Leis estaduais aprovadas ameaçam a prática livre do montanhismo

Daqui a pouco vai ter essa plaquinha espalhada pelas montanhas brasileiras!
A denúncia é preocupante! Depois de a lei de âmbito federal que regulamentava a prática dos esportes de aventura, sem no entanto definir os limites da prática comercial e da esportiva/recreativa, não ter sido aprovada no congresso, parece que os “lobbistas” buscaram um caminho mais curto para alcançar seus objetivos! Leis estaduais, com regulamentações ainda piores e mais genéricas que a proposta federal foram, e estão em vias de aprovação, em vários estados brasileiros. O alerta foi dado pelo Alta Montanha, dando conta da lei aprovada no estado do Paraná. O fato que já era preocupante ficou ainda mais depois que foi descoberto que a mesma lei (idêntica até nas virgulas), existia também em outros estados, ai inclusos os estados de Minas (com a lei aprovada desde 2007), o Ceará (aprovada em Dezembro do ano passado) e o Rio de Janeiro (com a lei ainda não aprovada).
Podem me chamar de teórico da conspiração, mas acho bastante estranho essas leis começarem a ser aprovadas, com o texto exatamente igual, logo nos estados brasileiros que já apresentam Federações de Montanhismo e Escalada. Apenas São Paulo e Santa Catarina ainda não tem (ou não encontraram), leis semelhantes. Parece realmente uma jogada articulada, sob força do lobby da ABETA, para aprovar as leis e regulamentar tudo na surdina, tirando assim as federações da jogada antes mesmo de saberem o que estava acontecendo.
Se foi isso mesmo ou não, na verdade não importa. O que importa agora é a comunidade da escalada brasileira se movimentar e divulgar ao máximo a estupidez dessas leis estaduais. Também é hora das federações mostrarem pra que servem e se articularem contra essas leis, aprovadas em seus estados. Já fiquei sabendo que já existe um movimento se articulando pelo Paraná para entrar na justiça contra a lei. Mas é óbvio que isso teria muito mais força e muito mais relevância se fosse feito em conjunto pelas federações de todos os outros estados e em conjunto também com a CBME. E claro, isso custa dinheiro pra pagar advogados!
Fica aqui meu recado pra galera da FEMECE, Federação de Montanhismo e Escalada do Ceará: vamos mostrar serviço! Se vocês querem que a comunidade de escaladores do estado se filie, participe, contribua, comece mostrando serviço. Acho legal fazer campeonato, abertura de temporada, etc, e apoio essas iniciativas (como já disse que apoiaria se fosse feito do jeito certo), mas Federação tem que estar atenta a esse tipo de coisa e agir de acordo, já que tem o respaldo jurídico para tal! A minha parte está sendo feito em denunciar mais essa palhaçada dos políticos brasileiros em relação ao montanhismo nacional!
Boulder não é descanso!
Eu não gosto de “requentar” posts, mas quando tive problemas com o meu servidor ano passado, vários dos meus textos se perderam, alguns bem legais e que realmente fizeram falta ao blog. Minha sorte foi que nessa época, eu ainda era um colunista ativo do Alta Montanha e alguns desses textos acabaram indo parar por lá. Foi o que aconteceu com o meu post sobre o Sharma, e a Escalada e a vida, que foram textos legais que eu escrevi, que foram bastante lidos e eu pude recuperar do Alta Montanha e trazer de volta pro Desce daí, doido! E esse é outro texto legal que eu escrevi e que também ficou à salvo do “crash” do meu servidor. Então deixo com vocês aqui, meu manifesto (ou seria ode?!) ao boulder!
Um dia desses, antes de fazer minha primeira viagem pro Rio, eu conversando com alguns amigos sobre os meus planos de escalada para a cidade maravilhosa, falei com a naturalidade de alguém que gosta de boulders, que intencionava tirar um dos três dias da viagem para encarar os pequenos blocos. A resposta veio rápida:
- Eu não acredito que tu vai pro Rio, e vai fazer boulder! Boulder? O cara vai pro Rio de Janeiro e vai fazer boulder. Boulder o cara faz se for passar uns 10 dias, ai você tira um diazim pra descansar e fazer boulder!
Opa! Descansar e fazer boulder? Taí duas coisas que pra mim são completamente excludentes. Como é que uma pessoa consegue descansar fazendo boulder? Eu pelo menos termino mais acabado depois de uma boa sessão de boulder do que um dia inteiro fazendo esportiva.
Mas eu não fico surpreso com essa reação, pelo menos aqui no Ceará, onde praticamente não existem boulders e ninguém se interessa em trocar as grandes paredes pelos pequenos blocos. Você pode até não gostar de boulder, mas dizer que é algo que você faz num dia de descanso, é querer comprar briga comigo companheiro!
Tá certo que o bouldering surgiu como um treino para as grandes escaladas, mas com o passar do tempo ele se tornou uma modalidade com fim em si mesma. Tanto que existem hoje escaladores que dedicam-se somente ao bouldering, como Daniel Woods, Paul Robinson, Tyler Landman, Jason Kehl. Grandes escaladores, que estão entre os melhores do mundo. Agora pergunta pra eles se eles tão descansando.
Boulder é das modalidades de escalada, a que concentra um maior esforço físico em um menor espaço de tempo. É pressão o tempo inteiro. Força nos braços. Dedos rasgados sem perdão. Se alguém quiser usar essa “brincadeira” pra descansar antes de fazer um bigwall, vá em frente! Mas eu não recomendo.
Só sei que da próxima vez que me perguntarem porque eu estou indo fazer boulder ao invés de esportiva ou escalada clássica, eu vou dizer que minha próxima viagem pra fazer boulder, vai ser pra Yosemite! Belo descanso, né?
Mont Blanc vai ganhar refúgio de montanha High-Tech
Essa notícia me interessou por que além de escalador, eu sou formado em arquitetura, e nunca achei que algum dia fosse juntar os dois num post só e falar de arquitetura nesse blog.

O famoso e tradicional refúgio del Goteur, no maciço do Mont Blanc, deve ceder espaço para uma construção high-tech até meados de 2012. O edifício foi concebido para ser uma construção autônoma, fazendo uso do que há de mais atual em eficiência energética. O prédio contará com painéis elétricos, geradores eólicos, fundidores de neve e módulos de tratamento de água, tudo voltado para produção independente de calor e energia. O refúgio quando ficar pronto terá a capacidade de abrigar 120 pessoas com conforto e segurança.
O partido arquitetônico da construção busca responder tanto a aspectos estéticos quanto técnicos, no que concerne a imersão da construção na paisagem assim como sua adaptação às condições climáticas do lugar, onde ventos de até 240 km/h não são raridade. Os painéis externos são de metal de baixa reflectância e a estrutura é de madeira retirada dos bosques próximos.

O orçamento da obra, devido às condições particulares de altitude e clima, é da faixa de 6,5 milhões de Euros, na maior parte bancado pelo Clube Alpino Francês (CAF), mas também com investimentos estatais. O CAF também mantém aberto o projeto para investidores privados que queiram apoiar a iniciativa.
Será que algum dia veremos algo desse porte em algum região de montanha brasileira?
Fonte: Desnível
Palestra de Rosier Alexandre sobre a expedição Mckinley

O montanhista cearense, Rosier Alexandre, faz hoje à noite palestra sobre a sua mais recente expedição, que teve como objetivo a conquista do cume do monte McKinley. Rosier não conseguiu chegar ao cume, mas ficou à apenas 60 metros do ponto mais alto da América do Norte.
Na palestra Rosier vai expor fotos, vídeos e contar os detalhes da expedição. Ao final da palestra Rosier fará a exposição dos equipamentos utilizados na empreitada.
Serviço:
Palestra Expedição McKinley
Local: Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC
Hora: 19hs
Endereço: Avenida Barão de Studart, 1980
Auditório José Flavio Costa Lima (térreo) – Entrada franca
Rosier Alexandre fica a 63 metros do cume do McKinley
Ainda não foi dessa vez que o montanhista cearense Rosier Alexandre conseguiu chegar ao cume da montanha mais fria do planeta, o monte McKinley, no Alaska. Na madrugada da segunda-feira, 21 de Junho, Rosier e mais 4 brasileiros que tentavam o cume tiveram que desistir, a apenas 63 metros do ponto mais alto da montanha.

A decisão de desistir do ataque ao cume se deu devido às baixas temperaturas, ao vento constante e à grande quantidade de neve acumulada. A expedição já havia ficado 2 dias presa no acampamento devido à uma nevasca ininterrupta, que acumulou mais de 1 metro e meio de neve. Várias outras expedições desistiram do cume, confirmando a baixa taxa de sucesso prevista pelos “rangers” do parque para essa temporada.
Essa foi a primeira tentativa de escalar o monte Mckinley por parte de Rosier, e faz parte do projeto do montanhista de conquistar os 7 cumes do mundo, as maiores montanhas de cada continente. Ele já conquistou uma dessas montanhas, o Aconcágua, na América do Sul e ainda pretende escalar o maior ícone do montanhismo mundial, o monte Everest.







