Colin Duffy e Alannah Yip vencem o PanAmericano de Escalada e garantem vaga em Tóquio

Terminou no domingo o PanAmericano de Escalada em Los Angeles. O evento serviu como qualificatória para os Jogos Olímpicos de Tóquio e distribuiu as únicas duas vagas para o continente americano. Ao todo participaram das disputas 48 atletas de 8 países. Apesar de uma boa participação dos representantes de américa do sul, as duas vagas acabaram ficando para os EUA e o Canada. O americano Colin Duffy, de 16 anos, ficou com a vaga no masculino, e no feminino foi a canadensse Alannah Yip quem carimbou o passaporte para Tóquio.

Superação Canadense

Alannah Yip na final da dificuldade, modalidade que lhe garantiu a vaga. Foto: Carol Coelho

Entre toda as atletas disputando uma vaga olímpica nesse PanAmericano com certeza Alannah Yip foi a que mais esteve perto de se classificar. Ela participou do Mundial, chegando a ficar entra as 20 no combinado. Se classificou para Toulouse e teve mais uma chance de brigar por uma vaga. Com todo esse repertório Alannah chegou no Pan como a favorita à vaga, mas durante as classificatórias mostrou um desempenho bem aquém do esperado, escalando apenas o suficiente para avançar de fase. Ela chegou na final combinada como apenas a 6ª melhor colocada.

Andrea Rojas vencendo a final da velocidade contra Valentina Aguado. Foto: Carol Coelho

Mas na final Alannah parece ter ligado seu modo de alto desempenho porque de fato parecia outra atleta. Ela garantiu uma posição intermediária na velocidade, perdendo a primeira corrida mas vencendo as outras duas e ficando com o 5º lugar. Mas foi no boulder que Alannah pavimentou o caminho para a vitória. Com uma atuação quase perfeita ela foi a única a completar os 3 boulders, ficando com o primeiro lugar na modalidade e assumindo a liderança no combinado. A equatoriana Andrea Rojas e a argentina Valentina Aguado, que haviam sido 1º e 2º na velocidade, perderam a chance de se isolar na liderança ao terminar apenas na 8ª e 7ª posições, respectivamente.

Na dificuldade, para Valentina apenas a vitória poderia dar a ela o primeiro lugar no combinado. Com 14 pontos até ali, um segundo lugar já a levaria até 28 pontos, talvez o suficiente para o podio, mas não para a vitória. Já Andrea Rojas precisava de pelo menos um segundo lugar, para chegar aos 16 pontos e torcer para que a Alannah não fosse além do terceiro.

Podio feminino: Alannah Yip (CAN), Alejandra Contretras (CHI) e Lauren Bair (EUA). Foto: Carol Coelho

Valentina foi a segunda a escalar e Andrea a terceira. Tanto Valentina quanto Andrea ficaram exatamente na mesma agarra, desempatadas pelo tempo. Mas a chilena Alejandra Contreras veio em seguida e assumiu a liderança, deixando Valentina em segundo e Andrea em terceiro. A canadense Rebecca Frangos veio logo depois e também superou a argentina e a equatoriana, jogando por terra qualquer esperança das duas de conquistar a vitória. A essa altura, faltando apenas Alannah e as duas americanas, Norah Chi e Lauren Bair, para escalar, se a canadense assumisse a ponta, garantiria o terceiro lugar e a vitória antecipada, pois alcançaria no máximo os 15 pontos com nenhuma outra atleta com possibilidades de pontuar menos do que isso. E foi o que aconteceu. Alannah seguiu firme até a agarra 53, ganhando ainda o “+” e assumindo a liderança. Quando desceu ao chão sua compatriota Rebecca Frangos lhe deu a notícia e a canadense caiu no choro. Ela ainda seria desbancada por Norah Chi no tempo, e por Lauren Bair, a única a fazer top na via, mas já estava decidido. Depois de duas tentativas sem sucesso, finalmente ela conseguiu a vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Uma vitória merecida depois de mais de um ano completamente focada na busca pela vaga.

A “surpresa” americana

Que os Estados Unidos estavam praticamente com a mão na vaga para os jogos olímpicos era praticamente indiscutível. Depois das qualificatórias ficou ainda mais claro que os norte americanos estavam em outro nível, mesmo com um time extremamente jovem (3 dos atletas na final tinham menos de 20 anos). Os três primeiros colocados para a final eram da casa, com o grande favorito Sean Bailey liderando. Correndo por fora estavam os equatorianos Carlos Granja e Danny Valencia, classificados para a final em 4º e 5º lugar. O Brasil garantiu um representante com Cesar Grosso, e fechando os 8 estava o mexicano José Ramon Santos.

Colin Duffy no único top da via qualificatória. Foto: Daniel Gajda/IFSC

Na velocidade parte do favoritismo dos equatorianos se fez valer. O grande favorito da modalidade Carlos Granja dividiu a grande final com o americano Zach Galla, mas acabou caindo e amargando o 2º lugar, complicando um pouco sua busca pela vaga. Danny Valencia garantiu o terceiro lugar numa corrida pra lá de disputada contra Cesar Grosso. Os dois ficaram separados por apenas 1 décimo de segundo. Valencia marcou 6.78 e Cesar 6.88, cravando o novo recorde brasileiro da modalidade. Sean Bailey começou com o pé esquerdo e terminou em último a velocidade, deixando todo o trabalho para as duas próximas modalidades, que com certeza ele tinha potencial para ganhar. Colin Duffy terminou em 5º, uma boa posição intermediária, Zander Waller em 6º e o mexicano José Ramon em 7º.

Nos boulders os atletas americanos mostraram toda a sua superioridade. Em uma final com boulders muito fáceis (para eles), todos os americanos acabaram fazendo os 3 tops, o que acabou dando a vitória para quem errasse menos. Esse nome foi nome Zander Waller, que marcou os 3 tops flash. Em segundo ficou Colin Duffy, com 3 tops em 4 tentativas e 3 zonas flash. Sean Bailey ficou apenas com o terceiro também com 3 tops em 4 tentativas, mas 3 zonas em 4 tentativas. Zach Galla foi o quarto. Os equatorianos ficaram a com as 5ª e 6ª colocações, com 1 top cada, deixando mais difícil a chance de vitória, e Cesar Grosso e José Ramon ficaram em 7º e 8º, sem completar nenhum dos boulders.

Colin Duffy no primeiro boulder da final. Foto: Daniel Gajda

Ao final do boulder o americano Zach Galla liderava com 4 pontos no total (1 x 4). Zander Waller vinha sem segundo com 6 (6 x 1) e Colin Duffy e Carlos Granja em terceiro com 10 (5 x 2 e 2 x 5). Na dificuldade os dois grandes nomes eram sem dúvida Sean Bailey e Colin Duffy. Colin havia sido o único a fazer Top nas qualificatórias e Sean Bailey havia sido o segundo. Os dois seriam exatamente os últimos a escalar. Quando chegou a vez de Sean Bailey escalar, Zach Galla estava em segundo. Mesmo com Bailey e Duffy ficando à sua frente ele ficaria no mínimo em quarto, ficando no máximo com 16 pontos no combinado. Isso seria suficiente para a vitória e a vaga, caso Colin Duffy terminasse no máximo sem segundo. Bailey escalou muito bem e fez o Top, assumindo a liderança. Era a vez de Colin Duffy escalar. Ele não sabia, mas tinha que fazer o Top e ainda ser mais rápido que Sean Bailey. Repetindo a grande atuação da qualificatória, Colin foi até a última agarra e clipou a proteção com 3:30s, garantindo a vitória no combinado e a vaga para os Jogos Olímpicos. Uma surpresa nem tão surpresa assim para quem acompanhava a carreira de Colin no juvenil. O Estados Unidos fecharam assim sua cota de atletas para as Olimpíadas, com 4 atletas classificados.

Colin recebendo o abraço da sua treinadora Robin Ebersfield-Raboutou. Foto: Carol Coelho

Time Brasileiro

A participação do time brasileiro no PanAmericano teve grandes momentos e pontos baixos. No geral o desempenho do time ficou dentro do esperado, mas ficou claro que dava para ter ido um pouco mais longe. E ficou claro também o que foi o nosso “calcanhar de aquiles” neste modelo combinado.

Na velocidade, apesar de ainda não termos estruturas oficiais para treino no Brasil, o esforço pessoal dos atletas e da comissão técnica em buscar treinar essa modalidade nos EUA nos dias que antecediam ao PanAmericano, trouxeram bons resultados. Todos os atletas melhoraram suas marcas pessoais e os dois recordes brasileiros foram batidos. Cesar Grosso estabeleceu a nova marca masculina com 6.88s e Luana Riscado bateu o recorde feminino com 11.75s. Vale destacar também os tempos de Jean Ouriques e Pedro Nicoloso, que apesar de ainda estarem distante das primeiras colocações, mostraram uma grande evolução, correndo abaixo dos 10s pela primeira vez, mesmo sem ter treinado tanto a modalidade.

Cesar Grosso na via das qualificatórias. Bom desempenho dos brasileiros na modalidade. Foto: Carol Coelho

Na dificuldade a maioria dos atletas conseguiram avançar bem até os 2/3 das vias, escalando com fluidez e confiança, bem mais condizente com o estilo dos melhores na modalidade. No feminino os destaques ficam com Bianca Castro e Thais Makino, que mostraram porque foram uma boa escolha e nesta modalidade tiveram desempenho semelhante às melhores atletas da américa do sul. No masculino Cesar Grosso e Felipe Ho foram os destaques, com Cesar ficando atrás apenas de Danny Valencia na América do Sul e Felipe Ho com desempenho bastante semelhante.

Mas os boulders realmente foram o nosso ponto fraco. Nas pré qualificatórias o Top veio apenas uma vez com Pedro Nicoloso, e nas qualificatórias, apesar de termos ficado perto dele em várias oportunidades, tanto no masculino quanto no feminino, o máximo que conseguimos foi 1 top e 4 zonas, com Felipe Ho, Jean Ouriques e Cesar Grosso. Não dá pra dizer ao certo o que faltou, mas o fato é que se eu tivesse que eleger uma modalidade para focarmos em melhorar para os próximos anos, seria o boulder.

Thais Makino em um dos boulders da qualificatória. O top foi quase. Foto: Carol Coelho

Ainda não foi dessa vez que vamos ver um atleta brasileiro de escalada nas Olimpíadas e provavelmente será a última chance para a maioria desses atletas. Mas temos ainda um longo caminho até Paris em 2024 e toda uma nova geração de atletas motivados para representar o Brasil lá fora. Não sei vocês, mas eu estou ansioso! Que venha o novo ciclo!

PanAmericano de Escalada 2020 – Los Angeles

Feminino

1.Alannah Yip (CAN) – 15pts
2.Alejandra Contreras (CHI) – 36pts
3.Lauren Bair (EUA) – 36pts
4.Andrea Rojas (ECU) – 56pts
5.Rebecca Frangos (CAN) – 80pts
6.Norah Chi (EUA) – 80pts
7.Valentina Aguado (ARG) – 84pts
8.Emma Hunt (EUA) – 112pts

Masculino

1.Colin Duffy (EUA) – 10pts
2.Zach Galla (EUA) – 16pts
3. Zander Waller (EUA) – 18pts
4. Sean Bailey (EUA) – 48pts
5. Carlos Granja (ECU) – 70pts
6. Danny Valencia (ECU) – 90pts
7. Cesar Grosso (BRA) – 168pts
8. José Ramon Santos (MEX) – 448pts

Resultado completo no site do IFSC.



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