De volta ao Rio de Janeiro

17
out

E ai pessoal, estou de volta da minha última viagem ao Rio de Janeiro, depois de 2 anos da minha primeira trip por lá. Apesar de não ter conseguido escalar muito, a trip foi muito boa, principalmente pela companhia.

A ida ao Rio, diferente da primeira vez, foi motivada principalmente pelo show de Eric Clapton na cidade maravilhosa, e claro que eu ia aproveitar pra escalar um pouco. Mas de antemão já sabia que ia ser difícil escalar todos os dias, visto que a segunda e a terça (10 e 11) era dia normal de trabalho pra todo mundo por lá e seria difícil conseguir parceria pra escalar. Mas tudo bem, me conformei com isso e resolvi aproveitar o máximo do tempo que tive.

Cheguei no Rio de Janeiro no sábado (08) de manhã e de lá peguei o ônibus até a casa do meu amigo Claudney, no Méier. Às 7:30 da manhã eu estava tocando a campainha dele, surpreendendo-o, pois ele achava que eu iria me enrolar pra chegar sozinho. Tenho que dizer quanto a isso, que um mês rodando sozinho na Europa me ensinou muito sobre me orientar sozinho numa cidade e me virar.

Tomamos um café rápido numa padaria próxima e pegamos o caminho da Urca, onde os planos era escalar algo no Morro da Babilônia pela manhã, enquanto no período da tarde eu deixaria o Claudney resolver outras coisas e me encontraria com o Caio Gomes para escalar alguns boulders.

Chegamos no morro da Babilônia por volta das 10hs da manhã, com um sol de rachar, o que desestimulou um pouco a Karla, namorada do Claudney e companheira inseparável de escaladas dele. Mas ainda assim encaramos entrar numa via fácil e bem protegida, a Luis Arnaud, o que eu achei bem vindo, já que não tenho muito traquejo com o estilo de escalada do Rio.

Na base da via Luis Arnaud

Na base da via Luis Arnaud

Me equipei com os brinquedinhos do Claudney, mosquetões minúsculos da Petzl, que mais pareciam chaveiros, e entrei na primeira enfiada da via, com uma saidinha bem técnica e esquisita, mas que passei sem muitos problemas. Fui progredindo, protegendo bem no começo, até que me senti um pouco mais confiante e pulei algumas proteções pra agilizar. Chegando na parada, armei a segurança para o Claudney e a Karla. Era a primeira vez que eu escalava no morro da Babilônia e achei fantástica a vista lá de cima, com uma visão privilegiada da Urca, Praia Vermelha e a enseada de Botafogo no fundo.

Guiando a primeira enfiada da via

Guiando a primeira enfiada da via

O calor estava matando, e a Karla resolveu ficar pela primeira parada e descer, e eu toquei pra cima junto com o Claudney. Da segunda cordada já dava pra ver o onipresente Cristo Redentor acompanhando a nossa escalada. Uma paradinha rápida pra umas fotos e tocamos pra cima de novo. Com corda suficiente, passei direto na terceira parada, deixando de proteger com costuras longas em alguns pontos e complicando um pouco minha vida, mas nada demais. Chegando perto da quarta parada foi que eu vi o bicho pegar. Não conseguia achar por onde seguir para alcançar o agarrão claro mais em cima. Cisquei pra um lado, cisquei pra o outro, desescalei um pouco, e mantive a calma. Até que achei a sequencia certa e toquei pra cima, com um grande alívio. Dali pra cima acho que ainda havia mais duas cordadas, mas estava pra lá de quente, e resolvemos descer.

Com a Karla e Claudney na P1, e o Pão de Açúcar ao fundo.

Com a Karla e Claudney na P1, e o Pão de Açúcar ao fundo.

Tocando pra cima até a quarta parada

Tocando pra cima até a quarta parada

Ficamos ali na Praia Vermelha, onde  tomamos uma cerveja e comemos um cachorro quente para esperar o Caio, que viria acompanhado do irmão, Pedro, e o pai, Jorge. Enquanto esperávamos na sombra, com uma brisa pra lá de agradável soprando do mar, víamos os escaladores irem chegando depois da manhã de escalada. Encontramos alguns amigos do Claudney e conversamos um pouco. Por volta das 14:30 avisto os crashs do Caio e Pedro se aproximando. Muito bom rever os dois depois de Ubatuba, onde os conheci pessoalmente. Junto com eles o Jorge e a Luana Riscado.

Vida difícil essa de escalador...

Pegamos a pista Claudio Coutinho e fomos atrás dos boulders de um novo setor da Urca, o setor do Gomes. E não, o setor não tem esse nome por algum capricho narcisista da família Gomes. O nome se deve ao local ter sido a casa de um sem-teto chamado, obviamente, Gomes. Chegamos por lá e encontramos já uma galera escalando, entre eles o Raphael Gibara, que eu já havia conhecido também em Ubatuba. Pra mim foi uma surpresa, pois achei que ele estivesse morando em São Bento. Sem muita conversa, caímos nos boulders. O primeiro teste foi um problema bem técnico, que exigia um trabalho de pés preciso. Vi o Pedro Gomes ser derrubado duas vezes nele e pensei que talvez fosse forte demais pra mim, mas ainda assim resolvi tentar. Dei alguns pegas mas não consegui dominar a pinça mais em cima e trabalhar os pés pra bater no topo do boulder e fazer a virada. Resolvi dar um tempo e ver o que os outros estavam fazendo.

Acompanhei um pouco as tentativas do Gibara e do Pedro em um outro boulder, num bloco que formava uma pequena cave. Só a saída já era bastante forte. Tentei entrar, mas mal consegui tirar os pés do chão. O primeiro a mandar o boulder foi o Gibara, com certa facilidade até. E depois de algumas tentativas, o Pedro também conseguiu a cadena.

Fiquei tentando achar o que fazer, já que tudo parecia muito forte. Me juntei então ao Jorge na tentativa de uma linha quase na aresta do bloco principal do setor. Essa saiu fácil, de primeira. Acho que deve ficar na casa do V1. Depois desse, resolvi voltar para o primeiro problema. Usei um beta do Gibara, os movs encaixaram com perfeição e saiu a cadena. Depois de alguma deliberação, o pessoal chegou no consenso de que um V3 pra linha ficaria de bom tamanho. Eu concordei.

Saímos dali e descemos um pouco mais na pista porque o Pedro queria tentar o Mandrake, mas como a base não permitia muita gente lá embaixo, ficamos alguns conversando sentados nos crashs. Eu, Gibara, Jorge e o Felipe Assad, falando de pães, e conquistas do Jorge no Pão de Açúcar. A luz acabou e tivemos que ir embora sem o Pedro conseguir a cadena. Saímos de lá combinados de ir tomar uma cerveja na Lapa!

Eu admito,  já estava acabado. Foram apenas umas 3 horas de sono no voo para o Rio de Janeiro, o dia inteiro escalando e ainda assim ir curtir a noite carioca. Mas a empolgação tava maior e fomos pra Lapa, que ficou às escuras antes de chegarmos lá, e ficamos num lugarzinho chamado Adega Flor de Coimbra. Sentamos por lá, pedimos uma cerveja e ficamos esperando o Caio, Pedro e Gibara que chegaram depois e se juntaram à conversa. Foi o final perfeito, pra um dia perfeito!

Galera reunida na Lapa

Galera reunida na Lapa

Domingo acordei tarde, e já sabia que não ia rolar escalar. Tudo que eu fiz foi almoçar, vendo todos os rubro-negros do Rio se preparando para o jogo do Flamengo, e pegar o caminho para o HSBC Arena, onde eu iria ver a lenda da guitarra, Eric Clapton, ao vivo. O Fla x Flu ficou pra uma outra oportunidade. Sem muito o que dizer aqui, a não ser de que o show foi sensacional e inesquecível. Depois de ver Paul McCartney, agora ver Eric Clapton, quase posso dizer que agora morreria feliz.

A segunda e a terça iam obviamente ser dias de descanso forçado. Apesar das diversas mensagens via Facebook procurando parceiro, não consegui nenhum. O jeito foi turistar um pouco no Rio e procurar outras coisas pra fazer. A segunda tirei pra dar uma volta pelo aterro do Flamengo, um pulo no shopping Leblon pra conhecer a nova loja da The North Face, e uma ida na sede do Flamengo, algo que não tinha feito em 2009. De lá o destino foi a Lechen, loja de equipamento de montanhismo na galeria River, no Arpoador. Meu objetivo era comprar uma outra sapatilha modelo Defy, da Evolv, só que meio número menor. Mas infelizmente não tinha  o número que eu queria. Como o objetivo de usar uma sapa menor era deixá-la mais esportiva, resolvi mudar logo de estilo e fui aceitando as sugestões do pessoal da Lechen, a Thais e o Franklin, que me atenderam super bem. Testei a Es Pontas Lace, a Optimus Prime e por último a Talon, que foi a que achei ter caído melhor e acabei me decidindo  por ela. Fica ai a dica então pra quem precisar comprar equipos no Rio de Janeiro.

Lechen Montanhismo

Lechen Montanhismo

Franklin, atendimento nota 10

Franklin, atendimento nota 10

Terça feira o objetivo era apenas um: fazer a trilha da pedra da Gávea. O tempo estava meio estranho, chuviscando, e quase desisto de ir, mas resolvi pegar o ônibus e ver no que dava. Cheguei na entrada da trilha, deixei meu nome com os guardas, e fiquei sabendo que eu era o único maluco a estar entrando na trilha naquele dia. Também pudera, havia chovido bastante de noite e o tempo ainda estava fechado. Comecei a subir a trilha por volta das 11hs da manhã, e coloquei no marcador do celular o tempo de 2h e 30 min, que era o tempo máximo que eu esperava gastar na trilha.

Começo da trilha da Pedra da Gávea

Começo da trilha da Pedra da Gávea

O início é bastante tranquilo, mas sempre subindo, a unica dificuldade era realmente o chão molhado e escorregadio. Com uns 45 minutos de trilha alcancei o que eu achei ser a pedra do Navio, e logo depois o primeiro trepa-pedra. Ainda bem que o negócio tinha uns degraus de metal na pedra, caso o contrário eu teria que voltar devido a pedra estar muito molhada. Toquei pra cima, e depois de mais um pouco de trilha normal outro trepa-pedra, dessa vez mais fácil e sem degraus. Continuei subindo até chegar num platô amplo de onde pude avistar a cabeça do Imperador pela primeira vez.

Cabeça do "Imperador"

Cabeça do "Imperador"

Dali foi uma trilha bem íngreme até o local onde começa a Carrasqueira, um trecho de “escalaminhada”, visualmente fácil, mas que por eu nunca ter feito, a pedra estar molhada e o tempo estar bastante fechado, ainda ameaçando chuva, resolvi deixar pra uma outra oportunidade. Acabei me contentando com a vista da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, o que já foi fantástico. Depois de tomar um pouco de isotônico e comer algo, comecei a descida, e em mais 40 minutos estava na saída da trilha. Pena que não deu pra ir até o final e descortinar o Rio inteiro lá de cima, mas de uma próxima vez eu completo a trilha.

Visual desde a carrasqueira

Visual desde a carrasqueira

Quarta-feira chegou, meu último dia no Rio de Janeiro. Os planos eram ir para Niterói e conhecer a pracinha de Itacoatiara junto com a família Gomes. Sai da casa do Claudney por volta das 9 horas da manhã, rumo a praça XV de onde pegaria a barca pra Niterói. Consegui pegar a barca de 10h30 e depois de 20 minutos de travessia, estava nas áreas da família Buscapedra.

A caminho de Niterói

A caminho de Niterói

O Caio Gomes já estava me esperando de carro, e de lá fomos para a casa dele, onde por insistência da matriarca da família, dona Jussara, ficamos para o almoço. Nesse meio tempo fui apresentado à história da família, vendo os vários álbuns de fotografias das escaladas do clã Gomes. Fotos da década de 70 e 80, com o Jorge escalando e conquistando ao lado de gente como Sérgio Tartari, passando pelas fotos do Caio e Pedro dando os primeiros passos na rocha, até se tornarem os dois ótimos escaladores que são hoje. Muito legal ter podido compartilhar dessa história.

Depois do almoço, o destino foi a pracinha. Já estava ansioso pra conhecer o pico, que só havia visto por foto e alguns vídeos do Caio. A primeira impressão que eu tinha, de que era perto da casa dos Gomes, foi por água abaixo. O negócio é longe, e levamos uns 30 minutos pra chegar lá. A segunda diferença, o setor é bem menor do que eu tinha imaginado. Itacoatiara é um bairro abastado de Niterói e a pracinha fica encravada no meio de vários casarões. Mas apesar de estar em área nobre, a praça é mal cuidada, o que deixa os escaladores locais indignados, pois apesar de tentarem ajeitar as coisas, tem sempre suas tentativas barradas por alguns moradores que se sentem incomodados com a presença dos mesmos. Engraçado é que eles não parecem se incomodar com os beberrões que deixam latas e garrafas na praça e com os despachos deixados ao ar livre pelos praticantes da Umbanda.

Mas enfim, estávamos ali para escalar, e o Caio Gomes foi fazendo o tour pela praça, mostrando os principais blocos. E eu fui ficando surpreso, pois apesar de pequeno, o setor guarda muitas linhas bonitas e fortes. Quase todo bloco no lugar dá bons boulders, um aproveitamento fantástico!

Mas o tempo estava passando e resolvi começar a brincadeira. Entrei primeiro em uma aresta (ou seria uma fenda) que pareceu bem fácil e no ponto pra dar uma esquentada. Entrei no boulder e consegui mandar sem problemas, sem precisar usar os betas que o Jorge me deu. Depois desse, tentei algo um pouco mais difícil, o Bailarina V3. Saída baixa, com pegas invertidas, pra depois ir seguindo por pequenos regletes no topo da aresta. O boulder quase sai de segunda, mas na hora do domínio, alguma agarra de pé que eu estava usando quebrou e eu vazei. Dei um tempo e entrei mais uma vez, dessa vez usando o beta do Pedro, o que facilitou mais ainda minha vida. Minha primeira cadena na Pracinha.

Depois desse, não me restava muita opção a não ser entrar no Rising from the Vala, V4 clássico de Itacoatiara. O boulder segue uma linha negativa, de pegas boas, mas com um domínio em agarras abauladas. No primeiro pega já consegui bater no abaulado em cima, mas não consegui trabalhar os pés para fazer a virada. E isso acabou sendo o crux, já que tentei umas 5 vezes o boulder e em todas, apesar de em algumas ir melhor do que em outras, eu não consegui fazer o domínio. A rocha abrasiva comeu a pele dos dedos rápido e resolvi deixar para uma outra vez a cadena do Rising. Enquanto isso, fiquei acompanhando o Caio Gomes dar uns pegas num antigo projeto seu, que deve ficar na casa do V12/13, e se empolgar de novo em encadenar o problema.

A família buscapedra: Jorge Gomes, Caio Gomes e Pedro Gomes

A família buscapedra: Jorge Gomes, Caio Gomes e Pedro Gomes

A energia acabou, e fomos beber e comer algo num quiosque na beira do mar, onde rolou uma conversa sobre o desenvolvimento da escalada no Brasil, a falta de incentivo para o surgimento de novos escaladores, principalmente escaladores de parede. E conversa vai, conversa vem, chegou a hora de voltar pra casa. E voltamos pra casa apenas para tomar um baita susto! Entramos no elevador, eu, Caio e Pedro, e logo de cara o Caio percebeu uma goteira dentro do elevador. Achamos estranho mas deixamos de lado. O Caio havia esquecido de apertar o botão do andar do apartamento deles e o elevador começou a descer, mas quando chegou perto do térreo, um solavanco e um estrondo deu o maior susto na gente. Quando o Pedro abriu a porta do elevador, estávamos uns 40cm abaixo do piso do térreo. Conclusão óbvia: o elevador havia despencado com a gente dentro! Graças a Deus despencou de um local baixo, creio eu, e ninguém se machucou. Apenas o Caio e o Pedro ficaram bastante assustados, já que moram ali praticamente a vida inteira e nada do tipo havia acontecido antes. Depois do susto, foi só brincadeira.

Mais uma vez desfrutei da fantástica hospitalidade da família Gomes, que me fez sentir em casa, e aguardei a hora de ir para o aeroporto. A ideia era ir de Táxi, que se mostrou muito caro, e logo mudei para o ônibus. Mas quando se aproximou a hora de ir pegar o transporte para o aeroporto, o Jorge se levantou e disse: Vamo lá, a gente deixa ele! Fiquei sem acreditar, era longe pra caramba, e ainda assim ele se dispôs a me deixar no aeroporto. Me despedi da Dona Jussara, e fui para o aeroporto acompanhado do Jorge e do Caio. Me despedi dos dois como se estivesse me despedindo de membros da família e fui para o saguão do aeroporto já sentindo a saudade chegar. Mal espero a hora de voltar, ou de reencontrar meus irmãos das pedras por ai! Até a próxima pessoal e obrigado por tudo!

Postado por Neudson em : Relato, Sem categoria

Ubatuboulder, uma trip quase perfeita!

12
jul

Parece coisa de maluco, sair daqui de Fortaleza, viajar sei lá quantos mil quilômetros, pra passar praticamente só um dia escalando. Mas foi só porque foi pouco tempo que essa trip não foi perfeita, porque por todo o resto, não sei como poderia ser melhor: um pico fantástico, com um visual incrível, uma galera irada, e todos numa energia fenomenal! Foi realmente muito bom! Mas pra vocês entenderem eu tenho que contar, vai ficar longo, mas tenham paciência.

Ubatuba foi minha primeira trip de boulder. Nunca antes na vida desse escalador uma trip tinha sido dedicada apenas à essa atividades que alguns preferem fazer num dia de descanso. Mas a escolha pra começar essa história foi Ubatuba e foi acertada.

Saimos de Fortaleza, eu e Daniel Mamede, na sexta meio dia. Enfrentamos três horas e meia de voo até São Paulo, pra de lá pegar mais uma hora e meia de estrada, de ônibus, até São José dos Campos, onde fizemos uma pequena visita ao muro do Purga, pra pegar algumas idéias para a nova Fábrica de Monstrinhos. Dormimos por lá, na casa do André Braga, primo do Daniel, e seguimos com ele no dia seguinte para Ubatuba! Dos 3, só eu ainda não conhecia o tão falado pontão da praia da fortaleza!

Chegamos por volta das 9:30 da manhã e seguimos direto pros boulders! Não tinhamos tempo a perder! Dez horas já estávamos dando início aos trabalhos, entrando na primeira brincadeira do dia: Ferro de Passar V3. De cara  já achei esse V3 mais forte do que o único que eu tinha escalado até hoje, o Charlie Brown no Grajaú. Mas trabalhei um pouco, achei o beta, e encadenei. Daniel também mandou o boulder um pouco depois.

Saímos dali e fomos entrar no Dorotéia, que dizia o André, era outro V3. Trabalhamos um pouco os lances e o Daniel mandou sem muito esforço. Eu mandei em seguida. Mas depois acabamos descobrindo que o Dorotéia, segundo o croqui, era um V5, mas que não terminava por onde a gente terminou, tinha mais alguns movimentos antes de fazer a virada. No final das contas eu nem sei o que foi que eu mandei, mas ficou com cara de V3 também.

Nesse meio tempo já tava escalando com a gente o Bruno, amigo do André, e se juntou o Ian Munoz, que tava por ali sozinho e a gente chamou pra dar uns pegas no Pro Abaulado V2. Esse foi mais dentro das expectativas. Errei na tentativa em flash, mas na segunda saiu a cadena. Daniel também mandou com bastante facilidade.

Saímos de lá e fomos tentar um dos grandes clássicos de Ubatuba: Van der Walls, outro V3. André mostrou como era o problema, mandando fácil, logo de primeira. E ai começaram as tentativas. Várias! Mas sem muito progresso. Até que nos deram o beta de travar com o joelho em uma das agarras, ai o negócio começou a ficar mais perto. Mas ainda assim, dominar o reglete mais em cima tava difícil. Parecia estar faltando o posicionamento correto. Já estava no que eu considerava meu último pega no boulder e cai mais uma vez, mas nessa tentativa deu o estalo do que eu devia fazer pra dominar a agarra. Resolvi dar mais uma chance e fui pra mais uma tentativa. Saiu tudo perfeito! Mordi o reglete e abri mais a perna direita pra ficar na agarra quase de oposição. Era o que precisava. Cruzei pra agarra melhor mais em cima e ai eu já sabia que tinha mandado, foi só manter a calma e fazer a virada. Clássico de Ubatuba no bolso, pra voltar pra casa satisfeito. Ótima a sensação de virar um boulder que você já tentou bastante e já ia desistir.

No meio dessas nossas tentativas pelos boulders do pontão eu fiquei de olho na galera que ia chegando, já que fomos os primeiros a chegar por lá de manhã. A galera da 4Climb chegou um pouco depois. O Felipe Alvares “Kbeça”, que a gente já tinha encontrado na frente da casa onde iríamos ficar, e o Daniel Mendes “Tiodan” que chegou depois.

Mas eu estava mesmo era a espera do Caio Gomes, que já tinha se tornado amigo pela internet e que agora ia ter a oportunidade de conhecer pessoalmente. E por volta do meio dia, aparece aquele carioca meio com cara de marrento, óculos escuros, fone de ouvido, completamente na dele. Mas foi só chegar e cumprimentar pra confirmar que o cara é realmente gente fina demais. Até parecia um velho amigo que tava reencontrando e não vendo ali pela primeira vez. Junto com ele o caçula da família Buscapedra, Pedro Gomes, da mesma vibe do irmão.

Outra galera que eu já conhecia pela internet foi chegando depois também, como o Gibara e o Linha. Conheci também o  jovem talento da escalada brasileira, Rafael Takahace, e o pai, Mauro,  que demonstra o apoio incondicional que tem pela paixão do filho de 15 anos, acompanhando nas trips e registrando tudo. Muito bonito de se ver!

Apareceu também gente que eu já tinha conhecido em outras trips pelo Brasil, como o Carlos, que eu conheci na primeira vez que fui no Cipó, e o Eric, que eu conheci da segunda trip no Cipó. Muito legal rever essa galera!

E claro que essa galera chegou pra escalar também, e encadenar. E eu fiquei por ali assistindo, vendo os monstros escalar. No meio disso presenciei a cadena dupla do Cracolândia V12, pelo Beto de Campinas e o Esteban do Rio. Justo o boulder que o Caio Gomes estava tentando e que parecia engasgado. Vendo a cadena dos 2, ele entrou duas vezes tentando encadenar e não conseguiu. Dava pra ver que aquilo tava mexendo com a cabeça dele, e apesar de estar ali tentando passar a vibe, nessa hora eu nem sabia o que dizer. Mas ele se aprontou pra uma terceira entrada, depois de repassar o beta que ele já sabia que era o certo pra ele. Foi lá, e com determinação e a vibe da galera embaixo, saiu a cadena tão esperada. Segundo V12 do Caio! E como eu tinha falado pra ele antes, eu ia tá lá pra presenciar. Fiquei com fama de pé quente! Um grande momento do Ubatuboulder!

Por volta das 15hs o André teve que ir embora, e eu e o Daniel acompanhamos para tirar as mochilas do carro e deixar na casa alugada pelo pessoal da 4Climb. Aproveitamos pra descansar um pouquinho a pele, que já tava reclamando um pouco. A combinação rocha abrasiva e pele fina por falta de treino e escalada não foi das melhores! Fomos comer alguma coisa e voltamos para o pontão pra uma nova rodada de tentativas em novos boulders!

Vimos o Carlos entrando em outro V3, Curta Metragem, que pareceu interessante e resolvemos tentar também. Junto também estava a Roberta, escaladora de Belo Horizonte, se não me engano. Dos 3, ela foi a única que mandou o boulder. Na escalada é assim, sem espaço pra machismos bestas, porque a mulherada escala forte pra caramba por aqueles lados.  Ficamos ali tentando várias vezes, mas pra mim o boulder parecia não estar encaixando direito e deixei de lado.

Vi uma movimentação em frente ao Van der Walls, e resolvi checar. Era o Daniel Tiodan dando um estímulo pras cadenas. Quem encadenasse o Van der Walls, ou o Wanderléia V4, ou o Jantar V4, levava um brinde. Como eu já tinha mandado o Van der Walls, resolvi entrar na brincadeira com o Wanderléia. Me juntei ao Gibara, ao Eric e ao Hugo, de BH, nas tentativas. O crux do boulder era juntar as mãos na aresta, saindo de um crucifixo. Ou seja, segura a porteira! Foi tentado de tudo, calcanhar, toe hook, mas nada tava jeito. Até que o Hugo encaixou o toe hook certinho e conseguiu juntar, mas na hora de soltar o pé o pêndulo era grande demais pra ficar. Enquanto a gente se matava no Wanderléia, o Pedro Gomes brigava com o Jantar, já bastante cansado depois de ter mandado 2 V7.

A noite chegou, os boulders iluminados pelos holofotes e as headlamps, mas a disposição não diminuiu. Galera continuou escalando, embalada pela vibe da música eletrônica. Depois de desistir do Wanderléia, acabei aceitando o desafio do Felipe Alvares e fui tentar um V6: Cérebro! Saída esquisita, com o calcanhar já bem alto e dois regletes nojentos, um deles, segundo o Hugo, carnívoro! E lá fomos nós: Eu, Daniel, Hugo, Eric e Roberta. Negócio era difícil, e com o cansaço, o corpo começou a reclamar. Numa das tentativas a panturrilha pediu penico, e a câimbra veio. Ainda tentei mais uma vez, mas vi que não rolava mais tentar o Cérebro, com aquela puxada de calcanhar logo na saída.

Mas como tava todo mundo escalando ainda, e a vibe tava legal, ignorei um pouco os sinais do corpo e resolvi dar uns pegas no Pézinho V4, já que tinha uma galera tentando. Me resumi a tentar isolar o crux do boulder: um belo de um dinâmico de lado, num lance de teto, pra um agarrão irado! Preciso dizer que era longe? Cai várias vezes e não consegui nem segurar de verdade na agarra. Era o sinal pra tirar as sapatilhas e parar de escalar. Afinal de contas foram quase 10 horas de escalada, praticamente non-stop, num pico de boulder de rocha abrasiva! Uma hora tinha que acabar a pilha e a pele, e não teve superbonder que desse jeito. De tão cansado, acabei perdendo o night climb que rolou até 4:30 da manhã  no pontão, com muita música, vinho e cerveja. Cerveja que eu desisti de esperar por volta da s 21h da noite, achando que o tiozinho do barco tinha dado o xexo na galera.

O domingo ia ser curto. Só tínhamos a manhã se quiséssemos  escalar mais alguma coisa. E voltamos pra lá por volta das 10hs pra acabar com o resto de pele. Os músculos das costas e dos braços já começavam a reclamar, mas ainda dava pra gastar um pouquinho mais. O escolhido foi o Sertão V3. Outro conhecido de trips passadas, o Alex, estava por lá tentando com uma galera, e resolvemos nos juntar a eles. Daniel deu só um pega e mandou o bendito. Ele já tinha mandado em outra trip e disse que era por causa disso, só pra poder continuar dizendo que estava fraco. Eu ainda dei uns 3 pegas no boulder, sem sucesso. Parecia faltar gás pra explodir na agarra final e fazer a virada. Mas como diz o velho ditado repetido à exaustão na trip: “O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre”; lá fui eu pra mais uma tentativa, com o mesmo espírito do último pega no Van der Walls. Consegui achar força onde não tinha mais e explodi certinho na agarra. Demorei pra achar posição pra virada, mas consegui e mandei. Mais um V3 pra colocar no 8a.

Ainda tentamos escalar alguma outra coisa mais fácil, mas o tempo já tava curto demais. Deixamos o pontão e fomos almoçar antes de enfrentar as 5 horas de viagem até São Paulo, e de lá mais 3 ate Fortaleza. Fiquei feliz de ainda ter encontrado com o Caio e o Pedro, pra poder me despedir, deixando com eles um presente bem cearense: rapadura! Nos despedimos também da galera da 4Climb, e pegamos o caminho de volta.

Hoje estou aqui, escrevendo esse relato e ainda sentindo dores musculares. Mas em nenhum momento me arrependo de ter ido. Como bem disse o Caio  no blog dele, foi o melhor Ubatuboulder da história e foi meu primeiro. Primeiro de muitos!

ps: Queria terminar esse post completamente pra cima, mas aqui tenho que dizer algo não tão legal, mas pra gente daqui do Ceará. Durante o evento acabou surgindo a pergunta inevitável: e o encontro?! Mais uma vez, como muitos dos outros escaladores do Ceará interpelado nos picos de escalada pelo Brasil, eu tive que responder a única coisa que eu podia: que  não sabia. Queria poder dizer que o encontro vai ser fantástico, que eles tem que aparecer por lá em novembro, mas não vou dizer algo que eu não sei se vai se concretizar. Uma pena! Fica o toque pra organização trabalhar melhor e divulgar como andam os preparativos para o evento.

Postado por Neudson em : Relato

Os produtos 4Climb chegaram!

7
jul

Foram anos de espera. Muito tempo utilizando o famigerado “farinésio” do pote-da-tampa-amarela-que-vende-na-Centauro. Muito dinheiro gasto pedindo pela internet aquele magna da gringa. Mas essa era de sofrimento acabou no Ceará! Os produtos 4Climb chegaram!

Como eu disse aqui, por enquanto o ponto de venda “oficial” é a minha humilde residência. Mas em breve, assim que a nova sede da Fábrica de Monstrinhos voltar a funcionar (novidades sobre isso muito, muito em breve) é lá que você deve ir: para comprar magnésio 4Climb, para treinar, para rever os amigos, marcar a trip do final de semana, ou pra tomar aquela breja pra desopilar! Não necessariamente nessa ordem!

É isso ai galera! Agora Ubatuba me espera, mas com magnésio 4Climb! Acho que mando até o Cracolândia agora! Te cuida Caio Gomes!

Postado por Neudson em : Dicas, Equipamentos

Vídeo: Kriptonita V10

2
fev

Através do Desce daí, Doido! eu tive a oportunidade de conhecer bastante gente pela internet. Alguns eu já tive o prazer de conhecer pessoalmente, como a Yuri e o Claudio do Escalada Café, mas outros eu ainda espero encontrar por esses picos do Brasil.

Uma dessas pessoas é o Caio Gomes, que mantém o blog Família Buscapedra, contando a “saga” da familia Gomes na escalada, que começou com o pai, Jorge Gomes, e continua com os irmãos Caio e Pedro. Caio é hoje um dos escaladores de boulder mais fortes do Brasil, com cadenas na casa do V11/12, e com certeza é o maior divulgador da Pracinha de Itacoatiara em Niterói, fantástico pico de boulder, que eu espero conhecer esse ano. Confiram no vídeo uma recente cadena de Caio na pracinha, o boulder Kriptonita V10!

Postado por Neudson em : Videos

II Climb Day em Niterói

3
dez

Depois de Ubatuba, Ouro Preto, São Tomé das Letras e Cocalzinho, agora é a vez de Itacoatiara se firmar no cenário nacional de boulders. Acontece no dia 19 de Dezembro, na pracinha de Itacoatiara em Niterói, o segundo Climb Day.

A pracinha de Itacoatiara, que já ouvi muito falar através do blog do escalador Caio Gomes, tem surgido como um dos melhores picos de boulder brasileiros. Encravada no meio da área residencial de Itacoatiara, bairro de Niterói, o local abriga mais de 60 linhas, variando do V0 ao V12, como o boulder La Ola. Com certeza é um lugar único para a prática de boulder no Brasil.

O evento vai ter a participação de escaladores de várias partes do Rio e também do Brasil, e visa promover um encontro da comunidade de escaladores com o local e também apresentar o esporte aos habitantes do bairro. Haverá uma premiação para os escaladores que encadenarem projetos existentes na pracinha e para aqueles que encadenarem os “boulders coringa”, que ninguém saberá quais são, até que uma corneta toque quando for encadenado. Uma novidade bem interessante e criativa.

E fique atento, por que o ano que vem promete mais eventos de boulder em Niterói, uma ótima oportunidade pra quem perder o Climbing Day esse ano conhecer esse promisor pico de escalada!

Postado por Neudson em : Evento, notícias

Vídeo: Caio Gomes no La Ola V12

26
jun

Caio Gomes, escalador de Niterói, encadenou por esses dias um antigo projeto da Pracinha de Itacoatiara, o La Ola V12. Claudio Brisighello, do Escalada Café estava por lá, captou as imagens e editou um pequeno vídeo, mas de grande qualidade, da cadena. Confira!

Postado por Neudson em : Boulder, Videos