Primeiro 11a para Felipe Alvares

22
Jan

Não é todo dia que se alcança um novo grau na sua escalada, e nem é sem esforço. Estamos sempre em busca do primeiro 8a, do primeiro 9a, mas só alguns poucos podem se orgulhar de dizer que escalaram um 11a. Essa semana o escalador mineiro, Felipe Alvares, o Kbça, entrou nesse seleto grupo de escaladores brasileiros, ao encadenar a sua primeira via nessa graduação. A via em questão foi a Os Intocáveis, na Serra do Cipó.

Felipe Alvares na Os Intocáveis 11a

Felipe Alvares na Os Intocáveis 11a

Felipe comentou em sua página no Facebook, que pegou os betas com xará Felipe Camargo, que havia feito o FA da via, e conseguiu a cadena. E se você acha que já achou o seu limite, Felipe deixou um recado: “Esse foi o meu primeiro 11a e com certeza é apenas uma pequena barreira em comparação aos projetos que vem mais pra frente. Inclusive esse pode ser considerado o ponto positivo da escalada, não temos um final definido ou uma faixa que determina que você chegou ao final, estamos sempre na busca do quero mais“.

Parabéns pela cadena, Kbça!

Postado por admin em : Escalada Esportiva, notícias

Primeiro V13 para Felipe Ho

19
Jan

O ano começou muito bem para o garoto prodígio Felipe Ho. De férias da escola Felipinho se mandou para São Bento do Sapucaí onde ele teve um ótimo final de 2014, e um belo início de 2015. Ele fechou a passagem por SBS, no último dia, com chave de ouro, com o seu primeiro boulder V13, ao encadenar o The Power of Minduim, linha aberta por Daniel Woods.

Essa foi apenas a quarta repetição da linha, que é o link entre dois boulders graduados em V10 e V12. Com a cadena, Felipinho se torna, ao que tudo indica, o mais jovem brasileiro a encadenar um V13, com apenas 15 anos. Um feito e tanto! Confira abaixo vídeo com o xará mais velho de Felipinho, Felipe Camargo, fazendo a segunda ascensão do boulder.

Na mesma trip, Felipinho também já havia mandado o seu primeiro V12, com o boulder Salinas, no mesmo bloco do The Power of Minduim, além de ter encadenado em ordem crescente um V10, com o boulder Cavanhaque, e um V11, com o boulder Arqueiro Zen.

Felipinho Ho no Arqueiro Zen V11 (Foto: Gabriela Vescovi)

Felipinho Ho no Arqueiro Zen V11 (Foto: Gabriela Vescovi)

Ainda na mesma viagem, Felipinho encontrou tempo para entrar nas vias, e como não podia ser diferente, trouxe pra casa também seu primeiro 10b, com a via Explosão de Dedos, e a cadena em flash da Martelo de Thor, 10a.

É, parece que 2015 ainda vai reservar muitas cadenas para o Felipe Ho. Estaremos de olho!

Postado por admin em : Boulder, notícias

Daniel Woods encadena provável V16 na California

19
Jan

Desde que seu primeiro projeto de V16, The Game, foi decotado, Daniel Woods está à procura de algo que seja o próximo nível de boulder. E parece que dessa vez ele encontrou. Daniel encadenou esse final de semana um velho projeto em Buttermilks,  no bloco Grandpa Peabody (mesmo bloco do Lucid Dreaming), e ao que parece, deve ser um V16.

A linha do The Process à direita

A linha do The Process à direita

A linha é a continuação do Blood Meridian V13, que tinha apenas 4 movs. O novo boulder ganhou mais 3 movs na casa do V14 até a virada, e ainda continua com uma aderência de V10 até o topo. Daniel Woods batizou a linha de The Process, e confirmou para o UK Climbing ter encadenado o boulder. Esperamos imagens dessa cadena!

Fonte: Climbing Magazine

Postado por admin em : Boulder

Tommy Caldwell e Kevin Jorgeson completam a Dawn Wall em livre

15
Jan

Finalmente está terminado! Ontem os escaladores Tommy Caldwell e Kevin Jorgeson escreveram mais um capítulo extraordinário na  história da escalada de Yosemite e mundial. Depois de 19 dias na parede a dupla finalmente escalou em livre os quase 1000 metros da Dawn Wall, a parede mais difícil de todo o El Captain, e completaram assim o que já é considerado o Big Wall mais difícil do mundo!

Tommy Caldwell (verde) e Kevin Jorgenson (vermelho) chegando no cume da Dawn Wall

Tommy Caldwell (verde) e Kevin Jorgeson (vermelho) chegando no cume da Dawn Wall

O primeiro vislumbre de que a Dawn Wall poderia sair em livre veio em 2008 quando Tommy Caldwell rapelou as primeiras vezes para inspecionar a via e verificar a possibilidade de fazer os lances. As primeiras imagens de Tommy na via saíram no filme de 2009 da Big Up Productions, Progression, e logo chamaram a atenção de Kevin Jorgeson, que desde então se tornou seu parceiro na empreitada.

Durante várias temporadas os dois tentaram liberar cada uma das enfiadas, incluindo aí 7 na casa do 11º grau. As investidas na maioria das vezes foram interrompidas pelo mal tempo, ou por lesões. Foi o caso de Caldwell em 2013, quando um Haulbag caiu ainda preso à sua cadeirinha, ou em 2011 quando Kevin se machucou numa queda tentando fazer o bote da enfiada 16.

Traçado da via no El Captain

Traçado da via no El Captain

Esse ano, depois de Tommy ter conseguido encadenar as últimas enfiadas de 5.14 da via, a dupla finalmente estava pronta para tentar o ataque. E parece que os deuses da montanha quiseram ver esse feito inédito ser realizado e o tempo se manteve firme até os dois conseguirem alcançar o cume.

Não foi sem problemas, contudo, que os dois conseguiram. Na metade da via, Kevin ficou preso na travessia da enfiada 15, sem conseguir realizar a cadena em livre por conta da pele dos dedos completamente destruída. Tommy seguiu na frente e terminou todas as enfiadas mais difíceis antes de Kevin completar a enfiada 15. Ficava a escolha. Chegar ao cume sozinho, ou aguardar Kevin, que poderia até não conseguir passar o trecho? Tommy nem pensou duas vezes, só faria o cume se fosse com Kevin. E depois de 5 dias, Kevin finalmente conseguiu a cadena e se juntou a Tommy, e ontem fizeram o ataque final ao cume.

Momento histórico! O Desce daí, doido! está muito feliz pela conquista de Tommy Caldwell e Kevin Jorgeson. O tempo de vida da Dawn Wall é exatamente o tempo de vida do blog, e acompanhei de perto cada ano da temporada sempre noticiando os avanços. Agora finalmente poder noticiar a realização do projeto, é uma honra!

Congrats, Tommy and Kevin!

Fonte: Climbing Magazine

Postado por admin em : notícias

Bianca Castro encadena o primeiro V11 feminino por uma brasileira

9
Jan

A escaladora carioca Bianca Castro, a Bibi, começou o ano da melhor maneira possível. Mesmo no calor do verão carioca, Bibi conseguiu a cadena do boulder Inominado V11, na Urca, no primeiro dia do ano. Essa é a maior graduação em boulder já escalada por uma brasileira, e o primeiro desse grau para ela.

Bibi conta no seu blog que ficou surpresa coma cadena, já que a maior graduação em boulder que ela havia encadenado era um V8, mas que com apenas alguns poucos pegas a cadena saiu. Com a cadena, Bibi ganhou motivação extra para tentar coisas mais fortes nas vias, e já colocou como projeto para 2015 o 10c da via Coquetel de Energia no Campo Escola 2000. Quem duvida que a cadena vai sair rapidinho?

Confira abaixo o vídeo da cadena do Inominado!

Inominado – Urca from Foca no Climb on Vimeo.

Postado por admin em : Boulder, notícias

Episódio 2 de The Thrill of Brazil com o FA do Fortaleza V15

8
Jan

Acabou de sair na Epic TV o segundo episódio da série The Thrill of Brazil, com Felipe Camargo e convidados. Nesse segundo episódio a ação se concentra somente em Felipe, e na cadena do boulder Fortaleza, provável primeiro V15 brasileiro. Mais um grande trabalho de filmagem e edição de Bruno Camargo, irmão de Felipe. Confere ai!

Postado por admin em : Videos

Trips de escalada de fim de ano

7
Jan

Desde que eu comecei a escalar eu nunca passei um final de ano escalando. Dessa vez eu resolvi dedicar o recesso de Natal e Ano Novo para a escalada e acabei fazendo duas trips de fim de ano, visitando 3 picos de escalada aqui no Ceará e na Paraíba. A primeira parada foi logo depois do Natal, quando fui mais uma vez para Tejuçuoca. A segunda foi a trip da virada, e passei pela Pedra da Boca e por Algodão de Jandaíra.

A ida para Tejuçuoca foi motivada pela vinda da amiga da Paraíba, Janine Falcão. Já havia combinado com ela que iríamos para lá no dia 26 de Dezembro. Saí com a Tati, minha namorada, cedinho para pegar a Janine na rodoviária e pegarmos a estrada para Teju. Chegamos no pico por volta das 10 da manhã, e encontramos com os amigos Micael, Flora e Erika, que já haviam chegado no dia anterior. O clima estava perfeito, céu nublado mas sem chuva, dando uma aplacada no calor e permitindo escalar em setores que normalmente ficam no sol à tarde.

Começamos por algumas vias no setor do Lopes, onde montei um top rope na Bode Grill, depois equipei a Anti-horário 6sup para a Janine entrar, e ainda convenci a Tati a tentar um pouco de top. Depois mudamos para o Portal, uma furna sempre na sombra, com as vias mais recentes do local. Lá entramos na Cuidado com esse Machado 5sup e aproveitei para clipar a primeira costura da Goodbye Blue Friend, um 7a com saída negativa bem bonita.

Tati entrando na Bode Grill de top

Equipando a Anti-horário

O segundo dia começou pelo Portal, onde equipei a Goodbye Blue Friend para a Janine tentar, e a Tati e o pessoal ficaram escalando a Machado de top. A tarde foi reservado para o setor dos  Tetos, onde a Janine queria tentar mais uma vez a Minha Primeira Vez 7b. Consegui de novo convencer a Tati a entrar também nela de top rope, e ela foi muito bem, chegando até o lance do crux. Micael também pilhou e acabou dando um peguinha. Depois do segundo pega da Janine na via ouvimos o zumbido alto de abelhas e percebemos a nuvem do enxame acima da gente. Guardamos as coisas e saímos de fininho. Com abelha não se brinca.

Na saída da Goodbye Blue Friend

Na saída da Goodbye Blue Friend

Janine na Minha Primeira Vez 7b

Janine na Minha Primeira Vez 7b

Voltamos para o Lopes onde entrei na Aqui só lá em Bagdá, um sexto grau chatinho com uma chaminé machuquenta no final. Terminei a via e puxei a Tati de segundo. Rapelamos e depois Janine e Micael fizeram o mesmo. Depois de escalar subimos para o topo do afloramento de calcário e ficamos contemplando o pôr-do-sol.

O domingo foi curto, já que queríamos sair cedo de volta para Fortaleza. Ficamos somente no Lopes e Portal, e por volta do meio dia, quando estávamos nos preparando para terminar a escalada, a chuva chegou, indicando que era a hora certa mesmo de ir embora.

Nos despedimos do Seu Deuzim e da Dona Tetê, e pegamos a estrada de volta. A segunda seria de trabalho para a Tati, e a Janine voltaria de ônibus para João Pessoa no final do dia. Na terça, eu e a Tati pegaríamos a estrada para a Pedra da Boca.

Saímos na terça por volta do meio dia, depois de resolver as últimas pendências. A estrada boa garantiu uma viagem bem tranquila, mas marcada pela experiência bem bacana de avistar uma imensa Cumulus Nimbus no horizonte, e acabar indo parar bem embaixo dela, e da tempestade que ela criava.

Singela Cumulus Nimbus bem no nosso caminho

Chegamos na Pedra da Boca por volta das oito da noite, e encontramos por lá o Wolgrand, paraibano velho conhecido de outras trips de escalada, e figura ímpar da escalada nordestina. Junto com ele o Brito do Rio Grande do Norte, e o francês Manu. Jantamos, batemos um papo, e armamos nossa rede nos preparando para dormir e ver o que o dia seguinte ia nos reservar.

Acordamos e resolvemos aguardar a chegada da Janine, que estava programada para chegar às 8 da manhã. Para esperar por ela resolvemos fazer a trilha até a boca na pedra que batiza o parque. Tivemos a companhia do casal Rafael e Rose, ele venezuelano e ela potiguar, ambos morando em João Pessoa. Trilha tranquila até o rasgo na pedra, para ter uma vista privilegiada do parque. Lá de cima vimos carros se aproximado e resolvemos descer.

Trilha até a boca

Quando chegamos lá embaixo, nem sinal da Janine. Esperamos um pouco mais e ela aparece, já equipada. Tinha chegado e ido escalar sem nós, acompanhada da Lais e Kalyne. Aproveitamos para comer algo e pegamos os equipos. Fomos para a parede na sombra na Pedra da Boca, e lá entramos na Lamprinha, um quinto grau, e na primeira enfiada da Pangaré, um quinto grau. A Tati entrou primeiro na Lamprinha de top rope, e depois decidiu guiar. Eu fiquei um tanto apreensivo, porque ela não estava acostumada com os cristais da Boca, e as proteções eram um pouco longe umas das outras, ou seja, não era o cenário ideal para uma primeira guiada dela no pico. Mas eu resolvi não tolher a decisão dela, já que ela se sentiu bem para guiar. Ela foi, e escalando com calma, encadenou a via, e trocou a minha apreensão dando a seg, por orgulho.

Tati na Lamprinha (aí ainda de top)

Fechados os trabalhos do dia, fomos tomar uma cervejas e nos preparar para a virada, e o prometido churrasco de Ano Novo do Seu Tico.  Mais gente apareceu para a festa, e foi bem legal até umas 10 da noite, quando todos começaram a ir embora, e o Seu Tico apagou as luzes. Uma galera resolveu esperar a virada no cume da Pedra da Caveira, e nós resolvemos ficar no restaurante esperando meia noite. Para passar o tempo, Uno! Jogamos várias partidas, até a hora da virada, que interrompeu a partida de Uno mais longa de 2014, justo quanto ninguém aguentava mais! 2015 tinha chegado, agora era hora de dormir pra escalar de manhã.

Acordamos cedo, mas esperamos o café sair para irmos escalar. Alimentados, fomos para o setor onde o Wolgrand estava abrindo uma nova via com o Brito. Por lá escalamos uma via nova. Essa a Tati não quis guiar, já que quando a Lais entrou guiando, vários cristais quebraram, e ela ficou insegura. Escolheu bem não arriscar, na minha opinião. De lá fomos para a Pedra do Carneiro, na sombra, onde todo mundo bodou, e só eu acabei entrando na Amante, um 6sup bem constante e longo. Bombei na penúltima costura, e perdi a cadena à vista. Desci dali mesmo, e voltamos para o almoço.

Dando um pega na Amante (Foi mal, Tati. :P )

Nesse dia a Boca estava lotada de visitantes, e o restaurante estava lotado. Comemos, jogamos mais umas partidas de Uno, e tocamos para a Pedra da Caveira, para fazer o cume pela primeira enfiada da Casa do Fantasma e a segunda enfiada da Sulu Zigmo. Se juntaram a nós o Romerito do Rio Grande do Norte, que formou dupla com a Janine, e o Hugo, de Pernambuco, que fechou a acordada com a Lais. Escalada tranquila, só complicada pela corda meio presa num bico de pedra, que me garantiu um belo arrasto, e momentos um pouco tensos no final. Mas deu tudo certo e finalizamos a tempo de ver o pôr-do-sol.

Eu e a Tati na última parada da Sulu Zigmo

Todo mundo no cume (menos o Romerito)

Na sexta arrumamos os carros, e nos preparamos para pegar a estrada rumo a Algodão de Jandaíra, pico que conheci em 2013 durante o EENe. O planejado era irmos apenas nós, a Janine e a Lais, mas no final ganhamos a companhia de Wolgrand, Brito e Hugo. Ia ser mais legal que o esperado! Pegamos a estrada, e à medida que nos aproximávamos percebemos que a sexta tinha cara de ser de descanso forçado. Não deu outra. Chegamos em Algodão debaixo de chuva.

E tome chuva em Algodão...

Pra piorar, a escolinha que serviria de abrigo estava fechada, e não tinhamos como pegar a chave. Mas acabamos conseguindo ficar na casa da Dona Marlene, bem em frente à Pedra da Serrinha. Foi o jeito arranjar o que fazer pra passar o tempo, e a escolha foi o baralho. A noite chegou fria, e fomos dormir cedo para escalar ainda com o sol não tão quente da manhã.

Começamos o dia pela Pedra do Caboclo. Escolhi uma velha conhecida, a Mar de Agarras, para fazer com a Tati. A Lais e o Hugo pegaram a João Grandão, enquanto a Janine, Wolgrand e Brito ficaram malhando uns sétimos. Entrei guiando e passei sem dificuldades do crux que me deu trabalho no EENe. Na época o psicológico estava fraco, depois de uns meses praticamente sem escalar, lesionado.

Ainda na primeira enfiada, a escalada que parecia que ia ser tranquila, ganhou emoção, com a presença de uma grande águia chilena que tem ninho na pedra. Ela começou a sobrevoar a gente, e me deixou apreensivo. Continuei subindo, em silêncio, deixando para fazer os lances quando ela se afastava mais. Cheguei na primeira parada e puxei a Tati, que preferiu não guiar a segunda enfiada. Continuei pra cima e a águia voltou. Cheguei no cume e quando estava me preparando para recolher a corda, o susto. A águia deu um rasante e tirou fino de mim. Deu pra sentir o vento dela passando perto. Me abaixei e aguardei. Ela deu meia volta, mirou em mim, e mergulhou de novo. Dessa vez passou mais longe, mas ela se preparou e veio de novo. Mais um rasante, parecido com o segundo. Mais uma volta, mas dessa vez o rasante foi na Tati. Ela ainda deu um outro rasante na Lais e no Hugo, e depois foi se empoleirar no topo da pedra. Fiquei olhando de longe e aproveitei pra recolher a corda e puxar a Tati. Montamos o rapel rapidinho e descemos. Não queria aguardar pra levar mais um rasante da bendita.

Depois de terminar a via, com o sol já bastante quente, o Hugo convidou para irmos conferir a “caverninha”, onde antes era um cemitério indígena. A subida era fácil e acabei fazendo de botas mesmo, mas acabei levando a corda para puxar a Tati e a Lais pra cima. A Lais acabou desistindo, e só a Tati e o Hugo subiram. Lá em cima, alguns poucos restos de ossos humanos (consegui identificar uma falange), e horríveis pinturas feitas por mal educados. Passamos pouco tempo e descemos, para encontrar mais gente na pedra. Tinham chegado o Fabrício e o Stenio, amigos do climb de outras viagens, e uma galera do Rio que está morando em João Pessoa. Cumprimentamos todo mundo e voltamos pra casa, comer algo, e esperar a sombra entrar na Pedra da Cabeça.

Por volta de duas da tarde chegamos na Pedra da Cabeça, o melhor setor de Algodão na minha opinião. Cheguei e “esquentei” entrando na Pipoqueira, um sexto atlético, como disseram. Entrei à vista e equipando, e nossa, como bombei. Cheguei na parada sem braços e quase perco a cadena. Depois disso fui descansar os braços e fui com a Tati no climatizado, onde o Hugo e a Lais já estavam. Fiquei por lá com eles até os braços voltarem ao normal.

Era hora de dar um pega na Cão e Gato, um lindo 7b de resista, com quase 30 metros de extensão. Entrei já fazendo força, e na altura do crux, entre a 5 e a 6 chapa, os braços já estavam meio bombados. Li a sequência correta e quase passo o crux à vista. Mas faltou um pouquinho de braço e eu acabei vacando. Voltei pra via, e passei o crux na segunda tentativa, mas o resto da via me cansou de novo, e fui continuando de chapa em chapa, equipando o restante. Desci completamente bombado e fui descansar de novo. Voltei no climatizado bem a tempo de ver a Tati tomar sua primeira vaca, guiando a Mata o Véi, um 5sup. Logo depois ela voltou pro lance e conseguiu fechar a via com uma queda. Orgulho de novo!

Para fechar o dia, resolvemos escalar uma via fácil na Serrinha, atrás da casa onde estávamos. Duas cordadas: uma de três com Brito, Janine e Lais, e outra comigo e a Tati. Na minha vez, escalei rápido para terminar antes da luz ir embora, e puxei logo a Tati. Pegamos o sol indo embora, e descemos no escuro, nos despedindo muito bem de Algodão, já que o domingo ia ser de estrada.

Se despedindo de Algodão de Jandaíra

Saímos cedo de Algodão, nos despedimos dos velhos e dos novos amigos, e pegamos a estrada. Café da manhã em Barra de Santa Rosa, almoço em Canoa Quebrada, e por volta das 18h da tarde estávamos em Fortaleza. Fim de mais uma trip, a primeira grande com a Tati, e foi tudo ótimo. Espero repetir mais vezes em outros picos!

 

 

Postado por admin em : Relato

Felipe Camargo e Bianca Castro vencem o Brasileiro de Dificuldade 2014

2
Dec

No último sábado, dia 29, aconteceu em São Paulo, no ginásio Casa de Pedra, o Campeonato Brasileiro de Dificuldade 2014, organizado pela ABEE. Essa foi a segunda competição oficial organizada pela entidade, que já tinha organizado o Campeonato Brasileiro de Boulder, em outubro no ginásio UBT Escalada em Brasília.

A competição foi bem disputada e teve boa participação dos atletas, com cerca de 70 atletas competindo nas diversas modalidades. A grande atração do evento foi a participação do escalador austriaco convidado David Lama. David, como se esperava, acabou ficando com o primeiro lugar da competição, mas obviamente, por não ter nacionalidade brasileira, não ficou com o título. Destaque também nessa edição do Brasileiro foi a participação de 5 atletas de Paraescalada, mostrando que há espaço para esses atletas no cenário nacional.

No masculino Pro o título ficou com o paulista Felipe Camargo, que mesmo com uma lesão no pulso, conseguiu o segundo lugar geral, e o título brasileiro. Mas por pouco Felipe não perde o título para o seu xará, Felipinho Ho, que havia se classificado na frente de Felipe para a final. Felipinho precisava repetir o Top de Felipe na via final, mas acabou escalando de forma mais lenta, e estourou o tempo regulamentar à 3 agarras do top. Realmente uma pena, mas ainda assim um grande resultado para o jovem de 15 anos de idade, que acabou ficando com o título Juvenil. Com certeza vamos ver grandes resultados dele nos próximos anos. Em terceiro ficou o também paulista André Maeoka.

Finalistas do Pro Masculino

Finalistas do Pro Masculino

No Amador Masculino, quem levou  o título foi o paulista Júlio Teixeira, com Victor Hiago em segundo e Francisco José Brasil Silva em terceiro.

No feminino Pro quem acabou ficando com título brasileiro foi a carioca  Bianca Castro, coroando também na resina a evolução constante que ela vem demonstrando na rocha. Em segundo ficou a várias vezes campeã brasileira Janine Cardoso, que volta à competir depois de uma fratura no pulso, no começo do ano. Em terceiro lugar ficou a mineira Patrícia Antunes.

No Amador Feminino, quem levou foi a mineira Monica Fuller, com a paulista Letícia Monaka em segundo e a também mineira, Raiane Melo em terceiro.

O Campeonato Brasileiro de Dificuldade fecha com chave de ouro um ano bastante importante para a escalada de competição nacional. O surgimento da ABEE jogou sangue novo no cenário e teve um grande apoio por parte dos atletas, que foram somente elogios para as duas competições oficiais. Obviamente que ainda há espaço para melhorar, mas para um primeiro ano de atividades, com certeza foi um grande trabalho, e 2015 promete muito mais. O Desce daí, doido! deixa os parabéns para a ABEE, e o nobre blogueiro fica feliz de ter podido ajudar com esse momento!

Campeonato Brasileiro de Dificuldade 2014

Pro Masculino

1. David Lama (AUS) *

1. Felipe Camargo (SP)

2. Felipe Ho (SP)

3. André Maeoka (SP)

4. Fred Botton (SP)

5. Alexandre Rajogopalan (SP)

Pro Feminino

1. Bianca Castro (RJ)

2. Janine Cardoso (SP)

3. Patrícia Antunes (MG)

4.  Ana Luisa Makino (SP)

5. Anna Shaw (SP)

Amador Masculino

1. Julio Teixeira (SP)

2. Victor Hiago (SP)

3. Francisco José Brasil Silva (SP)

4. Gabriel Mariutti (SP)

5. Matthew Kligerman (SP)

Amador Feminino

1. Mônica Muller (MG)

2. Letícia Monaka (SP)

3. Raiane Melo (MG)

4. Marina Lee (SP)

5. Camila Caggiano (SP)

Juvenil Masculino

1. Felipe Ho (SP)

2. Matheus Buschle (PR)

3. Vitor Miyazaki (SP)

4. Davi Peres (MG)

5. Alexandre Tanhoffer (PR)

Junior Feminino

1. Hellen Cristina da Silva (PR)

2. Gabriela Vescovi (SP)

Sênior Masculino

1. Luiz Afonso Coelho Brinco (SP)

2. Goro Shiraiwa  (SP)

3. Andre Maeda (SP)

4. Sérgio Brito Lima (DF)

5 .Luiz Alexandre Sanda (SP)

Sênior Feminino

1. Mieko Makino (SP)

O resultado completo da competição você pode conferir na fanpage da ABEE.

Postado por admin em : competições, Escalada Esportiva, Uncategorized

Nova série com Felipe Camargo

28
Nov

E finalmente saiu o primeiro episódio da nova série do Epic TV com Felipe Camargo, the Thrill of Brazil! Nesse primeiro episódio Felipe tem a companhia de Paul Robinson, em sua primeira trip para o Brazil. Os dois escalam em São Bento do Sapucaí e Ubatuba. 

A série ainda vai ter a participação de Patxi Usobiaga, e vai ter um episódio com o registo da cadena do primeiro V15 brasileiro, Fortaleza, em Ubatuba!

Confira abaixo o primeiro episódio!

Postado por admin em : Boulder, Videos

Tommy Caldwell encadena a última das cordadas mais difíceis da Dawn Wall

19
Nov

Depois de 6 anos de tentativas, finalmente parece que o mega projeto de Tommy Caldwell em Yosemite, a Dawn Wall, está perto de sair. Ontem Tommy conseguiu encadenar em livre a última das cordadas mais difíceis da via, uma dss sete cordadas na casa 11º da parede. Isso significa que toda as cordadas da via já foram encadenadas, falta agora fazer a ascensão da via inteira desde o chão.

Tommy Caldwell na Dawn Wall (Foto: Jeff Johnson)

Tommy compartilhou ontem em sua conta no facebook a foto e o seguinte texto: “Oh meu Deus!! Depois de seis anos eu finalmente mandei essa monstruosa cordada. Inspirado pela luta de Kevin, que quase conseguiu. Isso oficialmente significa que todas as cordadas individuais difíceis foram encadenadas. Estou tão empolgado que as minhas mãos estão tremendo!

O Dawl Wall é o projeto mais antigo de Tommy, e já vai com 6 temporadas de tentativas, com parceiros diferentes. Kevin Jorgenson tem sido seu parceiro mais comum, mas já tentaram a via com ele Chris Sharma e Jonathan Siegrist. No total a via tem 30 cordadas, com sete delas ficando na casa do 9/10º grau e mais sete na casa do 11º, sendo três 11º seguidos.

Com o inverno chegando, Tommy agora tem pouco tempo para tentar uma ascensão desde o chão ainda nessa temporada. Mas sabendo que o objetivo está tão próximo, com certeza ele deve tentar até o último dia de tempo bom em Yosemite. Nós estamos na torcida!

Postado por admin em : notícias