Resenha: The Network
Essa semana foi lançado o mais novo filme do diretor Chuck Fryberger , The Network, e o Desce daí, doido! já adquiriu sua cópia e conferiu o filme.
Depois de uma estréia promissora com Pure, e em seguida ter conseguido emplacar um dos melhores filmes de escalada feitos até hoje com Core, fica difícil manter o pique e cumprir as expectativas. The Scene, apesar de ser um bom filme, não teve a mesma energia de Core. The Network também não tem, mas por outro motivo, bem mais compreensível.
The Network foi divulgado como uma parceria entre a Chuck Fryberger Films e a RedBull, mas assistindo ao filme fica claro se tratar mais de uma encomenda da empresa dos energéticos ao diretor do que outra coisa. Isso fica patente pelo estilo, que deixou de lado os takes “nonsense” e as piadas internas do mundo da escalada, presentes em seus filmes anteriores, sendo substituídos por uma abordagem mais contida, documental.
Mas o fato de o filme ter sido encomendado não diminui em nada a sua qualidade. Na verdade acrescenta qualidades que os outros não tinham, embora tire um pouco do caráter “get psyched” mais presente em filmes como Core e Pure. O filme ganhou uma cara mais de documentário, partindo do pressuposto de que quem está assistindo o filme não sabe nada de escalada e nem nunca ouviu falar daquelas pessoas e seus feitos incríveis. É uma abordagem bastante interessante e que acaba amarrando bem a história, guiada pelo conceito da rede de atletas que se interligam, tendo como ponto de partida Kilian Fischhuber.
Kilian é claramente o protagonista da história. Todos os elos da rede se ligam a Kilian de alguma forma, e a escolha de Kilian também é clara: ele é talvez o atleta de escalada mais destacado patrocinado pela RedBull. Isso de forma alguma é ruim, já que Kilian é um grande escalador, tanto em competições quanto na rocha, o que confere momentos bem diferentes para o filme. Acompanhamos Kilian durantes etapas da Copa do Mundo de Boulder e no Mundial, sendo superado pela esquadra russa. E seguimos com ele para picos de boulder como Rock Mountain National Park e os Grampians. Também podemos ver algo que não vemos com frequência. Kilian Fischhuber escalando vias esportivas! Intermediando as cenas de Kilian, vemos alguns outros grandes nomes da escalada mundial, como Sean McColl, Daniel Woods, Paul Robinson, Dave Graham e Nalle Hukkataival, garantindo alguns bons momentos ao filme, com cadenas de vulto com o FA do Meadowlark Lemon V15 por Paul Robinson, o FA do Mystic Stylez V15 por Daniel Woods e a cadena do Big Paw V15 por Sean McColl.
No aspecto técnico, The Network mantém o nível dos anteriores. Trabalho de câmera preciso, bela fotografia, edição fluida e dinâmica, e belos gráficos para completar o pacote. O único porém da parte técnica é o uso um pouco frequente do zoom digital (zoom na edição), que acaba criando cenas com qualidade de imagem bem inferior ao resto do filme, desfocadas e pixeladas. Deixa até a impressão de que as famosas câmeras RED de 4k de resolução não foram usadas aqui.
No geral, The Network é um bom filme, bem no estilão OFF Films, indicado até para a galera que não conhece nada de escalada. The Network está disponível em download HD pelo site iClimb ao preço de $19,95 (cerca de R$40).
Review: Chasing Winter
Chasing Winter é a quarta produção da Prak Media de Paul Robinson (The Schegen Files, Welcome to The Hood, On The Circuit) e com certeza o melhor até agora. Usando o título como ponto de partida do filme, Paul Robinson explica que para cada atleta existe um patamar de temperatura e clima para se obter a melhor performance. Para os boulderistas o ideal são os climas frios e secos, explicando o porque de viajarem o mundo “caçando invernos”. Mas essa explicação toda fica somente por ai (e no final do filme, numa tentativa de amarrar a história), sendo esquecida no restante da produção que se desenvolve como qualquer outro filme de boulder, com muitas cadenas e trilha sonora instigante.
Mas Chasing Winter consegue dar um passo a mais do que os filmes anteriores de Paul Robinson. Neste podemos pelo menos sentir o que é ir numa “trip” para o outro lado do mundo. Paul aproveita para colocar um pouco da cultura da África do Sul, com trechos onde eles visitam locais comuns de Cape Town, provando a comida típica do lugar, por exemplo. Estão no filme também os momentos de descontração em casa, nos dias de chuva. O cozinhar a própria comida (onde Carlos Traversi aparece como o “chef” da casa), e até mesmo praticar outras atividades como o surfe, onde tanto Paul Robinson quanto Carlo Traversi mostram que como surfistas são ótimos boulderistas.
Quanto à escalada no filme, essa é filmada e editada com precisão. Aparentando estar usando equipamento de primeira, Paul Robinson consegue capturar grandes cadenas em imagens nítidas e bem compostas, que são muito bem acompanhadas pela trilha sonora muito bem selecionada, fugindo um pouco do 100% eletrônico. Algo digno de nota no filme, é o fato de Paul Robinson claramente assumir mais a postura de produtor e deixar que os demais sejam os destaques. São de Carlo Traversi as duas cadenas mais fortes (Paranormal Activity V14 e Mirta V14), ambas primorosamente filmadas e editadas, com uma trilha de deixar você querendo ir escalar na mesma hora, formando o clímax da primeira parte.
O outro grande destaque do filme é a pequena Ashima, que domina a segunda metade da produção. Aqui podemos ver o quão realmente Ashima é impressionante. Desde o primeiro V11 flash feminino com o boulder Black Demon, até as cadenas dos boulders Fragile Steps e Steady Plums Direct, ambos V13. O filme deixa claro que Ashima só não escala mais forte por não ter alcance suficiente para a maioria dos boulders. Como diz Paul Robinson em determinado momento “quando ela ficar maior, não vai ter boulder que consiga pará-la”.
Com esse Chasing Winter, Paul Robinson se recupera depois do fraco On The Circuit e deixa de novo a esperança de grandes produções da Prak Media no futuro, ainda com muitos boulders fortes e cadenas incríveis, mas com espaço para um pouco mais de história.
Chasing Winter tem no total 55 minutos e está disponível em download HD (1,98 GB) pelo site 27Crags, pelo custo de $ 14,98 (aproximadamente R$ 30,00).
Resenha: Brasil Vertical
No começo da semana o escalador Felipe Camargo lançou o seu curta Brasil Vertical, que registrou algumas das suas cadenas durante o ano de 2012. O filme teve uma boa recepção pela comunidade escaladora, tanto daqui quanto de fora, e em poucos dias já ultrapassou a marca de 10mil visualizações no Youtube. Aproveitando esse sucesso todo, resolvi escrever uma pequena resenha sobre o que achei do filme.
Antes de tudo, vale ressaltar que essa resenha vai levar em conta que o filme é uma produção amadora, com poucos recursos, tendo centrada apenas em uma pessoa (o próprio Felipe) as tarefas de diretor, câmera, editor, designer e ainda por cima “marketeiro”, e mais importante ainda, que é a primeira experiência de Felipe Camargo com produção de vídeos. Dito isso, vamos ao que importa.

Felipe Camargo na Comando Vermelho 11a
Brasil Vertical (ok, o nome não saiu tão original quanto o planejado né, Felipe?) começa com Felipe falando sobre a sua oportunidade única de ter podido escalar fora com alguns dos melhores escaladores do mundo, e da sua motivação para fazer o vídeo, que era de mostrar a escalada brasileira (principalmente a escalada de vias difíceis) para os gringos. Depois dessa breve explicação o filme não perde tempo e já nos leva direto para São Bento do Sapucaí, onde vemos Felipe fazer a primeira ascensão de dois fortes boulders, Sal Bento V10 e Segundo Sol V13. Já dá pra ficar “psyched” só com a pressão que você vê ele fazer durante a cadena do Segundo Sol.
Deixando São Bento, Felipe entra pra falar um pouco da Serra do Cipó, de longe um dos melhores picos de escalada esportiva do Brasil. Aqui acompanhamos mais 3 FAs, das vias Hooligans 10c, Premonição 11b (a via mais difícil do Brasil na atualidade) e Comando Vermelho 11a; ganhando ainda o extra da via Poder Paralelo no Sítio do Rod, em Lagoa Santa. Aqui o claro destaque fica na cadena da Comando Vermelho, que percebe-se ter sido a que teve um maior material filmado, permitindo à Felipe chegar num ótimo resultado na edição, explorando as tentativas mal sucedidas, e os vários ângulos e closes da cadena, construindo assim muito bem a dificuldade da via.
De Minas vamos para o Rio de Janeiro, onde Felipe conta um pouco a história da Coquetel de Energia, via que foi por muito tempo a mais difícil do Brasil, e mais uma vez vemos um bom trabalho de filmagem e edição. Os ângulos foram muito bem escolhidos e os closes nos movimentos são precisos, chegando a causar aquela sensação esquisita quando ele aperta o reglete e se ouve (não sei se o som é disso mesmo, mas dá pra sentir) os dedos estralando. No final Felipe ainda inclui a tomada “real” da cadena, que por ter sido feita à noite não permitiu ser aproveitada para o filme.
No final das contas Brasil Vertical é um bom filme. O estilo escolhido, chamado pejorativamente de “climb porn”, caiu como uma luva para intenção de Felipe que era mostrar um pouco da escalada brasileira para os gringos e motivar os escaladores nacionais a escalar mais forte. As pausas na “ação” com os comentários ajudaram a quebrar o ritmo das cenas seguidas de escalada, renovando o interesse no que vem a seguir. Isso fica claro no final da sequência de Minas, onde mais uma via ali começaria a ficar maçante. Por ser o primeiro filme de Felipe nota-se que ele experimenta bastante na edição, nem sempre acertando, testando alguns recursos de correção de cor, como o “cut out” no final da Hooligans, e um recurso meio “picture-in-picture” para mostrar um “close”, que acabou não funcionando tão bem quanto um corte limpo teria funcionado. As imagens de arquivo poderiam ter sido melhor utilizadas, principalmente se tivesse usado o vídeo original da Coquetel de Energia e não a tela do Youtube, mas acabaram cumprindo o seu papel. No geral o filme foi bem filmado, com boas escolhas de ângulos e bom trabalho de câmera, feito em grande parte por amigos, e a edição de Felipe ficou muito boa, levando-se em consideração ser esse o seu primeiro trabalho. Obviamente nota-se alguns altos e baixos na parte técnica, tanto no vídeo quanto no áudio, mas que eram esperados devido aos poucos recursos do filme. Talvez a parte que ficou mais aquém do “conjunto geral da obra” foi o design gráfico dos títulos, que poderiam ter usado uma tipografia mais interessante e ter mantido um padrão nos tamanhos e efeitos, e terem sido melhor posicionados na tela. Mas como o Felipe não é designer, eu relevo, mas deixando a dica para chamar um designer pra ajudar na próxima (tamo aí, Felipe!).
Para uma primeira produção o resultado ficou bem acima da média, e creio que com mais experiência Felipe Camargo pode acabar ficando muito bom nessa “brincadeira”, seguindo o exemplo do escalador Paul Robinson, que além de escalar muito, tem se mostrado muito bom na produção de vídeos.
Bate-papo com Felipe Camargo sobre o filme Brasil Vertical
Hoje o escalador Felipe Camargo liberou seu curta, Brasil Vertical (o vídeo você confere abaixo), resultado de quase um ano de filmagens das cadenas de algumas das linhas mais difíceis do Brasil. Aproveitando o ensejo, eu bati um papo demorado com ele pelo Facebook (demorado porque a internet dele não ajudou) sobre o filme e os projetos para o próximo ano.
Desce daí, doido: Hoje você está lançando o seu curta, Brasil Vertical. Diz aí como surgiu a ideia de produzir esse vídeo.
Felipe Camargo: A ideia surgiu vendo os vídeos do pessoal de fora, principalmente do Paul Robinson que me motivou bastante! E junto a isso a vontade de escalar mais pelo Brasil esse ano. Sempre estava viajando e nunca ficava no Brasil no inverno, a melhor época pra escalar aqui. Entao tinha muita via dificil e muito projeto que ouvia muito e não conseguia tentar nunca. Ai acabei juntando as duas coisas, a vontade de aprender a mexer com vídeo e a de ficar e explorar mais as escaladas daqui e resolvi fazer o video.
DD: Tu citou ai o Paul Robinson, e ele é um dos caras lá de fora que meio que tá liderando essa tendência dos escaladores profissionais de filmarem e editarem o próprio material. Mas pra ti, quando foi mesmo que tu parou e pensou: “Poh, eu posso fazer isso. Posso fazer meus próprios videos”?
FC: Cara não sei! Hahaha! Resolvi tentar, não sei ainda se posso ou não. Vou saber se a galera gostar! Se não passa pra outro fazer esse trabalho! Hahaha! Brincadeira. Mas resolvi tentar aprender, é uma área muito legal de trabalhar!
DD: O fato de ter participado do Reach, do Nathan Bancroft, junto com o Jon Cardwell, de alguma forma te influenciou nessa empreitada?
FC: Não influenciou muito não. Com o Nathan eu não tive que me preocupar com nada, só escalar. Ele é muito profissional e muito bom nas filmagens, fazia tudo acontecer natural, não precisava ficar repetindo os movimentos muitas vezes nem nada, e eu não fazia ideia de nada de edição. Só agora mesmo que resolvi ir atrás e aprender um pouco. Mas com certeza o nivel do meu video vai ficar bem longe do nível do Nathan! Hahaha!
DD: Obviamente que tu não fez tudo sozinho, afinal de contas alguém tinha que escalar. Mas como foi o processo, quem te ajudou nas filmagens?
FC: Como o video foi feito bem “low budget” contei com a ajuda de amigos, ninguem profissional não, só com uma boa noção de trabalhar com câmera e com vontade de ajudar! (Obrigado a todos mais uma vez ) e também fiz muitas imagens com tripé, imaginando a cena e deixando a camera fixa!
DD: Mas a parte da edição ficou por tua conta mesmo, né?
FC: Sim. Meu irmão me ajudou com alguns detalhes, mas a grande parte foi por minha conta. Tinha um ano todo pra aprender e ir fuçando. Na parte de edição mesmo, música/escalada estou bem satisfeito! Na parte gráfica ainda da pra aprender a usar After Effects e melhorar muita coisa.
DD: Tenho aqui uma pergunta do editor e escalador Caio Gomes: É cada vez mais frequente o aparecimento de “produtoras de escalada” com escaladores diretores, editores e roteristas. Você, que desempenhou esses três cargos em seu curta – diga-se de passagem, muito bem -, pensa em realizar mais trabalhos como esse dando início à uma própria produtora ou buscará ajuda de uma já estabelecida no mercado?
FC: Cara ainda não sei. Definitivamente me motiva isso de trabalhar com vídeos, mas ainda tenho um longo caminho de aprendizado pra querer trabalhar com isso de verdade! Mas acredito que nos escaladores que mexemos um pouco com isso, devíamos nos unir e pegar trabalhos juntos! E acho que assim vamos evoluir muito.
DD: No total…quanto tempo levou pra filmar e editar o video?
FC: Comecei as filmagens em março e só lancei agora dia 17 de dezembro. Entre encadenar vias, filmar e editar é um longo processo.
DD: Das vias que estão no filme, qual tu considera a que ficou melhor?
FC: Uma das que eu mais gostei foi a Poder Paralelo, pela estética da via, a linha é perfeita! Mas uma das mais bem filmadas foram o Coquetel de Energia que o Bie filmou pra mim. E uma das imagens que mais gostei foi essa de longe da Premonição que e a capa do video, que o Pedrinho (Pedro Leite) quem filmou.
DD: E qual a que deu mais trabalho pra registrar?
FC: Acho que o Coquetel também, pela via ser tão abrasiva e ter que ficar repetindo os movimentos foi duro! Hahaha!
DD: Tu já tinha comentado que o filme ia seguir um estilo de mais escalada e menos conversa, o que a galera acostumou chamar de “Climb Porn”, as vezes até de forma pejorativa. O que te fez escolher por esse estilo?
FC: Porque acho que principalmente por ser um video de via e não boulder, poderia facilmente ficar tedioso. E acho que sendo uma edição rápida, com cortes rápidos e dinâmicos e pouca fala consegueria evitar isso. Mas também porque gosto mais de ver videos de ação, com música boa, que te motiva pra ir escalar e treinar! Sem mto bla bla bla…a não ser que seja uma super história muito interessante.
DD: Agora sobre o nome. Esse eu sei que deu trabalho…
FC: Hahaha! Ô se deu!
DD: Depois de definido rolou um pequeno problema com direitos…como foi que tu contornou isso?
FC: Acabei fazendo na afobação e nao pensei direito sobre o nome. Queria algo simples e direto, e que tanto brasileiro como os gringos entendessem. Mas existe a marca Brasil Vertical, do Bito e da Karina. Mas conversamos e ficou tudo acertado.
DD: O filme acabou sendo meio que uma retrospectiva do teu ano de 2012 na rocha. Qual é a avaliação de 2012? Ficou faltando alguma coisa…algum projeto?
FC: Cara, a gente sempre acha que poderia ter feito mais né? Fiquei satisfeito com a quantidade de vias sim. Mas o Brasil é muito grande e tem muita coisa ainda. Passa Vinte e Corupá são dois lugares que gostaria que entrassem no vídeo e ficaram de fora. Fica pro proximo! hehehe
DD: E o ano que vem? Quais os planos? Algum projeto especial?
FC: Hehehe, várias ideias! Mas nada em concreto ainda. Vamos ver o que acontece.
DD: E o Nordeste? Faz tempo que você diz que vem e nada? Em 2013 vai aparecer por aqui mesmo ou é só conversa? rs
FC: Hhahaha! Em 2013 certeza!!! Tô louco pra conhecer esses negativos dai!
DD: Valeu ai Felipe pelo bate-papo! Espero que o filme espalhe ai pra todo canto e alcance o seu objetivo!
FC: Tomara! Valeu a ajuda ai, em todo o processo!
Confira abaixo, na íntegra, o curta Brasil Vertical, com Felipe Camargo! Recomendo colocar em 720p e em tela cheia!
Resenha: Autana
Uma montanha proibida e sagrada no meio da amazônia venezuelana, Leo Holding e Sean Leary na expedição e Alaister Lee registrando tudo isso. A julgar pela mistura e pelo ótimo resultado do filme anterior de Alaister Lee, The Asgard Project, poderia se dizer que mais um grande filme de escalada estava chegando. Mas não é bem assim. Autana não alcança o mesmo resultado de The Asgard Project, nem mesmo em seus melhores momentos.
O novo filme do diretor Alaister Lee começa com o trio da expedição, Leo Houlding, Sean Leary e Jason Pickles conversando em uma praia do caribe venezuelano sobre as dificuldades que irão enfrentar para chegar até Autana. De cara já soa estranho eles estarem tendo uma conversa dessas naquele ambiente, e de forma tão descontraída. Mas o que incomoda mesmo é a sensação de cena completamente dirigida. Não se sente uma gota de espontaneidade, indicando que na verdade eles já sabiam tudo que iam fazer, estavam ali apenas explicando pra câmera. Daí o filme parte pra mostrar a jornada do trio até a montanha sagrada de Autana, atravessando rios, evitando os contrabandistas e a polícia, e tendo que participar de rituais xamânicos para conseguir a permissão de escalar a montanha, gerando uma sequência completamente dispensável de “livre interpretação visual” das viagens de Leo Houlding após tomar o famoso chá de Ayahuasca.
Desde essa primeira parte já começa a incomodar a falta de tensão no filme. Diferente de Asgard Project, onde a todo instante se temia pela continuidade da expedição, aqui mais parece que eles estão num passeio, apesar de estarem indo para uma montanha isolada no meio da selva. Nem mesmo a lesão nos pés adquirida por Leo Houlding, serve para acrescentar alguma dose de preocupação, tanto que ela é completamente esquecida no decorrer do filme e em nada interfere na escalada.
As cenas de escalada são sim muito boas. A parede é linda, e as imagens capturadas pela câmera de Alaister Lee continuam fantásticas. As cavernas gigantes que existem no meio da parede são algo realmente incrível e apresentadas com toda a grandiosidade que elas merecem. Mas fora isso, mais uma vez vemos uma escalada sem emoções, sem contratempos, sem perrenques, tudo que se esperaria de uma escalada dessa natureza. O filme termina e você fica com a impressão de que foi tudo muito fácil para eles, tudo saiu como planejado. E talvez tenha sido. Talvez a idéia de ir até Autana tenha sido de se meter em um grande perrengue que acabou não se concretizando, gerando um filme morno, e que não vai ficar na lista dos melhores filmes de escalada já feitos.
Autana está disponível em download HD através do site da Posing Productions e custa o equivalente a salgados R$ 44,00. Adquira a seu próprio risco.
Cinebiografia de George Mallory terá Tom Hardy como protagonista
A produção Everest vai contar a história do alpinista britânico George Mallory, que desapareceu enquanto tentava atingir o cume da montanha mais alta do mundo em 1924. Mallory será interpretado pelo também britânico Tom Hardy, que interpretou recentemente o vilão Bane, em Batman: Cavaleiro das Trevas Ressurge. A história, baseada no livro Paths of Glory, de Jeffrey Archer, vai se passar no período pós primeira guerra mundial e vai acompanhar as tentativas de Mallory em escalar a montanha, sua obsessão pelo cume do Everest e o prejuízo que isso causou em seu casamento.

O corpo de George Mallory foi encontrado em 1999, pelo escalador americano Conrad Anker (que também tem um filme sobre essa expedição, The Wildest Dream de 2010), e até hoje ninguém pode afirmar com certeza se ele foi ou não o primeiro alpinista a atingir o cume da montanha mais alta do mundo.
Vídeo da Semana XXXV
Domingão sem pedra, na frente do computador? Acontece…mas pra esses casos nada melhor do que um bom vídeo de escalada né? O vídeo dessa semana escolhido pela galera do Facebook faz bem o trabalho de apresentar um pico nordestino de um potencial incrível: Itatim! É pedra pra todo lado. Confere ai!
Legendas de filme de escalada
Quem não curte um bom filme de escalada? Todo escalador curte. Curte tanto, que adora assistir mesmo não entendo porra nenhuma do que se está falando no filme. Isso acontece, obviamente, porque praticamente 100% das produções são faladas e/ou narradas em inglês, o que dificulta bastante a vida dos escaladores que não tem familiaridade com língua da terra da rainha.
Uns tempos atrás, o pessoal do No Dab, a galera que agita a escalada no estado de Goiás, organizou uma série de exibições de filmes de escalada, os chamados Cine No Dab, e isso foi o motivador para os caras fazerem algumas legendas para algumas produções exibidas nos eventos. Mas como eles mesmo fizeram questão de frisar, eram legendas apenas pra entender o que tava acontecendo e de qualidade razoável. Mas de qualquer forma, já foi um começo. Um desses filmes foi o Core, que eu já havia anteriormente dado uma melhorada na legenda para uma exibição na casa de um amigo.
De uns tempos pra cá a gente aqui de Fortaleza tem feito umas confraternizações na Fábrica de Monstrinhos, regadas a cerveja e churrasco, e que tem como atração principal um filme de escalada. Batizamos esses eventos de Cine Monstro. E como lá tinhamos o mesmo problema das legendas, eu acabei assumindo a responsabilidade de tentar legendar os filmes.
O primeiro filme que rolou legendado foi o The Asgard Project, de Alaister Lee. Esse eu usei como base a legenda da galera da No Dab, que realmente tava bem básica, apenas com alguns diálogos chaves traduzidos. Mas eu entendo a dificuldade, o filme é realmente bastante difícil de legendar e eu tentei cobrir o máximo de buracos que havia na legenda e consertar algumas coisas que já haviam sido traduzidas. O resultado, apesar de não ficar 100%, permitiu a galera acompanhar bem o filme e a tensão de se escalar uma montanha gelada no Alaska.
Mas no último Cine Monstro o desafio foi fazer do zero uma legenda. O filme escolhido? The Wizard’s Apprentice, que conta a história do escalador fenômeno Adam Ondra. Levei umas boas 3 semanas fazendo a legenda nos tempos livres. O fato do filme ser narrado por alguém não nativo na língua inglesa e ser boa parte falado em tcheco com legendas em inglês, facilitou tremendamente o trabalho. O fato dele ter quase duas horas, não. Consegui terminar a legenda cobrindo quase tudo que foi dito no filme, e o resultado foi um Cine Monstro bem sucedido com todo mundo adorando o filme, até quem nunca escalou na vida!
Daí nasceu a idéia é continuar com os Cines Monstro por aqui, e com cada nova edição fazer uma nova legenda de mais um filme de escalada. As legendas que eu for fazendo eu vou disponibilizando por aqui no blog, como as 3 já citadas ai em cima (com um agradecimento especial pra galera do No Dab pela base das duas primeiras). Ainda não sei qual vai ser o próximo filme do Cine Monstro, mas as legendas antigas vocês pode baixar basta clicando nos links abaixo:
Legendas
Core (Chuck Fryberger Films)
The Asgard Project (Posing Productions)
The Wizard’s Apprentice (Bernatwood Productions)
Resenha: On the Circuit
O que você esperaria de um filme de escalada com Dave Graham, Daniel Woods, Paul Robinson e Carlo Traversi? No mínimo, várias cadenas de boulders irados pra deixar qualquer um com a mão suando. Mas infelizmente não é isso que a Prak Midia (The Schegen Files e Welcome to the Hood) entrega no seu mais recente lançamento, On the Circuit.

O filme tenta partir da premissa de mostrar o “circuito” normalmente frequentado por esses monstros em RMNP. Mas a decepção fica por conta dos boulders que fazem parte desse “circuito”, no geral pouco estéticos e sem muito apelo. A única exceção fica por conta da cadena do boulder Paint it Black V15, por Paul Robinson. Tecnicamente, a edição é simples, a câmera raramente fica parada em um tripé (decisão de estilo?!), a captação do áudio é ruim (algumas vezes o barulho do vento no microfone é tão alto que chega a incomodar) e a impressão que fica é que o vídeo poderia ter sido feito por qualquer um, em um final de semana qualquer, pra mostrar pros amigos enquanto toma uma cerveja. A única diferença é que ali estão monstros do bouldering.
Se tem algo de interessante em On the Circuit é o fato de mostrar um pouco do lado menos “glamouroso” da vida de escaladores de elite. A gente vê um pouco deles ralando, procurando os boulders, visualizando as linhas, falando besteira, e em lugares que passam longe daquelas paisagens de papel de parede de computador. Tirando isso, o filme não tem nada de muito interessante e realmente não empolga. De tanto não empolgar, chega a ser ultrajante aquela mensagem contra pirataria no início do filme. On the Circuit é a prova viva de que só “hype” na internet sem um produto final à altura não vai muito longe. Ainda assim, fico na torcida para que a Prak Midia acerte a mão no próximo.
Pra quem quiser adquirir o filme pra ter na coleção, ele está disponível para download HD pelo site 27Crags, e custa $ 9,99 (em torno de R$ 20,00). Deixo com vocês o trailer, que engana um bocado…
The Scene disponível em português!
O mercado da escalada tem dado mostras de estar crescendo ano após ano, e cada vez mais, mais escaladores surgem em todos os lugares do mundo. Com uma cena crescente e se tornando cada vez mais global, já não era sem tempo que as produções de filme de escalada contemplasse o gigantesco público que não fala inglês. E o primeiro filme a fazer isso oficialmente é o The Scene, de Chuck Fryberger, que já se encontra disponível para download HD ($ 19,95) e tem, além da versão original em inglês, versões com legendas em outros 6 idiomas, incluindo o português! Não sei ainda se o português em questão é o brasileiro ou o de portugal, mas de qualquer forma já vale a pena. The Scene se encontra a venda pela loja virtual iClimb!










