Impressões e considerações sobre o EENe

17
nov

Este feriadão ocorreu em Redenção o X EENe (Encontro de Escaladores do Nordeste), que tanta discussão causou por esses lados, devido aos desentendimentos e também a falta de informação com relação ao encontro durante um bom tempo. Eu já tinha escrito aqui no blog sobre o porque de toda essa querela, e qual era minha posição e opinião com relação ao encontro. Dessa vez, depois de ter participado do encontro (fiquei 2 dias em Redenção), chegou a hora de tecer algumas impressões sobre como foi o evento, e como não pude ficar pra reunião final, deixar minhas idéias para os próximos EENe.

Definitivamente o EENe não foi um grande encontro. Basta dizer que compareceram cerca de 60 pessoas (eu me inscrevi no domingo à tarde e fui o nº 54), sendo que grande parte era do Ceará, e alguns representantes do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Pernambuco e Bahia não se fizeram presentes no encontro. Um número bem pequeno de escaladores se comparado aos dois últimos encontros em Brejo e Itatim, que atraíram cerca de 150 escaladores cada, de todos os estados do Nordeste e de alguns estados do Sudeste.

Com relação à organização, o básico funcionou bem. Em parte devido à estrutura oferecida pelo Balneário, que fornecia uma ótima área para camping, banheiros em número suficiente, estacionamento, banho de rio e obviamente, fornecia a alimentação. Esta foi bem servida e parece não ter faltado a ninguém. O único ponto negativo, na minha opinião, com relação a isso, foi de não estar incluso pelo menos o café da manhã no valor da inscrição, algo que ocorreu em outros encontros.

Quanto à sinalização, senti falta da indicação do local do evento na entrada da cidade. Havia uma faixa, mas ela apenas citava o balneário sem indicar para onde seguir. As trilhas estavam sinalizadas e demarcadas, com alguns equívocos do ponto de vista técnico de sinalização, mas que podem ser relevados.  Creio que o que estava ao alcance da organização foi feito.

As atividades no camping foi que deixaram a desejar. Não houve festa no domingo, como havia sido anunciado. Houve apenas uma palestra, proferida pelo montanhista cearense Rosier Alexandre,  que ficou claro ter sido a opção mais fácil e menos onerosa. Não houve nenhuma oficina e a mostra de filmes, apesar de ter boas produções, teve sua programação alterada durante o evento (pelo menos foi pra melhor) e foi bem improvisada, acontecendo no mesmo local onde eram feitas as refeições, numa parede mal pintada. Creio que aqui pelo menos uma tela poderia ter sido providenciada para melhorar a exibição.

Com relação às vias, as novas adições aos setores do Assombrado foram boas, principalmente o setor que agora tem as vias Alupurinol, Ácido Úrico, Athos, Porthos, Aramis e Bomba Baiana. Entrei em alguma dessas vias e gostei do que vi. Com poucas pessoas comparecendo ao evento, as quase 60 vias distribuídas pelo Assombrado, Pedra Vermelha, Pitombeira e Pedra da Moça (que na minha opinião não devia ter sido incluída) foram suficientes. Contudo, aqueles escaladores que não escalassem grau maior que 6º encontraram dificuldades em achar vias. Quem escalava entre o 6 º e 7º foi quem melhor aproveitou o encontro, já que vias nessa graduação eram as mais abundantes.

No final das contas, o X EENe não foi o grande sucesso que eu gostaria que tivesse sido, mas tampouco foi o fracasso retumbante que aparentava que iria ser. Mas uma coisa é certa, ele ficou muito aquém do que poderia ter sido o evento, e na minha opinião foi um grande passo atrás no crescimento do EENe no calendário nacional de eventos de escalada.

Dito isso, vou aqui tecer alguns comentários, que por não ter podido ficar até o final do encontro, não tive oportunidade de tecer durante a reunião final.

Depois de Itatim e Brejo, o EENe ganhou uma grande visibilidade e passou a ser motivo de interesse até mesmo pelos escaladores do Sul e Sudeste, mostrando assim que tem potencial para ser um dos maiores eventos de escalada do calendário nacional. Creio que se o evento aqui no Ceará tivesse mantido a linha crescente dos dois últimos encontros, essa posição de grande evento nacional teria se consolidado, e o EENe poderia começar a trilhar o caminho do que eu creio ser sua grande vocação: promover a criação de novos picos de escalada no Nordeste. Com o evento crescendo a cada ano, atraindo cada vez mais escaladores, e consequentemente mais interesse da mídia e das marcas do mercado outdoor e de escalada, seria possível utilizar cada evento anual para equipar e apresentar um novo pico de escalada para o nordeste e para o Brasil. Algo nos moldes de um Petzl RocTrip, mantidas as devidas proporções.

Mas para isso creio que um novo modelo de organização deva surgir, para garantir que o nível dos encontros se mantenha o mesmo, senão crescendo, ano a ano. Isso já foi comentado e sugerido por outras pessoas, e creio que seja imprescindível o surgimento de uma comissão geral do EENe, com representantes de cada estado participante, e que tenha o poder de estabelecer metas, prazos e cobrar resultados da organização responsável por cada edição. Isso implicaria também em assumir uma nova postura com relação aos EENe, colocando o evento acima dos estados, que seriam apenas anfitriões do evento, e não mais os “donos” de cada EENe, como hoje se vê. Sites individuais para cada edição do encontro deveriam acabar e existir apenas um só site. Nesse site seria possível acessar todo o histórico do evento, e acompanhar os preparativos para todas as edições vindouras. Algo assim serviria até mesmo  para facilitar a busca por patrocínios, que já não mais estariam patrocinando o EENe Ceará, ou o EENe Rio Grande do Norte, etc, mas apenas o EENe, e cada nova edição utilizaria o respaldo e o “know-how” das anteriores para se promover e continuar crescendo, algo que não vejo acontecer hoje em dia.

Creio quem uma mudança de data também seria bem vinda para o evento. Já que para entrar de vez no calendário nacional seria necessário se tornar atrativo para os escaladores “sulistas”, e o calor do final do ano (época mais quente no nordeste) acaba assustando um pouco os escaladores de outros estados não acostumados ao clima nordestino. Algo em torno de Agosto e Setembro seria o ideal, mesmo concorrendo com outros eventos. Uma melhoria na marca do evento também seria bem vinda. Gosto da marca atual, mas ela pode ser melhorada e contribuir para reforçar ainda mais a identidade do EENe.

Mas para que tudo isso ocorra, é necessário que se deixe de pensar pequeno, e de achar que o EENe está bom do modo como está, e que “profissionalizar” o evento vai estragar as coisas. O EENe tem potencial para ser um dos maiores eventos de escalada do Brasil, senão o maior, já que é o único evento nacional que tem o caráter itinerante, incorporando na sua raiz algo inerente a todo escalador, que é o prazer de viajar, visitar lugares novos. Creio que esse é o segredo sucesso do EENe, basta explorá-lo.

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E o encontro?!

13
set

Acho que essa deve ter sido a pergunta que mais me fizeram durante esse ano. Não só a mim, mas a vários outros escaladores daqui do Ceará. A todo instante alguém pergunta sobre a realização do X Encontro de Escaladores do Nordeste, agendado para acontecer entre os dias 12 e 15 de novembro, em Redenção. E sinceramente, eu cansei de responder o decepcionante: “Eu não sei!”. Primeiro porque quem deveria estar respondendo essa pergunta era a organização do encontro, mas acho que ou ela se esconde demais, ou ninguém tem coragem de perguntar. Segundo, porque eu gostaria de responder algo legal, motivar a galera pra vir para o encontro e curtir esse pico de escalada cearense, que eu gosto muito, e confraternizar com outros escaladores, mas infelizmente não posso. E terceiro, e último motivo, porque a verdade é que eu sei sim do encontro, ou pelo menos tenho uma boa ideia sobre ele e como ele vai ser, e toda vez que eu digo “Eu não sei!”, eu estou me omitindo.

Mas afinal de contas, e o encontro? Até onde eu sei, ele vai acontecer. Mas o modo como ele vai acontecer é que me deixa seriamente preocupado. Essa preocupação teve sua semente plantada lá no começo de 2010, nas primeiras reuniões que participei sobre a organização do encontro, quando os dois principais grupos de escaladores daqui não conseguiam se entender. Um lado era representado pela FEMECE (Federação de Montanhismo e Escalada do Ceará) e o outro pelo que hoje é a Fábrica de Monstrinhos. Não é segredo nenhum que participo do segundo grupo. No desentendimento inicial havia 2 principais motivos: não se concordava no papel que cada “entidade” deveria ter no evento; e não se chegava a uma decisão de local para receber o evento.

No primeiro motivo, houve um desentendimento com relação a qual entidade deveria realmente figurar como organizadora do evento. A Fábrica de Monstrinhos, que na época ainda não existia de fato, defendia que a ACEME (Associação Cearense de Montanhismo e Escalada) deveria ser a organizadora do encontro, com a FEMECE dando o seu aval institucional, figurando assim como a realizadora do evento. Os demais clubes membros da FEMECE seriam apoiadores do encontro.

Por que dessa proposta? Pelo obvio motivo que a ACEME era a única entidade de escalada que existia no estado. Os demais clubes da FEMECE são clubes de Escotismo e Corrida de Orientação, que por mais que tenham em seus quadros pessoas que escalem ocasionalmente, carecem da experiência da prática constante da escalada, que na minha opinião, era de vital importância para organizar bem o evento. A FEMECE não concordava sob hipótese alguma com essa proposta. Queria ela entrar como organizadora, e os clubes, ACEME incluso, seriam apoiadores do evento. No final das contas, a FEMECE firmou o pé na ideia de que se estava tentando excluir os outros clubes do evento, e foi em frente com o seu modelo de “organização” do encontro!

Já no segundo motivo, que pra mim foi o decisivo para haver o “racha” entre os grupos, a Fábrica de Monstrinhos defendia, desde o começo de 2010, a escolha de Redenção como a sede. Na época eu ainda pensava em algo mais ambicioso, usar o encontro para criar um pico de escalada completamente novo para o estado. Mas com o tempo de organização começando a encurtar, logo me alinhei com a proposta de Redenção, que já tinha parte do trabalho feito. A FEMECE não endossava a proposta de Redenção à época, mas também não colocava nenhuma proposta de local na mesa de discussões. Pra acabar com a discussão, a FEMECE lançou uma “Carta Normativa” que criava uma comissão de encontro, empossava um diretor e dava um prazo de duas semanas para qualquer proposta de evento fosse entregue a ela em forma de projeto, com prazos, custos, etc. Se não surgisse qualquer proposta, a FEMECE se colocava no direito de fazer ela a escolha do local e tomar as demais decisões do encontro e apenas informar aos clubes. Obviamente interpretamos isso como um modo de “calar a boca” do pessoal que não concordava com eles e fazer o evento à sua maneira. Então deixou-se a decisão por conta deles, e a Fábrica de Monstrinhos ficou completamente de fora da organização do encontro. Íamos agora somente esperar o evento acontecer!

O tempo foi passando e qual não foi minha surpresa, quando no final de 2010, depois do encontro de Brejo, a FEMECE, já sem o apoio da Fábrica de Monstrinhos, decidiu pela cidade de Redenção como sede do encontro. Levaram praticamente um ano para chegar na mesma escolha que já vinha sendo proposta desde o começo do ano. Ou seja, um ano que poderia ter sido usado no trabalho de equipagem das vias e outros afazeres, foi jogado no lixo. E isso, com toda certeza, vai comprometer na qualidade desse encontro.

Quando eu ainda pensava em idéias para o evento, e vislumbrava um grande encontro aqui no Ceará, eu tentava sempre me basear nos modelos de Itatim e Brejo, que apesar de não ter ido para esses encontros, fiquei sabendo terem sido muito bem organizados. Eu imaginava que o encontro no Ceará devia manter o nível crescente destas edições anteriores e quem sabe até subir mais o nível, já que essa seria a edição de 10° aniversário dos EENe.

Para um comparativo simples do que foram esses encontros e o que provavelmente vamos ter em Redenção esse ano, vamos pegar a quantidade de vias, que é pré-requisito básico para se ter um encontro bem feito, garantindo a diversão de todos os presentes. Sempre pensei que um encontro aqui tinha que ter no mínimo umas 60 vias (pensava como um número ideal 80), entre esportivas e clássicas, talvez até boulders, e com uma variedade ampla de graduação. Itatim chegou na data do encontro com 60 vias, entre tradicionais e esportivas. Brejo realizou o encontro com 50 90 vias, também entre tradicionais e esportivas, nos mais variados graus. Todas as duas edições com um grande de trabalho de conquista! E Redenção?

Redenção tem hoje, e isso contando o que já existia e o que já foi divulgado de conquistas até agora, 30 vias. Metade das vias de Itatim e nem 2/3 1/3 das vias de Brejo. As vias estão distribuidas nos setores Assombrado e Pedra Vermelha e são todas vias esportivas, algumas em móvel, com a mais fácil, e única desse grau, sendo um IVsup. O restante vai de VI grau até projetos na casa de IX/X. Dessas vias, apenas 2 foram conquistadas pela organização do evento. Outras duas foram conquistadas pelos escaladores do Rio Grande do Norte, em visita a Redenção, para ajudar na equipagem. Esse foi o saldo de vias novas para o encontro divulgado até agora: 4!

Outro fator preocupante com relação as vias, é o fato de a organização ter ignorado por completo um novo setor de Redenção, que poderia fornecer as vias tradicionais tão importantes para o encontro, o setor Pitombeira. Lá já existe uma via, de 7 cordadas e um projeto incompleto, que já vai com 3 cordadas. Ambos abertos pelos escaladores da Fábrica de Monstrinhos, que descobriram e exploraram o local. Por que a organização resolveu ignorar essa pedra de enorme potencial, eu sinceramente não sei.

Aumentando ainda mais minha preocupação com relação a esse encontro, pesa o fato de se ver pouco, ou quase nada, sendo feito em Redenção. Não se vê nenhum trabalho de manutenção ou melhor adequação das trilhas de acesso às pedras (pessoal do Rio Grande do Norte teve que abrir a trilha para a Pedra Vermelha no facão). Não se sente segurança com relação à  confirmação do local que vai abrigar os escaladores no encontro, que segundo foi informado seria o Balneário Lages Lazer, de frente para a pedra do Assombrado. Falo isso porque das vezes que já se foi por lá e se conversou com os responsáveis pelo lugar, eles nunca confirmaram ter fechado qualquer acordo ou contrato com a organização. Só apenas informaram o preço que pensam cobrar pelo aluguel do espaço, e parecem não estar muito interessados em receber menos do que esse valor, e nem receber após o evento. Se nesse meio tempo a organização fechou realmente algo, eu não sei.

Para completar, estamos a 2 meses para a data do encontro, e não há sinais de início das inscrições, nem notícias de quando irão começar. Não existe qualquer informação no site do encontro com relação à programação, palestrantes, convidados, o que seja. E isso só aumenta o clima de dúvida com relação a esse encontro. (no momento que este texto foi escrito não havia nenhuma dessas informações no site, hoje é que entrou no ar uma nova versão já com a inscrição, um esboço de programação, mas nada de palestrantes ou oficinas)

Não escrevi isso tudo com o objetivo de “queimar” o X EENe. Meu objetivo com esse texto é fazer com o que a organização se posicione, dê as caras, apareça e mostre o que está sendo feito para dar segurança aos escaladores que sempre compareceram aos encontros regionais nesses últimos 9 anos. O que eu escrevi aqui é o que aconteceu antes, e o que eu posso ver que está acontecendo agora. Se a organização tem trabalhado incessantemente e em silêncio, não tenho como saber. E se assim o faz, sugiro realmente que mudem de postura e passem a oferecer mais informações a todos os interessados. Eu já cansei de responder “Eu não sei!” e da próxima vez que vierem me perguntar, ou indico esse texto, ou mando ir perguntar pra organização. O que eu sinceramente não quero, é ver a comunidade inteira de escaladores do estado ter a imagem manchada caso o encontro seja um fracasso. E reitero que não aposto nisso, mas tampouco aposto em um grande sucesso.

(modificado em 16/09/11)

Postado por Neudson em : Artigos, Evento

Escalada no feriado pra conhecer o novo setor de Redenção!

16
ago

Essa segunda-feira foi feriado aqui em Fortaleza, e depois de não ter ido escalar no final de semana por conta do dia dos Pais, essa folga de começo de semana foi uma benção, então tinha que aproveitar. Já fazia mais de um mês que eu não ia na rocha, ocupado com o projeto e outros assuntos relacionados ao novo muro da Fábrica de Monstrinhos, então a fissura tava grande pra escalar de novo. Fechei o bonde com o Tiago Minhoka, Alex, novo membro dos Monstrinhos vindo diretamente do Paraná, e o Feijó, que ainda tá começando mas com uma vontade de louca de estar na rocha sempre que pode.

Saímos de Fortaleza com destino a Redenção, mas dessa vez o dia de escalada não ia ser no tradicional setor do Assombrado, e sim em um novo setor, batizado de Pitombeira! A promessa dos outros membros dos Monstrinhos que já tinham iniciado os trabalhos de conquista no setor, era de paredes de mais de 150 metros, com vias de mais de 5 enfiadas, transformando Redenção em um pico quase completo de escalada, faltando apenas os boulders. E a promessa se converteu em realidade!

Chegando na frente da pedra, ainda com a trilha inteira pra caminhar, a impressão é de uma pedra muito suja, sem possibilidades de vias, mas quando se chega na base da pedra se percebe o imenso potencial do local. Paredes gigantescas de granito, em pelo menos 3 faces, com potencial para algumas dezenas de vias clássicas, de todos os níveis. Claro, a pedra não é completamente limpa de vegetação, mas a que existe é bastante espaçada, formando moitas em alguns pontos. O resto é pedra limpa, esperando por novas vias!

Feijó de segundo e eu guiando a terceira enfiada.

Feijó de segundo e eu guiando a terceira enfiada.

Depois de uns 20 minutos de trilha cansativa, chegamos na base das vias, até agora duas. Tiago que participou do começo dos trabalhos nos mostrou um projeto, numa face vertical da pedra, até agora com 3 enfiadas na casa do 7º grau. Mas nosso objetivo não era esse, e sim escalar a via mais longa do local, um provável 4º V de 6 ou 7 enfiadas. Não sabíamos se a conquista tinha sido completada no dia anterior, pelo Mario e o Damito, mas as chances eram grandes de que estivesse pronta.

Começamos a subida por volta das 10 da manhã, comigo e o Minhoka guiando a primeira enfiada e o Alex e Feijó vindo de segundo. No começo da primeira enfiada, não tendo prestado atenção por onde o Minhoka e o Alex tinham seguido, acabei indo pelo lado errado e encarando uma aderência sinistra! Acho que a única coisa que me fez passar esse longo trecho (acabei pulando uma chapa nessa brincadeira) foi a certeza absoluta de que eles tinham ido por ali. Então já que eles passaram, eu tinha que passar também. O que o orgulho não faz né? Fazendo lance fiquei receoso pelo Feijó, porque achei que ele não conseguiria passar por ali, mas ainda bem que era o caminho errado, e o certo era bem mais fácil. Prestar atenção da próxima vez!

Ainda precisando de algumas paradas duplas!

Ainda precisando de algumas paradas duplas!

Passamos direto da primeira parada e seguimos direto pra segunda, enfrentando o primeiro crux da via, um lance que deve ficar na faixa do 5º grau, mas bastante tenso pra fazer guiando. Nessa parada troquei de dupla com o Alex, e ele guiou pro Feijó e eu para o Minhoka.  A terceira parada fica alguns metros abaixo de um teto que segue pela esquerda, mas a via continuava por um diedro pela direita, que o Minhoka guiou primeiro, descobrindo que essa enfiada tinha lances em móvel, e fazendo uso das peças que ele tinha levado. Feijó foi em seguida, com o Alex guiando logo atrás e eu seguindo de segundo. Com certeza essa enfiada foi a mais legal de se fazer da via. Os lances em móvel eram em agarras boas, mas de movimentação bem interessante, com pegas de lado e uso do pé bem alto.

Galera reunida na P5

Galera reunida na P5

A próxima parada devia ser a quarta, mas o Feijó percebeu que o Minhoka tinha pulado uma parada antes dos lances em móvel. Então estávamos na parada 5 da via, e ainda com mais coisa pra subir! Dessa vez o Alex foi quem se animou de guiar primeiro, e acabou passando um aperto umas 3 chapas pra cima, em lances com lacas podres e poucas opções de pés.  Ele abortou a tentativa, e o Minhoka escalou até ele de segundo e tentou guiar o restante, passando maus bocados também, mas conseguindo chegar na próxima parada. Eu e o Feijó ficamos na P5, e eles rapelaram de lá, Minhoka tinha ido até a última parada, mas mais uma vez tinha pulado uma antes. Então no total a via ficou com 7 enfiadas, algumas mais curtas, outras mais longas, que deve dar algo em torno dos 120 200 metros de via, creio eu. Ótima via, e grande opção de escalada clássica agora mais perto de Fortaleza. Parabéns aos conquistadores Mario Carvalho, Ricardo Damito, Jorginho Mascena e Paulo Joca!

Lá de cima, contemplando o visual da “serra” de Redenção, consegue-se avistar algumas outras paredes, que podem guardar ainda mais potencial para a escalada na região. Fiquei com a sensação que agora é que começamos a descobrir a ponta do iceberg, e que ainda tem muita pedra pra achar e conquistar por ali.

Começamos nossa descida, com o Alex e o Feijó rapelando sozinhos, e eu e o Minhoka rapelando em simultâneo usando Grigris, algo que eu nunca tinha feito na vida. A opção pelos Grigris foi por não termos um ATC extra para o Feijó que ainda não tem o equipamento básico e foi pra lá meio sem saber o que o esperava. Na verdade, nem eu sabia o que me esperava. No final das contas correu tudo tranquilo, chegamos na base sem problemas ou contratempos, e pegamos o caminho de volta! Parada básica no posto para a tradicional Coca gelada com Doritos, completamente destruídos, mas totalmente felizes com mais um dia irado de escalada! Até a próxima galera!

Visu da P5, com alguns picos em potencial no fundo!

Visu da P5, com alguns picos em potencial no fundo!

Postado por Neudson em : Pessoal, Relato

Novas vias e falta de treino

22
jun

Esse final de semana acabei indo mais uma vez escalar em Redenção. Eu já tinha desistido de ir, por que ninguém com carro tinha aparecido, mas às  7 horas da manhã um telefonema do Damito me acorda dizendo: “Tamo chegando!” Só deu tempo de jogar uma água pra espantar o sono, jogar tudo na mochila e mastigar alguma coisa rapidão.

A ideia do dia era entrar nas vias novas que o pessoal do Rio Grande do Norte abriu na parede do lado esquerdo da Pedra Vermelha. A trilha estava bem marcada, graças também aos esforços do pessoal do RN, que na vontade de conhecer a pedra, abriu o caminho até lá, que estava tomado pelo mato alto e fechado.

Hora de escalar, duas vias: Um palmo em pé, proposta de 6sup em móvel, e É moreno em francês, proposta de 7a. Mário foi na frente, fazendo as honras na Um palmo em pé. Apenas dois móveis foram suficientes pra garantir a segurança na via, que é curtinha. Mario levou um tempinho pra achar o beta pra passar o crux, mas passou sem problemas, mesmo com a parte de cima da via um pouco suja. Damito foi em seguida, mandou em flash, e ai foi minha vez, conseguindo também mandar em flash, mas sem sacar as peças, vou deixar isso pra uma outra oportunidade. Sugestão de grau foi um consenso entre os 3, um sexto, que fica com cara de 6sup por conta da adrenada extra de estar guiando em móvel.

Depois foi a vez da É moreno em francês. Saidinha meio boulder, em agarras boas mas um pouco distantes, rolando até uma dominada pra um platôzinho, onde começa a via mesmo. Tô bem enferrujado em graduação de boulder, mas esse lance não seria mais do que V1, creio eu. O lance mais difícil fica realmente mais em cima. Damito guiou na frente dessa vez, e também levou um tempinho pra descobrir a passada do crux, um lance envolvendo equilíbrio e um pouco de aderência. Mas mais uma vez a via foi vencida na primeira tentativa. O mesmo acontecendo com o Mario e eu. Sugestão de grau? 6sup foi o consenso. No geral as vias ficaram bem legais, e numa graduação mais acessível na Pedra Vermelha, que tinha como grau mais fácil um 7c, pena serem curtas.

O legal de entrar nessas vias foi constatar que mesmo sem treinar, a base de grau que você escalava não se altera muito. Os 6sups à vista e 7as em flash ainda continuam saindo do mesmo jeito de antes. O negócio pega quando chega no topo da pirâmide, que no meu caso era 7c. E isso ficou patente na hora de dar uns pegas na Orelha de porco 7c. Foi incrível perceber o quanto eu realmente perdi de força e resistência por conta da falta de treino. Antes chegava bem pra atacar o crux, agora mal tinha força pra clipar a costura antes do crux. Acabou que saímos da vermelha sem mandar a Orelha e descemos pro Assombrado pro Mario dar um pega na Busão, que ele acabou mandando com uma queda. Mas não é pra menos, a via é um 7a de equilíbrio, com alguns lances de aderência, e de leitura pouco óbvio, o que realmente complica avistar a via. Como a chuva tava armando, só deu tempo mesmo de o Mario desequipar a via e nós pegarmos a trilha de volta.

Esse feriado a galera debanda pra outros cantos do país (Rio pra Mario e Damito e Cipó pro Daniel) e eu fico por aqui, tentando arrumar parceiro pra ir escalar pelo menos um dia. Alguém se habilita!?

Postado por Neudson em : Relato

Sábado de visita no Assombrado

12
jun

Esse sábado foi movimentado  no Assombrado, que recebeu a visita de 5 escaladores de fora do estado. Convencidos pelo Claudio Tapié, de São Paulo, com quem eu já tinha escalado uma vez por aqui, o pessoal do Rio Grande do Norte resolveu descer de serra e conhecer os “quintinhos” cearenses. Da galera que veio eu só conhecia mesmo o Denn, que foi quem recepcionou os monstrinhos na trip em Serra Caiada ano passado. Junto com ele vieram Iraê, Leo “boulder” e Ari.

O pessoal de RN veio de carro e foi direto pra Redenção, chegando de madruga e ficando acampados no Balneário Lage que fica em frente à pedra. O Claudio veio de avião e chegou por Fortaleza de noite, caiu aqui por casa pra dormir e se juntou ao bonde dos monstrinhos no sábado de manhã pra lá.

Chegamos por lá por volta das 10 da manhã e fomos encontrar a galera do RN ajeitando as coisas no carro, com uma vista fantástica da pedra a partir do balneário. Mas sem muito papo furado, pegamos as coisas e subimos pra pedra.  Resolvemos começar os trabalhos no trecho próximo a Iokiko 7a/b, que era um local onde só havia essa via, mas agora já tem mais 3: Busão, Rapsódia e Tenda Doida, na ordem que aparecem na pedra. A dica pra galera era entrar na Iokiko, 7a já clássico do Assombrado, bem constante e forte. Enquanto isso eu e o Daniel fomos experimentar o novo trabalho da dupla Mario e Damito, a via Busão!

A via é ótima! Bem grampeada e protegida, você não sente nenhuma receio de encarar os lances na ponta da corda. E são lances bem diferentes do tradicional de Redenção. A via é um pouco positiva, mas sem muitas agarras, então o negócio é realmente se posicionar direito, confiar na sapatilha e tocar pra cima. Uma pintura! A primeira ascensão ficou a cargo do criador Damito, seguido pelo Daniel, Leo boulder e eu.

A Iokiko já deu um pouco mais de trabalho pra o pessoal e só o Leo saiu da pedra com a cadena da via, fazendo bom uso da sua envergadura para vencer alguns dos lances mais difíceis. Denn deixou pro domingo pra encadenar esse “quintinho” de Redenção.

A Tenda Doida também teve cadena do Leo boulder, e também não saiu de graça. O crux, logo depois da segunda chapa é bem exigente, uma oposição num reglete pra bater numa agarra abaulada com a esquerda e daí tentar subir o pé e fazer uma pequena travessia pra direita por uma sequencia de batentes abaulados. Eu acho que a via fica na casa do 7a. O único porém da via, é a primeira chapa muito alta, com um lance de saída que não é fácil, e a posição da chapa que protege o crux, que poderia estar mais acima, deixando o lance menos exposto. Mas ainda assim, uma linha legal!

Com a nossa hora chegando, resolvemos descer e mostrar o caminho da Pedra Vermelha pra o pessoal. Mas o mato estava muito alto e não houve condições de chegar perto da pedra. Foi o jeito abortar a tentativa, pegar os facões e voltar depois.

Deixamos a galera por lá, onde ainda vão escalar e abrir via nesse domingo, e voltamos pra casa. Valeu galera do RN, Denn, Leo, Iraê, Ari, valeu Claudio! Voltem sempre, e vamos marcar a trip pra conhecer outro pico cearense: Tejuçuoca!

Postado por Neudson em : Relato, Sem categoria

Mais uma via em Redenção

6
jun

Galera da Fábrica de Monstrinhos não para! Nesse final de semana os escaladores Mario Carvalho, Ricardo Damito e Jorginho Mascena, abriram mais uma via na Pedra do Assombrado, em Redenção. Pra quem conhece o Assombrado, a nova linha fica do lado esquerdo da Iokiko, e tem grau sugerido em 7a. A nova via vem se juntar a outras ótimas vias abertas pela dupla Mario e Damito, como a recém aberta Classe A, provável 7b/c, e o projeto que pode ser a via mais forte do Ceará, Apoio Zero, grau sugerido de 9c/10a! Para conferir o croqui dessas e de outras vias de Redenção, acesse o Escalada no Ceará!

Postado por Neudson em : conquistas

Nova via em Redenção

15
mai

Os escaladores Mario Carvalho e Ricardo Damito conquistaram hoje mais uma via na Pedra do Assombrado, em Redenção. A via fica num dos poucos trechos da parede do Assombrado que ficam livres da água nessa época de chuvas.

A linha, logo ao lado de outra conquista da dupla (Alfaparf 7c),  ganhou o nome de Classe A e tem o grau sugerido em 7a!  Com certeza mais uma via de qualidade no setor de esportivas mais frequentado do estado! Em breve croqui no Escalada no Ceará!

Postado por Neudson em : Escalada Esportiva, notícias

Dia D escalada em Redenção!

19
abr

Um tempo atrás eu estava muito curioso pra saber o que exatamente era aquele “4″ num círculo vermelho que eu via no avatar de vários amigos escaladores no facebook. Acabei descobrindo a 4climb, a mais nova iniciativa de valorização da escalada nacional, que apesar de recente, já está movimentando a cena da escalada nacional, realizando e apoiando eventos, assim como atletas.

Mas a 4climb não pode e nem consegue fazer tudo sozinha, a participação da comunidade escaladora é imprescindível. Pensando nisso foi que surgiu a campanha “Dia D Escalada”, que sugere que transformemos o dia 1º de Maio, no dia oficial da escalada no Brasil. E é apoiando essa idéia, que a galera daqui do estado resolveu se juntar e fazer o dia D escalada aqui no Ceará em Redenção!

Claro que o Desce daí, doido! não podia ficar de fora e vai dar uma força pro evento. Então fica dado o aviso: dia 1º de Maio, todo mundo em Redenção para um dia de escalada. Se puderem e quiserem, levem amigos que nunca escalaram para conhecer o esporte. Vamos espalhar essa vibe!

Postado por Neudson em : Eventos

Domingo de carnaval na Pedra Vermelha

7
mar

Domingão de carnaval foi dia de ir dar uma escaladinha na rocha. A chuva deu uma trégua e a galera tomou o rumo de Redenção. No bonde, eu, Daniel, Mario, Damito e André Braga. Todo mundo pra Pedra Vermelha, o point de esportiva que vai com certeza elevar o nível da escalada cearense.

Eu e o Daniel ficamos mais uma vez malhando a Borboleta no Rego, com quatro cadenas até agora, todas corroborando a graduação, colocando a via entre 8b e 8b hard! Via linda, negativa, agarras abauladas, constante. Depois de dois pegas na via, eu vi que realmente preciso treinar mais resistência se eu quiser passar o crux, que é entre a penúltima chapa e a parada. Mas vou treinar pra tentar encadenar esse ano. Daniel na última tentativa, acabou dando um upgrade na via, aproveitando que o Damito e o Mario estavam com material de conquista, e colocou mais uma chapa com argola na parada, deixando assim a tarefa ingrata de desequipar  a via bem mais segura.

O André deu mais um pega na Evil Chicken From Hell, mas não conseguiu isolar o que parece ser o crux, a viradinha depois de sair do teto. As previsões já colocam a ECFH na casa do 9º grau, podendo ainda ser mais forte. Então a galera aqui do Ceará fica na espera de alguém que escale 10º pra vir aqui e fazer a primeira ascensão e cotar a via.

Mario e Damito começaram a abrir uma variante da ECFH, que não pega pra fazer a viradinha, continua pelo teto, numa travessia. A nova variante ganhou  2 chapas além das que já usa da ECFH e também vai ficar uma via foda, talvez 8º alto ou quem sabe 9º.

Mas o grande destaque do dia ficou mesmo pelo link da Orelha de Porco 7c, com a Borboleta, dando origem a uma nova via: Porcoleta. A via começa na Orelha de Porco, e continua nela quase toda, mas logo depois do crux sai pra direita, com movimentos longos, pra chegar na quarta chapa da Borboleta. Uma chapa intermediária foi colocada entre as duas, mas ainda assim o lance fica bem esticado, mas com uma queda bem limpa. O André isolou o lance do link da via, e tenho que dizer, ficou lindo demais o lance. Grau? Deve acabar ficando mais forte do que a Borboleta, segundo o André, um 8c/9a talvez.

Depois eu pego algumas fotos do dia de ontem, que ficaram todas na câmera do Damito, e posto aqui pra galera se instigar com a Pedra Vermelha e vir contribuir com a evolução do pico.

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Primeiro 9º grau cearense?

14
fev

Eu sou partidário da teoria que o nível da escalada de determinado lugar é proporcional ao nível das vias que ele possui. Aqui no Ceará durante muito tempo a via mais difícil e mais desejada era um 7c. O que fez, eu acho, a maioria dos escaladores cearenses ficarem presos abaixo do 8º grau. Os primeiros escaladores cearenses a escalarem acima desse patamar o fizeram quando foram morar fora, caso do Júlio Pimentel e do André Braga, hoje escaladores de 9º grau.

Mas de uns tempos pra cá o negócio tem começado a mudar de figura por aqui. E eu considero que dois fatores foram determinantes: primeiro a exploração da Pedra Vermelha, setor bem negativo que possibilitou novas vias de grau mais alto; e segundo, a contribuição do alemão Malte Seithuemmer, que morou aqui durante um ano, e motivou a galera  a escalar cada vez mais forte e a abrir algumas vias tendendo ao nono.

Algumas das vias que começaram a surgir que chegaram perto, foram a  Borboleta no Rêgo 8b, a Centopéia 8b/c, ambas na Pedra Vermelha, a Favo de Mel 8c (?) em Tejuçuoca, ainda sem cadena , e entrando na casa do nono, talvez mais alto ainda, ficam a Todynho e a Evil Chicken From Hell.  E parece que esse mês, a Evil Chicken From Hell pode acabar recebendo sua primeira, ou primeiras cadenas.

O André está por Fortaleza, e foi ontem comigo e o Daniel até a Pedra Vermelha, e deu 2 pegas na via. Achou realmente a via bem forte, e acha que pelo menos 9a a via é. Mas essa semana, um amigo dele, também escalador na casa do 9º desembarca por aqui, e deve tentar a via também. Queria eu estar lá pra documentar as tentativas e a provável cadena, mas vai ser durante a semana, então…mas creio que no final da semana devo noticiar aqui a primeira cadena de 9º grau no estado do Ceará, o que eu espero, eleve a motivação da galera pra continuar evoluindo.

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