Vídeo da Semana 55: Quixadá
Admito, achei que o vídeo que ia figurar aqui essa semana era o ótimo curta 35 da Arc’Teryx. Mas para minha surpresa, o vídeo editado pelo meu amigo Ikan Maia sobre a nossa última trip em Quixadá acabou chamando bastante atenção e desbancando o meu favorito. Mas fazer o que? Regras são regras, e o vídeo de Quixadá levou umas boas 10 curtidas a mais e ficou com o posição de vídeo da semana da vez! Confiram ai!
Boulder e Velocidade de volta ao projeto olímpico da escalada
O IFSC anunciou que reviu o seu projeto olímpico para a escalada, e as modalidades de boulder e velocidade estão de volta. Já havia sido anunciado anteriormente que o IFSC iria levar à frente somente a modalidade de dificuldade para o seu projeto olímpico de 2020, mas por recomendação da comissão técnica do COI que avaliou o Campeonato Mundial de Escalada realizado ano passado em Paris, as duas outras modalidades retornaram e foram anunciadas durante reunião do IFSC em Shangai.

O projeto olímpico de escalada o IFSC, que compete com mais sete esportes (Skate/Patins, Wushu, Wakeboard, Baseball/Sofball, Karate, Squash e Luta-Livre), agora vai ser apresentado mais uma vez para o COI em um encontro que acontece em São Petesburgo no final de Maio, onde apenas três esportes devem continuar na lista de candidatos a esporte olímpico em 2020, que deve ser decidido em setembro na reunião final do COI em Buenos Aires.
O presidente do Conselho Britânico de Montanhismo, Dave Turnbull, acredita que a inclusão das duas outras modalidades pode ser justamente o empurrão que o projeto olímpico da escalada necessitava para garantir um lugar entre os três esportes que farão parte da lista oficial no final de maio.
Dedos cruzados, galera!
Fonte: Inside the games
II Kalangada em Serra Caiada
Acontece em Serra Caiada (RN), no dia 26 de março, a II Kalangada, evento promovido pela Associação de Escaladores do Rio Grande do Norte (AERN). O evento é direcionado aos entusiastas e curiosos da escalada, e levará os participantes para um dia de escalada em Serra Caiada, acompanhados de monitores qualificados, garantindo segurança e responsabilidade durante a prática do esporte. As inscrições para a II Kalangada já estão abertas e tem vagas limitadas. Para mais informações e inscrições acesse o site Escalada Serra Caiada.

Aplicativo para treinos de escalada
Pra quem quer treinar sério, mas não tem o privilégio de treinar em uma academia com um treinador do lado para periodizar o treinamento, sabe o quanto é difícil fazer isso sozinho, ainda mais quando não se faz idéia de que exercícios fazer, como treinar.
Mas pra quem tem iPhone isso já não é mais um problema. O aplicativo ClimbCoach, disponível na iTunes Store (aproximadamente R$ 8,00), resolve esse problema de forma fantástica. O aplicativo é basicamente um treinador de bolso, com uma ótima seleção de exercícios e avalizado por duas feras da escalada mundial: Adrian Baxter, que foi o idealizador e criador do aplicativo; e Steve McClure, que testou um a um todas as rotinas de treinos e deu sua aprovação.

O aplicativo tem uma interface bastante intuitiva e é fácil começar os treinos de cara. Você pode escolher começar os treinos selecionando o tipo de equipamento (finger, campus, boulder ou vias), por condicionamento (força máxima, potência, resistência anaeróbica ou resistência aeróbica), ou para alcançar um objetivo. Cada exercício tem uma descrição e um vídeo com instruções de como proceder, e uma vez iniciado controla as repetições, as séries e os descansos. Tudo de forma simples e fácil. Realmente perfeito!
O único problema do aplicativo, é que ele existe somente para iPhone, o que acaba deixando uma verdadeira legião de usuários de Android chupando o dedo. Mas os pedidos para uma versão android tem crescido e os desenvolvedores já cogitam a possibilidade de lançar essa versão, tanto que existe na fanpage do aplicativo um post falando sobre isso e avisando que se 1000 pessoas curtirem a publicação, a versão Android será a próxima coisa que eles farão. Se você é usuário de Android como eu, sugiro que curta lá e ajude a trazer esse ótimo aplicativo pra gente também.
Vídeo da Semana XXXVII – Sarah Watson: Humbled by Yosemite
O vídeo que ficou em primeiro lugar entre os mais curtidos dessa semana foi o perfil da escaladora Sarah Watson. Nesse vídeo a escaladora conta um pouco da sua história com o Yosemite e como o lugar foi palco de grandes aprendizados para ela, desde se apaixonar pela escalada, quase abandonar o esporte após um incidente traumático, ter que se afastar por uma lesão e voltar ao esporte mesmo contra todas as expectativas. Uma pequena dose de escalada e motivação!
Sarah Watson: Humbled By Yosemite from Prana Living on Vimeo.
Serra Caiada, o palco do EENe 2012
O EENe chega esse ano na sua 11ª edição e vai ter mais uma vez como palco o pico potiguar de Serra Caiada, distante cerca de 70km de Natal. Eu já tive a oportunidade de escalar por duas vezes em Serra, como a galera local chama o pico, e posso dizer que os escaladores do Rio Grande do Norte são privilegiados de terem um pico de tamanha qualidade e variedade próximo à sua capital.

Serra Caiada, formação rochosa mais antiga da América Latina
Hoje Serra já conta com mais de 100 vias, e deve ganhar mais novas linhas até a data do encontro, se consolidando como um dos maiores picos de escalada do Nordeste. Isso por si só já faz a trip até Serra valer a pena, independente de um evento como EENe. Aliado ao encontro, a viagem torna-se praticamente imperdível. Para aqueles que ainda não tem certeza se vão ou não comparecer ao encontro, vou tentar falar um pouco do pico, dos setores, estilos, as vias clássicas, e para os mais fortinhos, os projetos que ainda aguardam cadena.

Anaceli Vieira na Grampeleta 6sup
O primeiro setor ao qual se tem acesso, e que marca a entrada da trilha para os demais setores de Serra, é o Boulder Principal. Este setor é uma ótima opção para se familiarizar um pouco com estilo predominante de Serra, recheado de regletes e vias de leitura pouco óbvia. Avistar vias em Serra não é tarefa fácil! Uma ótima via para começar aqui é a Grampeleta 6sup, bem no estilão Serra Caiada.
No boulder principal também é possível escalar vias um pouco mais fortes como a Invasão de Privacidade 7b e alguns sétimos mais fáceis. É aqui também que está uma das vias mais fortes do lugar, a Estherminadora 9b, via aberta pelo escalador local Leo Rocha que corta o negativo recheado de agarras abauladas, e cuja primeira cadena ficou a cargo do escalador gaúcho Thiago Balen. O boulder principal também guarda dois projetos que devem cair na casa dos dois dígitos, a Mestre das Ilusões e a Perdas e Danos, ambos só esperando um “cabra macho” pra fazer o famoso “Feijão com Arroz” (FA).

Leo Rocha na Estherminadora 9b
Seguindo pela trilha chegamos no setor dos negativos, numa linda parede que se estende por mais de 100 metros. É nesse setor que está uma das minhas vias favoritas do lugar, o 7a da Quinto Elemento. Via constante, de movimentação e pegas variados. Chegar ao final sem bombar é pra poucos. Outra dicas nessa parede são a Penélope Charmosa 7c e a linda Ilusionista 8c, aberta e escalada pela primeira vez pelo escalador cearense Júlio Pimentel. Aqui também temos um projeto que deve ficar na casa do 9º ou 10º grau, a Ojuara, o homem que desafiou o Diabo.
Ainda ficando nas esportivas, o setor mais casca do lugar é sem dúvida o Falésias. O supra-sumo da regleteira em Serra numa parede levemente negativa. E não adianta o Menger dizer que os regletes de Serra “são de veludo”, os dedinhos aqui sofrem. Aqui ficam vias como a Adios amigos 8a, provável primeiro oitavo grau do nordeste, alguns nonos, como a Acapulcos Forever e a Retorno de Jedi, ambas 9b, e a via mais forte do lugar até agora, a Monstros S.A 9c. Haja dedos!
Mas nem só de vias esportivas vive Serra Caiada. As vias tradicionais foram as pioneiras do lugar, na sua maioria com duas cordadas, e algumas um pouco mais longas. Entre as mais clássicas de Serra merece destaque a Gênesis 3º III sup, primeira via do Rio Grande do Norte. Outras tradicionais bem acessíveis que merecem ser escaladas são a Los Manos 3º V sup e a Malu de Andrade 3º VI sup. Mas também tem espaço pra umas “tradiças” um pouco mais atléticas, como a Coronel e o Pescador 5º VIIa E2, de 107 metros.

O cume de Serra Caiada
E para aqueles que curtem os boulders, também tem bastante coisa pra fazer, com problemas indo do V0 ao V6 e alguns projetos. No Boulder principal existem alguns problemas, com destaque para o Gekko dos Santos V6 e o projeto Dosagi, provável V7. Na parte de trás do Boulder principal existem algumas vias em “top rope”, mas que podem facilmente se converter em highballs com um pouco mais de coragem e um pouco (ou seria um muito?) mais de crash pads. Ainda existem outros setores, como o Ravina, Árvore de Natal e Pedra do Ratinho, com destaque aqui para o Catita, um V5 de dois movimentos!

Thiago Balen no Gekko dos Santos V6
E ai? Consegui convencer você a vir dar uma conferida em Serra Caiada? O encontro vai acontecer de 7 a 9 de Setembro (uma das melhores épocas pra se escalar no Nordeste), já tem Cesar Grosso como presença confirmada, e deve ter inscrições abertas em breve. Aos amigos do Rio, Minas, São Paulo, DF, Paraná, Goiás, Espírito Santo…fica o convite pra vir conferir o XI EENe em Serra Caiada esse ano, e quem sabe depois esticar por outros picos nordestinos, como Pedra da Boca, Quixadá, Redenção, , Tejuçuoca…
V9 e V10 no mesmo dia para Yan Kalapothakis
O mineirinho Yan Kalapothakis, de 16 anos, teve um final de semana bem produtivo. Escalando em Ouro Preto no domingo o moleque conseguiu encadenar no mesmo dia um V9 e um V10 dos boulders Deep Inside e Deep Inside Extension.

Yan apertando tudo no boulder Canindé V10
Yan explica que o Deep Inside é um boulder de “7 moves fodas, depois é so agara muito boa; e o Deep Inside Extension tem 12 moves fodas e depois uns 3 de agaras muito boas.“ Da última vez que havia entrado no Deep Inside, ano passado, Yan havia levado um espanco do boulder, e dessa vez resolveu entrar para ver se tinha evoluído nesse meio tempo. Resultado? Cadena logo no primeiro pega do dia. Com o V9 garantido, ele pensou: “Porque não tentar a extensão também?”. Ele não só tentou como conseguiu. Mais uma vez no primeiro pega, garantindo o terceiro V10 da carreira dele, onde já constam o Canindé e o Guerreiro, ambos em Ouro Preto.
Yan também tem conseguido bons resultados nas competições e atualmente é o primeiro colocado no ranking do campeonato brasileiro de boulder, categoria Juvenil A, tendo conseguido vitória nas duas etapas disputadas até aqui. Esse menino vai longe!
Crescimento da escalada é notícia na The Economist
Dias após uma grande revista de escalada jogar a toalha e fechar as portas, o site da The Economist traz uma notícia que aponta exatamente no caminho oposto ao percorrido pela publicação. Em um breve post chamado “Scaling new heights” no blog voltado para os esportes no portal da conceituada revista de economia, o crescimento da escalada, assim como do mercado de escalada, é colocado em destaque.
O texto cita a quantidade cada vez maior de jovens aderindo ao esporte, trocando modalidades mais “mainstream” pela escalada, que 10 anos atrás nos Estados Unidos ainda era vista como um esporte de má reputação, e confundido com o montanhismo (alguém enxerga uma semelhança aqui?). Tal avalanche de jovens tem contribuído enormemente para avanços sem precedentes em performance, como o caso da pequena Ashima (foto), citada no texto.

A evolução do esporte nas mãos do mais jovens
O texto também fala do crescimento de atletas competindo no Estados Unidos, subindo de cerca de 2200 atletas em 2008, para 2400 esse ano. O crescimento de treinadores e route-setters ainda se mostra mais impressionante: de 107 para 205 e de 76 para 104, respectivamente.
Tal crescimento tem influenciado obviamente na quantidade de dinheiro que a escalada tem movimentado. Em 2008, quando o IFSC assumiu a tutela das competições o campeão de uma etapa da Copa do Mundo levava pra casa a soma de 2.500 euros. Hoje esse valor já ultrapassa os 3.000 euros.
As competições tem atraído cada vez mais público. Em 2007, 17.500 pessoas acompanharam o Mundial de Escalada em Aviles na Espanha. Dois anos depois, uma incrível multidão de 60 mil pessoas assistiu a competição em Shangai. Ano passado, em Arco, a quantidade de espectadores foi menor mas não menos impressionante: 35.000!
Tal visibilidade tem feito os patrocinadores abrirem os bolsos. Ao contrário do que ainda acontece aqui no Brasil, onde atletas ganham somente equipamentos, lá fora os atletas tem ganhado dinheiro para cobrir seus gastos, um orçamento para viagens, e até mesmo um incentivo em dinheiro para aparecer em capas de revistas. Para o diretor da Black Diamond, Adam Chamberlain, em breve as marcas terão que começar a pagar prêmios pelos resultados das competições, prática bastante comum em esportes mais estabelecidos.
Essa onda de crescimento só tende a continuar caso a escalada seja escolhida ano que vem para integrar os jogos Olímpicos de 2020. Quem sabe até lá a realidade Brasileira já é outra e nós também poderemos beber um pouco dessa fonte de riquezas.
Fonte: The Economist
Glossário de escalada: A
Já faz um tempo que uma galera me pede pra escrever algo que fosse legal pra iniciante. Algo que servisse de informação e referência pra quem está adentrando agora no mundo da escalada. Pensando no que eu poderia escrever assim, me veio a brilhante (tá, nem tanto assim) idéia de escrever um glossário de escalada, listando todos os termos utilizados no esporte. Do “A” de abaulado ao “Z” de Z-Clip, incluindo termos técnicos, assim como as gírias usadas nas diferentes modalidades.
Mas como não devia deixar de ser, um glossário do Desce daí, doido! não podia ser completamente sério né? Para (quase) tudo na escalada existe uma piada, então o glossário vai seguir essa linha bem humorada, que o blog só deixa de lado quando o assunto é sério. E para começar, fica ai tudo que eu conseguir lembrar com relação à escalada que começa com a letra “A”. Se estiver faltando alguma coisa, podem incluir ai nos comentários que eu completo no próximo post do glossário. E se eu tiver cometido algum erro nas descrições, podem dizer.
Atualizado em 31/05 com as sugestões do leitor Rodrigo Chinaglia. Obrigado!
A
| 1. A0- Graduação mais baixa da escalada em artificial (item 11). Lances em A0 são feitos somente entre proteções fixas na rocha, tornando a escalada bastante segura. Para ilustrar, quando você se puxa na costura para clipar a próxima proteção, você está fazendo um A0.
2. Abaulado- É um tipo de pega. Arredondada, geralmente grande, onde não se consegue fechar a pegada, obrigando o escalador a usar a mão aberta e confiar no atrito da mão com a rocha. É o segundo tipo de pega mais odiado pelos escaladores, logo depois da pinça. Em inglês é chamado de “sloper”. 3. Aderência- Estilo de escalada com poucas agarras, em paredes com inclinação menor menor do que 90º, onde o escalador tem que confiar somente na aderência da sapatilha na rocha para subir. Esse tipo de escalada requer uma técnica especial e um psicológico mais trabalhado, principalmente se as passadas forem expostas (negócio tenso de escalar). Estilo odiado por 9 entre 10 escaladores esportivos. Em inglês é conhecido como “slab climbing”. 4. Agarra – Toda e qualquer saliência na rocha utilizada para se apoiar e subir. Em caso de paredes artificiais as agarras são feitas de uma mistura de resina e areia, de diversas formas e tamanhos, com um buraco no meio para serem fixadas na parede por um parafuso. 5. Allez – O tradicional grito de motivação dos franceses. Também é usado por escaladores que querem parecer “cool”. Similar ao “kmon!” norte-americano, ao “venga!” espahol, ao “vamo!” no português e ao “ramo carralo!” do Gibara. 6. Alma - É a parte central de uma corda de escalada, a que recebe a carga (ou seja, a parte que você não quer quer rompa.). Fica envolta pela capa, que tem apenas função de proteção. 7. Ancoragem – No geral, é todo e qualquer ponto onde o escalador pode se prender. Pode ser um grampo na rocha (ancoragem artificial) ou uma árvore ou bico de pedra (ancoragem natural). 8. Arenito – Tipo de rocha sedimentar, composta por cristais de quartzo conectados por um elemento ligante como silte ou argila. Dependendo do tipo de formação pode ser bastante sólido ou esfarelento. 9. Aresta - Canto da rocha onde duas faces se encontram apontando para fora da parede. Em inglês se chama “arete”. 10. Arnês – Outro nome para a famosa cadeirinha. É conhecida por esse nome nos países de língua espanhola (arnés) e em Portugal. 11. Artificial – Estilo de escalada que utiliza de equipamentos para auxiliar na subida e não somente para proteção. É o oposto de escalada em livre. 12. Ascensão – Diz-se do ato de chegar no topo, seja da montanha, da via ou do boulder. Contudo, o que é chamado de ascensão difere um pouco de uma modalidade pra outra. Na escalada clássica, basta chegar no topo, não importa o estilo. Na esportiva e no boulder somente se a escalada for em livre e sem quedas pra ser considerado uma ascensão. 13. Ascensor - Equipamento utilizado para subir pela corda (jumar, tibloc, etc). É comumente utilizado durante escaladas em artificial. 14. Assegurador – Pessoa que faz a segurança de quem escala. 15. ATC – É um freio dinâmico (não confundir com auto-blocante), usado para fazer a segurança durante a escalada e para fazer rapel. É um item que faz parte do equipamento básico de um escalador. Conhecido pelos iniciantes como “aquela cestinha de ferro”. 16. Autosseguro – Equipamento de escalada comumente formado por uma fita e um mosquetão, utilizado para ligar o escalador a uma ancoragem na rocha, geralmente nas paradas entre uma cordada e outra. Faz parte do equipamento básico do escalador. 17. Azelha – Nó simples feito com uma volta a menos que o oito duplo. É utilizado tanto para unir duas cordas como para arrematar a ponta da corda como backup no rapel. Também conhecido como “nó cego”. |
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Qual o segredo?
Você já se perguntou várias vezes qual é o segredo dos grandes escaladores? A maioria tende a pensar que o segredo está na força dos braços, algo que pra mim também faz todo sentido. Mas como tenho pensado bastante nos meus treinos, qualquer assunto referente a isso me chama a atenção. E o que me chamou a atenção hoje foi um post do escalador canadense Sonnie Trotter. Pra quem não conhece, Sonnie é o escalador que fez a primeira ascensão do que pode ser a fenda mais difícil do mundo, a Cobra Crack (Não sabe do que eu estou falando? Então assista ao filme First Ascent).
No seu blog ele fala um pouco da experiência dele e diz que o segredo para escalar mais forte, estaria em 3 coisas: força no tronco (tensão corporal), força nos dedos, e força na mente! Lendo assim parece idiotice. Todo escalador forte, tem muita força nos braços certo? Já vimos por ai diversos vídeos de escaladores como Dani Andrada, Magnus Midtboe e tantos outros, fazendo barra com um braço só, então força nos braços deve contar!
Creio que deva contar sim, mas talvez não seja realmente tão importante assim. Recentemente saiu uma notícia sobre o melhor escalador do mundo, o feioso do Adam Ondra (já ouviu falar né?) dizendo que só agora, depois de dezenas de 12a e alguns muitos 12b, ele conseguiu fazer sua primeira barra com um braço! Parece até difícil de acreditar, mas é verdade. Outro caso interessante, citado por Sonnie em seu post, é o de Dave Graham. Sonnie fala que quando conheceu Dave ele estava destruindo todas as vias difíceis em Hell Cave, Utah. No entanto, na academia, Dave não conseguia acompanhar o resto da galera nas brincadeiras no campus. Como um cara que mandava V12 com facilidade não conseguia fazer travadas que para outros era algo tão simples? E apesar disso, como ele conseguia melhores resultados na rocha? O segredo de Dave parece realmente estar nos três fatores que Sonnie citou.
Então, em essência, esse é o segredo para escalar mais forte para Sonnie Trotter (tradução livre):
1. Concentre-se na sua relação peso/potência, ou seja, poucos músculos mas bem fortes. Condicionamento geral é uma boa, mas somente pra evitar ganhar peso desnecessário. Mais comida rica em vitaminas, e menos doces. Mais vegetais, mais proteína, e mais exercícios aerobicos também não vão fazer mal. Adicione água, eletrólitos e antioxidantes. É tudo bem simples e básico, não há necessidade de fazer nenhuma dieta rígida, só um pouco de bom senso e força de vontade. Sem suor.
2. Foque na tensão corporal. Se seu tronco é fraco você vai cansar mais rápida em vias negativas. Cansando você vai descolar da parede, descolando da parede você vai ficar mais longe das agarras que você quer alcançar. Se você tiver o tronco forte, você vai ficar mais próxima da parede, fazendo os movimentos mais fáceis e mais curtos.
3. Force seus dedos. Se você não forçar seus dedos regularmente, eles irão esquecer como apertar agarras pequenas. É algo neurológico. Force seus dedos fazendo reglete, meio reglete, pega aberta. Se você começar a fazer coisas só com um dedo, não vai durar muito e você vai acabar de machucando. Só faça isso se você precisar treinar pra um décimo primeiro grau, e ainda assim por um curto período de tempo. Eu prefiro manter tudo bem simples. A maioria das agarras que eu uso não são estranhas e dificilmente de um dedo. Geralmente usam 3 ou os 4 dedos, mas elas são difíceis de segurar. Se você ficar muito forte para o seu fingerboard, adicione um pouco de peso, mas não exagere. Use o bom sendo. É tudo muito simples, mas funciona se você realmente fizer isso e não desistir.
4. Escale o máximo que você puder. Escalada esportiva não é tão difícil para o corpo quanto o boulder. Então saia, mexa esse corpo, faça o sangue correr, fique bombado, divirta-se, seja legal com seu amigos de escalada, e seja agradecido por ter a capacidade de fazer o que faz. Se você tem um pico local, agradeça por isso, algumas pessoas moram no Kansas…
5. Mantenha-se motivado. Lembre-se do porque você se apaixonou pela escalada pra começo de conversa. Escalar é a coisa mais legal do mundo, é algo que trabalha o físico, bonito, e um ótimo exercício mental. Alcançar um novo nível é como descobrir uma novo lado da sua personalidade. Escale com gente que force a você a estar na rocha, a expandir o seu mundo, manter você curioso, e pessoas que façam você se sentir bem com você mesmo, e rir e não aqueles que vivem reclamando do mundo. Pessoas chatas são um saco, escalar não é!
Então, diga adeus às barras! Brincadeira, não precisa se radical…










