Semana Gringa – 29/10/11 a 04/11/11
E ai galera, chegou mais uma sexta, mais um dia de Semana Gringa aqui no blog! Se você não teve tempo de acompanhar as notícias durante a semana, aqui no Desce daí, doido! você confere a compilação de tudo que foi destaque no mundo da escalada lá fora! Essa semana tivemos Dani Andrada estabelecendo uma via insana durante o Petzl RocTrip na China. Tivemos Alex Honnold e Hans Florine chegando muito perto de bater o recorde de velocidade da The Nose. Nessa semana também conhecemos o novo campeão da Copa do Mundo de Dificuldade e vimos Tommy Caldwell iniciar mais uma tentativa no seu mega projeto em Yosemite!
Dani Andrada abre um 11a de 8 enfiadas na China
Essa semana, durante a última edição do Petzl RocTrip na China, Dani Andrada conquistou e escalou uma via de proporções épicas! Um 11a (8c fr; 5.14b us) de 8 cordadas em pleno Arco de Getu! A via se chama Corazon de Ensueño, tem 210 metros de comprimento, e segundo Andrada, é a melhor via já criada por ele. Andrada levou 3 dias para completar o projeto, no qual foi ajudado por ninguém mais ninguém menos que Chris Sharma, que fez a segurança do escalador espanhol! A via pode não ser a mais difícil do mundo com esse tamanho, mas com certeza é uma das mais bonitas!Venga Dani! Leia mais aqui, em espanhol!

Dani Andrada e Chris Sharma na via Corazon de Ensueño (Foto de Sam Bié)
Honnold e Florine muito próximos do recorde da The Nose
O escaladores americanos Alex Honnold e Hans Florine ficaram muito perto de bater o recorde de velocidade da The Nose, em Yosemite. A dupla escalou a clássica via em apenas 2 horas 37 minutos e 30 segundos, apenas 45 segundos a mais do que o atual recorde, estabelecido por Sean Leary e Dean Potter no ano passado. Esse tempo deu a dupla o terceiro melhor tempo da via e também foi a terceira tentativa deles na clássica linha. A dupla espera fazer ainda mais uma tentativa esse mês, mas as previsões do tempo não estão ajudando! Boa sorte pra dupla! Leia mais aqui, em inglês!
Jakob Schubert garante o título da Copa do Mundo de Dificuldade
Jakob Schubert garantiu no final de semana passado, por antecipação, o título da Copa do Mundo de Dificuldade de 2011. O escalador austríaco, que já tinha obtido 7 vitórias seguidas nas etapas anteriores da Copa do Mundo, garantiu o título apenas com um quinto lugar na etapa de Valence. Jakob se torna assim o quinto escalador a ganhar uma Copa do Mundo de Dificuldade (Patxi Usobiaga, Jorg Verhoeven, Adam Ondra e Ramon Julian). O título da etapa de Valence ficou com Ramon Julian entre os homens e Johanna Ernst, entre as mulheres. Leia mais aqui, em espanhol!
Tommy Caldwell inicia mais uma tentativa na Dawn Wall
O escalador Tommy Caldwell iniciou no sábado último mais uma tentativa de liberar o que pode ser o Big Wall mais difícil do mundo, o seu alardeado projeto Dawn Wall, em Yosemite. Tommy dessa vez está acompanhado da mulher, Becca, já que seu usual parceiro no projeto, Kevin Jorgeson, se machucou em uma das tentativas desse ano e ficou de fora. Tommy já escalou nesse momento 11 enfiadas da via, e está tentando a 12. No total a via tem 28 enfiadas, com várias enfiadas na graduação entre o 10º e 11º, na escala brasileira. Será dessa vez que Tommy Caldwell conseguirá liberar a Dawn Wall?! Leia mais aqui em espanhol, e acompanhe os up-dates direto no twitter de Tommy!
Semana Gringa 24/09/11 a 30/09/11
Semana corrida essa, mas com algumas boas notícias pela gringa. A gente teve Alex Honnold fazendo das suas em Yosemite, Joe Kinder repetindo via em Rifle, repetição de 11c na Espanha e primeira ascensão de V14/15 em Rocklands!
Alex Honnold sola Cosmic Debris 9c (5.13b)
O escalador americano Alex Honnold fez das suas mais uma vez essa semana. Ele escalou em solo a fenda Cosmic Debris (escalada por Beth Roden no filme Progression), cotada em 9c. Esse pode ter sido a via mais forte já escalada em solo no Yosemite! Mas ainda tem mais! Pra não perder o costume, Alex também solou a via Heaven, um 9a (5.12d), que também já havia sido solada por Dean Potter. Análise de Honnold sobre as vias? Elas são “soft”! Leia mais aqui, em inglês, e aqui, em espanhol!
Joe Kinder faz rápida repetição de Bad Girls Club
O escalador Joe Kinder, conseguiu essa semana repetir a via aberta por ele mesmo em Rifle, Bad Girls Club, cotada em 11c, e que pode ser a via mais forte do pico de escalada americano de Rifle! Kinder é o terceiro a escalar a via, tendo sido antecido por Matty Hong (que fez o FA) e Jonathan Siegrist. Leia mais aqui, em inglês.
Ben Spannuth encadena Era Bella 11c (9a)
O escalador Ben Spannuth repetiu essa semana a via Era Bella, em Margalef, aberta por ninguém mais ninguém menos que Chris Sharma. A via também já recebeu cadenas de gente como Adam Ondra e Enzo Oddo. Na trip, Ben também encadenou vias como Cosi Fan Tutte 11b (8c+ fr), Pata Negra 11a(8c fr), e Flash Over 10c (8b+ fr). Leia mais aqui, em inglês.
Nova proposta de V14/15 em Rocklands
O escalador britânico Micky Page, em recente viagem pelo paraíso dos boulders de Rocklands, deixou sua marca no local. Depois de repetir problemas forte e clássicos, abertos pela lenda Fred Nicole, Golden Shadow e Black Eagle, ambos V14, Micky resolveu tentar a sorte em algumas linhas ainda não encadenadas e acabou mandando o novo boulder King of Limbs, com grau sugerindo entre V14 e V15. Leia mais aqui, em inglês.

Micky Page no boulder King of Limbs
Resenha – The Scene
Esse final de semana eu conferi o alardeado e muito aguardado novo filme de Chuck Fryberger, The Scene!
Diferente do seu segundo filme, Core (estou contando também o Pure), esse passava a impressão de que iria ter uma linha temática amarrando o filme inteiro. Mas ficou só na impressão mesmo. O título The Scene, faz referência às diversas cenas de escalada que o filme visita, mas ao contrário do que se esperaria, que era o filme ir fundo e explorar as especificidades de cada local, ele fica apenas na superfície na maioria dos lugares, e em outros nem isso. O único local que chega próximo de cumprir a promessa do título e mostrar algo de uma cena realmente, é o trecho em New River Gorge, onde Chuck explora o incomum estilo de escalada em móvel do lugar. Praticamente um “Grit Stone Esportivo” no meio dos Estados Unidos! E esse é o principal ponto fraco de The Scene, não cumprir com a promessa do título, o que nem de longe o torna um ruim. Só não é o filme que se esperava.
Do ponto de vista visual o filme é fantástico. A super-câmera Red de Chuck Fryberger está mais afiada do que nunca. Ele faz uso de tudo que o sistema possibilita, como os “zooms” rápidos que aproximam e recuam do escalador, somente possíveis na mesa de edição e graças a fantástica resolução da câmera. As tomadas em câmera lenta aparecem em profusão, realçando os momentos chaves das cadenas, focando em detalhes, mas sem nunca parecerem repetitivas e enfadonhas.

Mas além das belas imagens, The Scene tem também ótimas cenas de escalada. Caso do já mencionado trecho em New River Gorge, onde acompanhamos Matt Wilder ser apresentado ao local pelo impressionante Pat Goodman, e encarar as difíceis vias em móvel do lugar. A primeira ascensão capturada no final desse trecho é fenomenal! Os trechos de boulder com Nalle Hukkaitaval são sempre muito bons de se ver, já que ele escala com muita plasticidade e quase tudo acaba ficando fantástico na tela.
Assim como em Core, Chuck nos vai buscar algum escalador muito forte, de quem nunca ouvimos falar e coloca na tela segurando agarrinhas minúsculas. Dessa vez foi o escalador Austriaco Much Mayr! E embora não fique no mesmo nível do trecho com B.J Tilden em Core, ainda assim é uma grata surpresa. Outra grata surpresa é ver Ramon Julian receber um certo destaque durante o filme. Apesar de ser um grande escalador tanto na rocha quanto nas competições, Ramon nunca havia recebido a devida atenção nos filmes de escalada até agora.
E claro, chega o trecho final, que conta com a presença de Chris Sharma, falando um pouco do que é viver na Espanha e indo buscar novas vias. O destaque aqui fica por conta da cadena da via Flight or Fight 12b (9b fr). Primeira vez que vemos uma cadena forte do americano não estar em um dos filmes da Big Up Productions.
Na minha opinião, os melhores momentos de The Scene são alcançados quando o roteiro se aproxima dos escaladores e os traz mais pra perto do “mundo mortal”. Essa é uma característica que gosto muito, e que se faz presente em filmes de menos apuro técnico, mas muito bons, como Respira e os dois The Fanatic Search, de Laurent Triay. Em The Scene, isso acontece em dois momentos, um bastante breve, quando Nalle Hukkaitaval deixa de lado a figura de “fodão” do boulder, e admite sentir falta dos amigos e da família toda vez que viaja, e a melhor parte, quando o filme foca em Dave Graham, transparecendo a bagagem cultural do escalador e mostrando o engajamento dele em trabalhar para o mudar o foco da indústria para as pessoas em vez de números, cadenas e coisas que o valha.
The Scene foi lançado com legendas para 6 línguas, incluindo o português, e foi essa versão que eu adquiri. E apesar de o trabalho de tradução ter ficado realmente muito bom (tirando um “Kmonstro” no meio da história), o tamanho da fonte utilizada na edição final ficou muito pequena, dificultando o trabalho de quem realmente precisa ler as legendas.
No final das contas, The Scene é um ótimo filme, com cenas de escalada de fazer suar as mãos e de encher os olhos. Com certeza depois de ver o filme você vai querer partir pra rocha mais próxima. Na minha opinião supera um pouco Core, mas ainda ficou faltando algo pra colocar The Scene entre os melhores filmes de escalada que eu já vi.
The Scene está disponível em download HD, DVD e BlueRay
Dosage IV, um clássico?
Sei que pode parecer precipitado falar do Dosage IV como um clássico dos filmes de escalada, até por que fazem apenas 5 anos que o filme foi lançado, mas foi com essa impressão que eu fiquei quando assisti esse final de semana à produção da Big Up Productions, pela enéssima vez! Não sei se conta para isso o fato de fazer realmente muito tempo que eu não assistia ao filme, e também o fato de ele ter sido provavelmente o primeiro filme de escalada que eu assisti, e praticamente o filme que me apresentou a Chris Sharma, Dave Graham e Tommy Caldwell. Mas a verdade é que, apesar de ter assistido tantas vezes ao filme, apesar de ele não ter os recursos de movimento de câmera de filmes como Progression, ou a qualidade de imagem de um Core, ainda assim o filme se mantém interessante e atual.
Acho que parte do que faz isso acontecer são os grande momentos captados no filme, que com certeza ficaram marcados como alguns dos melhores momentos da escalada capturados em vídeo. É o caso do trecho onde Chris Sharma encadena a via Dreamcatcher em Squamish. Aquele segmento é, na minha opinião, o mais próximo que se chegou da perfeição em termos de edição de uma escalada. Os ângulos escolhidos, os cortes precisos na edição, casando perfeitamente com a trilha sonora, que também caiu como uma luva para a via, fazem desse segmento de Dosage IV, com certeza um dos momentos mais clássicos dos filmes de escalada.
Não dá pra deixar de fora também todo o segmento na Suiça, com Chris Sharma, Dave Graham e Randy Puro destruindo os boulders de Ticino. Trecho onde a trilha sonora foi tão marcante, que basta escutar uma daquelas músicas que você é imediatamente transportado para aquela cidadezinha e visualiza o boulder que estava sendo tentado ao som daquela música! E claro, não dá pra esquecer outro momento mágico captado pela câmera de Josh Lowell, que é a cadena da via Coup de Grace por Dave Graham, ao som da música “Moon” do Little People, que creio que basta qualquer escalador escutá-la, já constroi na mente a imagem de Dave deslizando pela via, naquele estilo altamente técnico e ao mesmo tempo forte e dinâmico, que me fez colocar esse escalador no top da minha lista de escaladores preferidos.
Com menos destaque, mas igualmente “clássicos” são os trechos com Lisa Rands, escalando a mítica via Gaia, no Gritstone inglês e o trecho em Hueco Tanks. Quando assisti pela primeira vez ao Dosage IV não fazia idéia de quem era Lisa Rands e dessa vez me pareceu foi estranho, ver ela ali fazendo uso de proteções móveis, quando hoje pra mim é claro que não é a praia dela. O segmento em Hueco Tanks, contém também cadenas clássicas, aliado a uma trilha sonora igualmente marcante, com espaço até para o até então desconhecido Matt Wilder.
Mas pra um filme ser realmente foda, ele tem que fechar com chave de ouro, e Dosage IV conseguiu isso com o segmento “Two in a Day”, com Tommy Caldwell fazendo a histórica ascensão em livre da The Nose no El Capitan, e da Freerider no Halfdome, em um mesmo dia. As cenas finais, onde Tommy encara as últimas cordadas até o topo do Halfdome, também compõem um momento pra lá de clássico!
Creio que é esse conjunto de fatores, aliado ao momento, onde a Big Up conseguiu o auge da qualidade técnica sem estar com o modelo de filme em segmentos já desgastado, (algo que ficou claro em Dosage V, que foi o último da série) que resultou na perfeição que é o Dosage IV, e que apesar de recente, já tem aura de clássico. E creio que com o tempo essa imagem vai se confirmar, e o filme vai ser item indispensável na coleção de qualquer escalador aficionado por filmes de escalada!
Semana Gringa – 20/08/11 a 26/08/11
Mais uma semana se passou, e se você estava completamente desligado do mundo e não sabe o que rolou e o que foi notícia lá fora, a Semana Gringa resolve o seu problema. Essa semana tivemos mulherada mandando ver! Teve cadena de altíssimo nível por uma mulher e feito inédito feminino em alta montanha. Tivemos cadenas de 11c, incluindo o primeiro de um famoso pico americano. E pra fechar tivemos a primeira ascensão de duas difíceis linhas num importante pico do País de Gales! Confiram!
Charlotte Durif encadena via de 11c
A escaladora francesa Charlotte Durif encadenou essa semana seu primeiro 11c (9a fr, 5.14d us), com a via Les 3p, em Gorge du Verdon. Charlotte é provavelmente a segunda mulher do mundo a escalar uma via nessa dificuldade, a primeira tendo sido a espanhola Jesune Bereziartu. A francesa, de 21 anos, levou um total de 11 tentativas para encadenar a via. Mais aqui (em inglês).
Gerlinde Kaltenbrunner escala os 14 picos de 8mil sem oxigênio suplementar
A escaladora austríaca Gerlinde Kaltenbrunner completou essa semana um objetivo que não é para muitos. Ela conseguiu escalar todos os 14 picos de 8 mil metros do mundo sem a utilização de oxigênio suplementar, tornando-se assim a primeira mulher do mundo a conseguir o feito. O objetivo de Gerlinde ficou completo com a chegada ao cume do K2 essa semana, escalando pela encosta norte, umas das mais raramente utilizadas. Mais aqui (em espanhol)
Cadenas de 11c para Matty Hong e Chris Sharma
O americano Matt Hong fez a primeira ascensão da via Bad Girls Club em Riffle, no Colorado, sugerindo a graduação de 11c (9a fr). A via, aberta por Joey Kinder, pode ser a de mais alta dificuldade do famoso pico americano. Enquanto isso na espanha, Chris Sharma colocou mais um 11c para já sua infinita lista de vias nessa graduação. A via em questão foi a Duele la Realidad, em Oliana. Segundo Daila Ojeda, ele escalou a via em poucas tentativas! Estará Sharma em busca do 11c à vista também?!
Neil Dyer faz a primeira ascensão de um 11b no País de Gales
O escalador britânico Neil Dyer fez a primeira ascensão de um projeto regrampeado por ele, chamado Megalopa e sugeriu a graduação de 11b (8c+ fr). Essa via vem se somar ao 11c da Big Bang, que teve sua segunda ascensão pelo próprio Neil Dyer recentemente (confira no vídeo abaixo). No mesmo dia que fez a primeira ascensão de Megalopa, Neil Dyer também fez a primeira ascensão da via The Brute 10b (8b fr). Mais aqui (em inglês).
Por essa semana foi só pessoal! Semana Gringa volta na próxima sexta, com mais “headlines” internacionais!
Adam Ondra perto do 11c à vista!
Pra quem estava se perguntando o que estaria fazendo o tcheco Adam Ondra depois de ter encadenado a Chilam Balam, La Planta de Shiva, e ter competido em Arco, ficando com o 1º lugar geral, a resposta é: em busca do 11c (9a fr) à vista.
O monstrinho está em Margalef na espanha, onde já passou muito próximo de conseguir o feito com a via Era Bella, que encadenou de segunda tentativa. Por lá, Ondra também encadenou a via de Chris Sharma, Gancho Perfecto 11c, mas sugerindo o grau de 12a para a mesma.
E falando em Chris Sharma e Gancho Perfecto, é justamente uma variante dessa linha o novo grande projeto de Sharma, Mundo Perfetco, que segundo dizem, pode ser o primeiro 12c da história. É ficar no aguardo pra ver o que esses 2 vão “aprontar” ainda esse ano! Enquanto isso fique com a cadena à vista da via Mind Control 11b, por Adam Ondra!
Fonte: Rock and Ice
Campeonato Mundial de Escalada e Arco Rock Masters
No último final de semana chegou ao final o 11º Campeonato Mundial de Escalada em Arco. Foram 10 dias de competições com mais de 130 atletas de vários países, competindo nas 3 modalidades da escalada esportiva de competição: Dificuldade (Lead), Boulder e Velocidade (Speed). Tivemos também a entrega dos já tradicionais Arco Rock Legends, prêmios que são oferecidos aos melhores escaladores do ano, tanto na rocha, quanto nas competições. Tivemos pela primeira vez na história um Campeonato Mundial de Paraescalada, mostrando que o nosso esporte também pode incluir os portadores de deficiências. E pra fechar tudo com chave de ouro, tivemos o tradicional duelo, que só acontece nas competições em Arco!
Durante esses 10 dias de competições deu pra sentir que a IFSC realmente quer investir pesado para colocar a escalada nos jogos olímpicos de 2020. As competições foram muito bem organizadas e muito bem transmitidas, com exceção das qualificatórias, que em geral tiveram uma transmissão bastante confusa pela internet. Mas nas semifinais e finais, que tiveram transmissão da TV italiana, o campeonato foi um espetáculo: câmeras de vários ângulos, com uso até mesmo de gruas para acompanhar os escaladores na dificuldade, replays dos melhores momentos e ótimos gráficos para mostrar os resultados e manter o espectador informado do desenrolar da competição. Realmente um nível de transmissão digno de olímpiadas. Mas vamos aos resultados e alguns comentários sobre as provas de dificuldade e o duelo.
A primeira modalidade a conhecer seus campeões foi o boulder, ainda no primeiro final de semana. O russo Dmitry Sharafutidnov foi quase perfeito, e ficou com o título, deixando o segundo lugar com Adam Ondra e o terceiro com o compatriota Rustam Gelmanov. O feminino teve a austríaca Anna Stöhr levando mais uma vez o título, deixando a americana Sasha DiGiulian em segundo e a alemã Juliane Wurm em terceiro. Mais detalhes da disputa do boulder aqui!
Durante a semana tivemos a entrega dos prêmios do Arco Rock Legends, o Salewa Rock Award, para o escalador(a) que mais se destacou na rocha durante o ano passado, e o La Sportiva Competition Award, para o escalador(a) que mais se destacou nas competições no ano que passou. Para o Salewa Rock Award foram indicados os escaladores Adam Ondra, Enzo Oddo, Chris Sharma, Gabriele Moroni e Sasha DiGiulian, o prêmio ficando pela terceira vez com o fenômeno tcheco Adam Ondra! Pelo La Sportiva Competition Award competiam o espanhol Ramon Julian, a coreana Jain Kim e também Adam Ondra. Mas dessa vez o prêmio ficou com o impressionante Ramon Julian!
A segunda modalidade a conhecer os seus campeões foi a velocidade! O título masculino ficou, pela terceira vez, com o chinês Qixin Zong, que cravou o cronômetro em 6.26s e marcou um novo recorde mundial. O segundo lugar ficou com o russo Stanislav Kokorin e o terceiro ficou com Danylo Boldyrev. No feminino o título foi para a russa Maria Krasavina, ficando em segundo a sua compatriota Anna Tsyganova e em terceiro a escaladora do Cazaquistão Tamara Kuznetsova. Na velocidade em equipe, que contava com times mistos, o time vencedor foi o Russia 2, formado pelos escaladores Sergey Sinitsyn, Ksenia Aleksseva, Evgeni Vaitcekhovskii. O time um da Ucrânia ficou em segundo, seguidos pelo time um da Rússia em terceiro.
Melhores momentos da final de velocidade
Chegamos então na modalidade que é considerada a principal da competição, vide o destaque que ela recebe e tendo o campeonato culminando com a decisão dos seus campeões: a dificuldade. As eliminatórias aconteceram na quinta-feira, e tiveram a participação dos brasileiros Cesar Grosso (Cesinha) e André Berezoski (Belê), para os homens, e Janine Cardoso e Thais Makino para as mulheres.
As qualificatórias aconteciam em dois grupos, escalando duas vias, e apenas os 26 primeiros passavam para a fase semifinal. Janine Cardoso e Thais Makino, apesar de escalarem bem, não obtiveram um bom resultado e ficaram de fora das semifinais, o mesmo acontecendo com Cesinha e Belê. Mas Cesinha merece um destaque, já que obteve, apesar de ficar de fora, uma boa colocação geral, ficando com o 37º lugar entre os 130 escaladores que competiram no masculino. Cesinha entrou na segunda via ainda com chances de passar, e foi bonito vê-lo escalar, lado a lado com Belê, buscando a classificação. Mas alguns pequenos erros, como demorar demais para clipar uma costura e ter dificuldades de desenroscar a perna da corda em outro instante, podem ter tirado a força que ele precisava para fazer o top, que estava muito perto.
Com isso progredimos para as semifinais, 26 escaladores e escaladoras, disputando apenas 8 vagas na grande final! E nessa fase, alguns favoritismos se confirmaram, como a presença de Adam Ondra, Ramon Julia, Jakob Schubert, Jain Kin, Angela Eiter e Johanna Ernst na final, assim como algumas surpresas. Caso da dupla russa de homônimos: Evgeny Zazulin e Ovchinnikov entre os homens e a austríaca Magdalena Röck se classificando em segundo para as finais. Ao final o time completo de finalistas ficou assim: Ramon Julian (ESP), Jakob Schubert (AUT), Adam Ondra (CZE), Hyubin Min (KOR), Magnus Midtböe (NOR), Manuel Romain (FRA), Evgeny Zazulin (RUS), Evgeny Ovchinnikov (RUS), entre os homens; e Jain Kim (KOR), Magdalena Röck (AUT), Johanna Ernst (AUT), Angela Eiter (AUT), Katharina Posch (AUT), Mina Markovic (SLO), Christine Schranz (AUT), Sasha DiGiulian (EUA), entre as mulheres.
Para as finais a IFSC mudou as regras. Agora cada escalador escala apenas uma via, e o desempate é feito pelo resultado da semi, e caso necessário, da qualificatória. Havendo empate em todas as fases, ai sim acontece uma super final.
Na final feminina, nenhuma das competidoras conseguiu o top, o que foi uma pena, e o título ficou com a única escaladora que conseguiu transpor o que era claramente o crux da via, já quase no final. Essa escaladora foi Angela Eiter, que diferente das demais escaladoras, não tentou um movimento dinâmico e buscou uma solução estática para o lance, passando e progredindo mais um pouco, mas caindo antes do top. Tudo que ela precisou fazer foi sentar no “canto do líder” e ver suas adversárias cairem, uma atrás das outras, no mesmo lance. O segundo lugar ficou com a coreana Jain Kim e o terceiro com a também austríaca Magdalena Röck.
Angela Eiter na via final
A final masculina foi um espetáculo! Cada escalador que entreva ia um pouco mais longe na via, o que só aumentava a expectativa pelo top, que só começou a ficar mais próximo com o 5º escalador a entrar, Magnus Midtboe. Depois dele vieram os 3 principais candidatos ao título: Adam Ondra, Jakob Schubert e Ramon Julian. Com um detalhe, Ramon Julian e Jakob Schubert estavam empatados em tudo, e o mesmo resultado na final significaria o desempate na super final! Seria emocionante!
Mas o primeiro a querer estragar essa grande final foi Adam Ondra. Mostrando uma grande técnica e experiência, apesar da pouca idade, Ondra soube usar muito bem os descansos que a via proporcionava e foi passando todos os lances que haviam derrubado os escaladores antes dele até chegar no último movimento. Tudo parecia indicar que ele faria o top, mas na tentativa de dominar a última agarra Ondra caiu, apenas tocando a agarra do top!
Logo depois veio Jakob Schubert, que escalou com Adam Ondra assistindo no “canto do líder”. O também jovem escalador austríaco progrediu muito bem, mostrando segurança em todos os movs, e alcançou o mesmo ponto que Ondra e também não fez o top. Os dois ficaram com a mesma pontuação, mas o desempenho melhor de Schubert nas fases anteriores o deixava em primeiro, para desespero de Ondra, que agora teria que se contentar com a prata, pelo menos, porque ainda faltava o grande favorito, Ramon Julian.
Ramonet, com chamam os espanhóis, entrou para escalar precisando do top para levar o título sem precisar do desempate da super final, e com uma escalada absolutamente perfeita, o espanhol de apenas 1,59m fez o top na via final e sagrou-se o grande campeão de dificuldade em Arco! Uma final realmente emocionante de se assistir!
Ramon Julian fazendo o top do título
Mas ainda faltava a cereja do bolo em Arco, a competição do duelo, que une técnica e velocidade numa só prova. Os 16 primeiros colocados na dificuldade se enfrentam aos pares, lado a lado, em duas vias idênticas, escalando guiando, e quem chegar primeiro no topo avança. Vale lembrar que as vias são as mesmas, tanto para os homens, quanto para as mulheres. É com certeza o modelo de competição que acho o mais emocionante de todos, e que deveria figurar no quadro de modalidades da IFSC.
No início das disputas as mulheres tiveram dificuldades com um lance mais esticado na metade da via, e várias caíram ali, inclusive a campeã Angela Eiter. Esse lance deu margem para uma cena engraçada, na disputa entre Sasha DiGiulian e Alexandra Eyer (se não me engano), em que Sasha DiGiulian chega no lance primeiro, percebe a dificuldade, e aguarda a adversária tentar na frente! A adversária, tenta e cai, e ela tenta em seguida e consegue passar o lance. No final, o ouro no duelo feminino ficou com a russa Yana Chereshneva, vencendo Johanna Ernst na disputa final. Sasha DiGiulian bateu Mina Markovic na disputa do terceiro lugar e ficou com o bronze. Na disputa masculina o ouro ficou com Adam Ondra (que aparentemente não queria deixar Arco de mãos abanando) que bateu o alemão Thomas Tauporn na final. O bronze ficou com Jakob Schubert que venceu o francês Manuel Romain na disputa pelo terceiro lugar!
Final feminina do Duelo
Final masculina do Duelo
Nos resultados finais da competição Adam Ondra ficou com o primeiro lugar combinado entre os homens, enquanto entre as mulheres o título combinado foi para a americana Sasha DiGiulian. O título por países ficou com a Rússia!
Para conferir os resultados completos de todas as modalidades, acesse o site da IFSC!
O grande espetáculo da escalada começa em Arco!
Começa amanhã o maior espetáculo que o mundo da escalada já viu: o 11º Campeonato Mundial de Escalada, que terá lugar na cidade italiana de Arco. Serão 10 dias de competições, com mais de 200 atletas, disputando o primeiro lugar nas modalidades de Boulder, Dificuldade e Velocidade, além do já tradicional Duelo do Arco Rock Masters, o novo Team Speed, e a grande novidade: o 1º Campeonato Mundial de Paraescalada; mostrando que o nosso esporte pode envolver realmente a todos!

A IFSC quer realmente realizar algo para ficar na memória, principalmente dos representantes do COI, que com certeza estarão presentes. Esse ano o evento terá uma cerimônia de abertura especial, com um espetáculo de dança, luzes e música representado a escalada, e o grande final desse espetáculo contará com a presença de duas lendas: Lynn Hill e François Legrand. Ainda teremos uma noite especial, onde será feita uma volta no tempo, pelos 25 anos dos Arco Rock Masters, com a presença de Lynn Hill, François Legrand, Yuji Hirayama e Luisa Iovane. Nessa mesma noite será feita a entrega do já tradicional Arco Rock Legends que premia os melhores escaladores do ano com o La Sportiva Competition Award, para o escalador(a) que mais se destacou nas competições durante o ano, e o Salewa Rock Award, para o escalador(a) que mais se destacou na rocha durante o ano. Na disputa por esse prêmios esse ano estão Chris Sharma, Adam Ondra, Enzo Oddo, Sasha DiGiulian e Gabriele Moroni ( Salewa Rock Award), e Ramon Julian, Jain Kim e Adam Ondra (La Sportiva Competition Award).

Mas o espetáculo não estaria completo se os melhores atletas do mundo lá não estivessem, e esse ano a disputa vai ser acirrada. No Boulder, Kilian Fischhuber vai buscar o único título que ainda lhe falta, mas pela frente terá um Adam Ondra motivado, que chega em Arco para disputar todas as modalidades do evento: Boulder, Dificuldade e Velocidade; algo que vai ser tentado também pelo suiço Cedric Lachat. Mas na disputa masculina pelo título do Boulder ainda estão nomes como Dmitry Sharafutdinov, segundo na Copa do Mundo, o francês Guillaume Glairon Mondet e Alexey Rubtsov. Entre as mulheres a disputa terá nomes como Anna Störh, atual lider da Copa do Mundo, Akiyo Noguchi, a coreana Jain Kim, que vai testar suas forças também no boulder essa vez, sem contar com as americanas Sasha DiGiulian, Alex Puccio e Alex Johnson.
Na dificuldade Ramon Julian vem como o grande favorito, tendo ganho 5 Arco Rock Masters e sendo até agora imbatível na cidade italiana. Adam Ondra vem focado, já tendo deixado claro que seu objetivo maior é ganhar essa competição. Mas também teremos outros grandes competidores, que com certeza estão na briga, como Jakob Schubert, Sean McColl e Magnus Midtboe. Entre as mulheres a coreana Jain Kim vai disputar com a austríaca Angela Eiter, e com os fortes times da frança e eslovênia, com nomes como Charlotte Duriff, Alizèe Dufraisse, Mina Markovic, Maja Vidmar e Natalija Gros.
O Brasil também estará presente, representado pelos escaladores Cesar Grosso, Thais Makino, André Berezoski, Janine Cardoso e Pedro Nicoloso.
O evento desse ano será transmitido pela rede de TV italiana RAI, com cobertura ao vivo pelos canais RAI Sport 1 e RAI Sport 2. E claro que teremos a transmissão completa do evento ao vivo pelo site IFSC.tv!
Fique ligado, o Campeonato Mundial de Escalada tem início amanhã, com as classificatórias masculinas do boulder, e segue até o dia 24 de julho! Para o programa completo do evento e os horários das competições acesse o site do Arco 2011!
Evolução em saltos
Dizem por ai que a evolução não dá saltos. Mas parafraseando o Professor Xavier, parece que de tempos em tempos, ela dá sim, um salto, um enorme salto. É o que eu vejo acontecer hoje com a graduação da escalada esportiva.
Em setembro de 2008, Chris Sharma encadenou a primeira proposta de 12b (9b fr) do mundo, Jumbo Love. Naquele mesmo ano, Chris encadenou uma segunda proposta, Golpe de Estado. Passou-se um ano inteiro até ele inaugurar outra via nesse nível de dificuldade, com a via Neanderthal. E parou por ai. Três vias de 12b em um período de 2 anos! Parecia algo incrível!
Mas eis que surge a “mutação” Adam Ondra. Em 2010 ele repete a via Golpe de Estado e se torna o segundo homem na terra a encadenar um 12b e todos ficam aguardando o que viria pela frente.
E veio 2011, que com certeza vai entrar pra história da escalada esportiva. Em menos de 6 meses, uma enxurrada de novas vias no grau mais alto de dificuldade mundial, encadenadas ora por Chris Sharma, ora por Adam Ondra. Praticamente uma disputa entre o norte americano de 30 anos e o tcheco de 18.

Adam Ondra começou com a cadena de La Capella, em Siurana. Primeiro FA de um 12b do moleque. Empatou a disputa ao encadenar a via aberta por Chris Sharma, Chaxi Raxi, e passou o americano ao encadenar a polêmica Chilam Balam, em penas três dias! Três novos 12bs em apenas 2 meses! Isso sim é incrível!
Chris Sharma respondeu de pronto, e empatou a disputa encadenando seu antigo projeto em Margalef, First Round First Minute, que por enquanto fica como um 12b, mas tem potencial para ser o primeiro 12c (9b+ fr) do mundo.

Mas quem disse que acabou por aqui? Adam Ondra salta na frente mais uma vez ao encadenar mais um 12b de sua autoria: La Planta de Shiva, na mesma parede da Chilam Balam.
Já parecia demais. Um 12b pra cada novo mês do ano. Mas Chris Sharma resolveu deixar essa divisão um pouco mais difícil, e encadena mais um 12b, dessa vez em Oliana, Fight or Flight.
Seis novos 12bs em 5 meses! É como se de uma hora pra outra, esses dois escaladores tivessem dado um salto de rendimento, e encadenar vias no grau mais alto de dificuldade tivesse se tornado rotina.
No total, os 12bs do mundo somam agora 9, e a “disputa” entre Chris Sharma e Adam Ondra segue empatada com 5 12bs para cada! E o ano nem chegou na metade! 2011 promete!
Obs: Ok, você deve estar se perguntando: mas e o 12b da Ali Hulk de Dani Andrada? E o 12b da Akira de Fred Rouhling? As duas vias compartilham a mesma característica, estão mais pra boulder, do que para via propriamente dita. Sobre a de Fred Rouhling, ainda impera a dúvida da cadena e também do grau. Ali Hulk foi encadenada tanto por Dani Andrada, quanto por Magnus Midtboe. Mas o que aproxima mais as duas vias e os escaladores que as encandenaram, é o fato de eles terem aparentemente parado por ai. Algo que não acontece com Chris Sharma e Adam Ondra, que seguem abrindo e encadenando 12bs.
Chris Sharma encandena First Round First Minute
E ele finalmente conseguiu. Depois de mais de 2 anos de tentativas, Chris Sharma encadenou um dos seus projetos mais comentados, controversos (Red Tagging) e espetaculares: First Round First Minute! E ele conseguiu tal feito praticamente nas vésperas de completar 30 anos (23 de abril)! Agora já se sabe onde estava Sharma, enquanto Ondra tentava a Chilam Balam. Impressionante!

Com a cadena completa, o mundo da escalada fica no aguardo da sugestão de grau de Sharma (se é que ele vai sugerir um), já que da última vez que Sharma levou tanto tempo para encadenar um projeto o resultado foi a inauguração de um novo grau na escalada mundial: o 12b (9b fr) da via Jumbo Love. Será a First Round First Minute o primeiro 12c (9b+ fr) da história?! Mesmo que não seja, com essa cadena Chris volta a se igualar a Ondra na quantidade de vias na casa do 12b, com 4 cada (Sharma: Jumbo Love FA, Golpe de Estado FA, Neanderthal FA e First Round First Minute FA; Ondra: Golpe de Estado, La Capella FA, Chaxi Raxi FA e Chilam Balam).
Para comemorar essa incrível cadena, a Big Up Productions disponibilizou um vídeo especialmente editado com as tentativas de Chris na FRFM! Parabéns Chris Sharma, pela cadena e os 30 anos em plena forma!







