The Swiss Account em download HD gratuito

18
Jul

Há um tempo atrás Jon Glassberg e Carlo Traversi lançaram alguns vídeos na internet sobre sua trip de boulder pelo fantástico granito suiço, passando por lugares já lendários como Magic Wood, Cresciano e Chironico. Mas não contentes em apenas lançar web-episódios (muito bem filmados e editados por sinal) eles resolveram sair na frente de muita gente, e compilaram todo o material (não assisti ainda pra saber se contém cenas inéditas) e criaram o que pode ser o primeiro longa de escalada a ser disponibilizado de forma completamente gratuita!

Isso mesmo, o filme completo está disponível para ser assistido online, ou baixado em formato HD para você assistir na sua TV, caso queira. O filme conta com convidados ilustres, como Alex Puccio, Paul Robinson, Dai Koyamada e Adam Ondra! O filme você pode conferir ai embaixo, ou então baixar aqui! Se tava sem ter o que assistir pra ficar com as mãos suando, agora já tem!

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Campeonato Mundial de Escalada – modalilade Boulder

18
Jul

Esse final de semana aconteceram as finais da modalidade Boulder do 11º Campeonato Mundial de Escalada, que acontece na cidade italiana de Arco.

As competições tiveram início na sexta-feira, com as qualificatórias  femininas e prosseguiu no sábado com as qualificatórias masculinas. Cada categoria tinha perto de 100 escaladores inscritos, que se revezaram em duas baterias de qualificatórias, encarando 4 boulders. No final, apenas os 20 primeiros colocados seguiriam para as semis. Os problemas das qualificatórias foram todos bastante técnicos, de equilíbrio, e acabou deixando muita gente forte, mas mais “dinâmica” de fora. Grandes nomes como Nalle Hukkaitaval, Alexey Rubstov e Guillaume Glarion Mondet ficaram de fora. O Brasil esteve representando no masculino, pelos escaladores Cesar Grosso, André Berezoski e Pedro Nicoloso. Nenhum dos 3 conseguiu avançar para a semi, mas Cesar Grosso passou muito perto ficando em 14º na sua qualificatória e 35º no geral, deixando para trás nomes como Carlo Traversi e Chris Webb Parsons. Isso, segundo informações de amigos, sem estar treinando para Boulder. André Berezoski teve desempenho parecido, mas uma agarra bônus a menos o fez cair um pouco mais na classificação. Pedro Nicoloso não conseguiu fazer nenhum top e acabou ficando bem atrás.

Entre as mulheres a coisa foi bastante parecida, boulders técnicos e de bastante equilíbrio, o que acabou sobrando para Alex Puccio, que tem um estilo bastante dinâmico. Fora ela, todas as outras favoritas se classificaram para a semi. O Brasil contou com a participação de Janine Cardoso e Thais Makino. Thais Makino começou bem, fazendo top logo no primeiro problema, mas acabou não conseguindo repetir o feito, e assim como Janine Cardoso, ficou bem atrás na qualificação.

No domingo aconteceram as semifinais e as finais, e aqui tenho que dizer, a organização do Campeonato Mundial deu um verdadeiro show de transmissão. Desde a semifinal já se notava a diferença. Câmeras de vários ângulos, captando os melhores momentos de  cada escalador, mostrando a platéia repleta de espectadores. Teve espaço até mesmo para replays. Ficou a impressão de estar assistindo realmente uma competição olímpica. Muito bom!

Mas vamos ao que interessa, resultados! As semifinais foram mais dinâmicas, e nela vimos cair 14 escaladores em cada categoria, para apenas 6 prosseguirem para a grande final. Entre as mulheres as finalistas foram Anna Störh, Akiyo Noguchi, Juliane Wurm, Sasha DiGiulian, e duas surpresas ruassas, Olga Bibik e Yana Chereshneva. Monstrando grande superioridade frente as concorrentes, Anna Störh encadenou todos os 4 boulders propostos e ficou com o título mundial de boulder! A americana Sasha DiGiulian lutou muito em todos os boulders, mas conseguiu apenas dois tops e ficou com a segunda colocação, seguida da alemã Juliane Wurm.

Mas foi entre os homens que o grande espetáculo se completou. Depois de uma semifinal bem disputada, passaram para a decisão Dmitry Sharafutidnov, Kilian Fischhuber, Adam Ondra, Cedric Lachat, Rustam Gelmanov e a surpresa Thomas Tauporn. O primeiro problema parecia bem dinâmico, mas segundo os comentários de Alex Johnson, os routesetters tinham pensado uma solução mais estática. Mas Cedric Lachat resolveu ficar com o dinâmico e completou o boulder com um movimento acrobático e muito bonito. O alemão Thomas Tauporn veio em seguida mas não conseguiu o top. Foi então a vez de Adam Ondra, que depois de uma primeira tentativa bem dinâmica, resolveu o problema da forma que os routesetters previram, bem estático, com os pés indo na frente. Muito bonito de se ver. Kilian Fischhuber descobriu o movimento da saída já praticamente no final, e se viu com problemas na hora de se reposicionar e dominar a agarra final. Acabou caindo com o cronômetro já zerado e sem tempo pra mais nada. Dmitry Sharafutidnov entrou no problema parecendo hesitante, abortando tentativas, mas sem voltar os pés ao chão. Depois de alguns instantes o russo descobriu o que fazer e fez. Mandou o primeiro problema de primeira, e assumiu a primeira colocação.

Os próximo problema viu Ondra e Sharafutidnov derrotá-lo em apenas uma tentativa, e viu Kilian Fischhuber ter bastante problemas e apesar de conseguir o top, deixar a impressão de que aquele não era o seu dia. No terceiro problema, bem técnico, Ondra mostrou toda sua técnica e fez top na primeira tentativa. Sharafutidnov acabou errando a primeira tentativa e deixou assim Adam Ondra mais perto dele na classificação. Rustam Gelmanov também conseguiu o top e continuou firma na briga.

O último problema foi espetacular. Lachat e Tauporn não conseguiram encaixar os primeiros movimentos e saíram sem o top. E ai veio Adam Ondra. O problema parecia bem difícil, e fazer top já seria uma grande vantagem. Ondra tentou 3 vezes até encaixar o movimento principal do boulder e fazer o top, isso com bastante braço para ainda pedir o aplauso da platéia antes de dominar a última agarra. Veio Rustam Gelmanov, e fez o boulder com duas tentativas, mas a soma total de suas tentativas nos boulders anteriores o mantiveram atrás de Ondra. Agora só faltava Sharafutidnov. Se ele fizesse top em até 4 tentativas, o título era dele. Mas mostrando estar numa forma invejável e completando uma apresentação quase impecável, Sharafutidnov encadenou o problema na primeira tentativa e ficou com o título mundial de boulder!

O Campeonato Mundial de Escalada continua essa semana, com as competições de Paraescalada, e no final de semana com a disputa das modalidades dificuldade e velocidade. Os atletas brasileiros vão estar de volta, e a espera é que o resultado na modalidade dificuldade.

Para os resultados completos e os horários das competições acesse o site do evento. E para acompanhar as transmissões em stream ao vivo, acesse o site da  IFSC.tv.

Postado por Neudson em : Boulder, competições, notícias

O grande espetáculo da escalada começa em Arco!

14
Jul

Começa amanhã o maior espetáculo que o mundo da escalada já viu: o 11º Campeonato Mundial de Escalada, que terá lugar na cidade italiana de Arco. Serão 10 dias de competições, com mais de 200 atletas, disputando o primeiro lugar nas modalidades de Boulder, Dificuldade e Velocidade, além do já tradicional Duelo do Arco Rock Masters, o novo Team Speed, e a grande novidade: o 1º Campeonato Mundial de Paraescalada; mostrando que o nosso esporte pode envolver realmente a todos!

A IFSC quer realmente realizar algo para ficar na memória, principalmente dos representantes do COI, que com certeza estarão presentes. Esse ano o evento terá uma cerimônia de abertura especial, com um espetáculo de dança, luzes e música representado a escalada, e o grande final desse espetáculo contará com a presença de duas lendas: Lynn Hill e François Legrand. Ainda teremos uma noite especial, onde será feita uma volta no tempo, pelos 25 anos dos Arco Rock Masters, com a presença de Lynn Hill, François Legrand, Yuji Hirayama e Luisa Iovane. Nessa mesma noite será feita a entrega do já tradicional Arco Rock Legends que premia os melhores escaladores do ano com o La Sportiva Competition Award, para o escalador(a) que mais se destacou nas competições durante o ano, e o Salewa Rock Award, para o escalador(a) que mais se destacou na rocha durante o ano. Na disputa por esse prêmios esse ano estão Chris Sharma, Adam Ondra, Enzo Oddo, Sasha DiGiulian e Gabriele Moroni ( Salewa Rock Award), e Ramon Julian, Jain Kim e Adam Ondra (La Sportiva Competition Award).

Mas o espetáculo não estaria completo se os melhores atletas do mundo lá não estivessem, e esse ano a disputa vai ser acirrada. No Boulder, Kilian Fischhuber vai buscar o único título que ainda lhe falta, mas pela frente terá um Adam Ondra motivado, que chega em Arco para disputar todas as modalidades do evento: Boulder, Dificuldade e Velocidade; algo que vai ser tentado também pelo suiço Cedric Lachat. Mas na disputa masculina pelo título do Boulder ainda estão nomes como Dmitry Sharafutdinov, segundo na Copa do Mundo, o francês Guillaume Glairon Mondet e Alexey Rubtsov. Entre as mulheres a disputa terá nomes como Anna Störh, atual lider da Copa do Mundo, Akiyo Noguchi, a coreana Jain Kim, que vai testar suas forças também no boulder essa vez, sem contar com as americanas Sasha DiGiulian, Alex Puccio e Alex Johnson.

Na dificuldade Ramon Julian vem como o grande favorito, tendo ganho 5 Arco Rock Masters e sendo até agora imbatível na cidade italiana. Adam Ondra vem focado, já tendo deixado claro que seu objetivo maior é ganhar essa competição. Mas também teremos outros grandes competidores, que com certeza estão na briga, como Jakob Schubert, Sean McColl e Magnus Midtboe. Entre as mulheres a coreana Jain Kim vai disputar com a austríaca Angela Eiter, e com os fortes times da frança e eslovênia, com nomes como Charlotte Duriff, Alizèe Dufraisse, Mina Markovic, Maja Vidmar e Natalija Gros.

O Brasil também estará presente, representado pelos escaladores Cesar Grosso, Thais Makino, André Berezoski, Janine Cardoso e Pedro Nicoloso.

O evento desse ano será transmitido pela rede de TV italiana RAI, com cobertura ao vivo pelos canais RAI Sport 1 e RAI Sport 2. E claro que teremos a transmissão completa do evento ao vivo pelo site IFSC.tv!

Fique ligado, o Campeonato Mundial de Escalada tem início amanhã, com as classificatórias masculinas do boulder, e segue até o dia 24 de julho! Para o programa completo do evento e os horários das competições acesse o site do Arco 2011!

Postado por Neudson em : Eventos

Ubatuboulder, uma trip quase perfeita!

12
Jul

Parece coisa de maluco, sair daqui de Fortaleza, viajar sei lá quantos mil quilômetros, pra passar praticamente só um dia escalando. Mas foi só porque foi pouco tempo que essa trip não foi perfeita, porque por todo o resto, não sei como poderia ser melhor: um pico fantástico, com um visual incrível, uma galera irada, e todos numa energia fenomenal! Foi realmente muito bom! Mas pra vocês entenderem eu tenho que contar, vai ficar longo, mas tenham paciência.

Ubatuba foi minha primeira trip de boulder. Nunca antes na vida desse escalador uma trip tinha sido dedicada apenas à essa atividades que alguns preferem fazer num dia de descanso. Mas a escolha pra começar essa história foi Ubatuba e foi acertada.

Saimos de Fortaleza, eu e Daniel Mamede, na sexta meio dia. Enfrentamos três horas e meia de voo até São Paulo, pra de lá pegar mais uma hora e meia de estrada, de ônibus, até São José dos Campos, onde fizemos uma pequena visita ao muro do Purga, pra pegar algumas idéias para a nova Fábrica de Monstrinhos. Dormimos por lá, na casa do André Braga, primo do Daniel, e seguimos com ele no dia seguinte para Ubatuba! Dos 3, só eu ainda não conhecia o tão falado pontão da praia da fortaleza!

Chegamos por volta das 9:30 da manhã e seguimos direto pros boulders! Não tinhamos tempo a perder! Dez horas já estávamos dando início aos trabalhos, entrando na primeira brincadeira do dia: Ferro de Passar V3. De cara  já achei esse V3 mais forte do que o único que eu tinha escalado até hoje, o Charlie Brown no Grajaú. Mas trabalhei um pouco, achei o beta, e encadenei. Daniel também mandou o boulder um pouco depois.

Saímos dali e fomos entrar no Dorotéia, que dizia o André, era outro V3. Trabalhamos um pouco os lances e o Daniel mandou sem muito esforço. Eu mandei em seguida. Mas depois acabamos descobrindo que o Dorotéia, segundo o croqui, era um V5, mas que não terminava por onde a gente terminou, tinha mais alguns movimentos antes de fazer a virada. No final das contas eu nem sei o que foi que eu mandei, mas ficou com cara de V3 também.

Nesse meio tempo já tava escalando com a gente o Bruno, amigo do André, e se juntou o Ian Munoz, que tava por ali sozinho e a gente chamou pra dar uns pegas no Pro Abaulado V2. Esse foi mais dentro das expectativas. Errei na tentativa em flash, mas na segunda saiu a cadena. Daniel também mandou com bastante facilidade.

Saímos de lá e fomos tentar um dos grandes clássicos de Ubatuba: Van der Walls, outro V3. André mostrou como era o problema, mandando fácil, logo de primeira. E ai começaram as tentativas. Várias! Mas sem muito progresso. Até que nos deram o beta de travar com o joelho em uma das agarras, ai o negócio começou a ficar mais perto. Mas ainda assim, dominar o reglete mais em cima tava difícil. Parecia estar faltando o posicionamento correto. Já estava no que eu considerava meu último pega no boulder e cai mais uma vez, mas nessa tentativa deu o estalo do que eu devia fazer pra dominar a agarra. Resolvi dar mais uma chance e fui pra mais uma tentativa. Saiu tudo perfeito! Mordi o reglete e abri mais a perna direita pra ficar na agarra quase de oposição. Era o que precisava. Cruzei pra agarra melhor mais em cima e ai eu já sabia que tinha mandado, foi só manter a calma e fazer a virada. Clássico de Ubatuba no bolso, pra voltar pra casa satisfeito. Ótima a sensação de virar um boulder que você já tentou bastante e já ia desistir.

No meio dessas nossas tentativas pelos boulders do pontão eu fiquei de olho na galera que ia chegando, já que fomos os primeiros a chegar por lá de manhã. A galera da 4Climb chegou um pouco depois. O Felipe Alvares “Kbeça”, que a gente já tinha encontrado na frente da casa onde iríamos ficar, e o Daniel Mendes “Tiodan” que chegou depois.

Mas eu estava mesmo era a espera do Caio Gomes, que já tinha se tornado amigo pela internet e que agora ia ter a oportunidade de conhecer pessoalmente. E por volta do meio dia, aparece aquele carioca meio com cara de marrento, óculos escuros, fone de ouvido, completamente na dele. Mas foi só chegar e cumprimentar pra confirmar que o cara é realmente gente fina demais. Até parecia um velho amigo que tava reencontrando e não vendo ali pela primeira vez. Junto com ele o caçula da família Buscapedra, Pedro Gomes, da mesma vibe do irmão.

Outra galera que eu já conhecia pela internet foi chegando depois também, como o Gibara e o Linha. Conheci também o  jovem talento da escalada brasileira, Rafael Takahace, e o pai, Mauro,  que demonstra o apoio incondicional que tem pela paixão do filho de 15 anos, acompanhando nas trips e registrando tudo. Muito bonito de se ver!

Apareceu também gente que eu já tinha conhecido em outras trips pelo Brasil, como o Carlos, que eu conheci na primeira vez que fui no Cipó, e o Eric, que eu conheci da segunda trip no Cipó. Muito legal rever essa galera!

E claro que essa galera chegou pra escalar também, e encadenar. E eu fiquei por ali assistindo, vendo os monstros escalar. No meio disso presenciei a cadena dupla do Cracolândia V12, pelo Beto de Campinas e o Esteban do Rio. Justo o boulder que o Caio Gomes estava tentando e que parecia engasgado. Vendo a cadena dos 2, ele entrou duas vezes tentando encadenar e não conseguiu. Dava pra ver que aquilo tava mexendo com a cabeça dele, e apesar de estar ali tentando passar a vibe, nessa hora eu nem sabia o que dizer. Mas ele se aprontou pra uma terceira entrada, depois de repassar o beta que ele já sabia que era o certo pra ele. Foi lá, e com determinação e a vibe da galera embaixo, saiu a cadena tão esperada. Segundo V12 do Caio! E como eu tinha falado pra ele antes, eu ia tá lá pra presenciar. Fiquei com fama de pé quente! Um grande momento do Ubatuboulder!

Por volta das 15hs o André teve que ir embora, e eu e o Daniel acompanhamos para tirar as mochilas do carro e deixar na casa alugada pelo pessoal da 4Climb. Aproveitamos pra descansar um pouquinho a pele, que já tava reclamando um pouco. A combinação rocha abrasiva e pele fina por falta de treino e escalada não foi das melhores! Fomos comer alguma coisa e voltamos para o pontão pra uma nova rodada de tentativas em novos boulders!

Vimos o Carlos entrando em outro V3, Curta Metragem, que pareceu interessante e resolvemos tentar também. Junto também estava a Roberta, escaladora de Belo Horizonte, se não me engano. Dos 3, ela foi a única que mandou o boulder. Na escalada é assim, sem espaço pra machismos bestas, porque a mulherada escala forte pra caramba por aqueles lados.  Ficamos ali tentando várias vezes, mas pra mim o boulder parecia não estar encaixando direito e deixei de lado.

Vi uma movimentação em frente ao Van der Walls, e resolvi checar. Era o Daniel Tiodan dando um estímulo pras cadenas. Quem encadenasse o Van der Walls, ou o Wanderléia V4, ou o Jantar V4, levava um brinde. Como eu já tinha mandado o Van der Walls, resolvi entrar na brincadeira com o Wanderléia. Me juntei ao Gibara, ao Eric e ao Hugo, de BH, nas tentativas. O crux do boulder era juntar as mãos na aresta, saindo de um crucifixo. Ou seja, segura a porteira! Foi tentado de tudo, calcanhar, toe hook, mas nada tava jeito. Até que o Hugo encaixou o toe hook certinho e conseguiu juntar, mas na hora de soltar o pé o pêndulo era grande demais pra ficar. Enquanto a gente se matava no Wanderléia, o Pedro Gomes brigava com o Jantar, já bastante cansado depois de ter mandado 2 V7.

A noite chegou, os boulders iluminados pelos holofotes e as headlamps, mas a disposição não diminuiu. Galera continuou escalando, embalada pela vibe da música eletrônica. Depois de desistir do Wanderléia, acabei aceitando o desafio do Felipe Alvares e fui tentar um V6: Cérebro! Saída esquisita, com o calcanhar já bem alto e dois regletes nojentos, um deles, segundo o Hugo, carnívoro! E lá fomos nós: Eu, Daniel, Hugo, Eric e Roberta. Negócio era difícil, e com o cansaço, o corpo começou a reclamar. Numa das tentativas a panturrilha pediu penico, e a câimbra veio. Ainda tentei mais uma vez, mas vi que não rolava mais tentar o Cérebro, com aquela puxada de calcanhar logo na saída.

Mas como tava todo mundo escalando ainda, e a vibe tava legal, ignorei um pouco os sinais do corpo e resolvi dar uns pegas no Pézinho V4, já que tinha uma galera tentando. Me resumi a tentar isolar o crux do boulder: um belo de um dinâmico de lado, num lance de teto, pra um agarrão irado! Preciso dizer que era longe? Cai várias vezes e não consegui nem segurar de verdade na agarra. Era o sinal pra tirar as sapatilhas e parar de escalar. Afinal de contas foram quase 10 horas de escalada, praticamente non-stop, num pico de boulder de rocha abrasiva! Uma hora tinha que acabar a pilha e a pele, e não teve superbonder que desse jeito. De tão cansado, acabei perdendo o night climb que rolou até 4:30 da manhã  no pontão, com muita música, vinho e cerveja. Cerveja que eu desisti de esperar por volta da s 21h da noite, achando que o tiozinho do barco tinha dado o xexo na galera.

O domingo ia ser curto. Só tínhamos a manhã se quiséssemos  escalar mais alguma coisa. E voltamos pra lá por volta das 10hs pra acabar com o resto de pele. Os músculos das costas e dos braços já começavam a reclamar, mas ainda dava pra gastar um pouquinho mais. O escolhido foi o Sertão V3. Outro conhecido de trips passadas, o Alex, estava por lá tentando com uma galera, e resolvemos nos juntar a eles. Daniel deu só um pega e mandou o bendito. Ele já tinha mandado em outra trip e disse que era por causa disso, só pra poder continuar dizendo que estava fraco. Eu ainda dei uns 3 pegas no boulder, sem sucesso. Parecia faltar gás pra explodir na agarra final e fazer a virada. Mas como diz o velho ditado repetido à exaustão na trip: “O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre”; lá fui eu pra mais uma tentativa, com o mesmo espírito do último pega no Van der Walls. Consegui achar força onde não tinha mais e explodi certinho na agarra. Demorei pra achar posição pra virada, mas consegui e mandei. Mais um V3 pra colocar no 8a.

Ainda tentamos escalar alguma outra coisa mais fácil, mas o tempo já tava curto demais. Deixamos o pontão e fomos almoçar antes de enfrentar as 5 horas de viagem até São Paulo, e de lá mais 3 ate Fortaleza. Fiquei feliz de ainda ter encontrado com o Caio e o Pedro, pra poder me despedir, deixando com eles um presente bem cearense: rapadura! Nos despedimos também da galera da 4Climb, e pegamos o caminho de volta.

Hoje estou aqui, escrevendo esse relato e ainda sentindo dores musculares. Mas em nenhum momento me arrependo de ter ido. Como bem disse o Caio  no blog dele, foi o melhor Ubatuboulder da história e foi meu primeiro. Primeiro de muitos!

ps: Queria terminar esse post completamente pra cima, mas aqui tenho que dizer algo não tão legal, mas pra gente daqui do Ceará. Durante o evento acabou surgindo a pergunta inevitável: e o encontro?! Mais uma vez, como muitos dos outros escaladores do Ceará interpelado nos picos de escalada pelo Brasil, eu tive que responder a única coisa que eu podia: que  não sabia. Queria poder dizer que o encontro vai ser fantástico, que eles tem que aparecer por lá em novembro, mas não vou dizer algo que eu não sei se vai se concretizar. Uma pena! Fica o toque pra organização trabalhar melhor e divulgar como andam os preparativos para o evento.

Postado por Neudson em : Relato

Fábrica de Monstrinhos com novo endereço!

8
Jul

É isso ai galera, demorou, foi  suado, praticamente uma novela, mas agora a Fábrica de Monstrinhos já tem um novo endereço! Depois de um ano funcionando na Academia Cearense de Tênis, termos sido malandramente “expulsos” de lá, ficarmos mais de 3 meses sem lugar pra treinar, procurando um novo espaço, quase desistindo, achamos o local que uniu todos os pré-requisitos: espaço suficiente e aluguel barato!

A nova sala fica na Rua Clarindo de Queiroz, 55, no centro da cidade, por trás da Faculdade Marista. Agora vamos ter um espaço de cerca de 100m² para reconstruir o muro, em contraste com os mínimos 25m² da salinha da ACT. O pé direito é bastante alto, deixando agora a cabeça viajar com um muro com mais altura, negativos mais longos, etc, etc…

Ainda tem bastante coisa pra fazer, a começar por uma reforma na sala, que não está no melhor dos estados. Temos ainda que fechar também o novo projeto, para ai sim começarmos a construir. Toda ajuda vai ser bem vinda nesse momento, portanto quem estiver disposto a arregaçar as mangas, fazer força furando e cortando madeira, se sujando de tinta, fique a vontade para aparecer!

A previsão é que a nova sede da Fábrica de Monstrinhos esteja de volta em agosto, pra mais uma temporada forte de treinos, mas dessa vez sem esquecer dos iniciantes! Quando tivermos novidades, vocês ficam sabendo por aqui!

Postado por Neudson em : Fábrica de Monstrinhos

Os produtos 4Climb chegaram!

7
Jul

Foram anos de espera. Muito tempo utilizando o famigerado “farinésio” do pote-da-tampa-amarela-que-vende-na-Centauro. Muito dinheiro gasto pedindo pela internet aquele magna da gringa. Mas essa era de sofrimento acabou no Ceará! Os produtos 4Climb chegaram!

Como eu disse aqui, por enquanto o ponto de venda “oficial” é a minha humilde residência. Mas em breve, assim que a nova sede da Fábrica de Monstrinhos voltar a funcionar (novidades sobre isso muito, muito em breve) é lá que você deve ir: para comprar magnésio 4Climb, para treinar, para rever os amigos, marcar a trip do final de semana, ou pra tomar aquela breja pra desopilar! Não necessariamente nessa ordem!

É isso ai galera! Agora Ubatuba me espera, mas com magnésio 4Climb! Acho que mando até o Cracolândia agora! Te cuida Caio Gomes!

Postado por Neudson em : Dicas, Equipamentos

Revista espanhola entrevista Felipe Camargo

6
Jul

Felipe Camargo voltou recentemente de uma trip pela europa, e trouxe na bagagem a cadena da via Ali Hulk 9a (11c br), seu primeiro 9a francês incostestável! E pra mostrar que o feito não foi pouca coisa, a revista espanhola escalar resolveu fazer uma entrevista com ele, e que saiu na edição 75 do periódico, da mesma editora da famosa Desnível. Parabéns Felipe!

Apesar da sua juventude (20 anos) já faz uma década que Felipe anda subindo nas rochas, e pertence a essa nova geração de jovens mutantes que vem rompendo barreiras, no seu caso, do outro lado do mundo. Foi o primeiro brasileiro a escalar um 8b+ (11a br) e 8c (11b br) (em 2008, com 17 anos), ambos conseguidos em Rodellar, e ele volta a sua escola internacional predileta para subir ao seu grau mais alto com Ali Hulk 9a (11c br), que encadenou no começo de junho. Aproveitamos sua última visita a Espanha para conhecer um pouco mais deste jovem talento brasileiro.

Postado por Neudson em : escaladores, notícias

Momento Desce daí, doido!- III

5
Jul

Fazia tempo que eu não encontrava nada digno de um legítimo momento Desce daí, doido!

Nós já tivemos o monge que resolveu morar no topo de uma coluna de pedra na Georgia, e também tivemos o cara do emprego mais Desce daí, doido! do mundo, o técnico de manutenção de torre de transmissão.

Mas agora o negócio chegou nos escaladores. Por mais que as vezes eu fique olhando pras coisas no meio da rua (parada de ônibus, esculturas, passarelas, etc) e imagine como eu faria pra escalá-las eu sempre seguro meu ímpeto de maluquice e fico só na imaginação mesmo. Mas já esses caras não. Resolveram escalar tudo que parecia legal no meio da rua. E mais doido ainda, resolveram fazer um filme da doidice. Contudo, tenho que admitir, se eu visse alguém fazendo isso aqui em Fortaleza, eu ia me juntar na brincadeira, e deixar o povo embaixo gritando: DESCE DAÍ, DOIDO!!

Postado por Neudson em : Humor, Momento Desce daí, Videos

O sonho olímpico continua: Escalada Esportiva em nova na lista do COI

5
Jul

Ainda não foi a escolha oficial, mas ontem o COI divulgou uma nova lista, mais curta, com os esportes que ainda podem sonhar com uma vaga nas competições de 2020, e a escalada esportiva é um deles. Lembrando que por Escalada Esportiva se entende as 3 modalidades hoje disputadas nas competições oficiais da IFSC: Dificuldade, Boulder e Velocidade (tanto individual, como por equipe e revezamento).

Os esportes na lista, além da escalada, são: Baseball, Karatê, Patinação (incluindo também o Skate), Softball, Squash, Wakeboard e Wushu (Kung-Fu). Um desses esportes estará nas Olimpíadas de 2020. Baseball e Softball sairam das Olimpíadas em 2008 e tentam voltar. Karatê, Patinação e Squash, não são novidade nas listas de esportes candidatos. Somente a Escalada Esportiva, o Wakeboard e o Wushu, estão pela primeira vez disputando uma vaga.

Os critérios levados em consideração para chegar nessa lista  foram baseados nos perfis dos atleta como gênero, número, representação demográfica, assim como a participação e contribuição dos jovens no esporte, medidas anti-dopping, sustentabilidade e legado do esporte, e desenvolvimento na mídia.

A decisão final do COI sobre qual esporte integrará a grade oficial das Olimpíadas de 2020 só sai em 2013. Até lá o IFSC pretende fazer dois grandes campeonatos mundiais, começando esse ano em Arco, para mostrar todo o potencial do esporte como competição.

Os comentários do presidente do COI sobre a inclusão do skii e snowboard slopestyle nas Olimpíadas de Inverno pode soar como um bom presságio: “Está crescendo rápido, e vocês tem atletas jovens, dedicados e espetaculares”. Será que isso se encaixa na Escalada?!

Ficamos na torcida para ver a Escalada Esportiva como esporte olímpico em 2020!

Fonte: IFSC

Postado por Neudson em : Escalada Esportiva, Evento, notícias

Apresentando a escalada para (futuros) novos praticantes

4
Jul

Esse domingo eu tirei para levar uns amigos, que nunca tinham escalado em rocha na vida, para conhecer a escalada. O local escolhido foi a Pedra do Garrote, em Caucaia, por ter uma quantidade legal de vias bem acessíveis, ideal pra quem tá iniciando.

Tinha combinado com o Paulo Joca, que já é iniciado no esporte mas tem ido pouco à pedra, e ele fechou a ida com o Feijó Júnior, que tinha ido apenas 2 vezes na rocha anteriormente. Da minha parte, levei 4 pessoas: o André, que já escalava antes e estava parado; Lucas e o pai dele, seu Messias; e o Paulo Ricardo. Todos os 3 nunca tinham escalado antes.

Saímos de Fortaleza por volta das 9 da manhã, chegando no estacionamento por volta das 10, dando início à subida da trilha, que é bem inclinada e puxada pra quem não tá acostumado. E dos novatos, o Lucas foi quem acabou sofrendo mais, já que estava levando peso extra na mochila, e acabou sentindo um pequeno mal estar na subida. Mas nada demais, em pouco tempo tava recuperado e chegamos na base da pedra. Lá já estavam esperando o Paulo Joca e o Feijó, acompanhado da namorada Jéssica, que ficou só de espectadora e fotógrafa.

Demos início ao trabalho de montar os “topropes” pra o pessoal sofrer se divertir um pouco. Montei o top primeiro na Sem querer querendo um quarto grau curtinho. Daí o pessoal foi entrando em sequencia: Paulo Ricardo, Lucas, André, Feijó e seu Messias. (acho que foi isso)

O Paulo Ricardo me surpreendeu e foi bem, muito bem, chegando no final da via sem muitas dificuldades. Lucas sentiu mais dificuldade, talvez por estar com as mãos furadas de espinhos, presentinho que ele ganhou da trilha, e não chegou  no fim da via. André também não teve dificuldades pra chegar no fim, assim como o Feijó, que já tinha ido bem nas outras vezes e repetiu a dose nesse quarto grau. Seu Messias é que deu um show, mesmo não chegando no final da via. No alto dos seus 50 anos, mostrou persistência e determinação de garoto, só parando mesmo quando não tinha mais braço.

Com todo mundo satisfeito, montei outro top na via do lado, Pagando Promessa um 4sup, com uma passadinha um pouco mais exigente pra vencer uma barriguinha. A ordem mudou um pouco, e o desempenho também. Nessa o único a chegar no final foi o Feijó, que levou um tempo pra decifrar o lance mas conseguiu passar sem muitos problemas. O restante acabou ficando no crux, mas não sem tentar bastante e ficar com os braços bombados. Seu Messias abdicou de entrar nessa.

Todo mundo morto, chegou a hora do Paulo Joca escalar, já que ele só tinha feito seg e tava se poupando pra entrar na Bala Perdida 6sup. Desmontei os 2 tops, e subi pra equipar a via pro Paulo. Fui seguindo sem problemas até chegar no lance do crux, quando uma nuvem de maribondo subiu ao meu redor. Não tinha visto que havia 3 casas na parte de baixo do diedrinho, onde se faz a oposição pra chegar na quinta chapa. A única solução foi bater asa e voar! Esperei os bichinhos se acalmarem e subi na corda até o ponto onde estava antes. Com receio de ir pro lado dos bichos de novo, acabei tocando pela linha das chapas, coisa que ninguém que escala a via faz. Achei um beta e passei sem grandes dificuldades. O negócio agora era: como o Paulo ia fazer a via? Eu não quis encarar os marimbas mais uma vez, encaro uma vaca grande, mas maribondo não é comigo. Desci e o Paulo resolveu subir e espantar os bichinhos com fogo. Resolvido o contratempo, o Paulo entrou na via, ficando no crux, e descendo bombado.

Só que ai surgiu outro pequeno problema. A corda tava na quarta chapa, e o Feijó também queria tentar a via. Mas ele ainda não sabe guiar, então não poderia ir além dali, mesmo que quisesse. E lá fui eu de novo. Fiz a via pelo diedro da direita, agora sem maribondos, e montei o top. Mais uma vez o Feijó mandou muito bem. Não passou o crux, mas mostrou que sabe pensar na via e encontrou soluções diferentes para alguns lances. Esse vai mandar bem com mais treino!

Hora do Paulo tentar de novo. Mais uma luta com o crux. Mesmo com os braços bombados ele ainda conseguiu vencer o lance, mas chegou na quinta chapa completamente pedrado e não conseguiu costurar. Resultado: vaaaaca!! Completamente esgotado, não deu pra ele desequipar a via. E lá fui eu de novo, terceira entrada na Bala Perdida. Mas não pense que eu tô reclamando não, adorei ter entrado tanto na via. Achei que ia escalar praticamente nada, e acabei escalando mais que todo mundo!

O que importa foi que no final todo mundo estava satisfeito. Todo mundo curtiu o dia, e ficou com vontade de voltar outra vez. O Feijó e o André eu creio que vão realmente continuar a dar as caras pela pedra, principalmente o Feijó, que tá muito empolgado. Já os novos escaladores, só o tempo vai dizer. Mas uma coisa é certa, quando o bichinho da escalada te pega, não tem mais volta! E eu espero que esse bichinho tenha aparecido por lá ontem e picado algum deles!

Postado por Neudson em : Relato