IFSC divulga regras que serão usadas na escalada olímpica em Tóquio 2020

A Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC) divulgou ontem o formato de disputa da escalada olímpica em Tóquio 2020, junto com algumas regras e informações sobre seletivas. O anúncio aconteceu em Quebec no Canadá, durante reunião plenária da entidade e contou com a presença do representante dos atletas, o canadense Sean McColl. O que já era esperado se manteve: a escalada será disputada no modelo combinado das três modalidades – velocidade, boulder e dificuldade. Contudo, o modelo de construção do ranking vai mudar.

Novas Regras

A grande diferença das novas regras olímpicas vai ser o modelo de construção do ranking. Até hoje nas regras do IFSC o ranking combinado era calculado pela soma aritmética das colocações em cada disciplina, sendo o menor valor o melhor colocado. Por exemplo, um atleta que ficasse em 1º no boulder, 3º na dificuldade e 10º na velocidade, teria uma pontuação final de 14 pontos (1+3+10). No novo modelo a pontuação final se dá pela multiplicação das colocações. Assim, no novo modelo, a pontuação desse atleta seria de 30 pontos (1*3*10).

O que isso significa no frigir dos ovos? Que vai valer mais a pena focar em apenas duas disciplinas (alguém chuta quais?) e ir muito bem nelas, a tentar ir igualmente bem em todas (algo praticamente impossível).

Veja o exemplo citado pelo site 8a.nu. Se um atleta for igualmente regular nas três disciplinas, digamos 5º em todas, ele terá um ranking final de 125 (5*5*5).  Essa colocação pode ser suplantada por resultados não tão fantásticos como um 1º e dois 11º que daria uma multiplicação total de 121 (1*11*11). Outro resultado que também venceria do regular 5º lugar do exemplo seria um 2º, um 4º e um 15º, totalizando 120 pontos (2*4*15). Agora faça as contas usando a soma e descubra quem ganha? Sacou?

Essa pode ter sido a maneira do IFSC compensar a péssima ideia do modelo combinado e não punir demais os atletas que não se dedicam à velocidade. Ficou mais com cara de remendo, ao meu ver.

Apenas duas fases

Nos jogos serão apenas duas fases: qualificatórias e finais. Avançam para as finais os 6 melhores atletas em cada disciplina, com exceção da velocidade. Como a velocidade é disputada no modelo de “mata-mata”, com dois atletas competindo diretamente entre si, apenas 6 na final não fecharia as chaves e seria impossível chegar a um vencedor. Por isso nessa disciplina apenas serão 8 os classificados para as finais.

Kai Lightner e Ashima Shiraishi devem ficar com duas vagas americanas na disputa.
Kai Lightner e Ashima Shiraishi devem ficar com duas vagas americanas na disputa. (Foto: USA Climbing)

Seletivas

Sobre as seletivas o IFSC divulgou que os princípios de qualificação serão publicados pelo COI em julho. Mas para ajudar as federações a se programarem a entidade divulgou algumas diretrizes que vai propor ao comitê.

A primeira e mais importante é que as vagas serão distribuídas sem divisão por continentes ou países e sim entre todos os atletas elegíveis. Contudo vai haver uma cota de 2 atletas por gênero por país. Ou seja, um único país pode levar no máximo 4 atletas. Isso abre a chance para que países com menor tradição possam figurar com atletas nas Olimpíadas. De início essa regra não ficou clara na nota do IFSC, mas a presidente da ABEE, Janine Cardoso, em contato com os dirigentes da entidade internacional sanou as dúvidas que ainda haviam.

O IFSC também divulgou que o período de seletivas deve ser de 2019 a 2020, sujeito à confirmação final do COI e que eventos combinados ou rankings poderão ser usados como qualificatórias. Um deles será o Campeonato Mundial, que agora ocorrerá em anos ímpar, começando por 2019, justamente para não coincidir com as Olimpíadas. O ranking combinado da Copa do Mundo e os Campeonatos Continentais também devem ser utilizados como seletivas. Além disso o IFSC apontou a possibilidade um evento qualificatório adicional específico em 2020.

Suposições

Vamos agora fazer algumas suposições sobre as seletivas. São 40 vagas no total, 20 para homens e 20 para mulheres. Já temos como praticamente certo que o Campeonato Mundial vai ser seletiva e o combinado da Copa do Mundo também. Se considerarmos que os 3 primeiros colocados de cada um desses eventos sejam classificados, teríamos ai 12 vagas entregues. Uma vez que os eventos continentais também devem ser utilizados, temos ai mais 4 eventos, sendo mais 24 vagas preenchidas. Isso deixa sobrando apenas 4 vagas a serem preenchidas e deve ser aí que vai entrar o evento específico adicional para fechar a conta.

Sendo assim, os atletas brasileiros passam a ter um pouco mais de chance e tudo vai depender das datas dos eventos ao longo do ano. Se os continentais acontecerem somente após o Mundial, as chances aumentam, já que atletas americanos podem conseguir vagas já nesse evento e deixando em aberto vagas no Panamericano. Sem contar que ainda existe as 4 vagas adicionais do evento específico, que acontece somente em 2020, e que pode já deixar alguns países de fora por já terem alcançado a cota. No resumo, estou otimista!

Vamos esperar agora o anúncio oficial do COI em julho e ver se consegui acertar tudo.