Humano, apesar de tudo: as vias que Adam Ondra não conseguiu encadenar
O site Planet Mountain teve uma ideia interessante. Em vez de perguntar a Adam Ondra sobre as vias que ele encadenou, porque não perguntar sobre aquelas que ele não encadenou?! A pedido do site, Adam fez a relação de algumas vias que ele não conseguiu superar, entre elas Three Degrees of Separation, Hubble e Underground. No texto, vemos Adam falar de coisas que pareciam impensáveis devido a aura de ser sobrenatural que se criou ao redor dele. Você imaginaria Adam Ondra dizendo que ficou feliz só de conseguir chegar no final da via pra desequipar?! Pois é… aconteceu! Confira abaixo a tradução livre que eu fiz da matéria da Planet Mountain, que você pode conferir aqui, em inglês.
Humano apesar de tudo. Acostumados a escutar sobre as fantásticas histórias de sucesso de Adam Ondra em algumas das mais difíceis vias esportivas e boulders do mundo, pode-se pensar que tudo sai fácil para um dos maiores talentos da escalada mundial. Obviamente, que esse não é o caso. Suas cadenas foram resultados da combinação de talento puro com esforços inacreditáveis, que nem sempre acabam em sucesso. Então, aproveitando o descanso do jovem Tcheco de 18 anos, nós resolvemos olhar as cadenas de Ondra por um outro ângulo, sob a perspectiva das vias que ele não conseguiu encadenar. Uma análise dos seus fracassos, explicados pelo próprio Adam Ondra. As vias, listadas em ordem alfabética, vão do 12a (9a+ fr; 5.15a us) até o 10b (8b fr; 5.13d us) (todas liberadas por outros escaladores, uma delas, 20 anos atrás) e todas resistiram ao monstro Ondra. É, ele é humano, apesar de tudo.
Directa Open Your Mind 11c/12a (9a/a+ fr; 5.14d/15a us) – Primeira ascensão de Ramon Julian em 2008, Santa Linya, Espanha.
Uma saída bouderística que fica na casa do 11b que leva até a via Open Your Mind, um 11c muito forte com bons descansos que eu encadenei de segunda tentativa em 2008. Um ano mais tarde, depois de dois ou três dias eu consegui passar pela primeira seção de boulder pela primeira vez, mas caí depois na Open Your Mind. No dia seguinte eu caí ainda mais alto, no último trecho que não é mais do que um 10b/c, que ainda tem um bom descanso antes. Foi estressante cair de trechos que pareciam tão fáceis no ano passado. E eu ainda caí ali de novo, e depois de cinco dias tentando eu fui para outro lugar para descansar minha mente da via. No final da viagem eu voltei para a cave pensando que eu ia mandar, mas passei longe.
Hubble 11b (8c+ fr; 5.14c us) – Primeira ascensão de Ben Moon em 1990, Raven Tor, Reino Unido.
O primeiro 11b do mundo, que poderia facilmente ser um 11c na minha opinião. Não é uma linha das mais bonitas, parece mais um boulder com uma corda e um final fácil, mas tem que se admitir a dificuldade revolucionária da via para o seu tempo, e eu acredito que não é em hipótese alguma mais fácil do que a Action Directe, o primeiro 11c, encadenado um ano depois. Eu tentei essa via apenas por 2 dias, uma vez em 2010, depois da Copa do Mundo em Sheffield, e não estando muito descansado, eu não consegui fazer um movimento: juntar as mãos numa agarra invertida onde o escalador escocês Malcolm Smith conseguia até colocar magnésio enquanto era filmado pela câmera de Heinz Zak. Um ano depois, na manhã do meu último dia numa trip na Inglaterra, eu tentei mais forte e consegui sentir uma diferença significativa graças a algum tempo gasto no campus board, mas apesar de ter chegado perto, eu fracassei. Esse britânicos são fortes!

Ondra na Hubble 11b, em Raven Tor (Foto de Vojtech Vrzba)
Jungle Speed 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Daniel Jung em 2010, Siurana, Espanha.
Uma via bouderística, logo ao lado de La Capella, um 12b eu encadenei na primavera de 2011. Eu comecei tentando essa via, paralela a La Capella, no inverno de 2010, durante a minha missão para repetir a Golpe de Estado 12b, quando estava muito frio para escalar uma via longa como a Golpe. Uma via bouderística era o que eu precisava para evitar os dedos dormentes e ser levado pelo vento forte. Eu sempre tentava La Capella primeiro, e depois ia para Jungle Speed, mas isso acabou não sendo uma boa estrategia. O último dia da minha trip de 2010, foi o único dia que eu entrei nela descansado, e cai no final, ou melhor, escorreguei, devido as dedos dormentes e secos. Em 2011 o mesmo aconteceu de novo, tentando muito cansado, as costuras lá fazia 10 dias, negligenciada a maior parte do tempo. Depois da minha cadena de La Cappella no último dia da trip, eu estava empolgado e pensei que finalmente eu conseguiria mandar a via, mas estava muito otimista. Eu estava tão detonado que fiquei feliz de só conseguir chegar no final e poder limpar a via…
Orca 11b (8c+ fr; 5.14c us) – Primeira ascensão de Alex Huber em 2001, Schleierwasserfall, Austria.
Essa via fica na parte superior de Schleierwasserfall, no setor Aquário. Ela divide o começo com um antigo projeto, que depois eu encadenei e chamei de Fugu (11c), mas a Orca sai pra esquerda antes do crux da Fugu. Até esse ponto não é mais do que 9c, mas a curta sequencia boulderística depois que você sai da Fugo, deve ser em torno de V12. Dois movimentos nojentos. Num espaço de dois metros não existe nada além de um buraco abaulado e um reglete milimétrico que serve de intermediária. Até hoje, ninguém além de Alex Huber conseguiu isolar todos os movimentos.
Qui 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Stefan Fürst em 1996, Geisterschmiedwand, Austria.
A via mais difícil dessa parede fantástica, mas que não é muito boa pra se tentar vias difíceis por ser muito úmida apesar de ficar no sol a partir das 9 da manhã, o que significa que a única hora de tentar a via é de manhã cedo. Stefan trabalhou duro nessa via: Qui passa pelo crux da Wagnis Orange, talvez o segundo 11a do mundo (apesar de ter sido graduado em 10c inicialmente) escalada pela primeira vez por Gerhard Hörhager em 1988. Depois dos primeiros 10 metros da Wagnis, sendo pelo menos 10c, você continua reto em vez de ir pra direita. Esses 10 metros de deixam bombado, tudo que existe são regletes ruins e abaulados e os descansos são ruins. Quando você sai da Wagnis você faz um descanso ruim e dá uma olhada no boulder nojento acima de você: regletes de lado minúsculos. Eu passei cinco dias nessa via e estava em muito boa forma, pois estava encadenando todos dos 11c muito rápido, mas fracassei, quebrando uma agarra de pé crucial, no último dia. Algo deve ter quebrado logo depois da ascensão de Stefan, mas depois da agarra que eu quebrei, a via com certeza não vai dar menos de 12a. Em todo caso, ainda está sem repetição.
Three Degress of Separation 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Chris Sharma em 2007, Ceuse, França
Uma via fantástica, com alguns dos movimentos mais malucos que eu já vi. Três grandes botes em agarrões perfeitos é algo que é muito raro na rocha, especialmente no meio de uma via. Eu tentei a via por 4 dias em 2010, mas nunca consegui fazer o bote do crux, nem isolando, apesar de ter passado perto. Você tem que conseguir fazer esse bote facilmente isolando, porque os 20 metros de 11c abaixo realmente te deixam bombado. Bem, botes não são minha especialidade, eu não tenho a explosão para ir bem neles, mas pelo menos eu tenho a vantagem de ser alto. Em todo caso, o fato é que a via permanece sem repetição, apesar de muitas tentativas, o que pode indicar que ela merece um upgrade…

Adam Ondra na Three Degrees of Separation 11c (Foto de Bernardo Gimene)
Underground 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Manfred Stuffer, Massone, Itália
A ideia de tentar essa via à vista ou em flash, ganhou forma quando eu tinha nove ano. Um jornalista de uma revista de escalada tcheca perguntou se eu gostaria de tentar a Underground num futuro próximo, já que ela havia acabado de ser repetida por Tomaz Mzarek, naquela época, definitivamente o meu ídolo. E a minha resposta foi tão simples como a minha alma de criança: “Vou deixar pra fazer à vista!”. Alguns anos mais tarde eu desisti de acreditar que escalar a via à vista pudesse ser possível, e assisti o vídeo de Tomaz escalando. A ideia de escalar a via na primeira tentativa já não parecia tão impossível: eu havia visto o vídeo, então porque não tentar mandar em flash? Em escaladas à vista e em flash é especialmente difícil lidar com a pressão, é muito difícil deixar as dúvidas de lado, mas na primavera de 2011 eu me senti forte o suficiente, tanto física quanto mentalmente. Eu estava confiante que eu estava numa boa forma já que havia retornado da minha bem sucedida viagem pela Andaluzia, e como eu esperava, eu quase consegui controlar minhas emoções e quase mandei em flash. Eu fiz o trecho do meio, lutando, sendo preciso como uma máquina, mas hesitei no trecho superior, eu me preocupei com a posição correta do corpo por um momento, perdi força e caí alguns movimentos acima, chegando próximo de alcançar meu sonho de infância…eu caí até próximo do chão, desci e nunca tentei de novo.
Vibrot 10b (8b fr; 5.13d us) – Seynes, França
Na primavera de 2010, no meu caminho para a Espanha e depois de um tempo doente, eu queria aquecer nesse pequeno pico próximo do sul da França. Eu escalei à vista alguns 10a e 10b, e no final do dia eu escolhi um 10b numa parede levemente negativa no lado esquerdo da parede. Uma tentativa à vista estava fora de questão e eu ainda tive um bom trabalho pra isolar os lances. A via tem regletes horríveis, com pés muito ruins e foi muito difícil de e achar algumas agarras na parede. Logo, minha segunda tentativa também passou longe de ser bem sucedida.
Claro que existem algumas outras vias, até em graus mais baixos, que eu não consegui encadenar, mas essas que eu citei são as que, por um motivo ou outro, me frustraram mais. E é claro, eu não consegui mandar também vários boulders, já que em boulder não é tão fácil escapar de alguns movimentos que não são o meu estilo, ou talvez a linha não me inspira o suficiente para continuar tentando. Mas um pode ser que eu volte!
Fonte: Planet Mountain
Resenha de The Wizard’s Apprentice
Ele já foi chamado de várias coisas: fenômeno, monstro, mutante, alienígena, messias, etc. Mas o que faz de Adam Ondra, com apenas 18 anos, um dos melhores e mais completos escaladores do mundo? É essa a resposta que o diretor Petr Pavlicek vai tentar encontrar no filme The Wizard’s Apprentice (Aprendiz de Feiticeiro) sobre o tcheco que chocou a comunidade escaladora com a cadena de um 11c aos 13 anos de idade, até hoje um recorde!

Adam Ondra, um dos melhores escaladores do mundo com apenas 18 anos!
Aparentemente o diretor não fazia idéia de quem era Adam Ondra até um encontro fortuito com ele, enquanto filmava algumas cenas para o seu próximo filme sobre escalada esportiva na República Tcheca. Mas ele ficou tão impressionado com o talento e a pessoa de Adam que acabou mudando o foco, e fazendo um filme somente sobre o jovem. Daí ele inicia uma jornada junto com Adam, acompanhando a carreira dele durante dois anos (2009 e 2010).
Para construir a personalidade de Adam para o espectador, Petr Pavlicek recorre à imagens de arquivo, e depoimentos dos pais de Adam. Vemos Adam ainda criança, escalando, competindo, ganhando. Ficamos sabendo o porque dos ensurdecedores gritos dele quando ele falha, e relembramos a ascensão meteórica dele até a elite da escalada mundial.
O filme também traz ótimos depoimentos de Alex Huber e Tomaz Mrazek, que frisam a importância de Adam para a comunidade de escalada mundial, tanto em confirmar graus, quanto em estabelecer novos patamares de dificuldade.

Patxi Usobiaga e Adam Ondra lado a lado na Copa do Mundo de 2009
As cenas de escalada são muito bem filmadas e no início focam mais no estilo preferido de escalada de Adam: à vista! Adam não gosta de tentar uma via muitas vezes, por isso prefere só entrar numa via quando se sente forte o suficiente para escalar à vista e dar tudo si na primeira vez. Acompanhamos Adam em Frankejura, se testando nas vias mais difíceis do lugar, como a Der Heilige Graal e The Essential, ambas vias do escalador alemão Marcus Bock. Acompanhamos também a participação de Adam na Copa do Mundo de Dificuldade de 2009, onde um pequeno deslize nas semifinais de uma das etapas, mostra que afinal de contas, Adam também é humano, comete erros e se frustra, como todos nós.
Mas a cereja do bolo do filme fica realmente por conta das tentativas de Adam em duas vias extremas: Marina Superstar 12a (9a+ fr; 5.15a us) na Itália e Golpe de Estado 12b (9b fr; 5.15b us) na Espanha. Aqui vemos Adam dar tudo de si em várias tentativas, caindo e gritando muito, no melhor estilo Adam Ondra. Parte dessas cenas já foram disponibilizadas na internet, mas no filme se tem uma idéia maior do processo e da dificuldade das vias, principalmente a Golpe de Estado, que deu bastante trabalho para Adam.
O único porém do filme ficou por conta da demora do lançamento, que acabou criando um espaço de tempo muito grande entre as realizações de Adam no filme e o momento atual dele, o que obviamente deixou de fora feitos recentes de Adam. Mas isso não diminui em nada a qualidade do filme, que compensa cada centavo pago pelo download HD (16 Euros, mais ou menos R$ 37,00).
Ah…vocês perceberam que eu só chamei ele de Adam o texto inteiro né? Isso é porque o filme realmente consegue trazer Adam mais pra perto do espectador e faz a gente realmente querer conhecer aquele cara, que apesar de esquisitão, parece ser muito gente boa!
Filme sobre Adam Ondra disponível para download!
Foi uma verdadeira novela. O filme era pra ter saído no final de 2010, de lá pra cá o lançamento foi prorrogado diversas vezes e muitos “previews” lançados na internet pra manter o interesse no filme. Mas agora finalmente está disponível para download o filme que pretende contar a história de um dos melhores escaladores do mundo, e que tem apenas 18 anos, Adam Ondra. O filme recebeu o título de “The wizard’s apprentice” e já pode ser comprado pelo site da produtora pelo preço de 16 Euros (cerca de R$ 35,00). Por enquanto está disponível apenas a versão HD do filme, mas uma versão FullHD vai sair nos próximos dias, e poderá ser baixada gratuitamente por quem já tiver comprado a versão de menor resolução.
Alguns reviews do filme já saíram na internet, dizendo que a espera valeu a pena. Eu vou assistir o filme esse final de semana, e na semana que vem deixo a minha opinião sobre a produção! Enquanto isso, fique com o trailer da produção mais esperada de 2010 2011, 2012!
V14 em flash para Adam Ondra
É, o moleque tá realmente mostrando que é mesmo de outro planeta. Um planeta onde a gravidade era umas 5 vezes maior do que a daqui. Só isso mesmo pra explicar o fenômeno que é Adam Ondra. Poucos dias depois de sua passagem pela Itália, onde escalou o boulder Gioia e sugeriu o grau de V16, segundo que ele escala nesse grau, Ondra seguiu para Fontainebleau, berço do bouldering e também tido como um dos picos mais técnicos do mundo, onde é necessário bastante tempo para se adaptar ao estilo de escalada local.

Adam Ondra na cadena do Gecko Assis V14
E para surpresa geral da comunidade escaladora mundial, após 4 dias no lugar, Ondra conseguiu mandar em flash o duro Gecko Assis V14 (8B+ font) e ainda se pronunciou, dizendo que sentiu o boulder mais para V13 do que V14. Mas dado que 100% dos repetidores do boulder sugeriram V14 para ele, só pode ser a modéstia do rapaz falando mais alto. Ondra se igualou assim a Daniel Woods, que havia conseguido este feito a pouco mais de uma semana com a cadena em flash do boulder Entlinge na Suiça.
Ainda durante essa passagem por Fontainebleau, Ondra escalou outro V14, o Kheops Assis, mais 3 V13 e dois V12 em flash. O que mais Ondra vai tirar da cartola até o final do ano?
Semana Gringa – 03/12/11 a 09/12/11
Essa semana não foi muito movimentada, mas as cadenas que ocorreram foram de fazer manchete! Em terras ianques o finlandês Nalle Hukkataival fez o rapa nos boulders em Hueco Tanks, com repetição de V14 e V13 em flash. Enquanto isso no velho mundo o monstro Adam Ondra encadena seu segundo V16 e Alizée Dufraisse encadena seu primeiro 11b. Confira os destaque da semana abaixo!
Nalle Hukkataival repete Esperanza V14
O escalador finlandês Nalle Hukkataival, em trip pelo clássico pico de boulder americano de Hueco Tanks, está fazendo um verdadeiro rapa nos problemas do lugar. Ele repetiu o clássico Esperanza V14 (8B+ font), escalou o Terra de Siene V13 (8B font), Power of Landjager V11 (8A font) e mandou em flash o difícil Crown of Aragorn V13 (confira o vídeo abaixo), que ele classificou como “a referência de V13″. Vale a pena dizer que com essa cadena Nalle é o quarto escalador no mundo a mandar V13 em flash, atrás apenas de Adam Ondra, Daniel Woods e Paul Robinson! O que será que mais vai sair dessa trip do finlandês? Leia mais aqui e aqui, em inglês.
Adam Ondra escala Gioia V16
Se você não estava em algum outro planeta durante essa semana, com certeza você ficou sabendo dessa notícia. Afinal de contas, não é todo dia que um escalador escala um V16, quanto mais o segundo V16 da carreira. O monstro (mutante, alien, messias, jesus, também são apelidos válidos) Adam Ondra fez de novo, e depois de escalar sua primeira proposta de V16 na sua terra natal, foi conferir o boulder de Christian Core, Gioia, na itália. Fez a segunda ascensão do problema e jogou o grau pra cima, dando o grau máximo existente. O que mais esperar desse ser de outro planeta?! Leia mais aqui!

Adam Ondra na cadena do Gioia V16 (Foto de Michele Francia)
Alizée Dufraisse escala seu primeiro 11b
A escaladora francesa Alizée Dufraisse conseguiu subir o seu grau máximo essa semana, ao encadenar a via Pati Noso 11b (8c+ fr; 5.14c us) no pico espanhol de Siurana. A via, aberta por Dani Andrada e com primeira ascensão de Chris Sharma, fica no setor El Pati e até pouco tempo era tido com um 11a/b. Mas cadenas recentes tem consolidado o grau no 11b, como a do escalador suiço Cedric Lachat, confirmando assim o primeiro 11b da francesa! Leia mais aqui, em espanhol!

Alizée Dufraisse na via Pati Noso 11b ( foto de Francisco Taranto Jr.)
Mais um V16 para Adam Ondra
Parece que o fenômeno tcheco Adam Ondra agora quer entrar na briga do grau mais alto também nos boulders. Depois de já ter travado com Chris Sharma uma disputa de vias de 12b (9b fr; 5.15b us) no começo do ano (leia aqui), agora o monstrinho (tanto na força quanto na feiura) está chamando os grandes do boulder pra briga!
Depois de mandar sua proposta de V16 há duas semanas (leia aqui), Ondra repetiu hoje o boulder Gioia, aberto pelo escalador italiano Christian Core e proposto por esse em V15 (8C font), mas que já se cogitava ser V16 depois das tentativas de outros escaladores. Ondra confirmou o falatório, e propôs V16 para o problema. Caso isso se confirme, Ondra vai ser o primeiro escalador do mundo a mandar dois V16! Será que Daniel Woods, Paul Robinson e cia vão comprar a briga?! Quero só ver! Confira abaixo o vídeo da primeira ascensão de Gioia por Christian Core.
Semana Gringa Especial: Adam Ondra escala V16
Bem, a semana foi meio fraca em termos de notícias na gringa. Talvez seja mais um inverno rigoroso chegando, e diminuindo a motivação dos escaladores lá fora. Mas ainda assim, uma grande notícia surgiu essa semana, e não poderia ser de ninguém mais que Adam Ondra.

Adam Ondra no boulder Terranova, nova proposta de V16
Essa semana Adam anunciou ter aberto um novo problema de boulder, na região de Holštejn, próximo à sua casa. O boulder foi batizado de Terranova, e Adam sugeriu para ele o grau máximo existente: V16. O problema, segundo Adam, não é dos mais bonitos e inspiradores, e com certeza não atrairia outros escaladores, mas foi seu sonho durante muito tempo. O boulder é uma travessia de 12 movimentos duros e mais 5 para dominar o agarrão final.
Adam levou 11 dias para encadenar o boulder, e disse que pareceu estranho sugerir V16 para o problema, já que hoje em dia todo mundo parece estar se limitando a graduar os problemas mais fortes em V15. Ele diz saber que apesar de Terranova ter sido o boulder mais difícil que ele escalou, não significa necessariamente que ele seja V16, mas que também não ver sentido em ficar chamando tudo de V15 “soft”, V15 mediano e V15 “hard”, e que para ele Terranova rompe a barreira do V15 “hard”.
Adam Ondra se torna assim a quarta pessoa no mundo a sugerir o grau de V16 para um boulder. O primeiro foi Dai Koyamada com o boulder The Wheel of Life, na Austrália, e depois Daniel Woods com The Game e Paul Robinson com Lucid Dream, ambos nos Estados Unidos. A diferença é que Ondra também é um exímio escalador esportivo e também já escalou o grau máximo em via, o 12b (9b fr; 5.15b).
Adam Ondra confirma assim, que é com certeza o escalador mais forte em atividade atualmente. E do alto dos seus 18 anos de idade, já fez história na escalada mundial. O que mais podemos esperar desse fenômeno?!
Leia mais aqui, em inglês.
Semana Gringa – 15/10/11 a 21/10/11
Depois de uma semana “off” por conta de viagem ao Rio, que me impediu de atualizar o blog, agora estamos de volta! E estamos de volta com mais uma Semana Gringa! Essa semana mais uma vez tivemos as mulheres fazendo história. Sasha DiGiulian escalando seu primeiro 11c (9a fr; 5.14d us), e tivemos mais um recorde de velocidade feminino em Yosemite. Outros destaques da semana foram as primeiras ascensões de V15 por Daniel Woods e Adam Ondra!
Sasha DiGiulian encadena seu primeiro 11c
A escaladora americana Sasha DiGiulian, de apenas 18 anos, encadenou seu primeiro 11c (9a fr; 5.14d us) e se tornou assim a primeira americana a escalar uma via nessa graduação e a terceira mulher no mundo a conseguir o feito. A via encadenada por Sasha foi a via Pure Imagination, aberta por Jonathan Siegrist em Red River Gorge. Impressionante mesmo é a evolução da escaladora, que escalou seu primeiro 11b (8c+ fr; 5.14c us) no começo do ano, e depois repetiu essa graduação mais 2 vezes. Leia mais aqui, em inglês.
Recorde de velocidade feminino na Free Rider
Depois de se tornar a segunda mulher da história a escalar em livre a Salathé Wall, em Yosemite, dessa vez a escaladora Neozelandeza Mayan Gobat-Smith escalou a clássica via Free Rider, no El Captain, em apenas 14 horas, fazendo assim a ascensão feminina mais rápida da via. Em adição a esse recorde ela também se tornou a primeira neozelandesa a escalar a Free Rider, e a primeira neozelandesa a escalar o El Cap em um dia! Leia mais aqui, em inglês.
Primeiras ascensões de V15 por Woods e Ondra
Se a disputa nas vias esportivas está entre Sharma e Ondra, no boulder com certeza a disputa fica entre Woods e Ondra. Nessa semana os dois escaladores reportaram terem aberto dois novos problemas na casa do V15 (8C fb). Daniel Woods em “trip” pela Suiça, onde já havia aberto o boulder Mystic Stylez V15, deixou mais uma vez sua marca na terra do chocolate e abriu um outro V15, chamado La Force Traquille. Esse é o décimo V15 de Woods, 5 deles na Suiça!
Enquanto isso, escalando em casa, na República Tcheca, o impressionante Adam Ondra também adicionou mais um V15 à sua lista e ao setor de Petrohad. Ondra batizou o problema de Charon, e tinha levado três dias tentando o problema no inverno passado. Dessa vez ele precisou de apenas meia hora…Ele também fez a primeira ascensão do boulder Underground, para o qual ele sugeriu V14 (8B+ fb). Leia mais aqui e aqui, em inglês.
Semana Gringa – 01/10/11 a 07/10/11
E chegou mais uma Semana Gringa, a primeira do mês de outubro, e conseguindo manter a regularidade! Essa semana foi movimentada pra mulherada. Tivemos ascensão feminina da Salathe Wall em Yosemite, e tivemos vias de 11a encadenadas por mulheres. No lado do “macharal”, o marco da semana foi o boulder. Boulder na Suiça, pra ser mais preciso, onde Ondra, Woods e Koyamada abriram novos problemas fortes e repetiram velhos clássicos!
Mayan Smith-Gobat faz segunda ascensão feminina da Salathé Wall
A escaladora americana Mayan Smith-Gobat ganhou essa semana o melhor presente de aniversário que um escalador pode ganhar, a cadena de uma via a muito perseguida. A via no caso de Mayan foi a Salathé Wall 9c (5.13b) em Yosemite, escalada em livre pela primeira vez em 1988 e viu a primeira ascensão feminina por Steph Davis em 2005. Mayan já havia tentado escalar a Salathé Wall em 2010, mas foi interrompida por uma tempestade de 5 dias. Mas dessa vez ela conseguiu escalar todas as 32 enfiadas da via, completamente em livre e teve como parceiro o escalador Sean Villanueva. Leia mais aqui, em inglês.
Cadenas de 11a femininas
Essa semana foi a semana das mulheres escalarem forte. Notícias vindas da França e da Alemanha, dão conta de duas mulheres conseguindo cadenas no impressionante grau de 11a (8c fr). A alemã Conny Matthes foi uma dessas mulheres, e conseguiu encadenar seu primeiro 11a em Frankejura com a via Powerplay. Enquanto a alemã estreava no 11º grau, a belga Muriel Sarkany anotava seu terceiro 11a, com a via Last soul sacrifice, em Gorge Du Loup, onde ela já havia escalado as vias Hot chili X e Qoussaï les maux de la fin. Mas ainda tivemos mulheres escalando na casa do décimo grau, caso da americana Andre Szekely, que colecionou alguns 10c (8b+ fr) em Rodellar essa semana, com as vias Geminis, Maskoking e Ixeia. Leia mais aqui, em espanhol!
Ondra, Woods e Koyamada em terras suiças
O que acontece quando três grandes escaladores resolvem escalar na mesma região? Uma enxurrada de ascensões fortes, com toda certeza. Foi assim essa semana na Suiça, com a presença de Adam Ondra, Daniel Woods e Dai Koyamada. Adam Ondra, em Magic Wood, conseguiu repetir o problema aberto por Chris Sharma em 2004, Practice of the Wild V15. Ele levou três dias de tentativas para encadenar o problema, um deles em condições terríveis e o outro estando cansado. Só pra relaxar ele também repetiu dois V14: Dark Matter e Remembrance of Things Past. Um desses problemas, Dark Matter, foi aberto pelo japonês Dai Koyamada no começo de setembro, e que dessa vez deixou sua marca em Sustenpass, onde as condições eram melhores, abrindo Paradise Lost V13/14 e Deadalus Direct V14/15.
Já Daniel Woods, em trip por Ticino, colocou abaixo mais um de seus “long standing projetcts” e pra varia é mais um V15, que Woods batizou de Mystic Stylez. O boulder é a saída sentada do problema de um movimento apenas (um bote) do boulder Muttertag V13. Woods ainda tem mais 2 meses de trip pela frente e tem na sua “ticklist” suiça os problemas The Story of Two Worlds V15, From Dirt Grows the Flowers V15 e Big Paw V15. Isso antes de tocar para a Itália, onde pretende escalar o boulder Gioia, aberto por Christian Core e ainda sem repetição! Ondra encadenou a saída em pé do problema, e disse que a versão mais longa é outro nível, V16 (8C+) com certeza! Leia mais aqui e aqui, em inglês.
Semana Gringa – 03/09/11 a 09/09/11
Mais uma semana gringa chegando na área galera! Essa semana também foi bem movimentada pelas escaladas esportivas e nos boulders. Tivemos Daniel Woods destruindo duas propostas de V16 na Austria, Sasha DiGiulian escalando forte na Espanha, repetição de 11c e de V16, e tivemos também o monstro Adam Ondra aparecendo de novo! Vamos então aos destaques da semana na gringa!
Sasha DiGiulian encadena seu terceiro 11b (8c+ fr)
A americana Sasha DiGiulian, de apenas 18 anos, escalou essa semana em Rodellar seu terceiro 11b! A via em questão foi a Cosi Fan Tutte, no setor La Piscineta. DiGiulian havia escalado dois outros 11b esse ano, em Red River Gorge, e com mais essa cadena confirma o nível forte que está escalando e se candidata a ser a terceira mulher a escalar um 11c! Kmon, Sasha!! Mais aqui, em inglês!
Via Bad Girls Club recebe a primeira repetição!
Semana passada foi noticiado a primeira ascensão da via Bad Girls Club 11c, em Rifle no Colorado. E já essa semana ela recebeu a sua primeira repetição, por ninguém menos que o escalador Jonathan Siegriest! O escalador conseguiu a cadena na sua oitava tentativa, mais rápido do que suas outras cadenas do mesmo grau, e acha que medir o grau pela quantidade de tentativas pode levar a erros! Será que ele está certo? Mais aqui, em inglês!
Daniel Woods repete propostas de V16 de Bernd Zangerl
O americano Daniel Woods, de 22 anos, repetiu essa semana dois fortes boulder austríacos, Memento e Anam Cara, propostos por Bernd Zangerl e cotados em V16! Daniel conseguiu as repetições de forma bastante rápida, escalando Anam Cara em dois dias de tentativas e Memento em apenas um dia! Os graus?! V14 e V13 respectivamente! Eita que o decote foi grande! Mais aqui, em inglês!
James Kassay faz quarta repetição do boulder Wheel of Life
O escalador James Kassay conseguiu esse semana a quarta repetição do boulder aberto por Dai Koyamada na Austrália, confirmando o grau de V16, proposto pelo escalador japonês. A discussão em relação ao boulder ainda reside sobre o fato de ele ser graduado como boulder, ou como via, já que tem mais de 60 movimentos!! Mais aqui, em inglês!
Adam Ondra faz FA de 12a e V15 no mesmo dia!
E o “menino Jesus”, como diz o meu amigo Caio Gomes, aprontou das suas outra vez! Depois de já ter escalado um 12b e feito um 11b à vista, no mesmo dia, o moleque conseguiu dessa vez a primeira ascensão da via Perlorodka 12a (9a fr) e do boulder Pata Ledovce, provável V15, ambos num setor local de escalada na República Tcheca. Daqui a pouco sai a notícia do primeiro 12a à vista pro pivete! Leia mais aqui, em inglês!










