Humano, apesar de tudo: as vias que Adam Ondra não conseguiu encadenar
O site Planet Mountain teve uma ideia interessante. Em vez de perguntar a Adam Ondra sobre as vias que ele encadenou, porque não perguntar sobre aquelas que ele não encadenou?! A pedido do site, Adam fez a relação de algumas vias que ele não conseguiu superar, entre elas Three Degrees of Separation, Hubble e Underground. No texto, vemos Adam falar de coisas que pareciam impensáveis devido a aura de ser sobrenatural que se criou ao redor dele. Você imaginaria Adam Ondra dizendo que ficou feliz só de conseguir chegar no final da via pra desequipar?! Pois é… aconteceu! Confira abaixo a tradução livre que eu fiz da matéria da Planet Mountain, que você pode conferir aqui, em inglês.
Humano apesar de tudo. Acostumados a escutar sobre as fantásticas histórias de sucesso de Adam Ondra em algumas das mais difíceis vias esportivas e boulders do mundo, pode-se pensar que tudo sai fácil para um dos maiores talentos da escalada mundial. Obviamente, que esse não é o caso. Suas cadenas foram resultados da combinação de talento puro com esforços inacreditáveis, que nem sempre acabam em sucesso. Então, aproveitando o descanso do jovem Tcheco de 18 anos, nós resolvemos olhar as cadenas de Ondra por um outro ângulo, sob a perspectiva das vias que ele não conseguiu encadenar. Uma análise dos seus fracassos, explicados pelo próprio Adam Ondra. As vias, listadas em ordem alfabética, vão do 12a (9a+ fr; 5.15a us) até o 10b (8b fr; 5.13d us) (todas liberadas por outros escaladores, uma delas, 20 anos atrás) e todas resistiram ao monstro Ondra. É, ele é humano, apesar de tudo.
Directa Open Your Mind 11c/12a (9a/a+ fr; 5.14d/15a us) – Primeira ascensão de Ramon Julian em 2008, Santa Linya, Espanha.
Uma saída bouderística que fica na casa do 11b que leva até a via Open Your Mind, um 11c muito forte com bons descansos que eu encadenei de segunda tentativa em 2008. Um ano mais tarde, depois de dois ou três dias eu consegui passar pela primeira seção de boulder pela primeira vez, mas caí depois na Open Your Mind. No dia seguinte eu caí ainda mais alto, no último trecho que não é mais do que um 10b/c, que ainda tem um bom descanso antes. Foi estressante cair de trechos que pareciam tão fáceis no ano passado. E eu ainda caí ali de novo, e depois de cinco dias tentando eu fui para outro lugar para descansar minha mente da via. No final da viagem eu voltei para a cave pensando que eu ia mandar, mas passei longe.
Hubble 11b (8c+ fr; 5.14c us) – Primeira ascensão de Ben Moon em 1990, Raven Tor, Reino Unido.
O primeiro 11b do mundo, que poderia facilmente ser um 11c na minha opinião. Não é uma linha das mais bonitas, parece mais um boulder com uma corda e um final fácil, mas tem que se admitir a dificuldade revolucionária da via para o seu tempo, e eu acredito que não é em hipótese alguma mais fácil do que a Action Directe, o primeiro 11c, encadenado um ano depois. Eu tentei essa via apenas por 2 dias, uma vez em 2010, depois da Copa do Mundo em Sheffield, e não estando muito descansado, eu não consegui fazer um movimento: juntar as mãos numa agarra invertida onde o escalador escocês Malcolm Smith conseguia até colocar magnésio enquanto era filmado pela câmera de Heinz Zak. Um ano depois, na manhã do meu último dia numa trip na Inglaterra, eu tentei mais forte e consegui sentir uma diferença significativa graças a algum tempo gasto no campus board, mas apesar de ter chegado perto, eu fracassei. Esse britânicos são fortes!

Ondra na Hubble 11b, em Raven Tor (Foto de Vojtech Vrzba)
Jungle Speed 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Daniel Jung em 2010, Siurana, Espanha.
Uma via bouderística, logo ao lado de La Capella, um 12b eu encadenei na primavera de 2011. Eu comecei tentando essa via, paralela a La Capella, no inverno de 2010, durante a minha missão para repetir a Golpe de Estado 12b, quando estava muito frio para escalar uma via longa como a Golpe. Uma via bouderística era o que eu precisava para evitar os dedos dormentes e ser levado pelo vento forte. Eu sempre tentava La Capella primeiro, e depois ia para Jungle Speed, mas isso acabou não sendo uma boa estrategia. O último dia da minha trip de 2010, foi o único dia que eu entrei nela descansado, e cai no final, ou melhor, escorreguei, devido as dedos dormentes e secos. Em 2011 o mesmo aconteceu de novo, tentando muito cansado, as costuras lá fazia 10 dias, negligenciada a maior parte do tempo. Depois da minha cadena de La Cappella no último dia da trip, eu estava empolgado e pensei que finalmente eu conseguiria mandar a via, mas estava muito otimista. Eu estava tão detonado que fiquei feliz de só conseguir chegar no final e poder limpar a via…
Orca 11b (8c+ fr; 5.14c us) – Primeira ascensão de Alex Huber em 2001, Schleierwasserfall, Austria.
Essa via fica na parte superior de Schleierwasserfall, no setor Aquário. Ela divide o começo com um antigo projeto, que depois eu encadenei e chamei de Fugu (11c), mas a Orca sai pra esquerda antes do crux da Fugu. Até esse ponto não é mais do que 9c, mas a curta sequencia boulderística depois que você sai da Fugo, deve ser em torno de V12. Dois movimentos nojentos. Num espaço de dois metros não existe nada além de um buraco abaulado e um reglete milimétrico que serve de intermediária. Até hoje, ninguém além de Alex Huber conseguiu isolar todos os movimentos.
Qui 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Stefan Fürst em 1996, Geisterschmiedwand, Austria.
A via mais difícil dessa parede fantástica, mas que não é muito boa pra se tentar vias difíceis por ser muito úmida apesar de ficar no sol a partir das 9 da manhã, o que significa que a única hora de tentar a via é de manhã cedo. Stefan trabalhou duro nessa via: Qui passa pelo crux da Wagnis Orange, talvez o segundo 11a do mundo (apesar de ter sido graduado em 10c inicialmente) escalada pela primeira vez por Gerhard Hörhager em 1988. Depois dos primeiros 10 metros da Wagnis, sendo pelo menos 10c, você continua reto em vez de ir pra direita. Esses 10 metros de deixam bombado, tudo que existe são regletes ruins e abaulados e os descansos são ruins. Quando você sai da Wagnis você faz um descanso ruim e dá uma olhada no boulder nojento acima de você: regletes de lado minúsculos. Eu passei cinco dias nessa via e estava em muito boa forma, pois estava encadenando todos dos 11c muito rápido, mas fracassei, quebrando uma agarra de pé crucial, no último dia. Algo deve ter quebrado logo depois da ascensão de Stefan, mas depois da agarra que eu quebrei, a via com certeza não vai dar menos de 12a. Em todo caso, ainda está sem repetição.
Three Degress of Separation 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Chris Sharma em 2007, Ceuse, França
Uma via fantástica, com alguns dos movimentos mais malucos que eu já vi. Três grandes botes em agarrões perfeitos é algo que é muito raro na rocha, especialmente no meio de uma via. Eu tentei a via por 4 dias em 2010, mas nunca consegui fazer o bote do crux, nem isolando, apesar de ter passado perto. Você tem que conseguir fazer esse bote facilmente isolando, porque os 20 metros de 11c abaixo realmente te deixam bombado. Bem, botes não são minha especialidade, eu não tenho a explosão para ir bem neles, mas pelo menos eu tenho a vantagem de ser alto. Em todo caso, o fato é que a via permanece sem repetição, apesar de muitas tentativas, o que pode indicar que ela merece um upgrade…

Adam Ondra na Three Degrees of Separation 11c (Foto de Bernardo Gimene)
Underground 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Manfred Stuffer, Massone, Itália
A ideia de tentar essa via à vista ou em flash, ganhou forma quando eu tinha nove ano. Um jornalista de uma revista de escalada tcheca perguntou se eu gostaria de tentar a Underground num futuro próximo, já que ela havia acabado de ser repetida por Tomaz Mzarek, naquela época, definitivamente o meu ídolo. E a minha resposta foi tão simples como a minha alma de criança: “Vou deixar pra fazer à vista!”. Alguns anos mais tarde eu desisti de acreditar que escalar a via à vista pudesse ser possível, e assisti o vídeo de Tomaz escalando. A ideia de escalar a via na primeira tentativa já não parecia tão impossível: eu havia visto o vídeo, então porque não tentar mandar em flash? Em escaladas à vista e em flash é especialmente difícil lidar com a pressão, é muito difícil deixar as dúvidas de lado, mas na primavera de 2011 eu me senti forte o suficiente, tanto física quanto mentalmente. Eu estava confiante que eu estava numa boa forma já que havia retornado da minha bem sucedida viagem pela Andaluzia, e como eu esperava, eu quase consegui controlar minhas emoções e quase mandei em flash. Eu fiz o trecho do meio, lutando, sendo preciso como uma máquina, mas hesitei no trecho superior, eu me preocupei com a posição correta do corpo por um momento, perdi força e caí alguns movimentos acima, chegando próximo de alcançar meu sonho de infância…eu caí até próximo do chão, desci e nunca tentei de novo.
Vibrot 10b (8b fr; 5.13d us) – Seynes, França
Na primavera de 2010, no meu caminho para a Espanha e depois de um tempo doente, eu queria aquecer nesse pequeno pico próximo do sul da França. Eu escalei à vista alguns 10a e 10b, e no final do dia eu escolhi um 10b numa parede levemente negativa no lado esquerdo da parede. Uma tentativa à vista estava fora de questão e eu ainda tive um bom trabalho pra isolar os lances. A via tem regletes horríveis, com pés muito ruins e foi muito difícil de e achar algumas agarras na parede. Logo, minha segunda tentativa também passou longe de ser bem sucedida.
Claro que existem algumas outras vias, até em graus mais baixos, que eu não consegui encadenar, mas essas que eu citei são as que, por um motivo ou outro, me frustraram mais. E é claro, eu não consegui mandar também vários boulders, já que em boulder não é tão fácil escapar de alguns movimentos que não são o meu estilo, ou talvez a linha não me inspira o suficiente para continuar tentando. Mas um pode ser que eu volte!
Fonte: Planet Mountain
Resenha de The Wizard’s Apprentice
Ele já foi chamado de várias coisas: fenômeno, monstro, mutante, alienígena, messias, etc. Mas o que faz de Adam Ondra, com apenas 18 anos, um dos melhores e mais completos escaladores do mundo? É essa a resposta que o diretor Petr Pavlicek vai tentar encontrar no filme The Wizard’s Apprentice (Aprendiz de Feiticeiro) sobre o tcheco que chocou a comunidade escaladora com a cadena de um 11c aos 13 anos de idade, até hoje um recorde!

Adam Ondra, um dos melhores escaladores do mundo com apenas 18 anos!
Aparentemente o diretor não fazia idéia de quem era Adam Ondra até um encontro fortuito com ele, enquanto filmava algumas cenas para o seu próximo filme sobre escalada esportiva na República Tcheca. Mas ele ficou tão impressionado com o talento e a pessoa de Adam que acabou mudando o foco, e fazendo um filme somente sobre o jovem. Daí ele inicia uma jornada junto com Adam, acompanhando a carreira dele durante dois anos (2009 e 2010).
Para construir a personalidade de Adam para o espectador, Petr Pavlicek recorre à imagens de arquivo, e depoimentos dos pais de Adam. Vemos Adam ainda criança, escalando, competindo, ganhando. Ficamos sabendo o porque dos ensurdecedores gritos dele quando ele falha, e relembramos a ascensão meteórica dele até a elite da escalada mundial.
O filme também traz ótimos depoimentos de Alex Huber e Tomaz Mrazek, que frisam a importância de Adam para a comunidade de escalada mundial, tanto em confirmar graus, quanto em estabelecer novos patamares de dificuldade.

Patxi Usobiaga e Adam Ondra lado a lado na Copa do Mundo de 2009
As cenas de escalada são muito bem filmadas e no início focam mais no estilo preferido de escalada de Adam: à vista! Adam não gosta de tentar uma via muitas vezes, por isso prefere só entrar numa via quando se sente forte o suficiente para escalar à vista e dar tudo si na primeira vez. Acompanhamos Adam em Frankejura, se testando nas vias mais difíceis do lugar, como a Der Heilige Graal e The Essential, ambas vias do escalador alemão Marcus Bock. Acompanhamos também a participação de Adam na Copa do Mundo de Dificuldade de 2009, onde um pequeno deslize nas semifinais de uma das etapas, mostra que afinal de contas, Adam também é humano, comete erros e se frustra, como todos nós.
Mas a cereja do bolo do filme fica realmente por conta das tentativas de Adam em duas vias extremas: Marina Superstar 12a (9a+ fr; 5.15a us) na Itália e Golpe de Estado 12b (9b fr; 5.15b us) na Espanha. Aqui vemos Adam dar tudo de si em várias tentativas, caindo e gritando muito, no melhor estilo Adam Ondra. Parte dessas cenas já foram disponibilizadas na internet, mas no filme se tem uma idéia maior do processo e da dificuldade das vias, principalmente a Golpe de Estado, que deu bastante trabalho para Adam.
O único porém do filme ficou por conta da demora do lançamento, que acabou criando um espaço de tempo muito grande entre as realizações de Adam no filme e o momento atual dele, o que obviamente deixou de fora feitos recentes de Adam. Mas isso não diminui em nada a qualidade do filme, que compensa cada centavo pago pelo download HD (16 Euros, mais ou menos R$ 37,00).
Ah…vocês perceberam que eu só chamei ele de Adam o texto inteiro né? Isso é porque o filme realmente consegue trazer Adam mais pra perto do espectador e faz a gente realmente querer conhecer aquele cara, que apesar de esquisitão, parece ser muito gente boa!
Semana Gringa – 07/01/2012 a 13/01/2012
Essa é a segunda sexta-feira do ano, mas é a primeira semana gringa de 2012! Esse é sem dúvida o post mais difícil de atualizar, mas vou continuar tentando voltar toda sexta, sem furar mais! Mas pra essa sexta-feira 13 esse sábado, temos algumas notícias monstruosas da escalada gringa! O trio de ouro do boulder norte-americano andou destruindo tudo pela terra do tio Sam. Teve FA de Dave Graham, Daniel Woods e Paul Robinson! Na Espanha os destaques foram Iker Pou e Enzo Oddo, com cadenas de 11º grau! Mas o Desce daí, doido! não é só boulder e esportiva não! Rolou também feito marcante de alta montanha por Hans Kammerlander, sendo o primeiro a abocanhar os 7 segundos maiores picos do mundo!
Dave Graham abre novo V14 no Colorado
Na verdade a cadena não foi essa semana, mas a notícia dela só foi veiculada agora, então entra na semana gringa! O escalador americano Dave Graham, que tem se dedicado ultimamente a desenvolver novas áreas de boulder nos EUA, abriu um novo V14 em Elkland, no Colorado, próximo ao Rock Mountain National Park. O novo boulder se chama Memory is Paralax, e Dave levou várias tentativas em várias idas ao local para encadenar o problema. Dave tem mais de 30 V14 encadenados, 14 deles sendo primeiras ascensões. Também faz parte do currículo dele 6 V15, sendo 5 desses primeiras ascensões e verdadeiros clássicos, como o boulder Big Paw e From Dirt Grows the Flowers, em Chironico na Suiça. Leia mais aqui, em inglês.
V14 FA para Daniel Woods
E o madeirinha parece que quer ficar por dentro dessa história de FAs no inverno americano. Ele fez essa semana a primeira ascensão de mais um V14 em Rock Mountain National Park (RMNP para os íntimos). O nome da nova linha é Mirror Reality, e segundo ele é a junção de trechos de dois V15, Anam Cara e Dreamtime Dyno. Apesar de ter feito a primeira ascensão, Woods dá crédito a Dave Graham, que segundo ele, encontrou o bloco, escovou as agarras e apresentou para ele. Agora Woods espera que a neve demore um pouco mais pra chegar para que ele possa explorar mais os setor, que ainda guarda muitas possibilidades. Leia mais aqui, em inglês.

Daniel Woods no Mirror Reality (Foto de Bear Cam Media)
Paul Robinson abre novo V15 em Vegas
V14 é para os fracos. Deve ser isso que está passando pela cabeça de Paul Robinson hoje, já que ele deixou pra trás Dave e Daniel essa semana, fazendo o FA mais difícil do trio americano. Paul fez a primeira ascensão do boulder Meadowlark Lemon, em Gateway Canyon, no estado americano de Nevada. Para Paul, esse foi um dos melhores boulders que ele já escalou na vida! Segundo ele, uma linha “que começa num agarrão, termina num agarrão e com lances difíceis no meio, não dá chances para “dabs”, é alta e não tem nenhuma outra linha próxima”. Paul já havia escalada a versão com saída em pé há dois anos, e graduado como V13, mas desde lá sabia que uma saída sentada era possível. Agora ele conseguiu em uma semana isolar a saída e encadenar o boulder. Esse é o segundo FA de V15 para Paul Robinson, que havia proposto o boulder Lucid Dreaming como V16, mas acabou pensando melhor e achando V15 mais apropriado. Leia mais aqui, em inglês.
12a FA de Iker Pou na Espanha
O escalador espanhol Iker Pou, fez essa semana a primeira ascensão da via Nit de Bruixes, em Margalef, para a qual ele sugeriu a graduação de 12a (9a+ fr; 5.15a us). Iker caiu duas vezes no final da via antes de conseguir completar a cadena. Esse é provavelmente o segundo 12a de Iker, que escalou também o 12a da via Demencia Senil, também em Margalef. Leia mais aqui, em inglês.
Enzo Oddo encadena a via Estado Critico 11c
E o francezinho que terminou o ano encadenando a clássica La Rambla em Siurana, começou 2012 já apertando tudo. Mal começou o ano o moleque já encadenou mais um 9a francês, com a via Estado Critico, também em Siurana. A via de 40 metros, fica ao lado da La Rambla, e se tornou 11c mais repetido do lugar. A via coincide com a saída da Golpe de Estado, 12b (9b fr; 5.15b us) aberto por Sharma em 2008. Essa já é a 15ª via de nono grau francês da carreira de Oddo, e ele só tem 16 aninhos. Vai destruir muito ainda esse moleque! Leia mais aqui, em espanhol.
Hans Kammerlander escala pela primeira vez os segundas 7 maiores montanhas do mundo
Segundas 7 maiores montanhas do mundo?! É você leu certo mesmo. Indo no caminho oposto da grande mídia o escalador Hans Kammerlander resolveu deixar de lado o propagado circuito dos 7 maiores cumes da terra e foi atrás de inovar, escalando os segundos 7 maiores cumes do planeta. Na lista estão montanhas menos conhecidas, mas de dificuldade técnica muito maior quando comparada aos dos 7 cumes originais. Mas mal o Hans terminou seu projeto de segundos 7 cumes, já tem gente querendo ir atrás dos terceiros. Quando chegar na hora de ir atrás dos 56º maiores pode ser que eu tente! Leia mais aqui, em espanhol.
Filme sobre Adam Ondra disponível para download!
Foi uma verdadeira novela. O filme era pra ter saído no final de 2010, de lá pra cá o lançamento foi prorrogado diversas vezes e muitos “previews” lançados na internet pra manter o interesse no filme. Mas agora finalmente está disponível para download o filme que pretende contar a história de um dos melhores escaladores do mundo, e que tem apenas 18 anos, Adam Ondra. O filme recebeu o título de “The wizard’s apprentice” e já pode ser comprado pelo site da produtora pelo preço de 16 Euros (cerca de R$ 35,00). Por enquanto está disponível apenas a versão HD do filme, mas uma versão FullHD vai sair nos próximos dias, e poderá ser baixada gratuitamente por quem já tiver comprado a versão de menor resolução.
Alguns reviews do filme já saíram na internet, dizendo que a espera valeu a pena. Eu vou assistir o filme esse final de semana, e na semana que vem deixo a minha opinião sobre a produção! Enquanto isso, fique com o trailer da produção mais esperada de 2010 2011, 2012!
Vídeo da Semana XIX
Chegando no 19º vídeo da semana! Espero que vocês estejam gostando desse post especial! O vídeo que levou o “ouro” nessa sexta foi a produção de Corey Rich para o lançamento da nova DSLR da Nikon! No vídeo ele acompanha 3 atletas de aventura, em 3 modalidades diferentes: caiaque, mountain bike e escalada. No trecho da escalada temos o impressionante Alex Honnold, solando mais uma via, e dessa vez dando um escorregãozinho que é de tirar o fôlego. Todo o vídeo foi filmado com a nova câmera da Nikon e tem imagens soberbas, sempre bem compostas e edição primorosa! Não é novela, mas vale a pena ver de novo!
Diário de treino VII
E ai galera, de volta aqui pra falar mais um pouco de como está sendo essa nova etapa de treinos. Bem, eu comecei na semana passada o ciclo de treino de força de pegada, e senti uma grande dificuldade em conformar o treino de uma forma que seja fácil serializar e incrementar a intensidade posteriormente. Ontem foi que eu comecei a vislumbrar melhor como vai ficar essa parte do treino, e acho que vai funcionar.
Estou começando o treino com uns 5 minutos de travessia, nos mesmos moldes do meu treino anterior de resistência e depois disso dou uma descansada de uns 5 minutos também. Daí eu início uma sessão de boulder de cerca de uma hora, começando por boulders mais fáceis (V1, V2) e vou aumentando a intensidade, entrando nos V3, V4 (ainda precisamos abrir mais boulders na casa do V4 e do V5). A idéia aqui também não é tanto trabalhar os boulders, é malhar mesmo. Dou um ou dois pegas em um boulder, e se ele não sair, eu já parto pra outro, sempre tentando dar um descanso de uns 2 minutos entre um e outro. Vou entrando no máximo de boulders que conseguir, buscando variar as pegadas em cada um, mas ainda sinto dificuldade devido ao muro ainda precisar de mais agarras. (estamos testando umas agarras novas, do Sapo Agarras, e em breve eu escrevo uma avaliação aqui).
Depois dessa sessão de boulder (que eu acho que dá pra ficar um pouquinho mais pesada do que está) eu descanso por uns quinze minutos e ai vou para o campus treinar os dedos. Até agora tenho treinado basicamente pega aberta, com 3 dedos e todos os dedos (dá pra treinar bidedos, meio-reglete e reglete), fazendo voltas no campus, usando os 4 primeiros degraus.
Pra vocês terem uma ideia melhor, o nosso campus (que não está fraco) tem batentes de 3cm de profundidade instalados em um negativo de 20º. Por achar ele muito pesado, ainda, eu procuro fazer minhas série tirando um pouco do peso com umas agarras de pé pequenas. O que eu faço basicamente é começar com as duas mãos no degrau mais baixo, e vou subindo como uma escada, sem juntar as mãos nos degraus, juntando somente no último, para depois descer até juntar as mãos no debaixo, repetindo a volta. Faço isso duas vezes para os 3 dedos, daí mudo para um treino mais de travada, onde eu fico com uma mão no degrau de baixo e com a outra alcanço o 3º degrau, volto para o debaixo e troco as mãos. Faço isso até a mão abrir e cair. Também faço isso duas vezes. Depois faço o mesmo treino usando todos os dedos.
O importante aqui, creio eu, é não descansar demais, e variar os exercícios. Existem uma infinidade de outros movimentos que podem ser feitos e que vou procurar ficar variando. Os descansos tentei usar como em um treino de finger da Metolious, usando um minuto como referência. Faço uma volta contando um minuto, e o que sobrar desse minuto depois da volta vai ser o descanso. Ontem ficou legal porque estava treinando junto com o Alex, então enquanto ele fazia a volta dele, eu descansava. Funcionou bem.
Uma coisa importante pra esse treino, é ter realmente alongado bem os dedos antes e usar esparadrapo nos dedos. Eu tenho usado na terceira falange (onde fica a famosa polia A2) no anular e no médio das duas mãos. Mas isso porque são sempre os 2 dedos que eu sinto mais, não existe nada de científico nisso.
Bem, meu treino essa semana está sendo esse. Algumas pessoas já comentaram e sugeriram que eu filmasse esses treinos, pra exemplificar melhor, e realmente estou querendo fazer isso. Vou tentar arranjar uma câmera e tentar trazer na próxima semana um vídeo mostrando esse treino de campus. Valeu galera, e até próxima!
O Desce daí, doido! apoia a I Semana Brasileira de Montanhismo
Independente da eterna discussão de se o montanhismo no Brasil teve ou não início com ascensão ao Dedo de Deus em 1912, a I Semana Brasileira de Montanhismo, a se realizar no final de Abril no Rio de Janeiro, vai com certeza ser um marco na história do montanhismo brasileiro, onde vamos ter a oportunidade de mostrar para o país inteiro a história e importância da cultura de montanha no Brasil. É por isso que o Desce daí, doido! apoia o evento, e para mostrar esse suporte o blog vai, a partir de hoje até a data do evento, ostentar o selo dos 100 de montanhismo no Brasil nas imagens de cabeçalho.

Para usar o selo do evento, em qualquer peça, basta acessar o endereço http://www.semanademontanhismo.com.br/100anos/selo, preencher o formulário, e receber o link para baixar a marca nos mais variados formatos disponíveis. E como designer, tenho reforçar que é importante também baixar e ler o manual de uso da marca, e aplicar o selo somente dentro das recomendações do mesmo.
Quanto ao evento, ainda não posso garantir com 100% de certeza, mas é da minha intenção, enquanto escritor de um blog de escalada e escalador, estar presente na I Semana Brasileira de Montanhismo, e participar da programação (estou cogitando em participar do Campeonato Brasileiro) e poder conter toda essa história aqui no blog.
Espero que a maioria esteja tão empolgada quanto eu estou por esse evento, e que possa reencontrar grandes amigos por lá, e também fazer vários novos! Espero ver todos vocês no Rio de Janeiro em Abril! Até lá!
Mais um FA de Eduardo Barão na Sala de Justiça.
Pra quem achava que o famoso setor Sala de Justiça, na Serra do Cipó (local de algumas das vias esportivas mais difíceis e clássicas do Brasil como a Linha da Vida, Heróis da Resistência e Sinos de Aldebaran), já estava saturado de vias, e que nada novo poderia aparecer por lá, se enganou completamente!
Ontem o escalador Eduardo Barão, que mora no Cipó com a esposa Rafa Discaciati e mantém o Abrigo Cipó, fez a primeira ascensão de uma nova linha na Sala de Justiça. A via em questão chama-se Heróis da Criptonita, e é mais uma variante das várias que tem sido abertas nos últimos tempos no setor.
Nessa via Barão resolveu “juntar a famosa via Heróis da Resistência logo após o tridedo do 9c saindo para a esquerda e emendando na Criptonita logo no final de seu crux fazendo as suas últimas 5 costuras e entrando na Super Heróis até o cume“. Sobre o grau, Barão diz: “sei lá, pode ser 10b… vou esperar novas ascensões“.
Em dezembro de 2011 Barão também fez a primeira ascensão da Inquilino da Favela 10b, “que foi a conexão da Inquilino passando pela Linha da Vida e terminando pela Super Heróis“. Eduardo Barão é patrocinado pela Verticale (Cassin, Camp, La Sportiva e Edelweiss) e Proativa21 (Deuter).
Para ter uma idéia das vias que existem hoje na Sala de Justiça e a infinidade de conexões que tem surgido por lá, confira a lista abaixo!
Clássicas: Injustiça Social 6sup, Bonitinha mas Ordinária 6sup, Última Ponta 9a, Sinos de Aldebaran 8c, Ética Decomposta 9b, Festinha de Criança 8c, Inquilino 9a, Heróis da Resistência 9c, Linha da Vida 10a, O bode Ainda Bufa 9c
Conexões: Super Heróis 10a, Linha de Super Heróis 10b, Heróis da Vida 10a, Linha de Resistência 10a, Linha de Resistência na Super Heróis 10b, Inquilino de Resistência 9c, Inquilino Decomposto 9c/10a, Super Festa Decomposta 9c/10a, Inquilino de Super Heróis 10a, Heróis da Favela 10b, Inquilino da Favela 10b, Heróis da Criptonita 10b, Projeto de Vida 10c, Síndico (Novo Inquilino) 10c/11a e o proejto Criptonita, que deve ficar na casa do 11º grau! (alguém se habilita?)
Vídeo da Semana XVIII
Essa sexta-feira o vídeo da semana ficou com mais um vídeo brazuca. Mais uma vez Murilo Vargas consegue abocanhar esse espaço (não que seja lá grandes coisas), e dessa vez foi com o seu mais novo vídeo mostrando a escaladora Francine Borges na via Festa de Criança na Serra do Cipó.
Mas essa sexta eu tenho que corrigir uma falha e oferecer o espaço também ao vídeo que era pra ter sido o vídeo da semana de sexta passada, mas que eu acabei não colocando porque viajei. E esse vídeo foi o que mostra o senhor Hernan Urrejola, de 71 anos, que escala a mais de 30 e ainda segue escalando! Um vídeo inspirador pra todo escalador que sonha escalar até ficar velhinho!
Fiquem então com esse dois ótimos vídeos e até o próximo vídeo da semana!
Diário de treino VI
O ano novo começou e eu voltei aos treinos. Voltei meio atrasado por conta da putaria que tomou conta de Fortaleza na terça-feira e eu acabei não treinando nesse que era pra ser meu dia de treino. Contudo ontem estava lá na Fábrica de Monstrinhos pra começar o novo ciclo de treino, focado agora em ganhar força de pegada. O objetivo é apertar tudo e com força (sem piadas de duplo sentido, por favor).
O treino de ontem foi apenas pra tentar achar o que eu iria usar pra treinar força de pegada. Eu tinha pensado em duas opções: boulder e finger board. Nenhum dos dois é realmente muito bom pra isso. O boulder varia demais os tipos de pegada e também é difícil de “serializar” (essa palavra existe?) e incrementar a intensidade depois. Fico sem saber qual a dificuldade dos boulders que tenho que fazer: boulders que eu complete em uma tentativa ou duas, ou boulders que eu tente até cansar? Vou tentar solucionar isso ainda essa semana. O problema do finger é que o treino é só ficar pendurado ou pagar barra, o que na verdade não se parece em nada com estar escalando. Se eu tivesse só essas duas opções, eu estaria lascado!
Maaaaas, o meu amigo Minhoka inventou por esses dias uma nova brincadeira na Fábrica. Ele pegou algumas ripas de campus que tínhamos por lá, serrou e colocou no negativo de 20º. O negócio ficou muito bom pra treinar os dedos! Dá pra fazer campus mesmo, fazer circuitos (ainda usando agarras de pé) com um, dois ou três dedos, de pega aberta, em reglete. Ontem fiz alguns desses circuitos e meus dedos ficaram realmente moídos! Curti bastante. No próximo treino vou tentar criar umas séries! Fica faltando somente arranjar um jeito de treinar pega de abaulado e pinça. Pinça é o menos problemático, até porque é uma das minhas pegadas mais fortes (fazer o que? eu gosto de pinças…). Mas os abaulados tá difícil. Temos muito poucos deles no muro. Vamos ter que remediar isso muito em breve!
Bem, hoje é dia de descanso, vou dar aquele velha corridinha de 10 minutos e ver se já dá pra aumentar mais esse tempo, já que considero o ritmo bom! Na próxima semana eu volto contando um pouco mais dos treinos! Valeu, galera!










