Visita de Anderson Gouveia e a escalada de competição no Ceará
Esse final de semana esteve aqui em Fortaleza o escalador paranaense Anderson Gouveia, coordenador de route setter da CBME e route setter continental da IFSC. Ele esteve aqui para ministrar o curso de certificação de Route Setter Estadual, que acabei tendo a oportunidade de fazer, e por isso as coisas no blog ficaram meio de lado. O curso foi bem legal, e apesar das limitações da estrutura disponível deu pra absorver um monte de coisas.
Mas acho que o legado dessa visita vai além do que meramente formar route setters (algo que não ocorreu de fato, devido a falta de estrutura para a correta avaliação). Após a visita do Anderson, as pessoas responsáveis por organizar campeonatos aqui no estado finalmente enxergaram como deve ser organizado um campeonato de escalada esportiva. Falo finalmente, porque desde antes da visita do Anderson eu já falava de algumas coisas que deviam ser corrigidas, mas que nunca foram levadas em consideração.
Não quero dizer com isso que eu já sabia de tudo. A visita do Anderson veio também complementar muita coisa que eu ainda não compreendia direito sobre as competições, elucidar os detalhes das regras e principalmente, mostrar a estrutura organizacional de uma competição de escalada nos moldes da IFSC.
Creio que essa nova visão possibilitada por esse contato com o Anderson tem tudo para se tornar um verdadeiro ponto de inflexão na Escalada de Competição aqui no estado. Agora os organizadores sabem que desempate por tempo não existe na Escalada de Dificuldade, que não existe cair e tentar de novo, que não dá pra fazer campeonato de nível estadual com a categoria principal sendo escalada de Top Rope, que não existe categoria Master nem Amador, que muro de campeonato estadual tem que ter dimensões mínimas e ser guiado, que campeonato tem que ter Startlist, tem que ter filmagem de cada tentativa, que tem que ter mais um monte de coisas que o Anderson não viu durante a etapa que serviu de prática para o curso.
A partir de agora, espero ver deixado de lado os campeonatos “estaduais” em muros pra criança, que viraram motivo de chacota entre algumas pessoas. Agora espero ver campeonatos bem organizados, com regras claras, e com capacidade de atrair os escaladores mais fortes do estado. Espero ver daqui pra frente muros melhores, mais técnicos, que possibilitem a criação de vias mais atrativas, tanto para os atletas, quanto para o público. Espero ver campeonatos com capacidade para atrair público e atrair patrocínio. Espero ver campeonatos com premiações que vão além da simples medalha. Espero ver a escalada ganhar realmente o devido destaque quanto esporte.
Uma próxima etapa de campeonato está marcada, e não vou ainda ter pretensões de que ela cumpra tudo isso, que agora se sabe, fazem parte das regras de um campeonato oficial. Mas se os organizadores realmente estiverem com a vontade de mudar tudo, e principalmente de escutar, podem contar com a minha ajuda. Seja como route setter, como divulgador aqui pelo blog, ou simplesmente como atleta.
E que venham novos tempos pra Escalada de Competição no Ceará!
Nova marca e novo layout!
Eu tinha prometido pra julho, mas acabou ficando pra agosto. Não agosto de Deus, como dizem, mas pra Agosto mesmo. Demorou um pedacinho mais do que eu planejei mas ai está, o novo layout do Desce daí, doido! está online! O novo layout vem alinhado com a nova marca do Desce daí, doido! pensada pra ficar mais no “clima” do nome do blog, algo mais despojado e mais divertido. A página do Facebook e o Twitter também vão ganhar a cara da nova marca!

Mas e o que o novo layout tem melhor do que o antigo? Pra começar o blog agora é mais largo! O layout saiu do antigo padrão de 800 pixels para 1024 pixels de largura, o que fez a área do post saltar de 450 para 590 pixels!

E o que isso significa para você, caro leitor? Significa menos rolagem para ler textos mais longos. Significa imagens e vídeos maiores nos posts! Deixando tudo melhor de ser visualizado e curtido. Mas além da nova largura o blog ficou mais organizado. Em vez de apenas uma barra lateral, optei por utilizar duas: a da esquerda somente com conteúdo relativo ao blog e as redes sociais; e a da direita somente para conteúdo externo, promoções, links e anúncios. Sim, anúncios. A ideia é fazer o blog crescer, e pra começar nessa era da monetização do blog, resolvi aderir ao AdSense do Google, que agora vai aparecer na barra lateral direita e na página individual dos posts, abaixo do conteúdo e acima dos comentários!
Outra novidade é a navegação, que ficou mais eficiente com o sistema de paginação. Agora você não precisa mais ficar passando por páginas e páginas de posts pra achar o que você quer. O sistema mostra as 4 páginas mais próximas da que você está, as mais próximas múltiplas de 10, e tem os botões para ir para a próxima página, página anterior, primeira e última página!

Outra novidade legal, é a “barra de interação”, onde estão as ferramentas das Redes Sociais de maior evidência atualmente: o botão curtir do Facebook, o Tweet e o Google +1. Agora cada post do Desce daí, doido! pode ser compartilhado diretamente do blog para cada uma dessas redes sociais. Espero que vocês façam bastante uso dessa ferramenta e ajudem a divulgar o blog!

Ainda tem mais?! Tem sim! O blog ganhou uma nova página: Vídeos! Na página de vídeo você vai ter acesso aos poucos mais de 400 vídeos já compartilhados pelo Desce daí, doido!, tanto no blog, quanto nas redes sociais. Tudo agora num lugar só, com uma galeria bacana, pra ficar mais fácil desfrutar dos melhores vídeos de escalada da internet. E toda vez que um novo vídeo for compartilhado no Desce daí doido!, ele será adicionado à galeria, aumentando ainda mais o acervo!
Bem, por enquanto é só, espero que tenham gostado, da nova marca, do novo layout, das novidades. Talvez algumas coisas ainda não funcionem completamente como o esperado, mas vamos melhorando com o tempo!Em breve vão ter mais novidades aqui no blog! Fiquem ligados!
Felipinho e a cadena da Ali Hulk!
Nessa quarta Felipe Camargo encadenou seu segundo 11c (9a fr), a via Ali Hulk, de Dani Andrada! Felipinho já tinha mandado em outras trips partes dessa via, a Hulk, que foi seu primeiro 11a, e a Hulk Extension. E parece que a cueva de Ali Baba deu sorte, e com a cadena Felipe mudou o humor da trip, que teve um começo um tanto ruim, com dores nos dedos e ficando doente na gringa. Não vou perder tempo aqui descrevendo a história da cadena, por que isso ele fez melhor do que qualquer um no seu blog. Mas gostaria de relatar a experiência que foi ficar sabendo da cadena, que ele já vinha tentando fazia algumas semanas.
Eu não conheço o Felipinho pessoalmente, o conheço somente pela internet, e sempre que dá converso algo com ele pelo msn, facebook, e sabia o quanto essa via tinha trazido de volta a motivação que ele estava sentindo falta na trip. Quando vi ele anunciando no FB que tinha encadenado, senti uma grande alegria. Alegria que me pegou meio de surpresa, por que apesar de estar torcendo, mandando a vibe pra ele lá, não pensei que fosse me alegrar tanto, até por já sabia que ele encadenaria a via, mais cedo ou mais tarde. Mas foi ai que bateu. Fiquei feliz não só porque era um escalador brasileiro levando o nome do esporte mais alto lá fora. Fiquei feliz por que era um amigo conseguindo mais uma conquista na sua vida como profissional!
Parabéns, Felipe! Você mereceu mais essa conquista e merece ainda outras tantas que virão pela frente. Espero que a gente possa se conhecer pessoalmente em algum pico por esse Brasil. Quem sabe Ubatuba essa ano!
E pra fechar o post, fiquem com o vídeo da cadena de Felipe Camargo!
Como perder um parceiro de escalada em 10 dias!
Por esses dias, doido atrás de algo novo e interessante pra postar no site, achei um texto muito engraçado que mostrava um roteiro de como perder um parceiro de escalada em 10 dias. Achei massa e como ri pra caramba lendo, resolvi traduzir ele aqui pra vocês, com algumas pequenas adaptações. Quem se identificar com o parceiro de escalada exemplificado no texto, por favor, não me chame pra escalar!
Não há nada melhor do que sair numa viagem de escalada. A oportunidade de viajar é a melhor parte da vida de qualquer escalador. Existe escalada em todos os países da terra..apenas aponte um lugar no globo, e se você for um escalador, automaticamente você tem uma razão para ir até lá. Pense um pouco. É bem irado. (Não, sério, pense um pouco. Viu? É muito irado!)
Eu diria que 10 dias é o mínimo de tempo para uma viagem de escalada valer à pena, apesar de eu já ter viajado para vários lugares apenas para um final de semana. É preciso pelo menos 3 dias para se acostumar com o novo lugar. E você também tem que tirar uns dias de descanso (uns 3) – uma perda ineficiente de tempo, como tomar banho, meditar, mas que eu acabo aturando por que é necessário. Isso te deixa com 4 dias para encadenar algo, o que de repente não parece tanto tempo assim considerando que você está fazendo uma viagem de 10 dias.
Mas enquanto não existe nada melhor do que viajar para escalar, também não existe nada pior do que viajar para escalar com uma merda de parceiro. Um parceiro de escalada ruim pode estragar tudo. Eu sou um cara de mente aberta, amigável. Escalo com praticamente todo mundo. Não me importa quem a pessoa é, o que ela faz, se escala forte ou não. Apenas não seja um idiota e nos daremos bem. Mas eu fui em viagens de escalada com certo parceiros que me fizeram sentir vontade de parar de escalar. Isso é meio como fazer o Papa querer desistir do Catolicismo. Eu preferiria escalar com Hitler do que com algumas dessas pessoas. E apesar disso não ser verdade, era assim que eu me sentia quando estava na base da pedra.
Qualquer um que consiga fazer a coisa que você mais ama fazer parecer uma tortura tem que ter sido enviada diretamente do inferno com o único propósito de estragar sua viagem, não é?
É quase tão perfeito, tão bem planejado, que é como se a viagem dele tivesse sido organizada assim:
Dia 1: Esqueça a cadeirinha no carro. Não fale nada até ele (no caso você) estiver encordado e pronto pra escalar. Fique por ali pedindo desculpas efusivamente enquanto não faz a menor menção de ir pegar a cadeirinha. Depois de pegar a cadeirinha e enquanto estiver fazendo a segurança dele na primeira via difícil do dia, assegure-se que ele caia o dobro do que ele deveria. Quando ele for subir pela corda para voltar ao ponto onde estava, não ajude em nada. Ah, e também o desça mudando de velocidade abruptamente e à todo instante.
Dia 2: Comece sendo realmente competitivo em tudo. Na escalada e quem sabe em mais coisas. Seja pedante ao extremo quando falar com ele sobre coisas que você sabe que ele sabe. “Cerveja muito gelada não presta. Isso é coisa de quem não sabe beber cerveja. Qualquer dia a gente marca pra eu te mostrar como se bebe uma cerveja de verdade”. Esse tipo de coisa…
Dia 3: Se machuque. Torça o tornozelo na trilha e faça com que a sua lesão seja também a lesão dele. “Ai cara, a gente não pode ir naquele setor não, eu acho que não consigo ir até lá!”.
Dia 4: Dia de descanso. Procure um médico homeopata que fique há 4 horas do lugar. Vá até lá (ele dirige) para dar um jeito no tornozelo. Certifique-se de que o consultório está fechado.
Dia 5: Insista em ficar apenas de “top rope”.Se apoie na corda em todos os movimentos mais difíceis e depois dispense a via dizendo apenas “É legalzinha!”. Uma vez no chão, fale sobre seus incríveis objetivos na escalada que com certeza você nunca vai cumprir. “Próximo ano eu acho que vou tentar escalar o El Cap em livre. Vou precisar de alguém pra fazer minha seg. Quais são os seus planos pro ano que vem?”.
Dia 6: Decida, sem razão nenhuma, a ficar respirando pela boca e se assoprando enquanto come, como se tudo que você comesse fosse sopa quente. Mastigue alto e com a boca aberta. Enquanto ele estiver escalando, apenas fique atrás dele gritando o tempo inteiro: “Cai porra! Cai!”
Dia 7: Misteriosamente, esqueça, ou até melhor, perca o seu saco de magnésio. Use o dele. E então passe uma hora e meia escalando de top rope no seu projeto. Marque cada agarra. Nunca mais volte na via. Diga que está guardando a via para a próxima vez que voltar pra lá, o que provavelmente é nunca.
Dia 8: Continue cegando ele com sua headlamp enquanto fala com ele de noite. Não lave os pratos.
Dia 9: Enquanto estiver desequipando a via de “top rope” faça com que um dos móveis dele fique entalado. Realmente prenda o negócio de um jeito que ele nunca mais saia de lá. Pra completar, ainda coloque a culpa nele: “Por que você colocou uma peça número 3 numa fenda onde só cabia um 2?”
Day 10: Quando finalmente parecer que ele vai encadenar algo, apenas sente na corda e o puxe pra fora da parede. Jure de pés juntos que ouviu ele falar “Pega!”. De verdade!
Boulder não é descanso!
Eu não gosto de “requentar” posts, mas quando tive problemas com o meu servidor ano passado, vários dos meus textos se perderam, alguns bem legais e que realmente fizeram falta ao blog. Minha sorte foi que nessa época, eu ainda era um colunista ativo do Alta Montanha e alguns desses textos acabaram indo parar por lá. Foi o que aconteceu com o meu post sobre o Sharma, e a Escalada e a vida, que foram textos legais que eu escrevi, que foram bastante lidos e eu pude recuperar do Alta Montanha e trazer de volta pro Desce daí, doido! E esse é outro texto legal que eu escrevi e que também ficou à salvo do “crash” do meu servidor. Então deixo com vocês aqui, meu manifesto (ou seria ode?!) ao boulder!
Um dia desses, antes de fazer minha primeira viagem pro Rio, eu conversando com alguns amigos sobre os meus planos de escalada para a cidade maravilhosa, falei com a naturalidade de alguém que gosta de boulders, que intencionava tirar um dos três dias da viagem para encarar os pequenos blocos. A resposta veio rápida:
- Eu não acredito que tu vai pro Rio, e vai fazer boulder! Boulder? O cara vai pro Rio de Janeiro e vai fazer boulder. Boulder o cara faz se for passar uns 10 dias, ai você tira um diazim pra descansar e fazer boulder!
Opa! Descansar e fazer boulder? Taí duas coisas que pra mim são completamente excludentes. Como é que uma pessoa consegue descansar fazendo boulder? Eu pelo menos termino mais acabado depois de uma boa sessão de boulder do que um dia inteiro fazendo esportiva.
Mas eu não fico surpreso com essa reação, pelo menos aqui no Ceará, onde praticamente não existem boulders e ninguém se interessa em trocar as grandes paredes pelos pequenos blocos. Você pode até não gostar de boulder, mas dizer que é algo que você faz num dia de descanso, é querer comprar briga comigo companheiro!
Tá certo que o bouldering surgiu como um treino para as grandes escaladas, mas com o passar do tempo ele se tornou uma modalidade com fim em si mesma. Tanto que existem hoje escaladores que dedicam-se somente ao bouldering, como Daniel Woods, Paul Robinson, Tyler Landman, Jason Kehl. Grandes escaladores, que estão entre os melhores do mundo. Agora pergunta pra eles se eles tão descansando.
Boulder é das modalidades de escalada, a que concentra um maior esforço físico em um menor espaço de tempo. É pressão o tempo inteiro. Força nos braços. Dedos rasgados sem perdão. Se alguém quiser usar essa “brincadeira” pra descansar antes de fazer um bigwall, vá em frente! Mas eu não recomendo.
Só sei que da próxima vez que me perguntarem porque eu estou indo fazer boulder ao invés de esportiva ou escalada clássica, eu vou dizer que minha próxima viagem pra fazer boulder, vai ser pra Yosemite! Belo descanso, né?
Evolução em saltos
Dizem por ai que a evolução não dá saltos. Mas parafraseando o Professor Xavier, parece que de tempos em tempos, ela dá sim, um salto, um enorme salto. É o que eu vejo acontecer hoje com a graduação da escalada esportiva.
Em setembro de 2008, Chris Sharma encadenou a primeira proposta de 12b (9b fr) do mundo, Jumbo Love. Naquele mesmo ano, Chris encadenou uma segunda proposta, Golpe de Estado. Passou-se um ano inteiro até ele inaugurar outra via nesse nível de dificuldade, com a via Neanderthal. E parou por ai. Três vias de 12b em um período de 2 anos! Parecia algo incrível!
Mas eis que surge a “mutação” Adam Ondra. Em 2010 ele repete a via Golpe de Estado e se torna o segundo homem na terra a encadenar um 12b e todos ficam aguardando o que viria pela frente.
E veio 2011, que com certeza vai entrar pra história da escalada esportiva. Em menos de 6 meses, uma enxurrada de novas vias no grau mais alto de dificuldade mundial, encadenadas ora por Chris Sharma, ora por Adam Ondra. Praticamente uma disputa entre o norte americano de 30 anos e o tcheco de 18.

Adam Ondra começou com a cadena de La Capella, em Siurana. Primeiro FA de um 12b do moleque. Empatou a disputa ao encadenar a via aberta por Chris Sharma, Chaxi Raxi, e passou o americano ao encadenar a polêmica Chilam Balam, em penas três dias! Três novos 12bs em apenas 2 meses! Isso sim é incrível!
Chris Sharma respondeu de pronto, e empatou a disputa encadenando seu antigo projeto em Margalef, First Round First Minute, que por enquanto fica como um 12b, mas tem potencial para ser o primeiro 12c (9b+ fr) do mundo.

Mas quem disse que acabou por aqui? Adam Ondra salta na frente mais uma vez ao encadenar mais um 12b de sua autoria: La Planta de Shiva, na mesma parede da Chilam Balam.
Já parecia demais. Um 12b pra cada novo mês do ano. Mas Chris Sharma resolveu deixar essa divisão um pouco mais difícil, e encadena mais um 12b, dessa vez em Oliana, Fight or Flight.
Seis novos 12bs em 5 meses! É como se de uma hora pra outra, esses dois escaladores tivessem dado um salto de rendimento, e encadenar vias no grau mais alto de dificuldade tivesse se tornado rotina.
No total, os 12bs do mundo somam agora 9, e a “disputa” entre Chris Sharma e Adam Ondra segue empatada com 5 12bs para cada! E o ano nem chegou na metade! 2011 promete!
Obs: Ok, você deve estar se perguntando: mas e o 12b da Ali Hulk de Dani Andrada? E o 12b da Akira de Fred Rouhling? As duas vias compartilham a mesma característica, estão mais pra boulder, do que para via propriamente dita. Sobre a de Fred Rouhling, ainda impera a dúvida da cadena e também do grau. Ali Hulk foi encadenada tanto por Dani Andrada, quanto por Magnus Midtboe. Mas o que aproxima mais as duas vias e os escaladores que as encandenaram, é o fato de eles terem aparentemente parado por ai. Algo que não acontece com Chris Sharma e Adam Ondra, que seguem abrindo e encadenando 12bs.
A próxima geração II
Eu já escrevi aqui sobre a nova geração de escaladores, que cada vez mais jovens alcançam os graus mais altos de dificuldade da escalada mundial.
Adam Ondra surpreendeu o mundo aos 13 anos e hoje é um dos escaladores mais fortes do planeta, já somando 5 cadenas de vias no grau mais alto hoje existente, 12b (9b fr), e isso com apenas 18 anos.
Enzo Oddo, sobre quem mais falei no post anterior, já está mais do que firmado como um dos grandes, com ascensões marcantes, como a lendária Biographie 12a (9a+ fr) e a cadena do Highball Ambrosia, cotado incialmente em V14. Idade do moleque? 16 anos.
O italianinho Tito Claudio Traversa tem recebido bastante destaque no mundo da escalada, por ter escalado, com apenas 9 anos, o difícil grau de 10b ( 8b fr). Se continuar no ritmo de evolução atual dele, Tito deve quebrar todos os recordes de idade de Adam Ondra!

Mas o incrível é que a cada dia que passa, novos nomes aparecem, com idades variando dos 8 aos 18. Fazendo uma rápida pesquisa na base de dados do 8a.nu, vemos a infinidade de crianças e adolescentes escalando forte mundo afora. Nomes como David e Ruben Firnenburg, irmãos alemães de 15 e 14 anos respectivamente, ambos escalando na faixa do 11º grau.
Stefano Carnati é outra grande promessa italiana. Com apenas 12 anos escalou seu primeiro 10b (8b fr). Mas o que mais impressiona em Carnati não é o grau atual, e sim a evolução do moleque. 18 meses atrás o grau mais forte de Carnati era um modesto 7a (6c fr).

Os Estados Unidos também tem o seu garoto prodígio, o pequeno Shawn Raboutou, de 13 anos, e já escalando 10c (8b+ fr). Mas também a família do garoto tem passado. Ele é filho da escaladora Robyn Erbesfield-Raboutou, campeã mundial de escalada por 4 vezes e terceira mulher no mundo a escalar um 10c! Ah, e ainda tem a irmã caçula de 10 anos dele, Brooke, que seguindo os passos do irmão e da mãe já escalou um 10b!

E o Brasil? Bem, o Brasil tinha Felipe Camargo, mas como ele já chegou nos 20 anos, não dá mais pra colocar ele nessa categoria né?
Contudo, o Brasil não parou no Felipinho e tem seus novos talentos. O paulista Rafael Takahace, de 15 anos, foi o destaque da seleção brasileira juvenil no mundial do ano passado em Edimburgo, escalou o V9 do boulder Ostras em coma, em Ubatuba, e tem na sua lista de vias vários 8bs à vista!

Outro moleque que promete, é o mineiro Yan Kalapothakis. Yan começou a escalar com 12 anos, e hoje com seus 15 anos recém completos já tem no currículo o título do campeonato inter-colegial 2010 na Escócia, o terceiro lugar na categoria amador do Brasileiro 2010, e já encadenou um 9a (7c fr) em via e V9 em boulder!

Sugiro fortemente, pra quem gosta de ver a evolução da escalada tanto quanto eu, que fiquem de olho nessa garotada, por que eles vão dar muito o que falar mais na frente!
Domingo de carnaval na Pedra Vermelha
Domingão de carnaval foi dia de ir dar uma escaladinha na rocha. A chuva deu uma trégua e a galera tomou o rumo de Redenção. No bonde, eu, Daniel, Mario, Damito e André Braga. Todo mundo pra Pedra Vermelha, o point de esportiva que vai com certeza elevar o nível da escalada cearense.
Eu e o Daniel ficamos mais uma vez malhando a Borboleta no Rego, com quatro cadenas até agora, todas corroborando a graduação, colocando a via entre 8b e 8b hard! Via linda, negativa, agarras abauladas, constante. Depois de dois pegas na via, eu vi que realmente preciso treinar mais resistência se eu quiser passar o crux, que é entre a penúltima chapa e a parada. Mas vou treinar pra tentar encadenar esse ano. Daniel na última tentativa, acabou dando um upgrade na via, aproveitando que o Damito e o Mario estavam com material de conquista, e colocou mais uma chapa com argola na parada, deixando assim a tarefa ingrata de desequipar a via bem mais segura.
O André deu mais um pega na Evil Chicken From Hell, mas não conseguiu isolar o que parece ser o crux, a viradinha depois de sair do teto. As previsões já colocam a ECFH na casa do 9º grau, podendo ainda ser mais forte. Então a galera aqui do Ceará fica na espera de alguém que escale 10º pra vir aqui e fazer a primeira ascensão e cotar a via.
Mario e Damito começaram a abrir uma variante da ECFH, que não pega pra fazer a viradinha, continua pelo teto, numa travessia. A nova variante ganhou 2 chapas além das que já usa da ECFH e também vai ficar uma via foda, talvez 8º alto ou quem sabe 9º.
Mas o grande destaque do dia ficou mesmo pelo link da Orelha de Porco 7c, com a Borboleta, dando origem a uma nova via: Porcoleta. A via começa na Orelha de Porco, e continua nela quase toda, mas logo depois do crux sai pra direita, com movimentos longos, pra chegar na quarta chapa da Borboleta. Uma chapa intermediária foi colocada entre as duas, mas ainda assim o lance fica bem esticado, mas com uma queda bem limpa. O André isolou o lance do link da via, e tenho que dizer, ficou lindo demais o lance. Grau? Deve acabar ficando mais forte do que a Borboleta, segundo o André, um 8c/9a talvez.
Depois eu pego algumas fotos do dia de ontem, que ficaram todas na câmera do Damito, e posto aqui pra galera se instigar com a Pedra Vermelha e vir contribuir com a evolução do pico.
Primeiro 9º grau cearense?
Eu sou partidário da teoria que o nível da escalada de determinado lugar é proporcional ao nível das vias que ele possui. Aqui no Ceará durante muito tempo a via mais difícil e mais desejada era um 7c. O que fez, eu acho, a maioria dos escaladores cearenses ficarem presos abaixo do 8º grau. Os primeiros escaladores cearenses a escalarem acima desse patamar o fizeram quando foram morar fora, caso do Júlio Pimentel e do André Braga, hoje escaladores de 9º grau.
Mas de uns tempos pra cá o negócio tem começado a mudar de figura por aqui. E eu considero que dois fatores foram determinantes: primeiro a exploração da Pedra Vermelha, setor bem negativo que possibilitou novas vias de grau mais alto; e segundo, a contribuição do alemão Malte Seithuemmer, que morou aqui durante um ano, e motivou a galera a escalar cada vez mais forte e a abrir algumas vias tendendo ao nono.
Algumas das vias que começaram a surgir que chegaram perto, foram a Borboleta no Rêgo 8b, a Centopéia 8b/c, ambas na Pedra Vermelha, a Favo de Mel 8c (?) em Tejuçuoca, ainda sem cadena , e entrando na casa do nono, talvez mais alto ainda, ficam a Todynho e a Evil Chicken From Hell. E parece que esse mês, a Evil Chicken From Hell pode acabar recebendo sua primeira, ou primeiras cadenas.
O André está por Fortaleza, e foi ontem comigo e o Daniel até a Pedra Vermelha, e deu 2 pegas na via. Achou realmente a via bem forte, e acha que pelo menos 9a a via é. Mas essa semana, um amigo dele, também escalador na casa do 9º desembarca por aqui, e deve tentar a via também. Queria eu estar lá pra documentar as tentativas e a provável cadena, mas vai ser durante a semana, então…mas creio que no final da semana devo noticiar aqui a primeira cadena de 9º grau no estado do Ceará, o que eu espero, eleve a motivação da galera pra continuar evoluindo.
Escalada, esporte de competição
Esse final de semana, passeando pela internet, acabei topando com um vídeo que eu achei inusitado. Era um vídeo sobre a copa do mundo de escalada em gelo. Isso mesmo, escalada em gelo. Quer dizer, não exatamente em gelo, mas usando das técnicas da escalada em gelo em uma parede artificial.
Depois de ver o vídeo eu fiquei pensando em como a escalada é um esporte diverso, com várias modalidades, e o imenso potencial que existe para a competição, muito embora os “puristas” do esporte não queiram admitir. E esse potencial começa a ser vislumbrado pelo Comitê Olímpico Internacional, e pode culminar com a escolha da escalada para integrar os jogos olímpicos de 2020.
A escalada em gelo não é uma das modalidades candidatas, somente aquelas que fazem parte da IFSC, que são a Escalada Esportiva de Dificuldade (Lead), Escalada Esportiva de Velocidade (Speed) e o Boulder. Mas ai já temos 4 modalidades de competição da escalada. Temos ainda o Psicobloc, que já vem promovendo suas primeiras competições, e uma modalidade que até hoje só vi acontecer no Arco Rock Master, e que sempre achei bem interessante: o Duelo.
Mas é impossível falar da escalada como esporte de competição e não parar para pensar no apelo que esses esportes podem vir a ter para o público. Por que mesmo que a escalada se faça presente nas Olimpíadas de 2020, é o sucesso, ou não, com o público que vai impulsionar realmente o esporte.
Entre todas essas modalidades citadas as que realmente vejo com um maior poder de atração para um público leigo, são o Boulder e o Psicobloc, mas apenas o boulder está pleiteando uma vaga nas Olimpíadas. Essas duas modalidades levam vantagem, na minha opinião, justamente por promoverem um espetáculo de força, agilidade e técnica. Não que as outras modalidades não tenham isso, mas nessas isso fica mais evidente, já que movimentos “acrobáticos” que enchem os olhos até mesmo dos que já escalam, são mais comuns nessas modalidades.
Acho também bastante emocionante o estilo de competição Duelo, mas o fato de ele só existir nos eventos de Arco, deixa ele bem longe de se popularizar como uma modalidade competitiva.
De qualquer forma, a escalada parece estar cada vez mais se desenvolvendo na direção de competições atraentes e bem organizadas, seja na dificuldade, boulder, psicobloc e até mesmo o gelo. E esse ano acontece o grande teste para a escalada como esporte de competição, que é o Campeonato Mundial em Arco, que vai ser minuciosamente analisado pelo COI, e deve influenciar diretamente na escolha dos esportes que iniciarão sua história Olímpica em 2020, escolha essa que acontece em 2013.
Sendo assim, cabe a nós escaladores apoiar as competições, seja participando, organizando ou somente assistindo. Quem sabe no futuro a escalada possa ter o mesmo prestígio e atratividade de competições como a natação e as corridas e com isso poder alavancar ainda mais o esporte, permitindo que jovens atletas possam viver da escalada e também que tenhamos respaldo para proteger e manter os santuários de escalada espalhados pelo Brasil e o mundo.
Confira abaixo alguns vídeos de todas as modalidades citadas acima!







