Bate-papo: Caio Gomes sobre a websérie “Happy New Cerrado”

Sou suspeito para falar do trabalho dos meus amigos Caio e Pedro Gomes, irmãos escaladores, por quem tenho bastante apreço. Mas eu não sou daqueles que diz que algo é bom só porque é amigo. Quando é bom, é porque é bom mesmo. E é assim nos trabalhos dos dois, seja nas fotos do Pedro, ou no trabalho de edição de vídeos do Caio. Os dois são bons, e os dois trabalhando juntos, só podia sair algo bom. Ano passado os dois se juntaram para abrir uma produtora de vídeo, a Gomo Filmes, e já têm realizado bons trabalhos para diversos clientes por aí.

Mas, a paixão dos dois é a escalada, paixão passada de pai para filhos, e claro que uma hora ou outra eles iam produzir algo sobre escalada. Esse dia chegou, e hoje os dois lançam oficialmente a sua primeira websérie de escalada, a “Happy New Cerrado”, um registro da viagem de final de ano da dupla para a meca do bouldering no Brasil, Cocalzinho. Serão ao todo 4 episódios de 6 minutos cada, lançados semanalmente.

Tirei um tempinho para bater um papo com o Caio, sobre a produção e um pouco sobre o vídeos de escalada, servindo de aperitivo para o lançamento do primeiro episódio, hoje às 20h (horário de Brasília) no canal da Gomo no Youtube.

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Finalmente saiu a primeira produção de escalada da Gomo Filmes heim? Porque demoraram tanto?

Pois é, né?! Eu e o Pedro (meu irmão e sócio da Gomo) sempre tivemos muito cuidado em misturar trabalho e escalada. Mas se você buscar lá atrás, o primeiro vídeo que assinamos como Gomo Filmes foi no vídeo da Lulu (Luana Riscado) encadenando um boulder em Cocal. Olha a coincidência hahaha. O Happy New Cerrado surge como um teste para a produtora. Com essa websérie vamos medir o alcance do programa, com isso, vamos estudar e avaliar outros produtos com escalada. Por isso o HNC tem que bombar.

Vocês são de Niterói, porque não fazer a série em Itacoatiara por exemplo e sim em Cocal?

Então, pra quem acredita, eu diria que foi algo como a conjunção dos planetas. Nós já tinhamos comprado as passagens pra Cocal e até o dia 30 nada foi falado sobre série. Na verdade, nós filmamos toda a trip sem falar em série. De volta a Niterói, olhamos o material e ficamos amarradões com o tanto de imagem massa que tínhamos. Então Pedro sugeriu um formato de websérie com episódios de até 6 minutos. E daí chegamos aqui.

Como foi a divisão de trabalho da produção? Quem fez o que?

Então foi uma coisa muito orgânica. Gosto de trabalhar com o Pedro porque ele é muito proativo e compra as minhas ideias hahaha. Eu dirigi todo programa, mas muita coisa interessante que entrou nos episódios foi “freestyle”, e muitas dessas vezes, foi “feeling” do Pedro. Ele ficou responsável pela produção, still e direção de arte da série. Além da direção, a montagem e finalização também é minha. Ainda sobre “quem fez o que”, o Rafa Gomes de Goiânia se mostrou um bom assistente de câmera hahah Fez vários planinhos bacanas! Além de um bom fisioterapeuta e escalador, o cara se mostrou um bom câmera!

Vocês planejam continuar produzindo material de escalada? Já têm alguma nova idéia à vista?

Idéia com conteúdo de escalada sempre tivemos. Mas somos uma produtora que também tem que pensar em lucro. Então tudo vai depender desse retorno. Não descarto uma possível websérie pelo Rio, não só em Itacoatiara. Mas tudo vai depender do retorno do HNC.

Acho que valia um filme a história do clã “Gomes”, o que vocês acham? rs

Acredita que pensei nisso ontem? Daria um longa metragem! Muitos causos, muita coisa boa. Tem uma história por trás que ninguém sabe, que foi maior dificuldade no meu inicio na escalada que seria um bom conteúdo. Mas isso fica pra um outro papo.

Produzir vídeo tem bastante coisa técnica, mas também tem um lado artístico, e na arte a gente sempre tem referências. Quais as referências de vocês no mundo dos filmes de escalada?

Foda essa pergunta. Mas, a gente tem que beber de diversas fontes. Não adianta só se inspirar em escalada, em vídeos de escalada, porque senão, produziremos sempre os mesmos materiais, já que as referências de filmes de escalada são bem finitas. Isso eu aprendi mês passado quando fiz o curso MIMPI, um curso de audiovisual focado em surf e skate. Mas eu não vou fugir, acho que o Josh Lowell ditou uma nova linguagem para os filmes de escalada nos anos 2000. Aqui no Brasil eu curto muito o Seblen Mantovani, diretor do programa “Montanhistas”, com quem eu tive o prazer de trabalhar por 3 anos e aprender muito com ele.

O que você acha da produção de vídeos de escalada nacional?

Pois é, aí entra o papo de beber em outras fontes. Acho que, tirando os documentários, acaba que as coisas são muito mais do mesmo. O que sempre me incomodou no audiovisual de esportes radicais, principalmente na escalada, é a falta de enredo, falta de um roteiro bacana, com uma história legal. Não um monte de via e boulder randômicos. Mas ainda sim, todos os méritos devem ser dados àqueles que foram lá e fizeram. Os meninos do Pedra Viva hoje produzem um material de primeira qualidade – Alô Castor, vamos produzir! Estou com saudades dos vídeos. O Eliseu nos primórdios com o Lobotomia motivou uma geração, a minha principalmente. Mas de resto, não há muitas produções nacionais. Infelizmente!

Qual foi o melhor filme de escalada que já assistiram até hoje?

Sem duvidas foi o Rampage (2000), quando foi a primeira vez que eu vi o Sharma escalar!

E o pior?

Memento – A Boulder Life Line (2006)

E pra fechar, e quem quiser contratar a Gomo Filmes pra produzir algum vídeo, como faz?

A Gomo está inserida no mercado publicitário, mas temos dois braços independentes: artes e esportes. Qualquer pessoa que tiver uma sugestão de conteúdo ou quiser contactar a gente é só manda uma mensagem lá na página do Facebook (https://www.facebook.com/produtoragomo/) ou no e-mail caio.gomes@gomofilmes.com.br . Estamos às ordens!