Dosage IV, um clássico?

30
Aug

Sei que pode parecer precipitado falar do Dosage IV como um clássico dos filmes de escalada, até por que fazem apenas 5 anos que o filme foi lançado, mas foi com essa impressão que eu fiquei quando assisti esse final de semana à produção da Big Up Productions, pela enéssima vez! Não sei se conta para isso o fato de fazer realmente muito tempo que eu não assistia ao filme, e também o fato de ele ter sido provavelmente o primeiro filme de escalada que eu assisti, e praticamente o filme que me apresentou a Chris Sharma, Dave Graham e Tommy Caldwell. Mas a verdade é que, apesar de ter assistido tantas vezes ao filme, apesar de ele não ter os recursos de movimento de câmera de filmes como Progression, ou a qualidade de imagem de um Core, ainda assim o filme se mantém interessante e atual.

Acho que parte do que faz isso acontecer são os grande momentos captados no filme, que com certeza ficaram marcados como alguns dos melhores momentos da escalada capturados em vídeo. É o caso do trecho onde Chris Sharma encadena a via Dreamcatcher em Squamish. Aquele segmento é, na minha opinião, o mais próximo que se chegou da perfeição em termos de edição de uma escalada. Os ângulos escolhidos, os cortes precisos na edição, casando perfeitamente com a trilha sonora, que também caiu como uma luva para a via, fazem desse segmento de Dosage IV, com certeza um dos momentos mais clássicos dos filmes de escalada.

Não dá pra deixar de fora também todo o segmento na Suiça, com Chris Sharma, Dave Graham e Randy Puro destruindo os boulders de Ticino. Trecho onde a trilha sonora foi tão marcante, que basta escutar uma daquelas músicas que você é imediatamente transportado para aquela cidadezinha e visualiza o boulder que estava sendo tentado ao som daquela música! E claro, não dá pra esquecer outro momento mágico captado pela câmera de Josh Lowell, que é a cadena da via Coup de Grace por Dave Graham, ao som da música “Moon” do Little People, que creio que basta qualquer escalador escutá-la, já constroi na mente a imagem de Dave deslizando pela via, naquele estilo altamente técnico e ao mesmo tempo forte e dinâmico, que me fez colocar esse escalador no top da minha lista de escaladores preferidos.

Com menos destaque, mas igualmente “clássicos” são os trechos com Lisa Rands, escalando a mítica via Gaia, no Gritstone inglês e o trecho em Hueco Tanks. Quando assisti pela primeira vez ao Dosage IV não fazia idéia de quem era Lisa Rands e dessa vez me pareceu foi estranho, ver ela ali fazendo uso de proteções móveis, quando hoje pra mim é claro que não é a praia dela. O segmento em Hueco Tanks, contém também cadenas clássicas, aliado a uma trilha sonora igualmente marcante, com espaço até para o até então desconhecido Matt Wilder.

Mas pra um filme ser realmente foda, ele tem que fechar com chave de ouro, e Dosage IV conseguiu isso com o segmento “Two in a Day”, com Tommy Caldwell fazendo a histórica ascensão em livre da The Nose no El Capitan, e da Freerider no Halfdome, em um mesmo dia. As cenas finais, onde Tommy encara as últimas cordadas até o topo do Halfdome, também compõem um momento pra lá de clássico!

Creio que é esse conjunto de fatores, aliado ao momento, onde a Big Up conseguiu o auge da qualidade técnica sem estar com o modelo de filme em segmentos já desgastado, (algo que ficou claro em Dosage V, que foi o último da série) que resultou na perfeição que é o Dosage IV, e que apesar de recente, já tem aura de clássico. E creio que com o tempo essa imagem vai se confirmar, e o filme vai ser item indispensável na coleção de qualquer escalador aficionado por filmes de escalada!

Postado por admin em : Artigos, Videos

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