Vídeo da Semana XXI

27
jan

Passamos da marca de 20 sextas-feiras do vídeo da semana! É muito vídeo já! Por falar em vídeo, vocês devem ter notado que a página que levava pra galeria de vídeos deu uma sumida. O plugin da galeria deu um problema e estou tentando corrigir pra voltar com TODOS os vídeos que eu postei, tanto do Youtube quanto do Vimeo, e não é fácil fazer uma galeria que una os dois como era a antiga. Mas prometo que vai voltar em breve!

Então vamos ao que interessa, o vídeo mais curtido da semana pelos ilustres leitores do blog! Deu um empate entre 4 (ótimos) vídeos. Mas como só pode haver um “highlander”, eu escolhi o que foi o melhor pra mim, e esse foi o ótimo vídeo da escaladora Mayan Smith-Gobat escalando em livre a imponente parede da Salathe Wall em Yosemite! A mulher escala demais, dá gosto de ver! Agora qual de vocês ai encaravam o descanso que ela usou, naquela altura toda? Confiram o vídeo!

Postado por Neudson em : Sem categoria

Filmes de escalada gratuitos para download

26
jan

Não, isso não é um post com links pra vocês baixarem filmes piratas. É política da casa não postar nada relacionando à pirataria. Não, não sou um defensor dos direitos autorais, também baixo coisas da internet como todo mundo. Mas no blog (em tempos de SOPA, PIPA, ACTA, etc) eu prefiro não colocar, pra evitar problemas futuros. Até as resenhas que escrevo são somente dos filmes que eu compro. Nunca escrevo resenha de filmes que peguei “ilegalmente” da internet.

Mas nem só de cópias ilegais vive o mundo dos filmes de escalada, tem muita coisa de graça e muito boa qualidade disponível pra baixar hoje na internet. Algumas eu já até divulguei antes aqui no blog. Mas dessa vez eu resolvi facilitar mais a vida de vocês e fazer uma compilação do que está disponível na internet gratuitamente. Vamos à lista?

Um dos primeiros lugares que você pode ir pra baixar vídeos gratuitos de escalada é o site iClimb. Lá você vai encontrar algumas produções profissionais, com escaladores de elite, completamente de graça!  A lista de vídeo gratuitos do iClimb já conta com 12 produções, dentre as quais eu destaco o curta Pra Caramba do Cedar Wright, a compilação The Beta de Andrew Kornylak e o No Numbers, com Maya Vidmar. Para baixar os vídeos do iClimb você ainda precisa se cadastrar, fornecer um número de cartão de crédito internacional e proceder como se fosse comprar. Mas não se preocupe, nada será cobrado na sua fatura. E se você quiser mais tarde comprar algo realmente do site, você já tem o cadastro feito!

Uma outra ótima fonte de filmes gratuitos, esses somente para os amantes do boulder, é a produtora americana Louder Than Eleven, de Jon Glassberg. Lá você vai encontra quatro longas produzidos por eles: Lincoln Lake Giants, The Swiss Account, Threat Level Colombia e Park Life. Desses eu recomendo fortemente o Threat Level Colombia, que até fiquei de escrever uma resenha aqui pro blog, mas acabei deixando engavetada. O filme foge do convencional da LT11, e entrega um pouco mais de contexto, mostrando um outro lado da Colômbia, além dos estereótipos “americanizados”. Muito bom!

Um outro filme que pode ser baixado gratuitamente é a produção inglesa L’Etranger, que documenta uma trip de 85 dias em Fontainebleau. O filme, creio eu, foi a primeira iniciativa de produção liberada gratuitamente na internet. Não está no mesmo nível das que eu citei em cima, mas ainda assim vale a pena se você gosta bastante de boulder e quer conhecer várias das linhas de Font!

Mas a cereja do bolo eu deixei realmente pro final. Pra mim é quase inacreditável que um filme tão bom esteja disponível gratuitamente na internet. Eu estou falando do ótimo filme mexicano Respira, sobre o qual eu já escrevi aqui no blog! O filme mostra a crescente cena da escalada mexicana, apresentando seus picos e mostrando seus melhores escaladores em ação. O filme ainda tem o bônus de contar com a participação do louco impressionante Alex Honnold. Realmente um que não deve faltar na sua coleção!

Postado por Neudson em : Dicas, filmes

Ascensão em livre de David Lama e mais polêmica na Patagônia

25
jan

Eu tenho lido e acompanhado as notícias que tem vindo diretamente da Patagônia e toda a polêmica que mais uma vez se construiu em torno da via do Compressor, na face sudeste do Cerro Torre. Todos sabem que David Lama já estava há 3 anos tentando a primeira ascensão em livre da via, e que no começo do ano passado estourou a polêmica por ele ter deixado 60 novas chapas na parede, que teriam sido usadas pela equipe de filmagem. Esse ano ele já havia dito que retornaria para tentar mais uma vez liberar a via do Compressor e muitos ficaram receosos de nova polêmica.

Mas antes de Lama conseguir a ascensão da via, uma dupla de escaladores dos Estados Unidos e do Canadá, Jason Kruk e Hayden Kennedy, anunciaram que haviam escalado a bendita via por “meios justos”, seja lá o que isso signifique. Ao que parece eles apenas não usaram a verdadeira escada de grampos deixada por Cesari Maestri nos anos 70, sem terem seguido a linha original da via, e não escalaram a via em livre (como eu havia pensado aqui).

David Lama no Cerro Torre

Isso quem realmente conseguiu foi David Lama, que fez sim, a primeira ascensão em livre da via do Compressor, seguindo a linha original e atravessando o famoso “headwall” sem usar nenhum meio artificial para progredir. Um feito que vai entrar pra história da escalada mundial. Com isso Lama deu uma limpada na sua ficha, que tinha ficado meio suja na temporada passada. Mas ele também foi muito ajudado por Kruk e Kennedy, que decidiram roubar a polêmica pra eles quando resolveram retirar mais de 100 grampos do “headwall” durante a descida. Os caras quase foram linchados em El Chaten e foram levados para delegacia para prestar esclarecimentos.

Os grampos arrancados da parede do Cerro Torre

A opinião da comunidade com relação ao fato está bem dividida. Alguns acham correta a retirada dos grampos, por acharem que eles permanecerem por lá é rebaixar a montanha ao nível do escalador. Já outros acham que deveria ficar, por fazer parte da história da via e da escalada no local. O fato é que Jason Kruk já está acostumado a fazer cagadas por ai, como relembrou bem o site americano Climbing Narc. Nesse caso, uma cagada literal! Será que ele tava querendo que esquecessem desse vídeo?

Postado por Neudson em : Sem categoria

Diário de treino VIII

23
jan

Mais uma semana começando e um novo ciclo de treinos também vai começar com ela. Dessa vez focado na resistência anaeróbica, ou como gostam de dizer alguns, “power endurance”. Mas antes de falar dessa fase de treinos (que eu ainda nem formatei direito) vou falar de como foi o final do último ciclo.

Semana passada fiz meu último treino de força de pegada. Foram 3 semanas destruindo os dedos, 3 vezes na semana (às vezes apenas duas), e tenho que dizer, acho que valeu a pena. Sinto meus dedos mais fortes, fechando em regletes que antes eu jurava que não conseguia. Mas também sinto meus dedos doendo (mas não lesionados). É ai que eu vi realmente a importância de se trabalhar em ciclos. Se eu treinasse mais uma semana força de dedos, acho que fatalmente me lesionaria. Acho que os estressei no limite, e agora é a hora de dar a eles o devido descanso.

Resumindo mais uma vez o meu treino (e dessa vez com a ajuda de um vídeo pra ilustrar) esse meu segundo ciclo era composto de 3 momentos: aquecimento com travessia, boulder, e campus board. A travessia era toda feita no vertical, com algumas passagens em negativo leve, durante 6 minutos. Pra mim era o ideal, levando em consideração a dificuldade da parede e meu nível atual. Depois eu ia para uma sessão de boulder de pouco mais de uma hora, com pouco descanso entre os boulders. Entrava em praticamente tudo. De V1 a projetos na casa do V5, procurando variar bem as pegas. Depois de um descanso de 20 minutos, eu ia fechar o treino com o campus.

O treino de campus era bem experimental mesmo. Nunca tinha treinado em campus antes, e procurei começar bem leve, pra não correr o risco de me lesionar. Na verdade era uma adaptação, e ficou um meio termo entre o campus e o treino de HIT (sem o HIT wall) do Eric Hörst. Eu usava agarras de pés pequenas para tirar um pouco do peso. As séries foram baseadas no treino de finger da Metolious, com intervalos de 1 minuto. Fazia uma volta no campus marcando um minuto. A volta sempre levava menos tempo que isso, assim o tempo que sobrava depois da volta, era de descanso. No segundo minuto voltava e fazia mais uma volta, assim sucessivamente. Eu fazia no total 12 voltas,  variando entre 3 dedos, pega aberta e reglete, e também variando o tipo de volta. Vocês podem conferir melhor no vídeo abaixo.

Agora voltando pra o próximo ciclo, que na verdade é último antes da semana de descanso que fecha todo o treino. Agora, pra desenvolver a tal da resistência anaeróbica, vou tentar fazer travessia no negativo de 45º, usando pegas boas, pra não estressar mais os dedos. Vou, como nos outros ciclos, tentar chegar no tempo ideal de cada série e  nos intervalos de descanso. Acho que vou ter que também construir uma via para isso, já que o nosso negativo não tem tanta variedade pra ficar escolhendo agarras na hora. Acho que vou complementar esse treino, fazendo algo de potência também, tentando fazer algum treino com montê, também no negativo de 45º. Vou ver se faço outro vídeo desse treino.

Só pra lembrar: isso não é, de forma alguma, uma aula de como treinar. São apenas minhas tentativas de  construir uma rotina de treinos para mim. Vale a pena lembrar que treino é bastante específico, e leva em conta o seu nível de escalada e a estrutura disponível pro treino. Se alguém ai que saiba mais do que eu sobre treinamento (devem ter vários), e notar que eu falei alguma besteira, ou estou fazendo algo errado, por favor me corrijam!

Por enquanto é só galera. Espero que gostem do vídeo e estejam curtindo esse diário.

Postado por Neudson em : Dicas, Treinamento

Semana Gringa – 14/01/12 a 20/01/12

20
jan

Essa semana a cena da escala esportiva deu um tempo, e os destaques maiores ficaram por conta das escaladas alpinas, com as primeiras ascensões em livre da controversa via do Compressor no Cerro Torre e da via Voie Lesueur no Petit Dru. Mas também tivemos um destaque boulderístico, com a cadena de um novo highball em Bishop! Confira os destaques dessa semana na gringa!

Alex Honnold abre novo super highball em Bishop

O escalador com maior desejo de morte do mundo, Alex Honnold, abriu essa semana, no internacionalmente conhecido pico de boulder de Bishop na Califórnia, um novo highball. Highball, seja o grau que for, já é de meter medo em qualquer um, então você pode imaginar o tipo de highball que Honnold abriu por lá. O negócio é imenso, 14 metros no total, com o crux de V9 a 7 metros do chão, e depois daí, lances delicados em regletes minúsculos e microagarras de pés. Honnold batizou a brincadeira de Too Big to Flail, que segundo o escalador e guia de Bishop Wills Young, “é a proposta mais séria de Buttermilks”. Foram necessários 34 crash pads pra fazer a segurança de Honnold. Se ia fazer efeito se ele caísse, ai já é outra história. Leia mais aqui, em inglês.

Alex Honnold no highball Too Big to Flail (Foto de Wills Young)

Via do Compressor no Cerro Torre escalada em grande estilo

A controversa via do Compressor, no Cerro Torre, foi escalada em livre pela primeira vez essa semana. E pra alegria de todos, não foi David Lama o autor da façanha. Quem despachou a via e deixou o austríaco sem projeto para esse começo de ano, foi a dupla de escaladores Hayden Kennedy e Jason Kruk, que fizeram a ascensão da via do compressor no melhor estilo possível: completamente em móvel, sem usar nenhuma das mais de 450 proteções fixas colocadas por Maestri nos anos 70! Segundo as notícias, a dupla completou a escalada em 13 horas, escalando somente em livre e abrindo variantes para fugir da “escada de chapas” de Maestri! E o David Lama querendo colocar mais chapas. Leia mais aqui, em inglês.

Ueli Steck libera via no Petit Dru

E a máquina suiça ataca de novo! Dessa vez não foi uma escalada de velocidade, mas uma escalada em livre altamente técnica. Acompanhado do fotógrafo/escalador Jon Griffith, Steck fez a primeira ascensão em livre da via Voie Lesueur, no Petit Dru, no maciço do Mont Blanc. A via, aberta pelos escaladores franceses Pierre e Henri Lesueur em 1952, segue uma linha reta da face norte do Petit Dru, uma das mais técnicas e difíceis paredes do Mont Blanc. Vale lembrar que além de Steck e Griffith terem escalado a via em livre, eles fizeram isso no inverno! Leia mais aqui, em inglês.

Postado por Neudson em : Boulder, Semana Gringa, escalada alpina

Vídeo da Semana XX

20
jan

Nessa sexta o vídeo da semana, escolhido pela galera no Facebook, ficou para a demonstração da nova tecnologia desenvolvida pela Beal para cordas de escalada. O processo batizado de UniCore, junta a alma com a capa da corda, aumentando em muito a segurança do equipamento em caso de corte na capa. A diferença entre uma corda comum e uma corda Beal com a nova tecnologia UniCore, você confere mais uma vez no vídeo! Já quero uma!

Postado por Neudson em : Video da Semana

Humano, apesar de tudo: as vias que Adam Ondra não conseguiu encadenar

18
jan

O site Planet Mountain teve uma ideia interessante. Em vez de perguntar a Adam Ondra sobre as vias que ele encadenou, porque não perguntar sobre aquelas que ele não encadenou?! A pedido do site, Adam fez a relação de algumas vias que ele não conseguiu superar, entre elas Three Degrees of Separation, Hubble e Underground. No texto, vemos Adam falar de coisas que pareciam impensáveis devido a aura de ser sobrenatural que se criou ao redor dele. Você imaginaria Adam Ondra dizendo que ficou feliz só de conseguir chegar no final da via pra desequipar?! Pois é… aconteceu! Confira abaixo a tradução livre que eu fiz da matéria da Planet Mountain, que você pode conferir aqui, em inglês.

Humano apesar de tudo. Acostumados a escutar sobre as fantásticas histórias de sucesso de Adam Ondra em algumas das mais difíceis vias esportivas e boulders do mundo, pode-se pensar que tudo sai fácil para um dos maiores talentos da escalada mundial. Obviamente, que esse não é o caso. Suas cadenas foram resultados da combinação de talento puro com esforços inacreditáveis, que nem sempre acabam em sucesso. Então, aproveitando o descanso do jovem Tcheco de 18 anos, nós resolvemos olhar as cadenas de Ondra por um outro ângulo, sob a perspectiva das vias que ele não conseguiu encadenar. Uma análise dos seus fracassos, explicados pelo próprio Adam Ondra. As vias, listadas em ordem alfabética, vão do 12a (9a+ fr; 5.15a us) até o 10b (8b fr; 5.13d us) (todas liberadas por outros escaladores, uma delas, 20 anos atrás) e todas resistiram ao monstro Ondra. É, ele é humano, apesar de tudo.

Directa Open Your Mind 11c/12a (9a/a+ fr; 5.14d/15a us) –  Primeira ascensão de Ramon Julian em 2008, Santa Linya, Espanha.

Uma saída bouderística que fica na casa do 11b que leva até a via Open Your Mind, um 11c muito forte com bons descansos que eu encadenei de segunda tentativa em 2008. Um ano mais tarde, depois de dois ou três dias eu consegui passar pela primeira seção de boulder pela primeira vez, mas caí depois na Open Your Mind. No dia seguinte eu caí ainda mais alto, no último trecho que não é mais do que um 10b/c, que ainda tem um bom descanso antes. Foi estressante cair de trechos que pareciam tão fáceis no ano passado. E eu ainda caí ali de novo, e depois de cinco dias tentando eu fui para outro lugar para descansar minha mente da via. No final da viagem eu voltei para a cave pensando que eu ia mandar, mas passei longe.

Adam Ondra na Directa Open Your Mind 11c/12a (Foto de Vojtech Vrzba)

Hubble 11b (8c+ fr; 5.14c us) – Primeira ascensão de Ben Moon em 1990, Raven Tor, Reino Unido.

O primeiro 11b do mundo, que poderia facilmente ser um 11c na minha opinião. Não é uma linha das mais bonitas, parece mais um boulder com uma corda e um final fácil, mas tem que se admitir a dificuldade revolucionária da via para o seu tempo, e eu acredito que não é em hipótese alguma mais fácil do que a Action Directe, o primeiro 11c, encadenado um ano depois. Eu tentei essa via apenas por 2 dias, uma vez em 2010, depois da Copa do Mundo em Sheffield, e não estando muito descansado, eu não consegui fazer um movimento: juntar as mãos numa agarra invertida onde o escalador escocês Malcolm Smith conseguia até colocar magnésio enquanto era filmado pela câmera de Heinz Zak. Um ano depois, na manhã do meu último dia numa trip na Inglaterra, eu tentei mais forte e consegui sentir uma diferença significativa graças a algum tempo gasto no campus board, mas apesar de ter chegado perto, eu fracassei. Esse britânicos são fortes!

Ondra na Hubble 11b, em Raven Tor (Foto de Vojtech Vrzba)

Jungle Speed 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Daniel Jung em 2010, Siurana, Espanha.

Uma via bouderística, logo ao lado de La Capella, um 12b eu encadenei na primavera de 2011. Eu comecei tentando essa via, paralela a La Capella, no inverno de 2010, durante a minha missão para repetir a Golpe de Estado 12b, quando estava muito frio para escalar uma via longa como a Golpe. Uma via bouderística era o que eu precisava para evitar os dedos dormentes e ser levado pelo vento forte. Eu sempre tentava La Capella primeiro, e depois ia para Jungle Speed, mas isso acabou não sendo uma boa estrategia. O último dia da minha trip de 2010, foi o único dia que eu entrei nela descansado, e cai no final, ou melhor, escorreguei, devido as dedos dormentes e secos. Em 2011 o mesmo aconteceu de novo, tentando muito cansado, as costuras lá fazia 10 dias, negligenciada a maior parte do tempo. Depois da minha cadena de La Cappella no último dia da trip, eu estava empolgado e pensei que finalmente eu conseguiria mandar a via, mas estava muito otimista. Eu estava tão detonado que fiquei feliz de só conseguir chegar no final e poder limpar a via…

Orca 11b (8c+ fr; 5.14c us) – Primeira ascensão de Alex Huber em 2001, Schleierwasserfall, Austria.

Essa via fica na parte superior de Schleierwasserfall, no setor Aquário. Ela divide o começo com um antigo projeto, que depois eu encadenei e chamei de Fugu (11c), mas a Orca sai pra esquerda antes do crux da Fugu. Até esse ponto não é mais do que 9c, mas a curta sequencia boulderística depois que você sai da Fugo, deve ser em torno de V12. Dois movimentos nojentos. Num espaço de dois metros não existe nada além de um buraco abaulado e um reglete milimétrico que serve de intermediária. Até  hoje, ninguém além de Alex Huber conseguiu isolar todos os movimentos.

Qui 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Stefan Fürst em 1996, Geisterschmiedwand, Austria.

A via mais difícil dessa parede fantástica, mas que não é muito boa pra se tentar vias difíceis por ser muito úmida apesar de ficar no sol a partir das 9 da manhã, o que significa que a única hora de tentar a via é de manhã cedo. Stefan trabalhou duro nessa via: Qui passa pelo crux da Wagnis Orange, talvez o segundo 11a do mundo (apesar de ter sido graduado em 10c inicialmente) escalada pela primeira vez por Gerhard Hörhager em 1988. Depois dos primeiros 10 metros da Wagnis, sendo pelo menos 10c, você continua reto em vez de ir pra direita. Esses 10 metros de deixam bombado, tudo que existe são regletes ruins e abaulados e os descansos são ruins. Quando você sai da Wagnis você faz um descanso ruim e dá uma olhada no boulder nojento acima de você: regletes de lado minúsculos. Eu passei cinco dias nessa via e estava em muito boa forma, pois estava encadenando todos dos 11c muito rápido, mas fracassei, quebrando uma agarra de pé crucial, no último dia. Algo deve ter quebrado logo depois da ascensão de Stefan, mas depois da agarra que eu quebrei, a via com certeza não vai dar menos de 12a. Em todo caso, ainda está sem repetição.

Three Degress of Separation 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Chris Sharma em 2007, Ceuse, França

Uma via fantástica, com alguns dos movimentos mais malucos que eu já vi. Três grandes botes em agarrões perfeitos é algo que é muito raro na rocha, especialmente no meio de uma via.  Eu tentei a via por 4 dias em 2010, mas nunca consegui fazer o bote do crux, nem isolando, apesar de ter passado perto. Você tem que conseguir fazer esse bote facilmente isolando, porque os 20 metros de 11c abaixo realmente te deixam bombado. Bem, botes não são minha especialidade, eu não tenho a explosão para ir bem neles, mas pelo menos eu tenho a vantagem de ser alto. Em todo caso, o fato é que a via permanece sem repetição, apesar de muitas tentativas, o que pode indicar que ela merece um upgrade…

Adam Ondra na Three Degrees of Separation 11c (Foto de Bernardo Gimene)

Underground 11c (9a fr; 5.14d us) – Primeira ascensão de Manfred Stuffer, Massone, Itália

A ideia de tentar essa via à vista ou em flash, ganhou forma quando eu tinha nove ano. Um jornalista de uma revista de escalada tcheca perguntou se eu gostaria de tentar a Underground num futuro próximo, já que ela havia acabado de ser repetida por Tomaz Mzarek, naquela época, definitivamente o meu ídolo. E a minha resposta foi tão simples como a minha alma de criança: “Vou deixar pra fazer à vista!”. Alguns anos mais tarde eu desisti de acreditar que escalar a via à vista pudesse ser possível, e assisti o vídeo de Tomaz escalando. A ideia de escalar  a via na primeira tentativa já não parecia tão impossível: eu havia visto o vídeo, então porque não tentar mandar em flash? Em escaladas à vista e em flash é especialmente difícil lidar com a pressão, é muito difícil deixar as dúvidas de lado, mas na primavera de 2011 eu me senti forte o suficiente, tanto física quanto mentalmente. Eu estava confiante que eu estava numa boa forma já que havia retornado da minha bem sucedida viagem pela Andaluzia, e como eu esperava, eu quase consegui controlar minhas emoções e quase mandei em flash. Eu fiz o trecho do meio, lutando, sendo preciso  como uma máquina, mas hesitei no trecho superior, eu me preocupei com a posição correta do corpo por um momento, perdi força e caí alguns movimentos acima, chegando próximo de alcançar meu sonho de infância…eu caí até próximo do chão, desci e nunca tentei de novo.

Vibrot 10b (8b fr; 5.13d us) – Seynes, França

Na primavera de 2010, no meu caminho para a Espanha e depois de um tempo doente, eu queria aquecer nesse pequeno pico próximo do sul da França. Eu escalei à vista alguns 10a e 10b, e no final do dia eu escolhi um 10b numa parede levemente negativa no lado esquerdo da parede. Uma tentativa à vista estava fora de questão e eu ainda tive um bom trabalho pra isolar os lances. A via tem regletes horríveis, com pés muito ruins e foi muito difícil de e achar algumas agarras na parede. Logo, minha segunda tentativa também passou longe de ser bem sucedida.

Claro que existem algumas outras vias, até em graus mais baixos, que eu não consegui encadenar, mas essas que eu citei são as que, por um motivo ou outro, me frustraram mais. E é claro, eu não consegui mandar também vários boulders, já que em boulder não é tão fácil escapar de alguns movimentos que não são o meu estilo, ou talvez a linha não me inspira o suficiente para continuar tentando. Mas um pode ser que eu volte!

Fonte: Planet Mountain

Postado por Neudson em : escaladores

Resenha de The Wizard’s Apprentice

17
jan

Ele já foi chamado de várias coisas: fenômeno, monstro, mutante, alienígena, messias, etc. Mas o que faz de Adam Ondra, com apenas 18 anos, um dos melhores e mais completos escaladores do mundo? É essa a resposta que o diretor Petr Pavlicek vai tentar encontrar no filme The Wizard’s Apprentice (Aprendiz de Feiticeiro) sobre o tcheco que chocou a comunidade escaladora com a cadena de um 11c aos 13 anos de idade, até hoje um recorde!

Adam Ondra, um dos melhores escaladores do mundo com apenas 18 anos!

Aparentemente o diretor não fazia idéia de quem era Adam Ondra até um encontro fortuito com ele, enquanto filmava algumas cenas para o seu próximo filme sobre escalada esportiva na República Tcheca. Mas ele ficou tão impressionado com o talento e a pessoa de Adam que acabou mudando o foco, e fazendo um filme somente sobre o jovem. Daí ele inicia uma jornada junto com Adam, acompanhando a carreira dele durante dois anos (2009 e 2010).

Para construir a personalidade de Adam para o espectador, Petr Pavlicek recorre à imagens de arquivo, e depoimentos dos pais de Adam. Vemos Adam ainda criança, escalando, competindo, ganhando. Ficamos sabendo o porque dos ensurdecedores gritos dele quando ele falha, e relembramos a ascensão meteórica dele até a elite da escalada mundial.

O filme também traz ótimos depoimentos de Alex Huber e Tomaz Mrazek, que frisam a importância de Adam para a comunidade de escalada mundial, tanto em confirmar graus, quanto em estabelecer novos patamares de dificuldade.

Patxi Usobiaga e Adam Ondra lado a lado na Copa do Mundo de 2009

As cenas de escalada são muito bem filmadas e no início focam mais no estilo preferido de escalada de Adam: à vista! Adam não gosta de tentar uma via muitas vezes, por isso prefere só entrar numa via quando se sente forte o suficiente para escalar à vista e dar tudo si na primeira vez. Acompanhamos Adam em Frankejura, se testando nas vias mais difíceis do lugar, como a Der Heilige Graal e The Essential, ambas vias do escalador alemão Marcus Bock. Acompanhamos também a participação de Adam na Copa do Mundo de Dificuldade de 2009, onde um pequeno deslize nas semifinais de uma das etapas, mostra que afinal de contas, Adam também é humano, comete erros e se frustra, como todos nós.

Adam no crux da Golpe de Estado 12b

Mas a cereja do bolo do filme fica realmente por conta das tentativas de Adam em duas vias extremas: Marina Superstar 12a (9a+ fr; 5.15a us) na Itália e Golpe de Estado 12b (9b fr; 5.15b us) na Espanha. Aqui vemos Adam dar tudo de si em várias tentativas, caindo e gritando muito, no melhor estilo Adam Ondra. Parte dessas cenas já foram disponibilizadas na internet, mas no filme se tem uma idéia maior do processo e da dificuldade das vias, principalmente a Golpe de Estado, que deu bastante trabalho para Adam.

O único porém do filme ficou por conta da demora do lançamento, que acabou criando um espaço de tempo muito grande entre as realizações de Adam no filme e o momento atual dele, o que obviamente deixou de fora feitos recentes de Adam. Mas isso não diminui em nada a qualidade do filme, que compensa cada centavo pago pelo download HD (16 Euros, mais ou menos R$ 37,00).

Ah…vocês perceberam que eu só chamei ele de Adam o texto inteiro né? Isso é porque o filme realmente consegue trazer Adam mais pra perto do espectador e faz a gente realmente querer conhecer aquele cara, que apesar de esquisitão, parece ser muito gente boa!

Postado por Neudson em : Resenhas, filmes

Semana Gringa – 07/01/2012 a 13/01/2012

14
jan

Essa é a segunda sexta-feira do ano, mas é a primeira semana gringa de 2012! Esse é sem dúvida o post mais difícil de atualizar, mas vou continuar tentando voltar toda sexta, sem furar mais! Mas pra essa sexta-feira 13 esse sábado, temos algumas notícias monstruosas da escalada gringa! O trio de ouro do boulder norte-americano andou destruindo tudo pela terra do tio Sam. Teve FA de Dave Graham, Daniel Woods e Paul Robinson! Na Espanha os destaques foram Iker Pou e Enzo Oddo, com cadenas de 11º grau! Mas o Desce daí, doido! não é só boulder e esportiva não! Rolou também feito marcante de alta montanha por Hans Kammerlander, sendo o primeiro a abocanhar os 7 segundos maiores picos do mundo!

Dave Graham abre novo V14 no Colorado

Na verdade a cadena não foi essa semana, mas  a notícia dela só foi veiculada agora, então entra na semana gringa! O escalador americano Dave Graham, que tem se dedicado ultimamente a desenvolver novas áreas de boulder nos EUA, abriu um novo V14 em Elkland, no Colorado, próximo ao Rock Mountain National Park. O novo boulder se chama Memory is Paralax, e Dave levou várias tentativas em várias idas ao local para encadenar o problema. Dave tem mais de 30 V14 encadenados, 14 deles sendo primeiras ascensões. Também faz parte do currículo dele 6 V15, sendo 5 desses primeiras ascensões e verdadeiros clássicos, como o boulder Big Paw e From Dirt Grows the Flowers, em Chironico na Suiça. Leia mais aqui, em inglês.

V14 FA para Daniel Woods

E o madeirinha parece que quer ficar por dentro dessa história de FAs no inverno americano. Ele fez essa semana a primeira ascensão de mais um V14 em Rock Mountain National Park (RMNP para os íntimos). O nome da nova linha é Mirror Reality, e segundo ele é a junção de trechos de dois V15, Anam Cara e Dreamtime Dyno. Apesar de ter feito a primeira ascensão, Woods dá crédito a Dave Graham, que segundo ele, encontrou o bloco, escovou as agarras e apresentou para ele. Agora Woods espera que a neve demore um pouco mais pra chegar para que ele possa explorar mais os setor, que ainda guarda muitas possibilidades. Leia mais aqui, em inglês.

Daniel Woods no Mirror Reality (Foto de Bear Cam Media)

Paul Robinson abre novo V15 em Vegas

V14 é para os fracos. Deve ser isso que está passando pela cabeça de Paul Robinson hoje, já que ele deixou pra trás Dave e Daniel essa semana, fazendo o FA mais difícil do trio americano. Paul fez a primeira ascensão do boulder Meadowlark Lemon, em Gateway Canyon, no estado americano de Nevada. Para Paul, esse foi um dos melhores boulders que ele já escalou na vida! Segundo ele, uma linha “que começa num agarrão, termina num agarrão e com lances difíceis no meio, não dá chances para “dabs”, é alta e não tem nenhuma outra linha próxima”. Paul já havia escalada a versão com saída em pé há dois anos, e graduado como V13, mas desde lá sabia que uma saída sentada era possível. Agora ele conseguiu em uma semana isolar a saída e encadenar o boulder. Esse é o segundo FA de V15 para Paul Robinson, que havia proposto o boulder Lucid Dreaming como V16, mas acabou pensando melhor e achando V15 mais apropriado. Leia mais aqui, em inglês.

12a FA de Iker Pou na Espanha

O escalador espanhol Iker Pou, fez essa semana a primeira ascensão da via Nit de Bruixes, em Margalef, para a qual ele sugeriu a graduação de 12a (9a+ fr; 5.15a us). Iker caiu duas vezes no final da via antes de conseguir completar a cadena. Esse é provavelmente o segundo 12a de Iker, que escalou também o 12a da via Demencia Senil, também em Margalef. Leia mais aqui, em inglês.

Enzo Oddo encadena a via Estado Critico 11c

E o francezinho que terminou o ano encadenando a clássica La Rambla em Siurana, começou 2012 já apertando tudo. Mal começou o ano o moleque já encadenou mais um 9a francês, com a via Estado Critico, também em Siurana. A via de 40 metros, fica ao lado da La Rambla, e se tornou 11c mais repetido do lugar. A via coincide com a saída da Golpe de Estado, 12b (9b fr; 5.15b us) aberto por Sharma em 2008. Essa já é a 15ª via de nono grau francês da carreira de Oddo, e ele só tem 16 aninhos. Vai destruir muito ainda esse moleque! Leia mais aqui, em espanhol.

Hans Kammerlander escala pela primeira vez os segundas 7 maiores montanhas do mundo

Segundas 7 maiores montanhas do mundo?! É você leu certo mesmo. Indo no caminho oposto da grande mídia o escalador Hans Kammerlander resolveu deixar de lado o propagado circuito dos 7 maiores cumes da terra e foi atrás de inovar, escalando os segundos 7 maiores cumes do planeta. Na lista estão montanhas menos conhecidas, mas de dificuldade técnica muito maior quando comparada aos dos 7 cumes originais. Mas mal o Hans terminou seu projeto de segundos 7 cumes, já tem gente querendo ir atrás dos terceiros. Quando chegar na hora de ir atrás dos 56º maiores pode ser que eu tente! Leia mais aqui, em espanhol.

Postado por Neudson em : Boulder, Escalada Esportiva, Semana Gringa, alta montanha

Filme sobre Adam Ondra disponível para download!

13
jan

Foi uma verdadeira novela. O filme era pra ter saído no final de 2010, de lá pra cá o lançamento foi prorrogado diversas vezes e muitos “previews” lançados na internet pra manter o interesse no filme. Mas agora finalmente está disponível para download o filme que pretende contar a história de um dos melhores escaladores do mundo, e que tem apenas 18 anos, Adam Ondra. O filme recebeu o título de “The wizard’s apprentice” e já pode ser comprado pelo site da produtora pelo preço de 16 Euros (cerca de R$ 35,00). Por enquanto está disponível apenas a versão HD do filme, mas uma versão FullHD vai sair nos próximos dias, e poderá ser baixada gratuitamente por quem já tiver comprado a versão de menor resolução.

Alguns reviews do filme já saíram na internet, dizendo que a espera valeu a pena. Eu vou assistir o filme esse final de semana, e na semana que vem deixo a minha opinião sobre a produção! Enquanto isso, fique com o trailer da produção mais esperada de 2010 2011, 2012!

Postado por Neudson em : Dicas, filmes