Catherine Destivelle é a primeira mulher a receber o Piolet D’or

A escaladora e motanhista francesa Catherine Destivelle vai ser agraciada com o prestigiado prêmio Piolet D’or em reconhecimento pelas conquistas da sua carreira. Ela será a primeira mulher a ser reconhecida com o prêmio desde que ele foi em criado em 2009. Entre os ganhadores de edições anteriores estão nomes como Walter Bonatti, Reinhold Messner e Jeff Lowe. Catherine, de 59 anos, irá receber o prêmio durante o Ladek Mountain Filme Festival em 19 de Setembro na Polônia.

Reconhecida como grande nome da escalada esportiva, tendo sido a primeira mulher a escalar o grau de 8a francês, Catherine Destivelle também teve uma carreira marcada por grandes ascensões nos Alpes. É uma premiação mais do que merecida para um grande nome do montanhismo mundial.

Abaixo deixo a apresentação de Catherine para o prêmio pelas palavras de Claude Gardien.

Catherine Destivelle por Claude Gardien

Catherine Destivelle começou a construir sua fama no mundo da escalada nos anos 80, uma época em que a escalada esportiva estava explodindo em popularidade e as graduações de dificuldade subindo rapidamente. A mídia focou sua atenção nessa nova disciplina, ignorando o fato que Catherine era uma alpinista desde tenra idade. Pouco depois de descobrir a escalada em Fontainebleau aos 12 anos, ela já estava completando grandes vias no maciço de Mont Blanc. Contudo, em meados dos anos 80 ela começou a participar em competições de escalada e seu sucesso nelas, e o fato de ter sido a primeira mulher a escalar um 8a, a transformou numa estrela da escalada em rocha. Mas poucos sabiam que na adolescência ela havia escalado algumas das maiores vias dos Alpes.

Em 1990, a estrela da rocha fez o seu retorno às montanhas com uma impressionante ascensão em solo do Bonatti Pillar no Petit Dru. Isso finalmente a concedeu reconhecimento como uma alpinista. Ela seguiu e abriu uma nova via na face oeste do Petit Dru em 11 dias, antes de completar uma trilogia solo no inverno: a face norte do Eiger em 1992, o Walker Spur na face norte dos Grandes Jorasses em 1993, e a via Bonatti na face norte do Matterhorn em 1994. Essa última via é ainda raramente escalada nos dias de hoje. Foi sua segunda grande via aberta por Bonatti e a primeira vez que uma mulher escalou em tão alto nível nos Alpes. Contudo, Catherine não queria apenas ser reconhecida como uma escaladora de sucesso, ela queria que suas performances fossem medidas contra aquelas de qualquer alpinista, não importasse o gênero. Quantos pessoas podem reivindicar escalar nesse nível? Catherine havia provado que mulheres podiam escalar tão forte quanto os homens.

Ela então abraçou o mundo da alta altitude, alpinismo técnico. Nos Himalaias e no Karakoram ela fez a segunda ascensão em livre da via Slovenian na Trango Tower, escalou a face sudoeste até o cume do Xixabangma, e tentou a face sul do Annapurna, o pilar oeste do Makalu e o colo norte do Latok I. Ela fez duas primeiras ascensões significativas na cadeia do Sentinel na Antarctica. Ela também escalou nos EUA e nas colunas de rocha dos desertos no Mali e no Sinai.

Catherine inevitavelmente atraiu a atenção dos fotógrafos de montanha e cinegrafistas. Em 2007 ela estrelou na produção de Rémy Tézier Au-Delà des cimes, um filme que apresentava escaladas alpinas com imagens soberbas. No filme Catherine escala a via Voyage selon Gulliver – uma difícil via em rocha no Grand Capucin. Contudo, o principal foco está na beleza do movimento, o prazer de bivacar no cume do Grépon com a sua irmã e uma ascensão da Aiguille Verte com os amigos. O título do filme pode ser traduzido como “Além dos cumes”, e expressa a ideia que o valor do alpinismo vai além da dificuldade da ascensão. A imersão da paisagem da montanha e os laços de amizade entre os parceiros de escalada proporciona memórias que duram muito mais do que um grau elevado ou um tempo rápido.

Depois de escrever uma charmosa autobiografia (Ascensions, Edition Arthaud), não foi surpresa nenhuma quando Catherine fundou sua própria editora, Les Éditions du Mont Blanc. Através dela, ela publicou textos fantásticos de escritores pouco conhecidos e rapidamente ganhou reputação pelo seu julgamento editorial sólido e a qualidade das suas publicações. Assim como na escalada de montanhas, ela deixou sua marca também no mundo editorial. Sua crença foi sempre a de seguir em frente, sem nunca se preocupar sobre o seu status como alpinista ou editora.

Fonte: Piolet D’or

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