IFSC realoca vagas da comissão tripartite e causa polêmica

A Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC) anunciou semana passada os dois novos atletas que irão participar das Olimpíadas de Tóquio. O italiano Michael Piccolruaz e a francesa Anouck Jaubert foram classificados para os jogos depois de a entidade realocar as vagas destinadas ao critério de representatividade, que seriam definidos por uma comissão tripartite formada pelo COI, o IFSC e o Comitê Organizador dos jogos.

Segundo o IFSC não foram indicados nenhum atleta para as vagas dentro do prazo determinado nas diretrizes de qualificação para os jogos, que era 17 de Janeiro. Segundo as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI), apenas países com uma média menor do que 8 atletas inscritos por disciplina/esporte individual nas últimas duas olimpíadas eram elegíveis para as vagas. Isso já deixava países como Brasil e vários outros sul americanos sem a chance de indicar atletas. Uma rápida conferida na lista de países elegíveis deixa claro o porque de não ter havido atletas indicados: a grande maioria nem sequer são filiados ao IFSC.

Ainda segundo as diretrizes, após o dia 30 de abril qualquer vaga não ocupada deveria ser realocada para os próximos melhores atletas do Campeonato Mundial ainda não classificados para as Olimpíadas. Michael Piccolruaz terminou em 14º no Mundial, com ainda dois atletas não classificados à sua frente, Yannick Flohé (ALE) e Rudolph Ruana (EUA), mas como tanto a Alemanha como os Estados Unidos já haviam preenchido suas cotas de dois atletas, a vaga saltou para Michael. Já Anouck terminou em 11º, logo atrás da última classificada no Mundial, a austríaca Jessica Pilz.

Entendendo a polêmica

A polêmica se criou porque, apesar de ter seguido as diretrizes, até a data limite para realocação de vagas todos os campeonatos continentais já deveriam ter acontecido e suas vagas definidas, ficando as vagas da comissão tripartite como as últimas a serem distribuídas. Devido à pandemia de covid-19 apenas o Campeonato Panamericano aconteceu na data prevista. O Europeu, asiático, africano e da oceania foram adiados e não classificaram ainda atletas. Dessa forma, alguns atletas que ainda estavam com esperança de disputar uma vaga nos jogos foram pegos de surpresa. No caso, atletas da Itália e da França, como Stefano Ghisolfi e Fanny Gibert. Como os dois países já haviam classificado atletas através do Mundial e de Toulouse, com a adição de Michael e Anouck eles completam suas cotas e não podem mais classificar atletas.

A reclamação é que como os continentais foram adiados, o prazo de realocação também deveria ter sido. Caso isso tivesse sido feito, as vagas da comissão tripartite poderiam ter atletas completamente diferentes e daria uma chance de todos os países europeus que ainda não tinham completado suas cotas em eventos anteriores de brigarem por uma vaga no europeu.

Com a indicação das vagas tripartites as chances de outros países agora aumentam no Europeu, remarcado para Outubro. No masculino, com Alemanha, Itália e França fora da disputa países como Eslovênia, com Jernej Kruder e Domen Skofic, Suiça, com Sasha Lehamn, e Inglaterra com William Bosi, aumentam suas chances de conseguir a única vaga em disputa no Europeu. No lado feminino, com Eslovênia e França com a cota preenchida, atletas da Rússia, como Elena Krasovskaia, Polênia, com Aleksandra Kalucka e Austria com Sandra Lettner, viram favoritas a última vaga europeia entre as mulheres.

Foto de capa: Eddie Fowke/IFSC

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