Lesões na escalada I

Quando a gente começa a treinar mais forte, o risco das lesões aumentam. Eu mesmo já me lesionei duas vezes: uma lesão no músculo supra-espinhal do ombro, que foi relativamente séria e exigiu um pouco de fisioterapia e o afastamento total dos treinos por duas semanas; e uma lesão mais recente no dedo anelar direito, que acabei tratando por conta própria, evitando movimentos que causavam dor e felizmente funcionou.

Nessa última escolhi não procurar um ortopedista por que é muito difícil encontrar especialistas em medicina esportiva (pelo menos aqui), e quando você encontra, os tratamentos de fisioterapia não são voltados para tratar lesões do esporte. Você acaba fazendo o mesmo tratamento que alguém com reumatismo ou artrite.

Na falta de um profissional realmente capacitado para tratar as lesões específicas da escalada é bom que o escalador conheça um pouco das lesões que ele pode adquirir, saber quando ele pode agir por conta própria e saber como agir. Pensando nisso, resolvi traduzir aqui alguns artigos do ótimo site voltado somente para esse assunto, o Kinesacalade. Recebi a autorização do autor dos artigos e vou traduzindo aos poucos cada uma das lesões que se encontram lá. Se você lê inglês ou francês bem e não tiver paciência de esperar, pode seguir direto para o original. Continue lendo para saber um pouco mais sobre a Tenossinovite!

Tenossinovite

Definição

Esse termo descreve a inflamação da  bainha sinovial que reveste o tendão (fig. 1). Na escalada, se refere à inflamação da bainha sinovial que recobre os tendões flexores dos dedos.

Geralmente aparece de repente, com dor aguda ao redor da primeira falange (P1). É possível que a dor irradie para a palma da mão ou até mesmo para o antebraço. Algumas vezes pode ser percebido um edema na altura da P1.

Geralmente é confundida erroneamente com a ruptura da polia, devido ao seu surgimento súbito, mas não é tão grave quanto o rompimento da polia. Contudo, não deve ser deixada sem tratamento. Uma comparação pode ser feita entre o estado de uma bainha durante uma tenossinovite e o estado da pele durante um corte: imagine o pequeno sangramente da bainha e você vai entender por que dói.

Mecanismo da lesão

A lesão aparece devido ao esmagamento da bainha entre a polia e o tendão ou entre a agarra e o tendão. É o resultado de um intenso impacto mecânico que ocorre apenas uma vez, ou a repetição sucessiva de um impacto menos intenso. É importante levar em consideração que a repetição dos movimentos é algo realmente danoso para as estruturas. Quando segurando um reglete, a bainha é esmagada entre o tendão e a polia (fig.2).

Quando segurando uma agarra angulosa com uma pega aberta, a bainha é pressionada entre a rocha e o tendões, assim como o osso (fig. 3)

Prevenção

Use agarras de pega aberta e abaulados, evite agarras angulosas, ou segure-as de uma forma não traumatica. Respeite o fato de que o progresso é gradual, não treine muito forte sem descanso e ajuste a intensidade do treino ao seu nível. Faça um treinamento progressivo dos músculos dos dedos antes de iniciar um projeto forte, especialmente para monodedos, bidedos ou regletes. Aquecimento e alongamento é algo que NUNCA deve ser esquecido.

Tratamento

Pare a sessão, coloque gelo no local o mais rápido possível e faça uso de um gel anti-inflamatório.

Não use o dedo enquanto a dor persistir mesmo em repouso. Coloque uma bandagem ao redor do dedo (fig. 4), que permite que você use apenas pegas abertas, e a use dia e noite por dez dias. Troque todo dia, coloque gelo e gel anti-inflamatório. Volte aos treinos, mas não use agarras traumáticas (pegas abertas em agarras angulosas ou regletes) e evite qualquer dor (se doer: PARE).

Veja um especialista em medicina esportiva se os sintomas persistirem (nada de infiltrações). Algumas sessões de fisioterapia com ultrassom podem acelerar a recuperação.

Fonte: Kinescalade

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