faces, com potencial para algumas dezenas de vias clássicas, de todos os níveis. Claro, a pedra não é completamente limpa de vegetação, mas a que existe é bastante espaçada, formando moitas em alguns pontos. O resto é pedra limpa, esperando por novas vias!

Feijó de segundo e eu guiando a terceira enfiada.
Feijó de segundo e eu guiando a terceira enfiada.

Depois de uns 20 minutos de trilha cansativa, chegamos na base das vias, até agora duas. Tiago que participou do começo dos trabalhos nos mostrou um projeto, numa face vertical da pedra, até agora com 3 enfiadas na casa do 7º grau. Mas nosso objetivo não era esse, e sim escalar a via mais longa do local, um provável 4º V de 6 ou 7 enfiadas. Não sabíamos se a conquista tinha sido completada no dia anterior, pelo Mario e o Damito, mas as chances eram grandes de que estivesse pronta.

Começamos a subida por volta das 10 da manhã, comigo e o Minhoka guiando a primeira enfiada e o Alex e Feijó vindo de segundo. No começo da primeira enfiada, não tendo prestado atenção por onde o Minhoka e o Alex tinham seguido, acabei indo pelo lado errado e encarando uma aderência sinistra! Acho que a única coisa que me fez passar esse longo trecho (acabei pulando uma chapa nessa brincadeira) foi a certeza absoluta de que eles tinham ido por ali. Então já que eles passaram, eu tinha que passar também. O que o orgulho não faz né? Fazendo lance fiquei receoso pelo Feijó, porque achei que ele não conseguiria passar por ali, mas ainda bem que era o caminho errado, e o certo era bem mais fácil. Prestar atenção da próxima vez!

Ainda precisando de algumas paradas duplas!
Ainda precisando de algumas paradas duplas!

Passamos direto da primeira parada e seguimos direto pra segunda, enfrentando o primeiro crux da via, um lance que deve ficar na faixa do 5º grau, mas bastante tenso pra fazer guiando. Nessa parada troquei de dupla com o Alex, e ele guiou pro Feijó e eu para o Minhoka.  A terceira parada fica alguns metros abaixo de um teto que segue pela esquerda, mas a via continuava por um diedro pela direita, que o Minhoka guiou primeiro, descobrindo que essa enfiada tinha lances em móvel, e fazendo uso das peças que ele tinha levado. Feijó foi em seguida, com o Alex guiando logo atrás e eu seguindo de segundo. Com certeza essa enfiada foi a mais legal de se fazer da via. Os lances em móvel eram em agarras boas, mas de movimentação bem interessante, com pegas de lado e uso do pé bem alto.

Galera reunida na P5
Galera reunida na P5

A próxima parada devia ser a quarta, mas o Feijó percebeu que o Minhoka tinha pulado uma parada antes dos lances em móvel. Então estávamos na parada 5 da via, e ainda com mais coisa pra subir! Dessa vez o Alex foi quem se animou de guiar primeiro, e acabou passando um aperto umas 3 chapas pra cima, em lances com lacas podres e poucas opções de pés.  Ele abortou a tentativa, e o Minhoka escalou até ele de segundo e tentou guiar o restante, passando maus bocados também, mas conseguindo chegar na próxima parada. Eu e o Feijó ficamos na P5, e eles rapelaram de lá, Minhoka tinha ido até a última parada, mas mais uma vez tinha pulado uma antes. Então no total a via ficou com 7 enfiadas, algumas mais curtas, outras mais longas, que deve dar algo em torno dos 120 200 metros de via, creio eu. Ótima via, e grande opção de escalada clássica agora mais perto de Fortaleza. Parabéns aos conquistadores Mario Carvalho, Ricardo Damito, Jorginho Mascena e Paulo Joca!

Lá de cima, contemplando o visual da “serra” de Redenção, consegue-se avistar algumas outras paredes, que podem guardar ainda mais potencial para a escalada na região. Fiquei com a sensação que agora é que começamos a descobrir a ponta do iceberg, e que ainda tem muita pedra pra achar e conquistar por ali.

Começamos nossa descida, com o Alex e o Feijó rapelando sozinhos, e eu e o Minhoka rapelando em simultâneo usando Grigris, algo que eu nunca tinha feito na vida. A opção pelos Grigris foi por não termos um ATC extra para o Feijó que ainda não tem o equipamento básico e foi pra lá meio sem saber o que o esperava. Na verdade, nem eu sabia o que me esperava. No final das contas correu tudo tranquilo, chegamos na base sem problemas ou contratempos, e pegamos o caminho de volta! Parada básica no posto para a tradicional Coca gelada com Doritos, completamente destruídos, mas totalmente felizes com mais um dia irado de escalada! Até a próxima galera!

Visu da P5, com alguns picos em potencial no fundo!
Visu da P5, com alguns picos em potencial no fundo!
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