Semana Gringa – 06/02/12 a 12/02/12

13
fev

E ai galera! Vocês já devem estar estranhando…semana gringa na segunda? Isso foi algo que eu andei pensando muito nas últimas semanas, e acabei por me decidir em mudar o dia dessa “coluna”. A decisão partiu da dificuldade de atualizar esse espaço com as notícias da gringa na sexta-feira. Quando a semana é corrida, eu acabo ficando com muito pouco tempo pra sentar na frente no computador, fazer o “clipping” das notícias e escrever o post, ai acontece de algumas sextas eu furar com vocês. Por isso a mudança para segunda acho que vai ser benéfica, já que terei todo o final de semana, que geralmente é mais tranquilo, para escrever o post. Espero que gostem da novidade de começar a semana com os destaques do que rolou na semana passada lá fora!

Iker Pou encadena Nit de Bruixes 12a

Iker Pou na Nit de Bruixes 12a

O escalador espanhol Iker Pou, que já deu as caras em terras brasileiras, encadenou um antigo projeto em Margalef, a via Nit de Bruixes 12a (9a+ fr; 5.15a us). A via equipada pelo também espanhol Jordi Pou tem 30 metros de extensão, e é feita basicamente de uma sequência nojenta de bidedos e monodedos, estilo no qual Iker parece se dar muito bem, vide a cadena da via Demencia Senil 12a, que segue o mesmo estilo. Confira abaixo o vídeo da Red Bull com a cadena! Leia mais aqui, em espanhol!

Carlo Traversi e Paul Robinson repetem Memory is Parallax V14

Os escaladores americanos Carlo Traversi e Paul Robinson, repetiram essa semana o problema Memory is Parallax, aberto esse ano por Dave Graham em Elkland, próximo a Rock Mountain National Park. Essas foram a 4ª e a 5ª ascensões do boulder, que além de Graham, já foi repetido por Daniel Woods e Matty Hong. O consenso, segundo Traversi, parece ficar em V14 “baixo”. Já que Robinson elogia o problema por ser “bem constante” e ter a “sequencia dupla de dropadas mais  legal”. Leia mais aqui, em inglês.

V14 para Hukkataival e Webb em Fontainebleau

Fontainebleau também teve uma semana de ascensões fortes. Os escaladores Nalle Hukkataival e Jimmy Webb, deixaram suas marcas nos boulders da floresta com ascensões de V14. Nalle fez a primeira ascensão de um possível V14 que ele batizou de The Realist, e que descreveu com “uma mistura dos abaulados de Font com os regletes dos boulders Suiços”. O escalador finlandês ainda fez a ascensão do boulder Gecko Assis, para o qual sugeriu V14 “soft”. Enquanto isso Jimmy Webb fez uma rápida ascensão do boulder Kheops Assis, também V14. Esse é o quinto V14 de Webb, que ainda encadenou um V12, dois V11 e vários boulder de V10 pra baixo. Leia mais aqui, em inglês.

Alex Johnson encadena o highball Lethal Design V12

A escaladora americana Alex Johnson conseguiu essa semana uma cadena pra deixar com inveja muito marmanjo por ai. Depois de uma passagem por Bishop mandando alguns highballs, ela parece ter gostado da brincadeira, e foi tentar mais um em Red Rocks, Nevada. O que saiu foi a cadena do Lethal Design V12. Um boulder de 25 movimentos, variando entre regletes e pegas invertidas, que Alex encadenou em poucas tentativas. Esse já é, pelo menos, o sexto V12 da garota, que diz está se sentindo na melhor forma da sua carreira. Leia mais aqui e aqui, em ingles!

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Vídeo da Semana XXI

27
jan

Passamos da marca de 20 sextas-feiras do vídeo da semana! É muito vídeo já! Por falar em vídeo, vocês devem ter notado que a página que levava pra galeria de vídeos deu uma sumida. O plugin da galeria deu um problema e estou tentando corrigir pra voltar com TODOS os vídeos que eu postei, tanto do Youtube quanto do Vimeo, e não é fácil fazer uma galeria que una os dois como era a antiga. Mas prometo que vai voltar em breve!

Então vamos ao que interessa, o vídeo mais curtido da semana pelos ilustres leitores do blog! Deu um empate entre 4 (ótimos) vídeos. Mas como só pode haver um “highlander”, eu escolhi o que foi o melhor pra mim, e esse foi o ótimo vídeo da escaladora Mayan Smith-Gobat escalando em livre a imponente parede da Salathe Wall em Yosemite! A mulher escala demais, dá gosto de ver! Agora qual de vocês ai encaravam o descanso que ela usou, naquela altura toda? Confiram o vídeo!

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Ascensão em livre de David Lama e mais polêmica na Patagônia

25
jan

Eu tenho lido e acompanhado as notícias que tem vindo diretamente da Patagônia e toda a polêmica que mais uma vez se construiu em torno da via do Compressor, na face sudeste do Cerro Torre. Todos sabem que David Lama já estava há 3 anos tentando a primeira ascensão em livre da via, e que no começo do ano passado estourou a polêmica por ele ter deixado 60 novas chapas na parede, que teriam sido usadas pela equipe de filmagem. Esse ano ele já havia dito que retornaria para tentar mais uma vez liberar a via do Compressor e muitos ficaram receosos de nova polêmica.

Mas antes de Lama conseguir a ascensão da via, uma dupla de escaladores dos Estados Unidos e do Canadá, Jason Kruk e Hayden Kennedy, anunciaram que haviam escalado a bendita via por “meios justos”, seja lá o que isso signifique. Ao que parece eles apenas não usaram a verdadeira escada de grampos deixada por Cesari Maestri nos anos 70, sem terem seguido a linha original da via, e não escalaram a via em livre (como eu havia pensado aqui).

David Lama no Cerro Torre

Isso quem realmente conseguiu foi David Lama, que fez sim, a primeira ascensão em livre da via do Compressor, seguindo a linha original e atravessando o famoso “headwall” sem usar nenhum meio artificial para progredir. Um feito que vai entrar pra história da escalada mundial. Com isso Lama deu uma limpada na sua ficha, que tinha ficado meio suja na temporada passada. Mas ele também foi muito ajudado por Kruk e Kennedy, que decidiram roubar a polêmica pra eles quando resolveram retirar mais de 100 grampos do “headwall” durante a descida. Os caras quase foram linchados em El Chaten e foram levados para delegacia para prestar esclarecimentos.

Os grampos arrancados da parede do Cerro Torre

A opinião da comunidade com relação ao fato está bem dividida. Alguns acham correta a retirada dos grampos, por acharem que eles permanecerem por lá é rebaixar a montanha ao nível do escalador. Já outros acham que deveria ficar, por fazer parte da história da via e da escalada no local. O fato é que Jason Kruk já está acostumado a fazer cagadas por ai, como relembrou bem o site americano Climbing Narc. Nesse caso, uma cagada literal! Será que ele tava querendo que esquecessem desse vídeo?

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O Desce daí, doido! apoia a I Semana Brasileira de Montanhismo

7
jan

Independente da eterna discussão de se o montanhismo no  Brasil teve ou não início com ascensão ao Dedo de Deus em 1912, a I Semana Brasileira de Montanhismo, a se realizar no final de Abril no Rio de Janeiro, vai com certeza ser um marco na história do montanhismo brasileiro, onde vamos ter a oportunidade de mostrar para o país inteiro a história e importância da cultura de montanha no Brasil. É por isso que o Desce daí, doido! apoia o evento, e para mostrar esse suporte o blog vai, a partir de hoje até a data do evento, ostentar o selo dos 100 de montanhismo no Brasil nas imagens de cabeçalho.

Para usar o selo do evento, em qualquer peça, basta acessar o endereço http://www.semanademontanhismo.com.br/100anos/selo, preencher o formulário, e receber o link para baixar a marca nos mais variados formatos disponíveis. E como designer, tenho reforçar que é importante também baixar e ler o manual de uso da marca, e aplicar o selo somente dentro das recomendações do mesmo.

Quanto ao evento, ainda não posso garantir com 100% de certeza, mas é da minha intenção, enquanto escritor de um blog de escalada e escalador, estar presente na I Semana Brasileira de Montanhismo, e participar da programação (estou cogitando em participar do Campeonato Brasileiro) e poder conter toda essa história aqui no blog.

Espero que a maioria esteja tão empolgada quanto eu estou por esse evento, e que possa reencontrar grandes amigos por lá, e também fazer vários novos! Espero ver todos vocês no Rio de Janeiro em Abril! Até lá!

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Segundo lugar no prêmio Top Blog

19
dez

Esse final de semana rolou em São Paulo a cerimônia de premiação do prêmio Top Blog, que ia anunciar os melhores blogs da internet em suas respectivas categorias. O Desce daí, doido! estava entre os 3 finalistas da categoria de esportes profissional pelo júri acadêmico, o que já tinha sido um grande resultado. E para minha surpresa ainda maior o Desce daí, doido! conseguiu ficar com o segundo lugar, se tornando assim o segundo melhor blog profissional (não sei porque me colocaram nessa categoria) de esporte da internet brasileiro, atrás apenas de um blog de futebol e na frente do blog da marca de material esportivo Umbro.

Um grande feito, considerando que o meu blog de profissional não tem nada, já que o escrevo sozinho e não recebo nada por isso. Isso só mostra que a preocupação com as mudanças no blog realmente valeram a pena. O novo layout, a volta de colunas fixas, a integração via Facebook, tudo isso com certeza contribuiu para esse segundo lugar. Mas o blog ainda pode melhorar muito, e vou trabalhar com afinco para isso. Ainda não estou conseguindo atualizar o blog todos os dias como gostaria, as vezes o Facebook tem dias inteiros de inatividade, e algumas colunas acabam não saindo no dia. Mas tudo isso vai ser melhorado no próximo ano, que promete muitas novidades para todos os fiéis leitores do Desce daí, doido!

Obrigado a todos pelos votos e pela preferência que tem aumentado a cada dia as visitações!

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Exercício para os rotadores dos ombros

21
nov

Nesse exato momento eu estou com uma pequena lesão no ombro, a segunda desde que comecei a escalar. Na primeira vez eu procurei um ortopedista, que diagnosticou uma lesão no supra espinhal, e acabei passando mais de duas semanas fazendo fisioterapia. O problema é que a fisioterapia que eu fazia era também feita pela pessoa do lado, que sofria de artrite. É frustrante não ser tratado como um esportista que quer voltar a escalar o mais rápido possível. Acabei voltando para os treinos sem consentimento médico, procurando não forçar o ombro e em 1 semana não sentia mais dores. Dessa vez, nem fui ao médico, tratei de me cuidar sozinho e tenho procurado ler e me informar mais sobre o mecanismo da lesão e como tratar e previnir a mesma.

Juntamente com os dedos, que sofrem muito com as pegas de reglete, os ombros são os lugares mais comuns de lesão entre os escaladores. Os movimentos de abdução do braço, muito comuns na escalada, combinados com a força dos movimentos, acabam vez por outra estressando os tendões e músculos do conjunto conhecido como rotadores dos ombros. Mas um dos grandes fatores causadores de lesões nos ombros, são justamente os desequilíbrios musculares que surgem da prática da escalada. Parte dos músculos que atuam na articulação do ombro ficam mais fortes do que outros, criando disfunções no movimento, encurtamentos, que favorecem as lesões.

Um modo de se evitar isso, é fazendo exercícios compensatórios para a musculatura dos rotadores, principalmente da musculatura oposta, menos solicitada na escalada. Procurando por isso acabei achando esse vídeo, que mostra alguns exercícios para o ombro, feitos com a famosa Thera-band. São movimentos simples, e que podem ser feitos todos os dias, tanto para evitar lesões no ombro, como para ajudar na recuperação de uma.

ps: não estou querendo com esse post incentivar ninguém a não procurar um médico no caso de uma lesão. O ideal é se procurar um médico, de preferência especialista em medicina desportiva e profissionais de fisioterapia desportiva também. Mas fazer esses exercícios vão com certeza ajudar a evitar lesões nos ombros.

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Impressões e considerações sobre o EENe

17
nov

Este feriadão ocorreu em Redenção o X EENe (Encontro de Escaladores do Nordeste), que tanta discussão causou por esses lados, devido aos desentendimentos e também a falta de informação com relação ao encontro durante um bom tempo. Eu já tinha escrito aqui no blog sobre o porque de toda essa querela, e qual era minha posição e opinião com relação ao encontro. Dessa vez, depois de ter participado do encontro (fiquei 2 dias em Redenção), chegou a hora de tecer algumas impressões sobre como foi o evento, e como não pude ficar pra reunião final, deixar minhas idéias para os próximos EENe.

Definitivamente o EENe não foi um grande encontro. Basta dizer que compareceram cerca de 60 pessoas (eu me inscrevi no domingo à tarde e fui o nº 54), sendo que grande parte era do Ceará, e alguns representantes do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Pernambuco e Bahia não se fizeram presentes no encontro. Um número bem pequeno de escaladores se comparado aos dois últimos encontros em Brejo e Itatim, que atraíram cerca de 150 escaladores cada, de todos os estados do Nordeste e de alguns estados do Sudeste.

Com relação à organização, o básico funcionou bem. Em parte devido à estrutura oferecida pelo Balneário, que fornecia uma ótima área para camping, banheiros em número suficiente, estacionamento, banho de rio e obviamente, fornecia a alimentação. Esta foi bem servida e parece não ter faltado a ninguém. O único ponto negativo, na minha opinião, com relação a isso, foi de não estar incluso pelo menos o café da manhã no valor da inscrição, algo que ocorreu em outros encontros.

Quanto à sinalização, senti falta da indicação do local do evento na entrada da cidade. Havia uma faixa, mas ela apenas citava o balneário sem indicar para onde seguir. As trilhas estavam sinalizadas e demarcadas, com alguns equívocos do ponto de vista técnico de sinalização, mas que podem ser relevados.  Creio que o que estava ao alcance da organização foi feito.

As atividades no camping foi que deixaram a desejar. Não houve festa no domingo, como havia sido anunciado. Houve apenas uma palestra, proferida pelo montanhista cearense Rosier Alexandre,  que ficou claro ter sido a opção mais fácil e menos onerosa. Não houve nenhuma oficina e a mostra de filmes, apesar de ter boas produções, teve sua programação alterada durante o evento (pelo menos foi pra melhor) e foi bem improvisada, acontecendo no mesmo local onde eram feitas as refeições, numa parede mal pintada. Creio que aqui pelo menos uma tela poderia ter sido providenciada para melhorar a exibição.

Com relação às vias, as novas adições aos setores do Assombrado foram boas, principalmente o setor que agora tem as vias Alupurinol, Ácido Úrico, Athos, Porthos, Aramis e Bomba Baiana. Entrei em alguma dessas vias e gostei do que vi. Com poucas pessoas comparecendo ao evento, as quase 60 vias distribuídas pelo Assombrado, Pedra Vermelha, Pitombeira e Pedra da Moça (que na minha opinião não devia ter sido incluída) foram suficientes. Contudo, aqueles escaladores que não escalassem grau maior que 6º encontraram dificuldades em achar vias. Quem escalava entre o 6 º e 7º foi quem melhor aproveitou o encontro, já que vias nessa graduação eram as mais abundantes.

No final das contas, o X EENe não foi o grande sucesso que eu gostaria que tivesse sido, mas tampouco foi o fracasso retumbante que aparentava que iria ser. Mas uma coisa é certa, ele ficou muito aquém do que poderia ter sido o evento, e na minha opinião foi um grande passo atrás no crescimento do EENe no calendário nacional de eventos de escalada.

Dito isso, vou aqui tecer alguns comentários, que por não ter podido ficar até o final do encontro, não tive oportunidade de tecer durante a reunião final.

Depois de Itatim e Brejo, o EENe ganhou uma grande visibilidade e passou a ser motivo de interesse até mesmo pelos escaladores do Sul e Sudeste, mostrando assim que tem potencial para ser um dos maiores eventos de escalada do calendário nacional. Creio que se o evento aqui no Ceará tivesse mantido a linha crescente dos dois últimos encontros, essa posição de grande evento nacional teria se consolidado, e o EENe poderia começar a trilhar o caminho do que eu creio ser sua grande vocação: promover a criação de novos picos de escalada no Nordeste. Com o evento crescendo a cada ano, atraindo cada vez mais escaladores, e consequentemente mais interesse da mídia e das marcas do mercado outdoor e de escalada, seria possível utilizar cada evento anual para equipar e apresentar um novo pico de escalada para o nordeste e para o Brasil. Algo nos moldes de um Petzl RocTrip, mantidas as devidas proporções.

Mas para isso creio que um novo modelo de organização deva surgir, para garantir que o nível dos encontros se mantenha o mesmo, senão crescendo, ano a ano. Isso já foi comentado e sugerido por outras pessoas, e creio que seja imprescindível o surgimento de uma comissão geral do EENe, com representantes de cada estado participante, e que tenha o poder de estabelecer metas, prazos e cobrar resultados da organização responsável por cada edição. Isso implicaria também em assumir uma nova postura com relação aos EENe, colocando o evento acima dos estados, que seriam apenas anfitriões do evento, e não mais os “donos” de cada EENe, como hoje se vê. Sites individuais para cada edição do encontro deveriam acabar e existir apenas um só site. Nesse site seria possível acessar todo o histórico do evento, e acompanhar os preparativos para todas as edições vindouras. Algo assim serviria até mesmo  para facilitar a busca por patrocínios, que já não mais estariam patrocinando o EENe Ceará, ou o EENe Rio Grande do Norte, etc, mas apenas o EENe, e cada nova edição utilizaria o respaldo e o “know-how” das anteriores para se promover e continuar crescendo, algo que não vejo acontecer hoje em dia.

Creio quem uma mudança de data também seria bem vinda para o evento. Já que para entrar de vez no calendário nacional seria necessário se tornar atrativo para os escaladores “sulistas”, e o calor do final do ano (época mais quente no nordeste) acaba assustando um pouco os escaladores de outros estados não acostumados ao clima nordestino. Algo em torno de Agosto e Setembro seria o ideal, mesmo concorrendo com outros eventos. Uma melhoria na marca do evento também seria bem vinda. Gosto da marca atual, mas ela pode ser melhorada e contribuir para reforçar ainda mais a identidade do EENe.

Mas para que tudo isso ocorra, é necessário que se deixe de pensar pequeno, e de achar que o EENe está bom do modo como está, e que “profissionalizar” o evento vai estragar as coisas. O EENe tem potencial para ser um dos maiores eventos de escalada do Brasil, senão o maior, já que é o único evento nacional que tem o caráter itinerante, incorporando na sua raiz algo inerente a todo escalador, que é o prazer de viajar, visitar lugares novos. Creio que esse é o segredo sucesso do EENe, basta explorá-lo.

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Vídeo da Semana XI

11
nov

Hoje o vídeo da semana foi difícil de escolher. Difícil até pra mim. Tivemos um empate entre dois vídeos, cada um com 5 “curtidas” e ficou pra mim escolher o que ia figurar aqui. Ponderei bastante sobre qual escolher mas resolvi ficar com o vídeo da Louder Than Eleven, sobre a clínica do escalador Ronnie Dickson para pessoas com deficiência ou amputadas. Um vídeo que mostra que escalada é sim um esporte inclusivo e que qualquer um pode praticar. Então confiram, o XI vídeo da semana do blog, com Ronnie Dickson!

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Semana Gringa – 29/10/11 a 04/11/11

4
nov

E ai galera, chegou mais uma sexta, mais um dia de Semana Gringa aqui no blog! Se você não teve tempo de acompanhar as notícias durante a semana, aqui no Desce daí, doido! você confere a compilação de tudo que foi destaque no mundo da escalada lá fora! Essa semana tivemos Dani Andrada estabelecendo uma via insana durante o Petzl RocTrip na China. Tivemos Alex Honnold e Hans Florine chegando muito perto de bater o recorde de velocidade da The Nose. Nessa semana também conhecemos o novo campeão da Copa do Mundo de Dificuldade e vimos Tommy Caldwell iniciar mais uma tentativa no seu mega projeto em Yosemite!

Dani Andrada abre um 11a de 8 enfiadas na China

Essa semana, durante a última edição do Petzl RocTrip na China, Dani Andrada conquistou e escalou uma via de proporções épicas! Um 11a (8c fr; 5.14b us) de 8 cordadas em pleno Arco de Getu! A via se chama Corazon de Ensueño, tem 210 metros de comprimento, e segundo Andrada, é a melhor via já criada por ele. Andrada levou 3 dias para completar o projeto, no qual foi ajudado por ninguém mais ninguém menos que Chris Sharma, que fez a segurança do escalador espanhol! A via pode não ser a mais difícil do mundo com esse tamanho, mas com certeza é uma das mais bonitas!Venga Dani! Leia mais aqui, em espanhol!

Dani Andrada e Chris Sharma na via Corazon de Ensueño (Foto de Sam Bié)

Honnold e Florine muito próximos do recorde da The Nose

O escaladores americanos Alex Honnold e Hans Florine ficaram muito perto de bater o recorde de velocidade da The Nose, em Yosemite. A dupla escalou a clássica via em apenas 2 horas 37 minutos e 30 segundos, apenas 45 segundos a mais do que o atual recorde, estabelecido por Sean Leary e Dean Potter no ano passado. Esse tempo deu a dupla o terceiro melhor tempo da via e também foi a terceira tentativa deles na clássica linha. A dupla espera fazer ainda mais uma tentativa esse mês, mas as previsões do tempo não estão ajudando! Boa sorte pra dupla! Leia mais aqui, em inglês!

Jakob Schubert garante o título da Copa do Mundo de Dificuldade

Jakob Schubert garantiu no final de semana passado, por antecipação, o título da Copa do Mundo de Dificuldade de 2011. O escalador austríaco, que já tinha obtido 7 vitórias seguidas nas etapas anteriores da Copa do Mundo, garantiu o título apenas com um quinto lugar na etapa de Valence. Jakob se torna assim o quinto escalador a ganhar uma Copa do Mundo de Dificuldade (Patxi Usobiaga, Jorg Verhoeven, Adam Ondra e Ramon Julian). O título da etapa de Valence ficou com Ramon Julian entre os homens e Johanna Ernst, entre as mulheres. Leia mais aqui, em espanhol!

Tommy Caldwell inicia mais uma tentativa na Dawn Wall

O escalador Tommy Caldwell iniciou no sábado último mais uma tentativa de liberar o que pode ser o Big Wall mais difícil do mundo, o seu alardeado projeto Dawn Wall, em Yosemite. Tommy dessa vez está acompanhado da mulher, Becca, já que seu usual parceiro no projeto, Kevin Jorgeson, se machucou em uma das tentativas desse ano e ficou de fora. Tommy já escalou nesse momento 11 enfiadas da via, e está tentando a 12. No total a via tem 28 enfiadas, com várias enfiadas na graduação entre o 10º e 11º, na escala brasileira. Será dessa vez que Tommy Caldwell conseguirá liberar a Dawn Wall?! Leia mais aqui em espanhol, e acompanhe os up-dates direto no twitter de Tommy!

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De volta ao Rio de Janeiro

17
out

E ai pessoal, estou de volta da minha última viagem ao Rio de Janeiro, depois de 2 anos da minha primeira trip por lá. Apesar de não ter conseguido escalar muito, a trip foi muito boa, principalmente pela companhia.

A ida ao Rio, diferente da primeira vez, foi motivada principalmente pelo show de Eric Clapton na cidade maravilhosa, e claro que eu ia aproveitar pra escalar um pouco. Mas de antemão já sabia que ia ser difícil escalar todos os dias, visto que a segunda e a terça (10 e 11) era dia normal de trabalho pra todo mundo por lá e seria difícil conseguir parceria pra escalar. Mas tudo bem, me conformei com isso e resolvi aproveitar o máximo do tempo que tive.

Cheguei no Rio de Janeiro no sábado (08) de manhã e de lá peguei o ônibus até a casa do meu amigo Claudney, no Méier. Às 7:30 da manhã eu estava tocando a campainha dele, surpreendendo-o, pois ele achava que eu iria me enrolar pra chegar sozinho. Tenho que dizer quanto a isso, que um mês rodando sozinho na Europa me ensinou muito sobre me orientar sozinho numa cidade e me virar.

Tomamos um café rápido numa padaria próxima e pegamos o caminho da Urca, onde os planos era escalar algo no Morro da Babilônia pela manhã, enquanto no período da tarde eu deixaria o Claudney resolver outras coisas e me encontraria com o Caio Gomes para escalar alguns boulders.

Chegamos no morro da Babilônia por volta das 10hs da manhã, com um sol de rachar, o que desestimulou um pouco a Karla, namorada do Claudney e companheira inseparável de escaladas dele. Mas ainda assim encaramos entrar numa via fácil e bem protegida, a Luis Arnaud, o que eu achei bem vindo, já que não tenho muito traquejo com o estilo de escalada do Rio.

Na base da via Luis Arnaud

Na base da via Luis Arnaud

Me equipei com os brinquedinhos do Claudney, mosquetões minúsculos da Petzl, que mais pareciam chaveiros, e entrei na primeira enfiada da via, com uma saidinha bem técnica e esquisita, mas que passei sem muitos problemas. Fui progredindo, protegendo bem no começo, até que me senti um pouco mais confiante e pulei algumas proteções pra agilizar. Chegando na parada, armei a segurança para o Claudney e a Karla. Era a primeira vez que eu escalava no morro da Babilônia e achei fantástica a vista lá de cima, com uma visão privilegiada da Urca, Praia Vermelha e a enseada de Botafogo no fundo.

Guiando a primeira enfiada da via

Guiando a primeira enfiada da via

O calor estava matando, e a Karla resolveu ficar pela primeira parada e descer, e eu toquei pra cima junto com o Claudney. Da segunda cordada já dava pra ver o onipresente Cristo Redentor acompanhando a nossa escalada. Uma paradinha rápida pra umas fotos e tocamos pra cima de novo. Com corda suficiente, passei direto na terceira parada, deixando de proteger com costuras longas em alguns pontos e complicando um pouco minha vida, mas nada demais. Chegando perto da quarta parada foi que eu vi o bicho pegar. Não conseguia achar por onde seguir para alcançar o agarrão claro mais em cima. Cisquei pra um lado, cisquei pra o outro, desescalei um pouco, e mantive a calma. Até que achei a sequencia certa e toquei pra cima, com um grande alívio. Dali pra cima acho que ainda havia mais duas cordadas, mas estava pra lá de quente, e resolvemos descer.

Com a Karla e Claudney na P1, e o Pão de Açúcar ao fundo.

Com a Karla e Claudney na P1, e o Pão de Açúcar ao fundo.

Tocando pra cima até a quarta parada

Tocando pra cima até a quarta parada

Ficamos ali na Praia Vermelha, onde  tomamos uma cerveja e comemos um cachorro quente para esperar o Caio, que viria acompanhado do irmão, Pedro, e o pai, Jorge. Enquanto esperávamos na sombra, com uma brisa pra lá de agradável soprando do mar, víamos os escaladores irem chegando depois da manhã de escalada. Encontramos alguns amigos do Claudney e conversamos um pouco. Por volta das 14:30 avisto os crashs do Caio e Pedro se aproximando. Muito bom rever os dois depois de Ubatuba, onde os conheci pessoalmente. Junto com eles o Jorge e a Luana Riscado.

Vida difícil essa de escalador...

Pegamos a pista Claudio Coutinho e fomos atrás dos boulders de um novo setor da Urca, o setor do Gomes. E não, o setor não tem esse nome por algum capricho narcisista da família Gomes. O nome se deve ao local ter sido a casa de um sem-teto chamado, obviamente, Gomes. Chegamos por lá e encontramos já uma galera escalando, entre eles o Raphael Gibara, que eu já havia conhecido também em Ubatuba. Pra mim foi uma surpresa, pois achei que ele estivesse morando em São Bento. Sem muita conversa, caímos nos boulders. O primeiro teste foi um problema bem técnico, que exigia um trabalho de pés preciso. Vi o Pedro Gomes ser derrubado duas vezes nele e pensei que talvez fosse forte demais pra mim, mas ainda assim resolvi tentar. Dei alguns pegas mas não consegui dominar a pinça mais em cima e trabalhar os pés pra bater no topo do boulder e fazer a virada. Resolvi dar um tempo e ver o que os outros estavam fazendo.

Acompanhei um pouco as tentativas do Gibara e do Pedro em um outro boulder, num bloco que formava uma pequena cave. Só a saída já era bastante forte. Tentei entrar, mas mal consegui tirar os pés do chão. O primeiro a mandar o boulder foi o Gibara, com certa facilidade até. E depois de algumas tentativas, o Pedro também conseguiu a cadena.

Fiquei tentando achar o que fazer, já que tudo parecia muito forte. Me juntei então ao Jorge na tentativa de uma linha quase na aresta do bloco principal do setor. Essa saiu fácil, de primeira. Acho que deve ficar na casa do V1. Depois desse, resolvi voltar para o primeiro problema. Usei um beta do Gibara, os movs encaixaram com perfeição e saiu a cadena. Depois de alguma deliberação, o pessoal chegou no consenso de que um V3 pra linha ficaria de bom tamanho. Eu concordei.

Saímos dali e descemos um pouco mais na pista porque o Pedro queria tentar o Mandrake, mas como a base não permitia muita gente lá embaixo, ficamos alguns conversando sentados nos crashs. Eu, Gibara, Jorge e o Felipe Assad, falando de pães, e conquistas do Jorge no Pão de Açúcar. A luz acabou e tivemos que ir embora sem o Pedro conseguir a cadena. Saímos de lá combinados de ir tomar uma cerveja na Lapa!

Eu admito,  já estava acabado. Foram apenas umas 3 horas de sono no voo para o Rio de Janeiro, o dia inteiro escalando e ainda assim ir curtir a noite carioca. Mas a empolgação tava maior e fomos pra Lapa, que ficou às escuras antes de chegarmos lá, e ficamos num lugarzinho chamado Adega Flor de Coimbra. Sentamos por lá, pedimos uma cerveja e ficamos esperando o Caio, Pedro e Gibara que chegaram depois e se juntaram à conversa. Foi o final perfeito, pra um dia perfeito!

Galera reunida na Lapa

Galera reunida na Lapa

Domingo acordei tarde, e já sabia que não ia rolar escalar. Tudo que eu fiz foi almoçar, vendo todos os rubro-negros do Rio se preparando para o jogo do Flamengo, e pegar o caminho para o HSBC Arena, onde eu iria ver a lenda da guitarra, Eric Clapton, ao vivo. O Fla x Flu ficou pra uma outra oportunidade. Sem muito o que dizer aqui, a não ser de que o show foi sensacional e inesquecível. Depois de ver Paul McCartney, agora ver Eric Clapton, quase posso dizer que agora morreria feliz.

A segunda e a terça iam obviamente ser dias de descanso forçado. Apesar das diversas mensagens via Facebook procurando parceiro, não consegui nenhum. O jeito foi turistar um pouco no Rio e procurar outras coisas pra fazer. A segunda tirei pra dar uma volta pelo aterro do Flamengo, um pulo no shopping Leblon pra conhecer a nova loja da The North Face, e uma ida na sede do Flamengo, algo que não tinha feito em 2009. De lá o destino foi a Lechen, loja de equipamento de montanhismo na galeria River, no Arpoador. Meu objetivo era comprar uma outra sapatilha modelo Defy, da Evolv, só que meio número menor. Mas infelizmente não tinha  o número que eu queria. Como o objetivo de usar uma sapa menor era deixá-la mais esportiva, resolvi mudar logo de estilo e fui aceitando as sugestões do pessoal da Lechen, a Thais e o Franklin, que me atenderam super bem. Testei a Es Pontas Lace, a Optimus Prime e por último a Talon, que foi a que achei ter caído melhor e acabei me decidindo  por ela. Fica ai a dica então pra quem precisar comprar equipos no Rio de Janeiro.

Lechen Montanhismo

Lechen Montanhismo

Franklin, atendimento nota 10

Franklin, atendimento nota 10

Terça feira o objetivo era apenas um: fazer a trilha da pedra da Gávea. O tempo estava meio estranho, chuviscando, e quase desisto de ir, mas resolvi pegar o ônibus e ver no que dava. Cheguei na entrada da trilha, deixei meu nome com os guardas, e fiquei sabendo que eu era o único maluco a estar entrando na trilha naquele dia. Também pudera, havia chovido bastante de noite e o tempo ainda estava fechado. Comecei a subir a trilha por volta das 11hs da manhã, e coloquei no marcador do celular o tempo de 2h e 30 min, que era o tempo máximo que eu esperava gastar na trilha.

Começo da trilha da Pedra da Gávea

Começo da trilha da Pedra da Gávea

O início é bastante tranquilo, mas sempre subindo, a unica dificuldade era realmente o chão molhado e escorregadio. Com uns 45 minutos de trilha alcancei o que eu achei ser a pedra do Navio, e logo depois o primeiro trepa-pedra. Ainda bem que o negócio tinha uns degraus de metal na pedra, caso o contrário eu teria que voltar devido a pedra estar muito molhada. Toquei pra cima, e depois de mais um pouco de trilha normal outro trepa-pedra, dessa vez mais fácil e sem degraus. Continuei subindo até chegar num platô amplo de onde pude avistar a cabeça do Imperador pela primeira vez.

Cabeça do "Imperador"

Cabeça do "Imperador"

Dali foi uma trilha bem íngreme até o local onde começa a Carrasqueira, um trecho de “escalaminhada”, visualmente fácil, mas que por eu nunca ter feito, a pedra estar molhada e o tempo estar bastante fechado, ainda ameaçando chuva, resolvi deixar pra uma outra oportunidade. Acabei me contentando com a vista da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, o que já foi fantástico. Depois de tomar um pouco de isotônico e comer algo, comecei a descida, e em mais 40 minutos estava na saída da trilha. Pena que não deu pra ir até o final e descortinar o Rio inteiro lá de cima, mas de uma próxima vez eu completo a trilha.

Visual desde a carrasqueira

Visual desde a carrasqueira

Quarta-feira chegou, meu último dia no Rio de Janeiro. Os planos eram ir para Niterói e conhecer a pracinha de Itacoatiara junto com a família Gomes. Sai da casa do Claudney por volta das 9 horas da manhã, rumo a praça XV de onde pegaria a barca pra Niterói. Consegui pegar a barca de 10h30 e depois de 20 minutos de travessia, estava nas áreas da família Buscapedra.

A caminho de Niterói

A caminho de Niterói

O Caio Gomes já estava me esperando de carro, e de lá fomos para a casa dele, onde por insistência da matriarca da família, dona Jussara, ficamos para o almoço. Nesse meio tempo fui apresentado à história da família, vendo os vários álbuns de fotografias das escaladas do clã Gomes. Fotos da década de 70 e 80, com o Jorge escalando e conquistando ao lado de gente como Sérgio Tartari, passando pelas fotos do Caio e Pedro dando os primeiros passos na rocha, até se tornarem os dois ótimos escaladores que são hoje. Muito legal ter podido compartilhar dessa história.

Depois do almoço, o destino foi a pracinha. Já estava ansioso pra conhecer o pico, que só havia visto por foto e alguns vídeos do Caio. A primeira impressão que eu tinha, de que era perto da casa dos Gomes, foi por água abaixo. O negócio é longe, e levamos uns 30 minutos pra chegar lá. A segunda diferença, o setor é bem menor do que eu tinha imaginado. Itacoatiara é um bairro abastado de Niterói e a pracinha fica encravada no meio de vários casarões. Mas apesar de estar em área nobre, a praça é mal cuidada, o que deixa os escaladores locais indignados, pois apesar de tentarem ajeitar as coisas, tem sempre suas tentativas barradas por alguns moradores que se sentem incomodados com a presença dos mesmos. Engraçado é que eles não parecem se incomodar com os beberrões que deixam latas e garrafas na praça e com os despachos deixados ao ar livre pelos praticantes da Umbanda.

Mas enfim, estávamos ali para escalar, e o Caio Gomes foi fazendo o tour pela praça, mostrando os principais blocos. E eu fui ficando surpreso, pois apesar de pequeno, o setor guarda muitas linhas bonitas e fortes. Quase todo bloco no lugar dá bons boulders, um aproveitamento fantástico!

Mas o tempo estava passando e resolvi começar a brincadeira. Entrei primeiro em uma aresta (ou seria uma fenda) que pareceu bem fácil e no ponto pra dar uma esquentada. Entrei no boulder e consegui mandar sem problemas, sem precisar usar os betas que o Jorge me deu. Depois desse, tentei algo um pouco mais difícil, o Bailarina V3. Saída baixa, com pegas invertidas, pra depois ir seguindo por pequenos regletes no topo da aresta. O boulder quase sai de segunda, mas na hora do domínio, alguma agarra de pé que eu estava usando quebrou e eu vazei. Dei um tempo e entrei mais uma vez, dessa vez usando o beta do Pedro, o que facilitou mais ainda minha vida. Minha primeira cadena na Pracinha.

Depois desse, não me restava muita opção a não ser entrar no Rising from the Vala, V4 clássico de Itacoatiara. O boulder segue uma linha negativa, de pegas boas, mas com um domínio em agarras abauladas. No primeiro pega já consegui bater no abaulado em cima, mas não consegui trabalhar os pés para fazer a virada. E isso acabou sendo o crux, já que tentei umas 5 vezes o boulder e em todas, apesar de em algumas ir melhor do que em outras, eu não consegui fazer o domínio. A rocha abrasiva comeu a pele dos dedos rápido e resolvi deixar para uma outra vez a cadena do Rising. Enquanto isso, fiquei acompanhando o Caio Gomes dar uns pegas num antigo projeto seu, que deve ficar na casa do V12/13, e se empolgar de novo em encadenar o problema.

A família buscapedra: Jorge Gomes, Caio Gomes e Pedro Gomes

A família buscapedra: Jorge Gomes, Caio Gomes e Pedro Gomes

A energia acabou, e fomos beber e comer algo num quiosque na beira do mar, onde rolou uma conversa sobre o desenvolvimento da escalada no Brasil, a falta de incentivo para o surgimento de novos escaladores, principalmente escaladores de parede. E conversa vai, conversa vem, chegou a hora de voltar pra casa. E voltamos pra casa apenas para tomar um baita susto! Entramos no elevador, eu, Caio e Pedro, e logo de cara o Caio percebeu uma goteira dentro do elevador. Achamos estranho mas deixamos de lado. O Caio havia esquecido de apertar o botão do andar do apartamento deles e o elevador começou a descer, mas quando chegou perto do térreo, um solavanco e um estrondo deu o maior susto na gente. Quando o Pedro abriu a porta do elevador, estávamos uns 40cm abaixo do piso do térreo. Conclusão óbvia: o elevador havia despencado com a gente dentro! Graças a Deus despencou de um local baixo, creio eu, e ninguém se machucou. Apenas o Caio e o Pedro ficaram bastante assustados, já que moram ali praticamente a vida inteira e nada do tipo havia acontecido antes. Depois do susto, foi só brincadeira.

Mais uma vez desfrutei da fantástica hospitalidade da família Gomes, que me fez sentir em casa, e aguardei a hora de ir para o aeroporto. A ideia era ir de Táxi, que se mostrou muito caro, e logo mudei para o ônibus. Mas quando se aproximou a hora de ir pegar o transporte para o aeroporto, o Jorge se levantou e disse: Vamo lá, a gente deixa ele! Fiquei sem acreditar, era longe pra caramba, e ainda assim ele se dispôs a me deixar no aeroporto. Me despedi da Dona Jussara, e fui para o aeroporto acompanhado do Jorge e do Caio. Me despedi dos dois como se estivesse me despedindo de membros da família e fui para o saguão do aeroporto já sentindo a saudade chegar. Mal espero a hora de voltar, ou de reencontrar meus irmãos das pedras por ai! Até a próxima pessoal e obrigado por tudo!

Postado por Neudson em : Relato, Sem categoria