Felipe Camargo faz o FA da extensão da Coquetel de Energia
Mais um projeto brasileiro cai frente a Felipe Camargo. O escalador paulista esteve esse final de semana no Rio de Janeiro, onde após 2 dias de tentativas, encadenou um dos projetos mais antigos do Brasil, a extensão da via Coquetel de Energia no Campo Escola 2000, sugerindo o grau de 11a “hard” (8c fr; 5.14b us). Para enfrentar o calor, Felipinho acabou escalando à noite, e foi assim que saiu a cadena, sob a luz da headlamp.

Felipe Camargo na cadena da Coquetel de Energia Extensão 11a
A linha original, conquistada em 1996 por Helmut Becker e Luis Pitta, foi o primeiro 10c brasileiro e durante muito tempo a via mais difícil do Brasil. Felipe já havia encadenado essa versão quando tinha apenas 16 anos. Com o “upgrade” a via entrou no limite dos “onzimos” tornando-se o primeiro 11º grau do Rio de Janeiro e aumentando a lista brasileira de vias nesse grau de dificuldade. Agora resta esperar as repetições da via, o que não deve demorar muito, já que o escalador carioca Fábio Muniz também estava trabalhando o projeto e parece estar muito próximo de conseguir a cadena.
As tentativas e cadena de Felipe, foram registradas para o filme que Felipe Camargo pretende liberar na internet no final do ano, chamado de Brasil Vertical. Mas enquanto o filme não sai, fiquem com o vídeo de Felipe na via original.
Resenha: Montanhistas Episódios 1 a 5
Finalmente eu consegui tirar o atraso e assistir aos episódios da nova série de escalada, produzida pela Ciranda Filmes para o canal Off. Como eu não tenho TV por assinatura em casa, o jeito foi pedir para o meu irmão gravar os episódios para eu ir assistir quando desse, e ontem foi esse dia. Tive como companhia o meu sobrinho de 3 anos, que quase não me deixava prestar atenção na TV, e que quando olhava pros caras escalando soltava logo um: “Ele vai cair!”; ao que eu respondia que não ia, e ele replicava dizendo que ia. Com certeza vai precisar ir escalar comigo mais tarde pra perder esse medo.

Episódio 1 – Totem
O primeiro episódio da temporada nos apresenta aos protagonistas da série, os escaladores Hugo Langel e Bernardo Rubim (Biê). A cena de abertura é de deixar qualquer escalador que não mora no Rio de Janeiro doido pra se mudar pra lá na mesma hora. Uma panorâmica do Rio com a narração de Hugo Langel dizendo o quanto ele é abençoado por morar no Rio e poder começar o dia cedinho com uma escalada e depois ir para o trabalho, um privilégio que só mesmo a cidade maravilhosa oferece. E essa vai ser a tônica da série até aqui, mostrar a escalada do Rio de Janeiro como algo único, que não se encontra em nenhum outro lugar do país ou do mundo. E eu tenho que concordar, realmente não existe.
Nesse primeiro episódio a ação se concentra na via Totem no Pão de Açúcar, uma das vias tradicionais mais difíceis e bonitas do Rio de Janeiro. Quem é escalador se identifica logo com a dinâmica da dupla quando eles entram em cena, afinal de contas estamos assistindo ali o que a maioria de nós faz todo final de semana. Chegando na base da via, as velhas e boas discussões sobre quem guia primeiro, quantas costuras levar, quais móveis levar, mas no meio dessa conversa entra uma tentativa de explicação de equipamentos, que fica parecendo meio fora de lugar, talvez pela tentativa de disfarçar a explicação como se fizesse parte da conversa normal de um escalador. Ficou parecendo um pouco quando os atores da globo fazem “merchan” de produtos nas novelas tentando inserir os mesmos na cena. Não encaixa.
Mas logo começa a escalada e ai somos agraciados com cenas de escalada que nada deixam a desejar para produções gringas. Bom trabalho de câmera, buscando quando possível ângulos inusitados (como uma tomada com a câmera dentro de um buraco). A edição faz muito bem seu trabalho (aqui fica os parabéns para um dos editores, meu amigo Caio Gomes), conferindo o ritmo necessário e mesclando bem as cenas da escalada com os depoimentos dos escaladores. Nesse momento é só curtir a via e o visual junto com o Hugo e o Bernardo.
Episódio 2 – Pedra da Gávea
No segundo episódio, Hugo e Bernardo convidam uma amiga, Adriana, para participar da escalada com eles, uma das mais clássicas do Rio de Janeiro, a Travessia dos Olhos na Pedra da Gávea. Logo de cara o que eu notei de diferente nesse episódio foi a abordagem completamente nova em relação às explicações. Acho que eles perceberam que no primeiro episódio ficou estranho e resolveram assumir o lado didático do programa. Pra mim ficou bem melhor assim. Ficou como se você estivesse numa escalada guiada com os caras, com eles dando os toques aqui e acolá. Nesse episódio algumas explicações sobre o Grigri e porque a sapatilha é apertada tiram as dúvidas dos “não iniciados”.
Como sempre, belíssimas tomadas da escalada. E nem poderia ser diferente, já que o visual da Pedra da Gávea é um dos mais fantásticos do Rio: de um lado Barra da Tijuca e Jacarepaguá, do outro a Zona Sul. A participação da Adriana deu uma dinâmica interessante. Os depoimentos dela contribuíram de forma bem orgânica para o episódio, servindo como um meio termo entre aqueles caras e a pessoa comum que nunca escalou (ela confessa ter medo de altura e medo de cair, mas escala). É dela um dos comentários que são praticamente um clichê na boca de qualquer escalador: “o escalador tem dois prazeres, chegar no final da via e tirar a sapatilha”. Mais autenticidade do que isso, impossível. Espero ver outros convidados em breve.
Episódio 3 – Highline na Pedra da Gávea
No terceiro episódio continuamos na Pedra da Gávea, e vamos acompanhar a dupla em uma das especialidades do Hugo Langel, o highline. Pra quem já assistiu a série First Ascent, ver o Hugo andando esse highline não é novidade, já que era ele quem acompanhava os escaladores americanos Sean Leary, Renan Ozturk e Cedar Wright no episódio em que o highline na Pedra da Gávea aparece. O que esse episódio entrega de novidade é como é armado o highline. Sabe aquela pergunta que sempre fazem: como é que eles passam a ponta pro outro lado? Pois é, aqui eles mostram, e não tem muito segredo. Com o highline armado, é mais uma vez um show de imagens de tirar o fôlego.
Depois do highline, é a vez do salto de wingsuit. Hugo explica o equipamento, o que é o wingsuit, quem foi o pioneiro da brincadeira na Pedra da Gávea, e se prepara para o seu salto. De cara se nota a diferença da abordagem sobre qualquer outra produção que mostra basejump que você tenha assistido. Aqui não é simplesmente se jogar , gritar “uhuuuu” e pronto. A edição faz questão de mostrar toda a concentração e tensão antes do salto. Mostra que o negócio não é brincadeira e nem é pra todo mundo.
De todos os episódios até aqui, talvez esse seja o que pecou mais em relação ao ritmo. Talvez por não ter muita coisa para mostrar e as cenas acabarem ficando meio repetitivas em alguns momentos. Mas ainda assim, um bom episódio.
Episódio 4 – Via Urbanóide
No quarto episódio a bola da vez é a via Urbanóide, no Morro do Cantagalo, cercado de prédios por todos os lados. Comprovando que a parte didática foi realmente assumida pela produção do programa, mais uma vez vemos os toques do Hugo e do Biê sobre equipamento, procedimento. Nesse eles falaram sobre o nó oito e o uso do capacete antes de partir pra via, com alguns comentários sobre exposição, paradas. Tudo bem básico, mas bem interessante. O legal desse episódio foi ver pela primeira vez os caras com cara de quem tavam “perrengando” na parede. Começa com o Hugo reclamando da primeira chapa alta, e automaticamente você sente aquele frio na barriga característico quando você se prepara pra encarar um lance exposto.
Eu não conhecia, nem nunca tinha ouvido falar da Urbanóides, e o episódio me deixou realmente com vontade de repetir a via. Escalar cercado de prédios deve ser uma sensação completamente diferente. Escutando as pessoas conversando em suas casas, como comenta o Hugo em determinado momento. Confesso que fiquei esperando alguém gritar de um prédio próximo: “Desce daí, doido!”, mas não foi dessa vez. Essa foi a primeira vez que vimos a dupla rapelar pra descer de uma via, embora sem muitas explicações sobre o procedimento. Mais um ótimo episódio!
Episódio 5 – K2
O último episódio que foi ao ar enfocou uma via super clássica do Rio de Janeiro, a K2 no Corcovado. Dessa vez a lógica se inverteu um pouco, e o Hugo que sempre guiava a primeira, deixou a saída por conta do Biê, que ficou fissurado pra guiar o diedro inicial. A escolha da dupla foi deixar de lado os grampos e proteger o diedro somente com móveis, o que render uma breve explicação do funcionamento do equipamento. O legal desse episódio pra mim foi (re)ver a via que eu cheguei a entrar, mas não continuei. Na minha última trip para o Rio o tempo não ajudou muito, e tive que abortar a escalada ainda no diedro inicial.
Pra quem nunca fez a via e tem vontade de fazer, é praticamente uma aula de como fazer a K2. Pontos que antes a gente só ouvia falar, como o famoso lance do palavrão (que eu achava que era logo depois do primeiro diedro), ficaram bem evidentes e não pareceram tão difíceis, mas vai saber né? Rola até uma “trolagem” do Hugo com o Biê, indicando o local onde ele vai bater se cair no lance. Deu pra dar umas boas risadas nesse episódio.Obviamente que o melhor da via, é o final. Chegar aos pés do Cristo Redentor escalando, é um privilégio que só nós temos.
Fazendo um balanço dos 5 episódios até aqui, a série Montanhistas tem mostrado muitos mais acertos do que erros. A abordagem a seguir pareceu meio indecisa no começo, mas agora para ter se firmado. Como escalador gostaria de ver algo realmente mais voltado para nós, com vias um pouco mais desafiantes, talvez um pouco mais de perrengue, mas de certa forma entendo a escolha por um caminho menos hermético, que do ponto de vista de difusão do esporte é bem mais eficiente. A qualidade técnica é incontestável, tanto no trabalho de direção e fotografia, a cargo do idealizador Seblen Montovani, quando a parte de edição a cargo da equipe da Ciranda Filmes. A série está se mostrando instrutiva e divertida, tanto pra quem escala, quanto pra quem nunca escalou na vida. Mas o grande destaque mesmo fica por conta da dupla escolhida pra protagonizar a série. Hugo e Biê esbanjam simpatia e bom humor durante todo o programa, sem contar que deixou transparecer o entrosamento e a amizade que fazem parte de qualquer parceria de escalada.
Hoje vai ao ar o sexto episódio da série, que vai sair agora da capital carioca e visitar a Pedra do Elefante, na região serrana do Rio, e vai ter como convidado o escalador Ralf Cortês. Fica ai então a dica, pra acompanhar os próximos episódios e conferir as reprises dos que já tiverem passado.
Campeonato Brasileiro de Boulder – Primeira Etapa
No final de semana passado rolou no Rio de Janeiro a primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Boulder, organizado pela Adrena com o apoio da CBME. Como não devia deixar de ser, fui lá conferir a competição e também entrei pra participar. No total foram mais de 100 atletas inscritos nas mais diversas categorias, o que garantiu um espetáculo bonito pra quem passou pela praça General Tibúrcio na Urca. O muro montado pela Adrena estava fantástico, com seus 4,5 metros de parede com a base muito bem protegida por colchões. Negócio tava gringo!

O muro do campeonato brasileiro, a galera aguardando e o Pão de Açucar ao fundo.
No sábado rolaram as categorias amadoras, da qual participei. Eram cerca de 40 atletas no masculino e feminino, divididos em 5 categorias: Adulto A, Adulto B, Sênior, Infantil e a Paraclimbing. Eu participei na Adulto B, juntamente com mais 6 escaladores.
Cheguei pra competir ainda com receio de me machucar novamente, então não estava com grandes pretensões de conseguir qualquer resultado importante. Minha ideia era de escalar sem pressa, testando os boulders que não piorassem a lesão. Mas meio que por milagre, no dia da competição eu não senti absolutamente nada, e escalei quase como se estivesse 100%. Os problemas estavam divididos em 4 categorias: brancos (valendo até 1.000 pontos), os amarelos (valendo até 5.000), os azuis (até 10.000) e os pretos (até 20.000 pontos).
De início resolvi aquecer em alguns brancos, que estavam aparentemente na faixa do V1/V2. Fiz o primeiro com facilidade e ia aquecer em mais um ou dois, mas com a minha torcida do lado de fora gritando pra eu “escalar de verdade”, acabei pilhando e entrando em seguida em um dos amarelos. O primeiro tinha uma passagem de pinças pequenas bem nojenta, mas que consegui dominar logo na primeira tentativa, caindo na próxima agarra por não ter visto uma agarra de pé. Tentei mais uma vez esse e mandei. Me senti bem, e resolvi realmente ficar nos amarelos. O próximo também mandei de segunda, mas já com o gostinho amargo de não ter mandado em flash. O mesmo acontecendo com o terceiro, mais uma vez por negligenciar uma agarra de pé. Já tinha 3 amarelos no bolso, somando perto dos 10.000 pontos.

Entrei para tentar o amarelo que parecia ser o mais difícil, na parede que tinha uma dominada (mas que pediam pra não dominar). Entrei umas 4 vezes nele, caindo sempre no mesmo lugar. A essa altura já tinha tentado 5 dos 6 amarelos e mandado 3. Resolvi entrar no último que me restava com a intensão de mandar de flash. Fui bem confiante e sólido nos movs e saiu meu único boulder amarelo flash. Com 4 boulders amarelos anotados, ainda faltava algo de pontuação maior pra fechar as 5 maiores pontuações. Eu queria tirar aquele branco dali. As opções eram o amarelo mais difícil, que eu já tinha tentado demais, um outro amarelo que terminava num bote imenso, e um azul, que parecia ser o mais mandável de todos, principalmente depois do beta encontrado pela galera de fazer um “figure four” no agarrão. Resolvi tentar a sorte no azul.

O mais difícil dos boulders amarelos. Cai sempre nesse lance...

O único que saiu de flash...
Logo na primeira tentativa acertei o bote no agarrão, e fiz bem o “figure four”, chegando na penúltima agarra. Só faltava o bote pra agarra final. Primeira tentativa e chão. Mas ter chegado tão perto de mandar e a ótima pontuação do boulder, me fizeram continuar tentando. Tentei mais umas 4 ou 5 vezes, todas indo no chão na hora do bote. Uma das vezes cai até de cara, beijando os colchões e atestando a qualidade da proteção (aprovado galera!). Não senti nada! O fiscal do boulder ao lado já tava de saco cheio de me ver caindo ali do lado dele o tempo inteiro. Fui pra mais uma tentativa e dessa fez fiz diferente. Mudei a pegada da agarra lá em cima e consegui esticar e fazer o mov estático. Azulzinho no bolso, mais 6000 pontos pra cartela. Com esse eu já estava satisfeito com a minha pontuação, mais ainda assim resolvi tentar o amarelo do bote. Deu umas 4, 5 pegas nele e apesar de achar que poderia mandar, resolvi deixar pra lá e ficar com o que tinha conseguido: 18.200 pontos, achando que isso podia me dar até o primeiro lugar na minha categoria.
Durante a minha participação no amador, observei bastante a galera escalando, e era bonito só de assistir. O Raphael Nishimura, único participante da categoria Paraclimbing, deu um show a parte. Fez todos os boulders que o Belê tinha preparado pra ele e em seguida partiu para os brancos e foi mandando. Sempre com a torcida da galera. Ver também a pequena Julia, aluna do Centro de Escalada Jacarepaguá, escalando era muito inspirador. Ela mandou muito bem nos boulders que entrou, com uma movimentação de fazer inveja a muito escalador mais velho. Acabou levando um susto no final, quando caiu do final do boulder de costas nos colchões, mas não foi nada demais. Outra figurinha que me chamou a atenção, foi o participante mais jovem, que tinha 7 anos de idade. Um garotinho lorinho, que chegou acompanhado da mãe. Depois do primeiro boulder dele, que ele não conseguiu mandar, ele sentou e frustrado, começou a chorar. Tirou as sapatilhas e não quis mais participar. Fiquei com dó dele, e quase chego pra conversar com ele e dar uma força, mas não fiz isso. Acho que só faltou isso pra ele, um escalador falar pra ele que cair era normal, que todo mundo cai.
Uma hora depois do final do festival, saiu o resultado, e quase como esperado, fiquei em segundo, 1200 pontos atrás do primeiro colocado da Adulto B. Em terceiro ficou o Léo (Paulista) Medeiros, que mora no Rio Grande do Norte, o que deixou o podium da Adulto B quase todo do nordeste. O Adulto B feminino teve a escaladora Debora Hashiguchi em primeiro e Anaceli Vieira em segundo, as duas vindo do Rio Grande do Norte. No geral, contabilizando todas as categorias, eu teria terminado em 12º lugar. Nada mal dentro de um total de 32 escaladores competindo. Mas sai de lá com a certeza que dava pra ter ido melhor, e vou tentar isso em uma próxima etapa, provavelmente a etapa em Belo Horizonte.

O pódium da categoria Amador Adulto B (Foto de Debora Hashiguchi)

Pódium Feminino do Amador Adulto B
No domingo foi a vez dos profissionais nas categorias master. Não dá nem pra contabilizar a quantidade de gente forte participando, vou citar apenas os favoritos. No masculino, os óbvios favoritos eram Felipe Camargo e Cesar Grosso, Jean Ouriques bem próximo dos dois. No feminino os dois maiores nomes eram Thais Makino e Anna Shaw, com a Thais como grande favorita. Felipinho estava saindo de uma lesão no dedo, mas ainda assim não encontrou muita dificuldade pra passar pra final, algo que foi menos difícil ainda para Cesar Grosso. Depois de mandar apenas 5 boulders, todos na maior pontuação, ele deu por terminada a sua participação no festival e foi aguardar o resultado e descansar para a final. Uma das grandes atrações da competição foi o jovem Rafael Takahace, de 16 anos, que não ficou atrás dos melhores e acabou garantindo passagem para as finais. Depois de 4 horas de festival, os finalistas foram os seguintes: Cesar Grosso, Felipe Camargo, Jean Ouriques, Beto Ferragut, Rafael Takahace, Pedro Rafael, Pedro Nicolosso e Marcelo Balesteros no masculino; Thais Makino, Anna Shaw, Luana Riscado, Bianca Castro, Flor Kessling e Tatiana Caloi no feminino.

Felipe Camargo durante o festival.

Rafinha Takahace mandando bem e garantindo a vaga na final

Cesar Grosso perto de finalizar mais um boulder

Thais Makino passeando nos boulders

Luana Riscado perto do top durante o festival.
As finais foram emocionantes, principalmente o feminino. Eram quatro boulders, 30 minutos para tentar todos em sequência. Depois de ir tentar o próximo boulder, não podia mais voltar para o anterior. No feminino Thais Makino deu um show. Encadenou todos os boulders da final, com destaque para o último, com um bote de lado muito bonito. Quase no fim Anna Shaw também quase manda esse boulder, depois de muitos pedidos da torcida para mais uma tentativa. Luana Riscado fechou a participação na final com um top, garantindo o terceiro lugar.
No masculino Belê pegou pesado, e todos os boulders estavam extremamente difíceis. Tanto que uma agarra bônus virava automaticamente vantagem e muitos passavam pro próximo boulder logo depois de dominar uma agarra bônus. O primeiro boulder não viu nenhum top. Muito menos o segundo, que viu poucos avançarem mais de duas agarras. Felipinho foi o primeiro a tentar o terceiro boulder, que parecia bem a sua cara: bidedos e monodedos. Ele entrou muito bem, e logo na primeira tentativa tocou a agarra final. Foi o suficiente pra todos virem tentar o boulder também. Cesinha e Jean Ouriques também foram muito bem nesse boulder, quase fazendo top. Felipinho voltou para a segunda tentativa e depois de dominar a agarra final com uma das mãos, caiu quando tocou com a segunda. Apreensão geral pra saber se ele tinha feito ou não o top, que acabou sendo validado pelos fiscais, para o azar de Cesinha, que até ali estava sendo o campeão pelo resultado do festival. Todos correram para o último boulder quando Beto Ferragut foi bem na primeira tentativa, mesmo com a costela trincada. Mas o tempo estava curto, e ninguém conseguiu encadenar, ficando assim a vitória da primeira etapa com Felipe Camargo, sob protestos (justos) de Cesar Grosso.

Pódium do Master Masculino

Pódium Master Feminino (Foto: 4Climb)
O resultado final de todas as categorias ficou assim.
Master Masculino
1. Felipe Camargo
2. Cesar Grosso
3. Jean Ouriques
Master Feminino
1. Thais Makino
2. Anna Shaw
3. Luana Riscado
Juvenil A
1. Yan Kalapothakis
2. Lucas Groenner
Juvenil B
1. Vitor Fujita
Adulto A Masculino
1. Tiago Rodrigues
2. Rafael Rebello
3. Lucas Sá
Adulto B Masculino
1. Guilherme Ferraz
2. Neudson Aquino
3. Léo Medeiros
Adulto A Feminino
1. Daniela Grassi e Glauce Ibraim
3. Alessandra Dias
Adulto B Feminino
1. Debora Hashiguchi
2. Anaceli Vieira
3. Graziela de Oliveira
Sênior
1. Brady Robinson
2. André (Godoffe) Monteiro
3. Goro Shiraiwa
Paraclimbing
1. Raphael Nishimura
Infantil (sub-13)
1. Julia Dias
Fazendo agora uma reflexão sobre o campeonato, o saldo foi bastante positivo. O muro ficou de uma qualidade incrível e as vias criadas pelo Belê também. Gostei do modelo festival e realmente fica bem interessante, e mais dinâmico, mas ainda gostaria de ver finais no estilo IFSC, um boulder e um atleta de cada vez, em todas as categorias, quando o número de atletas permitisse. Senti falta de alguma premiação na competição, além da medalha. No amador qualquer coisa já seria válida. Na minha opinião motiva mais os atletas a participarem. Quem duvida que uma das motivações do master são as passagens para Paris? Eu não. Achei que a categoria infantil deveria ter boulders próprios, assim como a Paraclimbing, para evitar a frustração de alguns jovens atletas, como o garotinho que citei ali em cima. Em termos de divulgação senti a falta da cobertura de algum veículo de imprensa. Não me lembro de ter visto nem uma rede de televisão fazendo matérias durante a competição (se houve, me corrijam). E pra fechar, faltou uma festa! Campeonato de escalada combina com festa de encerramento. No mais tudo foi bem, e a competição tende a crescer e ficar cada vez melhor! Parabéns a todos os envolvidos, principalmente ao Pedro Leite da Adrena, que assumiu a frente de tudo e fez o negócio acontecer.
Em junho tem a segunda etapa em São Bento do Sapucaí, e a temporada do Brasileiro fecha em Agosto, com a terceira etapa em Belo Horizonte, que quero muito estar presente.
Campeonato Brasileiro de Boulder
Tá chegando galera! Daqui praticamente duas semanas acontece o Campeonato Brasileiro de Boulder, durante a I Semana Brasileira de Montanhismo, no Rio de Janeiro. Eu tenho que dizer que já estou ficando ansioso. Nunca pensei que algum dia fosse participar de um campeonato brasileiro nem de porrinha, quanto mais de escalada. Tá certo, é na categoria amador, mas ainda assim é um Brasileiro!!
Eu estava tentando puxar pela lembrança quando é que tinha sido o último Campeonato Brasileiro de Boulder, e conversando com o pessoal acabei descobrindo que na verdade, nunca houve um Campeonato Brasileiro de Boulder propriamente dito. Pelo menos não nos moldes do que está sendo proposto esse ano, uma competição nacional com 3 etapas em diferentes estados brasileiros! Isso é algo único pra a modalidade boulder no Brasil! E eu vou estar lá, junto com atletas de várias categorias, várias idades e de vários cantos do Brasil.
O campeonato vai ter várias categorias entre amador e profissional (IFSC), masculino e feminino, disputadas em estilo festival, além de contar com uma novidade muito bem vinda: o primeiro Campeonato Brasileiro de Paraescalada! A competição vai acontecer dias 28 e 29 de Abril na Praça General Tibúrcio, na Urca, e vai contar com o escalador André Berezoski (Belê) como routesetter. A estrutura do muro da competição vai ser montado com o apoio da Adrena, um dos mais conhecidos ginásios de escalada do Brasil.
Um dos grandes atrativos desse Campeonato para a galera que vai disputar a categoria principal é a possibilidade de sair de lá com passaporte carimbado para o Mundial de Escalada Esportiva a ser realizado em Paris no mês de setembro, já que o grande prêmio vão ser as passagens para ir competir lá fora e representar o Brasil!
Se você ainda está ai pensando em participar, ainda dá tempo! As inscrições ainda vão até o dia 26 e podem ser feitas pelo site da Semana de Montanhismo. Confira abaixo mais informações sobre o Campeonato!

Campeonato Brasileiro de Boulder – 1ª Etapa
Data: 28 e 29 de abril de 2012
Tipo campeonato: Festival
Route-setter: André Berezoski Neto (Belê)
Local: Praça General Tibúrcio, Bairro da Urca, Rio de Janeiro – RJ
Categorias:
Amador – Masculino e Feminino:
Senior: Nascidos antes de 1972
Adulto A: Nascidos entre 1983 e 1992
Adulto B: Nascidos entre 1973 e 1982
Infantil: Nascidos a partir de 1999
Paraclimbing: Para portadores de necessidades especiais
IFSC – Masculino e Feminino:
Master: Masculino e Feminino
Júnior: Nascidos em 1993 e 1994
Juvenil A: Nascidos em 1995 e 1996
Juvenil B: Nascidos em 1997 e 1998
Inscrição através do site da 1ª Semana de Montanhismo
Inscrições realizadas até 20/04/2012: R$ 60,00 (Desconto de 30% para federados CBME)
Inscrições realizadas entre 20/04 e 26/04: R$ 100,00 (Desconto de 30% para federados CBME)
Atletas das categorias Master, Júnior, Juvenil A e Juvenil B são obrigados a serem filiados a uma instituição filiada a CBME. Atletas das demais categorias não são obrigados mas caso sejam filiados ganham desconto na inscrição.
Programação
28/04 – Sábado – Festival
12:00 – Entrega de Kits
12:50 – Briefing
13:00 – Início Festival para categorias: Senior, Adulto A, Adulto B, Infantil e Paraclimbing
17:00 – Término Festival
17:15 – Entrega de medalhas
29/04 – Domingo
12:00 – Entrega de Kits
12:50 – Briefing
13:00 – Início Festival para categorias: Master, Júnior, Juvenil A e Juvenil B
17:00 – Término Festival
17:15 – Entrega de medalhas – Juvenil A e B e Júnior
18:00 – Final Feminino
18:50 – Entrega de medalhas e troféus – Feminino
20:30 – Final Masculino
21:20 – Entrega de medalhas e troféus – Masculino
Escalada e inclusão social
Não há dúvidas de que a escalada é um esporte com uma capacidade transformadora incrível. Os benefícios, não só físicos, mas como psicológicos, comportamentais, e até mesmo espirituais, são incontestáveis. Contudo, mesmo com esse potencial para transformar pessoas, a escalada aqui no Brasil ainda é pouco difundida e consequentemente pouco utilizada como meio de inclusão social. Então não é de se espantar que uma grande idéia, como um projeto social utilizando a escalada, viesse de fora.
É o caso do projeto colaborativo de escalada, do escalador americano Asa Firestone, que recebeu recentemente o incentivo do fundo Zack Martin Breaking Barriers do American Alpine Club, para tocar seu projeto de inclusão social na favela da Rocinha no Rio de Janeiro. A idéia do projeto, em parceria com o Clube de Escalada da Rocinha, é levar a escalada para as crianças, adolescentes e jovens adultos da região, construindo um muro de escalada e aproveitando do grande potencial do Morro Dois Irmãos, localizado vizinho à favela. Uma bela idéia para a cidade do Rio de Janeiro, utilizando o grande potencial da cidade para o esporte.
Mais informações em:
http://asafirestone.wordpress.com
http://www.climbing.com
Vídeo: Mundo Cão
Se tem alguém aqui no Brasil que realmente está produzindo vídeos de escalada de qualidade, esse alguém é o Ricardo Cosme, idealizador do filme Platô. Esse vídeo da via Mundo Cão 9a é um dos primeiros colocados a disposição por ele no Vimeo, e apesar de ainda não ter o mesmo nível dos mais recentes, ainda está muito à frente do que é normalmente produzido por aqui! Confiram!
Vídeo: Alexandre Fei na Filé com Certeza 9a
A grande maioria dos vídeos que eu posto por aqui são gringos. E isso, admito, é uma falha. A produção nacional está crescendo, as vias daqui são fantásticas e temos ótimos escaladores. É por isso que eu vou dar uma garimpada melhor pra achar vídeos nacionais maneiros pra postar aqui. Começo com esse, que mostra Alexandre Fei na clássica Filé com certeza 9a, na Barrinha, Rio de Janeiro. Também no vídeo, pequenos trechos com Lucas “Jah” Marques no projeto Carta Magna, e Fabrício Mamão na Barra Pesada 10a.Confiram!
Vídeo: Guilhotina
Na onda de postar mais vídeos por aqui, eu tenho que também privilegiar as produções nacionais, que ainda estão engatinhando mas têm se mostrado de grande qualidade. Deixo aqui com vocês o vídeo do pessoal do Falésias do Rio.










