Le Tour de Bloc Brasil 2013

Pois é, o mês de julho chegou ao fim, e com ele acabou a temporada dos festivais de boulder no Brasil. E se você aí, assim como eu, não conseguiu ir em nenhum festival e ficou em casa só regletando a fresta da porta, vamos ter que esperar 2014 para conferir ao vivo como foi. Eu realmente queria ter ido, pelo menos em um festival, mas infelizmente minha lesão no ombro e a falta de tempo ($$$) não me permitiram. Mas pra não deixar vocês sem saber o que rolou nesse verdadeiro Tour de Bloc pelos principais picos de boulder do Brasil, eu convidei o meu amigo Eric Dornelles, que foi em todos os festivais do Tour de Bloc, para escrever um relato de como foi essa experiência, e com certeza deixar todo mudo com vontade de deixar Julho do ano que vem livre para seguir a rota dos boulders. Confiram ai!

Le Tour de Bloc Brasil 2013

por Eric Dornelles

O mês de Julho é marcado por ser a melhor época para se escalar no Brasil, devido às baixas temperaturas e a menor chance de ocorrer chuva em grande parte do país. Por essas razões, os organizadores dos festivais de Boulder, de várias regiões decidiram mudar as datas dos eventos para esse mês, como foi o caso do Rockocal, festival organizado pela Rock Supplier em Cocalzinho de Goiás, que tinha sua realização em setembro, e passou esse ano para o mês de julho. O Ouro Boulder, organizado pelo Gabriel Tropia, escalador local, conseguiu, depois de quatro anos reviver o festival de Ouro Preto. O festival de Conceição do Mato Dentro, realizado pela Let’snessa, que nas suas últimas edições ocorreram no mês de maio, passaram a ter sua data marcada para o ultimo final de semana de junho. Com esses três festivais, juntamente com o Ubatuboulder, festival de Ubatuba, que há anos já ocorre no primeiro final de semana de julho e o Festival da Pedra Rachada, no terceiro final de semana, formou-se o que a Let’snessa apelidou de, Le Tour de Bloc Brasil, cinco festivais de escalada, em cinco finais de semanas seguidos, em picos de três estados diferentes. Assim que foram confirmadas as datas dos cinco festivais, comecei a me programar, para fazer o Le Tour de Bloc e prestigiar todos os eventos.

No dia 28 de Junho, sexta feira, começou o Le Tour de Bloc e a primeira parada foi na cidade de Conceição do Mato Dentro, interior de Minas Gerais, cerca de 170 km da capital Belo Horizonte. Parti bem cedo, juntamente com três amigos, de BH, para receber os escaladores de várias partes do Brasil.

Na sexta feira foram chegando algumas pessoas e rolou o primeiro night climb da “trip”, com várias cadenas da galera. No sábado era o grande dia do evento. O primeiro setor estava marcado para o Bloco do Ônibus, formação rochosa incrível, com base perfeita de grama e com várias linhas clássicas, com boulders de graduação de V0 a V8, ou seja, diversão para todo mundo. Depois do pôr do sol no bloco do Ônibus, partimos em direção para outro setor, Pedreira, com mais ou menos 80 escaladores, o climb rendeu ao som da musica até a madrugada.

Eric na cadena do boulder Linguinha V6 em  Conceição
Eric na cadena do boulder Linguinha V6 em Conceição

No domingo a galera parecia estar mal e muito cansada, ainda do night climb. Rolou um climb de leve pela manhã e de tarde fomos para a casa do Giucemar, amigo e escalador local de Conceição, fazer um churrasco e uma confraternização da galera da escalada, que rendeu até depois do jogo do Brasil, da final da copa das Confederações. O festival foi um sucesso, e contou com escaladores de diversas partes do Brasil, de várias cidades de Minas Gerais como Belo Horizonte, Ouro Preto, Araxá, Uberlândia, entre outras. Além de escaladores do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, do Sul e escaladores de outros países, como Estados Unidos e México.

Depois de Conceição, o próximo destino foi o litoral de São Paulo, Ubatuba. Por ser mineiro e morar em Belo Horizonte, ir para o litoral, curtir a praia e ainda escalar com o visual alucinante de Ubatuba é sempre incrível.

No dia 6 de julho, partir juntamente com dois amigos, rumo ao Ubatuboulder, quatro dias de sol, mar, pedra e muita diversão. A viagem era longa e para quebrar um pouco o ritmo de várias horas na estrada, resolvemos parar, no meio do caminho, na cidade de São Bento Sapucaí, interior de São Paulo, cidade bem pequena com varias áreas de escalada, incluindo vias tradicionais, vias esportivas e muitos boulders. Encontramos o casal de escaladores, Carlera e a Paulinha, para almoçarmos e colocarmos o papo em dia. Por eu nunca ter tido a oportunidade de escalar em São Bento, a vontade de ficar ali pelo menos algumas horas e subir alguns dos boulders clássicos do pico era muito grande, mas acabei segurando a onda e deixei para voltar em São Bento em uma outra “trip”. Despedimos-nos e agradecemos pela companhia do casal e caímos na estrada novamente em direção a Ubatuba.

Chegamos a Ubatuba já de noite, cansados da viagem longa, jantamos e dormimos para escalar no dia seguinte. Ao acordarmos no paraíso dos boulders, pela manhã, nos deparamos com outro bonde vindo de Conceição e que estava fazendo o Le Tour de Bloc. Era o bonde do Rafael Passos de Brasília, com o Junera, também de Brasília e os dois gringos, Craig dos EUA, e Bruno do México. Estavam sem lugar para ficar então convidamos para ficar na nossa casa, casa dos mineiros.

O dia tava muito bonito, céu azul, sem nenhuma nuvem, muito quente também. O jeito era ir para praia e curtir um banho de mar antes de ir “apertar” os clássicos boulders do pontão. Depois de matar a saudade do mar, era hora de ir “travar”. O pontão estava lotado, galera de todo o canto do Brasil. Foi bom rever e escalar com vários amigos de outros estados que não via a um bom tempo. O climb rendeu até a madrugada com varias cadenas novas. Foram três dias de muito climb e curtição, nos divertimos muito treinando o ”portunhol” com o Bruno do México e o inglês com o Craig dos EUA. Era risadas o tempo inteiro, na casa com maior diversidade de culturas do pontão.

Eric malhando o boulder Chave de Coxa V8 em Ubatuba
Eric malhando o boulder Chave de Coxa V8 em Ubatuba

A cidade é conhecida por “Ubachuva” e para fazer jus ao apelido no final da tarde do ultimo dia da “trip”, veio à chuva e não parou mais. O festival foi um sucesso e não vejo à hora de voltar ao paraíso e resolver algumas pendências, vários boulders engatilhados, que na próxima “trip” sairá cadena.

Novamente na estrada, e de volta a Minas Gerais, a terceira parada do Le Tour de Bloc, foi na cidade de Ouro Preto. O festival de Ouro Preto tinha muita expectativa por parte da comunidade escaladora, já que havia quatro anos que não rolava uma edição do Ouro Boulder. Graças ao empenho do escalador local, Gabriel Tropia, o evento ressurgiu com tudo.

No sábado dia 13 de julho pela manhã, partir em direção ao Ouro Boulder, o combinado era sairmos às 8 horas da manhã, o que não ocorreu, devido a problemas no carro do Bernardo Pastorini , só conseguimos sair as 11 hrs. Chegamos ao pico as 13 h da tarde, hora que a maioria das pessoas, que já estavam em Ouro Preto, subiu para o morro. De cara já fui encontrando vários amigos, o pico estava bem cheio e bem “florido” nunca tinha visto um pico de boulder com tantas mulheres, estava incrível.

Ouro Preto é um pico perfeito, não têm caminhada, as bases são perfeitas, os blocos são pertos um dos outros o que facilita a concentração e a interação dos escaladores em um evento como esses. Após o climb rolou uma confraternização da galera da escalada no Rosário Hostel, Hostel da escaladora local, Luisa Xavier que abrigou e colaborou com a organização do evento. No domingo parte da galera teve que pegar estrada de volta para casa, outra parte foi escalar no final da tarde e uma pequena parte de “fissurinhas”, mesmo indo dormir tarde por causa das festas, estavam lá pela manhã dando os últimos “pegas”, em seus projetos. O evento foi um sucesso e durante, cinco dias, foi regrado de muito climb de dia e festa de noite. Na mesma época do Ouro Boulder, aconteceu também o festival de inverno na cidade, com varias atrações de musica e arte. Destaque para a galera de Uberlândia e de Cocal que compareceram em peso e vieram prestigiar o evento.

Eric na cadena do boulder Embalados pelo Vovô V6  em Ouro Preto
Eric na cadena do boulder Embalados pelo Vovô V6 em Ouro Preto

A quarta parada do Le Tour de Bloc Brasil foi na Pedra Rachada, localizada na cidade de Sabará-MG, cerca de 30km de Belo Horizonte. É o pico de Boulder mais próximo da capital mineira.

No dia 20 de Julho, partir rumo a Pedra Rachada, pela manhã, com mais quatro amigos. Festival não encheu muito, contou com a galera local, vários escaladores de Belo Horizonte e o bonde que estava em todos os festivais, fazendo a “trip” do Le Tour de Bloc, Rafinha e Junera de Brasília, Craig dos EUA e Gabriel Tropia de Ouro Preto.

Pelo fato do sol rachar durante o dia, a maioria preferiu optar por chegar ao final da tarde e ficar para o tradicional night climb da Pedra Rachada. Já na madrugada do domingo, ocorreu um acidente com um brother, André Tourinho ao cair de um boulder se feriu e cortou o joelho em uma rocha. Pela gravidade do corte tivemos que ir embora e levá-lo para o Hospital em Belo Horizonte. Graças a Deus não foi nada sério, apenas deu vários pontos e nada que o tempo não cure. Em breve estará escalando novamente com agente.

Saímos do Hospital bem tarde, o dia já estava clareando. Pelo fato de passar a madrugada toda em claro e acordar tarde, não voltei para a Pedra Rachada no domingo, achei melhor ficar em casa descansando, pois na terça feira já estaria partindo para, ultima parada do Le Tour de Bloc Brasil, Cocalzinho de Goiás.

Na terça feira dia 23 de julho, peguei um avião em Belo Horizonte com destino a Brasília. Chegando lá, o Lucas Oliveira, conhecido como Castor, escalador local de Cocal, me buscou no aeroporto e fomos ao encontro do resto do “bonde”. Feito as compras no supermercado, era hora de partir para Cocalzinho de Goiás.

Cocal, que fica aproximadamente 130 km de Brasília, é um dos melhores picos de boulder da América do Sul, pico que eu respeito muito e gosto de escalar, não só pelas linhas alucinantes, mas por ter uma cultura de boulder, com muitas pessoas, mulheres e até crianças praticando o esporte, que não tem em nenhum outro lugar do Brasil.

No primeiro night climb da “trip”, fomos para o setor mais clássico do “gueto” Casa da Cobra. Estava muito frio, com um vento de cortar e esfriar o corpo em um minuto, alguns escaladores locais nunca tinham visto um frio como aquele em Cocal. Lembrei dos night climb’s em Rocklands da “trip” do ano passado na África do Sul. Mesmo com o frio, rolou algumas cadenas e foi só começo da aclimatação para a pele, dos seis dias de escalda que seguiriam.

Na quarta feira, o climb seria mais curto, só na parte da tarde, já que de noite tinha jogo do GALO, final da Libertadores da América. Em meio a tantos escaladores de Brasília que nem ligavam muito para futebol, tinha um, o Matheus Farage que era Atleticano. Assistimos ao jogo na casa do Castor em Pirinópolis e comemoramos muito a vitória e o titulo sofrido do GALOOOO.

Na quinta feria fomos até a rodoviária buscar a Luisa e o João de Ouro Preto, eles ficariam o resto do festival com agente. Rolou banho de cachoeira no final da tarde e escalada a noite. Após o climb fomos até a Rockocasa, fazenda onde todos os escaladores do festival estavam acampados, para reencontra amigos. Todos os dias rolava confraternização da galera após o climb na Rockocasa.

Eric na cadena do boulder Muy THC V6 em Cocalzinho
Eric na cadena do boulder Muy THC V6 em Cocalzinho

Na sexta feira Cocal estava ainda mais cheio, o night climb, foi no setor, Cinematográfico, e tinha gente para tudo quanto é quanto do setor, para onde se olhava tinha alguém comemorando uma cadena e gritando de alegria. Foi alucinante escalar com aquela galera, fiz um “volumão” com varias cadenas iradas. No sábado rolou o night climb no setor mais clássico, Casa da Cobra, escaladores locais ficaram impressionados com tanta gente no pico.

O festival e o Le Tour de Bloc foram encerrados com uma grande festa, que durou até as 6 da manhã do domingo. Contou com o show da banda Rupestre e foram sorteados, 10 crash-pads, passagem aérea, magnésio e sapatilha. Parabéns, Rafael Passo, Gabriel Bello e Rock Supplier, pela organização do evento que teve a participação de 200 escaladores de varias partes do Brasil, EUA e México.

Fico feliz em ter tido a oportunidade de ir a todos os festivais e ter feito essa viagem pelo Brasil. Escalada para mim, alem das cadenas e “subir pedra”, é viajar, conhecer uma nova cultura, novos lugares e fazer novas amizades. E é por isso que o Le Tour de Bloc foi criado, para incentivar as pessoas a saírem de suas cidades e irem conhecer outros picos e outras pessoas que compartilham desse mesmo estilo de vida.

O grande lance de festivais de escalada é a interação e a energia que acontece em um dia de climb, onde há pessoas iniciantes que estão começando a escalar agora e pessoas mais experientes que já escalam há muito tempo, todas com um só objetivo, que é subir a pedra e se divertir, cada um buscando os boulders do seu limite seja qual for à graduação.

Só tenho a agradecer a todos que fizeram parte dessas viagens. Feliz, em reencontra vários amigos de várias partes do Brasil, galera de Montes Claros, Araxá, Uberlândia, Ouro Preto, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, de ter feito novas amizades e ter escaldo em picos de boulder, cada um com seu estilo e tipo de rocha, um diferente do outro. Que venha o Le Tour de Bloc Brasil 2014!

Agradecimentos às duas marcas que me apoiam: Let’snessa Produções e 4climb Experimente essa vibe.

Agradeço ao Neudson Aquino, do blog Desce Daí, Doido!, pela oportunidade de compartilhar minhas experiências desses 30 dias de “trip” pelo Brasil. E espero que ano que vem você faça essa viagem também e que possamos escalar juntos.

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